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Antoun Saadeh nasceu em primeiro de março de 1904, na cidade montanhosa Al-chounir, Distrito de Al-Matn, na região de Monte Líbano, considerada uma parte da pátria síria geográfica, antes de ser dividida política e compulsoriamente pelos colonizadores ingleses e franceses com a aprovação dos Estados Unidos e União Soviética, depois da Primeira Guerra Mundial.

A sua educação fundamental ocorreu na escola de sua cidade natal, Al-Chauir, e seus estudos continuaram no colégio de Lycée, no Cairo, Egito, de onde, seu pai, o médico Khali Saadeh, foi obrigado a emigrar e escapar da perseguição otomana, por trabalhar pela independência e liberdade de sua pátria, a Síria. Retornou, mais tarde, para sua terra natal e entrou na escola de Brummanna, que se localiza em uma cidade vizinha de sua cidade natal, porque seu pai foi obrigado a deixar o Egito e emigrar novamente sob a pressão do governo daquele país. A emigração, desta vez, foi em direção ao Brasil, onde se estabeleceu e fundou a revista Al-Majallah, em São Paulo […]; ali, continuou a trabalhar e escrever, e lutando contra a velha colonização turco-otomana e contra a nova colonização franco-inglesa que dividiu a pátria síria geográfica em vários estados políticos: Líbano, Pequena Síria, Palestina, Jordânia, Iraque, Kuwait, Ilha de Chipre, e fundou na Palestina o Estado de Israel. Além desta divisão, os franceses deram a região Norte da Síria à Turquia e os ingleses a Leste ao Irã e, a sul, na península do Sinai, ao Egito. Assim, a Pátria de Jesus Cristo foi dividida por dentro e cercada por fora, surgindo, desde aquele tempo, o problema do Oriente Médio, causado pelos colonizadores que não aceitam a autodeterminação dos povos e não admitem viver sem dominar e explorar os outros. Aos 15 anos, Antoun Saadeh emigrou ao Brasil, atendendo ao chamado de seu pai, acompanhado de dois irmãos menores: Salim e Eduardo e a irmã Grace de 9 anos. Mas, ao invés de chegar ao Brasil, o navio ancorou nos Estados Unidos, e Antoun Saadeh foi obrigado a trabalhar em qualquer atividade a fim de sustentar seus irmãos. Em fevereiro de 1921 mudou-se para o Brasil, ocasião em que participou, juntamente com seu pai, na edição do jornal Al-Jaridah e da revista Al-Majallah. Em 1924 fundou uma associação secreta cujo alvo era unificar a Síria geográfica, depois de ler o famoso artigo de seu compatriota e grande autor, Gibran Khalil Gibran, intitulado “Meus Pais Morreram”, resultado daquele crime que fragmentou a Síria, onde disse:

“Meus pais morreram e estou sozinho, vivo chorando, sofrendo, sustentando na minha solidão e isolamento minha desgraça. Meus pais morreram e minha vida se tornou, depois deles, uma parte daquela desgraça que me atacou. Eu preferiria que todo o meu povo morresse, revoltando-se contra os governos tiranos (!!) pois, a morte em defesa da liberdade e da vida digna é mais digna do que a vida nas sombras da rendição e escravidão. Ò meus compatriotas sírios, meus e vossos pais morreram. O que podemos fazer para salvar aqueles que ainda não morreram?”

Em São Paulo começou Antoun Saadeh sua marcha crescendo, estudando, evoluindo, aprendendo, pensando, trabalhando, esforçando e lutando para fazer alguma coisa que pudesse movimentar os imigrantes sírios honestos, a fim de salvar seus irmãos residentes na Síria, agora divididos pelos colonizadores.

Enquanto viveu no Brasil, ele estudou, além do francês e do inglês, que anteriormente estudara, os idiomas: alemão, russo, português, espanhol e italiano. Lecionou em São Paulo, História, no Liceu São Miguel, mantido pelo bispado ortodoxo (Bispo Dom Mikhail Chehade). Em 1930, retornou à pátria natal e começou a lecionar o idioma alemão na Universidade Americana de Beirute que, anteriormente, se chamava Escola Evangélica da Síria. Ao mesmo tempo, se uniu à equipe do periódico Damasceno (Al-Ayyam), publicado em Damasco. Em 1932, fundou e liderou o movimento nacionalista social sírio, que ficou secreto até 16 de novembro de 1935, quando, então, o movimento ficou conhecido e Antoun Saadeh entrou pela primeira vez na prisão com centenas de estudantes e partidários, sendo julgado pelo governo francês e sentenciado a seis meses. […] Naquele período ele escreveu seu livro (Gênese das Nações, vol. 1) – formação das nações. Após este período, ele foi posto em liberdade, mas preso novamente no final de junho de 1936, período no qual ele escreveu seu segundo livro (Gênese das Nações, vol. 2) – formação da nação síria -, mas desta vez as autoridades francesas confiscaram o manuscrito.

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Gostaríamos de chamar a atenção do leitor para o fato de o General De Gaulle ter fundado o seu partido, o P.P.F. (Parti Populaire Français, “Partido Popular Francês”) semelhante ao partido de Antoun Saadeh, que era conhecido pelas autoridades francesas como PPS (Parti Populaire Sirien, “Partido Popular Sírio”). Até a União Européia foi uma copia da ideia que Antoun Saadeh planejou sobre a união árabe como foi explicada nos propósitos do Partido Nacionalista Social Sírio, que proclamava:

  • Criar um Renascimento nacionalista social sírio que assegure a realização de seus princípios e devolva à nação Síria sua vitalidade e poderio.
  • Organizar um movimento que conduza a nação Síria à sua total independência e à consolidação de sua soberania.
  • Estabelecer uma nova ordem que garanta seus interesses superiores e melhore o seu nível de vida.
  • Exercer todos os esforços cabíveis para criar uma frente comum árabe realizada das nações árabes (união comum das nações árabes)

Antoun Saadeh, entre 1935 e 1938, era o principal líder Nacionalista que passava seu tempo na prisão ou perseguido pelas autoridades francesas que dominavam seu país naquela época. Depois de ter sido colocado em liberdade, em 1938, ele fundou o jornal Al-Nahda (“Renascimento”) e continuou a liderar o partido até deixar o país em 1938 para organizar suas filiações ao redor do mundo, especialmente nos países europeus e americanos.

Na ausência de Antoun Saadeh, ele foi julgado à revelia e sentenciado pelas cortes francesas a 20 anos de prisão e 20 anos de exílio.

Na Europa, conseguiu convencer muitos alunos que estavam estudando nas Universidades e em vários países europeus, especialmente Itália, França, Alemanha, Inglaterra e Suíça.

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No Brasil, fundou uma filial do Partido dos Imigrantes e o jornal Suria Al-jadida (“Nova Síria”), mas foi detido em São Paulo por dois meses sob acusações dos agentes coloniais franceses, as quais foram constatadas como falsas, e, assim, posto em liberdade.

No entanto, as autoridades brasileiras pediram, sob pressão do governo francês, a saída dele do país o quanto antes. Ele deixou o Brasil e dirigiu-se à Argentina, onde permaneceu até 1947. Na Argentina, fundou, também, várias filiais do Partido e um novo jornal, Al-Zaubaah (“Ciclone”). […] Da Argentina, Antoun Saadeh começou a dirigir o seu partido como movimento libertador e unificador o qual encontrou forte eco nos meios intelectuais, culturais, estudantis, trabalhadores, lavradores e entre o povo em geral.

Em 2 de março de 1947, ele retornou à sua Pátria, onde foi recebido por dezena de milhares de partidários que chegaram a Beirute de todos os cantos e regiões da Síria geográfica: do Líbano, da Palestina, da pequena e atual Síria, da Jordânia e do Iraque. […]

Logo depois de sua chegada em Beirute, ele fundou o jornal Al-Jil Al-Jadid (“Nova Geração”). […] Após isto, Antoun Saadeh dirigiu-se a Damasco, onde proclamou a primeira revolução nacionalista-social, no dia 4 de julho de 1949, a fim de udar a regra de tirania nacional, apoiada pela vontade dos invasores, e pôr fim à corrupção, falsificação e injustiça social-econômica.

Durante aquele tempo, uma conspiração internacional entrou em vigor, envolvendo as grandes capitais como Washington, Paris e Londres, além das capitais árabes, Beirute, Damasco, Cairo, Amã e Bagdá e, em 7 de julho de 1949, o presidente sírio Husni Al-zaim, que tinha boas relações com Antoun Saadeh, o traiu e entregou aquele grande líder às autoridades libanesas. Antoun Saadeh foi interrogado, julgado e executado em poucas horas, sem ter chance de defesa. Foi executado por um pelotão de fuzilamento às 3:20 da madrugada de 8 de julho de 1949.

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As únicas palavras ditas por ele naquela madrugada, e que foram propagadas pelos assistentes depois da execução, foram as seguintes:

“Não me importa como vou morrer, mas me importa por qual objetivo e propósito devo morrer. Eu morrerei, mas meu movimento e sua doutrina ficarão eternos. Eu completei a minha missão e estou assinando a execução da minha mensagem com sangue. Por favor, me deixem ver como as balas sairão das armas de meus compatriotas e entrarão em meu peito. Muito obrigado.”

Depois que Antoun Saadeh foi executado, as autoridades libanesas executaram também seis membros de seu partido, cada um de uma seita religiosa, porque o partido conseguiu abranger cidadãos de todas as seitas e regiões conhecidas na Síria geográfica.

Não podemos estranhar os atos bárbaros do governo libanês naquela época, pois era um governo credenciado e imposto pelas forças estrangeiras que também perseguiram todos os talentosos e gênios como o grande filósofo Gibran Khalil Gibran […] Não exageraríamos se falássemos que dezenas de milhares de imigrantes espalhados pelo mundo inteiro foram perseguidos porque eram simpatizantes das ideias de Antoun Saadeh, que descobriu as bases essenciais de um mundo melhor, avançado e civilizado, onde as mentalidades nacionais sociais lúcidas formam a mente complexa, global e humana, que é o guia superior para a verdadeira globalização construtiva. Ele escreveu muitas obras nos campos da sociologia, filosofia, economia, literatura, e todas suas obras interpretaram e esclareceram uma nova visão original da vida, do universo, da arte; exigindo de nós o aprofundamento de nossa compreensão para melhorar nosso nível de vida, enfrentar o universo com todos nossos esforços, descobrindo suas leis e seus segredos e, ao mesmo tempo, usar nosso raciocínio, nossa imaginação e nosso talento para produzir a nossa arte, que sempre procura a melhores criações e mais altas invenções.


Youssef Mousmar, tradutor do Livro “Gênese das Nações”.

Curitiba, Brasil, 5 de abril de 2010

FONTE: MOUSMAR, Youssef. Antoun Saadeh: O Sociólogo e Filósofo, Curitiba, 2013, pp 9-30 (Adaptado)

Retirado de Alerta Nacionalista


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By Alerta Nacionalista

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