Waffen-SS: Inocentes em Oradour

Nos ajude a espalhar a palavra:

Após a publicação de seu livro “A Verdade sobre Oradour“, o revisionista francês Vincent Reynouard passou a ser perseguido implacavelmente pelos defensores do sistema, segundo uma política planejada para silenciar aquelas vozes que se atreveram a revelar a essência da propaganda de guerra aliada.

Meus inimigos querem me silenciar…

A 9 de junho de 2004, o Tribunal de Limoges me condenou a dois anos de prisão, onde 18 meses de condicional e a uma multa de € 3.000 [euros] pelo crime de “Consentimento de um crime de guerra”. O confisco de parte de meu arquivo, ocorrido em 2001, também foi julgado procedente. O motivo para este veredito foi minha pesquisa sobre o suposto “massacre” por parte da SS, que ocorreu há 60 anos no vilarejo de Oradour.

Tudo começou no ano de 1989, quando eu conversei com um amigo sobre a Waffen-SS e ele me disse, que a historiografia oficial do “Massacre em Oradour” é questionada por uma série de pessoas. Até este momento, como quase todos os franceses, eu acreditei na versão histórica oficial: membros da Waffen-SS arrasaram o vilarejo de Oradour a 10 de junho de 1944 e exterminaram seus habitantes. Eu também acreditava que eles haviam queimado vivas centenas de mulheres e crianças na igreja local.

No caso de Oradour, não se trata da morte de algumas dúzias de pessoas, mas sim do assassinato a sangue frio de 642 pessoas, dentre elas 500 mulheres, crianças e bebês indefesos. À vista desta repugnante afirmação e da dúvida que se originou, foi completamente normal para mim a visitação do local do crime. Eu queria me convencer com meus próprios olhos sobre aquilo que é apresentado como fato.

Eu não sou historiador. Minha formação é aquela de um engenheiro químico e eu sou professor de ciências naturais. Por isso eu não estudei Oradour através da regra geral. A verdade é que os autores franceses partem do princípio de avaliar a Waffen-SS segundo os fundamentos da guerra total dos alemães, então vem o discurso sobre os “crimes da SS” na Rússia, Checoslováquia, e em outras partes; e então somente a ocupação alemã da França e as atividades gerais da Waffen-SS em sua luta contra a Resistência. O massacre de Oradour é tratado somente depois. Para esses autores preconceituosos, a culpa da Waffen-SS é completamente óbvia. Este é o motivo também que desde 1947 somente a versão oficial seja a única a ser ouvida.

De minha parte eu utilizei os procedimentos normais do trabalho policial criminalista, onde as provas objetivas são verificadas sem preconceitos. Eu esqueci tudo que já tinha ouvido, e visitei o local da tragédia, com suas ruínas remanescentes. Além disso, eu estudei todas as fotografias históricas que eu podia acessar, principalmente dos cadáveres. Só então eu li os depoimentos das testemunhas.

Com relação aos cadáveres pode-se afirmar que, por um lado, entre aqueles dos adultos masculinos e de outro, das mulheres e crianças, temos uma decisiva diferença.

Os cadáveres dos homens estavam (exceto poucas exceções) completamente carbonizados, enquanto suas vestimentas que portavam, estavam queimadas. Eles se pareciam como típicas vítimas de um incêndio. Ao contrário, os cadáveres das mulheres e crianças estavam despedaçados; podendo-se dizer somente de partes do corpo: aqui um tórax, um quadril com as pernas, ali um braço, uma mão, uma cabeça. Várias partes dos corpos estavam cobertas com tecido, que não havia sido queimado. Assim que a cabeça era encontrada, tinha-se condição de reconhecer marcas particulares das faces das vítimas. Elas se pareciam como típicas vítimas de uma explosão.

Ferragens destruídas, bicicletas, uma máquina de costura, etc. em Oradour-sur Glane, França. Esta é uma fotografia tirado durante uma visita à vila francesa de Oradour em 11 de junho de 2004, exatamente 60 anos após sua destruição durante a Segunda Guerra Mundial. Foto: Dennis Nilsson / Domínio Público.

As ruínas da igreja confirmavam minha suposição. Ela me lembrava outras igrejas que foram alvos de bombardeio aéreo. Típico para tais ruínas são os telhados retirados pela força da explosão, e a falta dos sinais de chamusco ao redor de janelas e portas. Tratando-se de um grande incêndio, sempre encontra-se lá rastros de fuligem.

No interior da igreja eu encontrei mais provas que colocam a teoria oficial em contradição: um globo de latão com parede fina, que se localizava sobre o teto da torre da igreja, não estava derretido. Segundo a teoria oficial, o desabamento do telhado foi ocasionado por um fogo intenso de dentro da torre. Mas como o globo de latão poderia resistir às chamas? O globo de latão estava intacto, todavia, amassado, o que significa que ele tenha sido lançado pelo ar. Os dois sinos da igreja possuíam apenas sinais superficiais de derretimento e isso somente em algumas partes. Os escritos gravados sobre o sino ainda estavam parcialmente legíveis. Se realmente um fogo intenso e duradouro aconteceu no interior da torre da igreja, então uma massa considerável do bronze deveria derreter. Mas na realidade, a força destruidora do fogo foi apenas de breve duração, resultando que o calor não pode penetrar no núcleo do metal.

No pavimento térreo da igreja existiam objetos de madeira, por exemplo, o confessionário. Caso se tratasse realmente de um fogo intenso que queimou 500 mulheres e crianças, como foi possível que objetos de madeira resistissem às chamas? Ainda hoje se encontram sobre o altar flores de seda, as quais foram descritas por Pierre Pivetin, apenas algumas horas depois que ocorreu o drama. Como estes frágeis tecidos puderam resistir a um fogo duradouro?

As provas físicas nos possibilitam chegar à conclusão que algo de breve duração aconteceu na igreja, ao invés de um fogo de longa duração. Isso parece confirmar a hipótese de uma ou mais explosões.

Fortalecimento pelos depoimentos das testemunhas

Concluído este trabalho, comecei a estudar os depoimentos das testemunhas. Minha atenção foi desviada imediatamente à Sra. Rouffanche, apresentada como a única sobrevivente do que aconteceu na igreja. Ela deixou vários depoimentos entre 1944 e 1947 e apareceu como testemunha no tribunal dos crimes de guerra em Bordeaux, 1953. Comparando os depoimentos das testemunhas, eu cheguei logo à conclusão que a Sra. Rouffanche era uma falsa testemunha, que proferia relatos absurdos. Por exemplo, ela falou sobre uma “caixa” secreta que queimava sem chamas e voava pelo ar sem explosão. Quando ela foi interrogada pela primeira vez em junho de 1944 por membros do grupo de resistência de Pierre Poitevin, ela relatou sobre uma “caixa que produzia fumaça”, a qual foi levada para a igreja pela Waffen-SS. Além disso, ela declarou: “Ninguém ousava ir até as proximidades da caixa, mas ela não explodiu”. Por outro lado, ela declarou a 20 de novembro de 1944 que “o dispositivo foi aceso e uma forte explosão estremeceu o interior da igreja” (do “Arquivo da comissão para verificação dos crimes dos inimigos na França”). Em 1947, ela explicou diante do Tribunal Militar em Bordeaux: “Sobre a caixa mencionada que foi levada ao interior da igreja, saia uma fumaça espessa e sufocante, sem chamas visíveis”.

As ruínas do povoado Oradour-sur-Glane, na França Foto: Olivier Laban-Mattei / AFP.

Chega-se à suposição que a misteriosa caixa queimou sem chamas e que uma explosão aconteceu no interior da igreja, mas a própria caixa não explodiu.

Em todo caso, a Sra. Rouffanche explicou que ela escapou das chamas por ter pulado através da janela da igreja. Isso significa que ela caiu de uma altura de 4 metros, sobre uma encosta de 4,5 m de comprimento, cujo final encontra-se um muro de um metro de altura. Deste pedaço estreito do muro havia ainda o desnível de 2,5 m, onde a Waffen-SS esperava por ela. Tudo isso ela conseguiu sem se machucar, embora já tivesse 47 anos. Quando ela se levantou, conseguiu ainda escapar, embora um membro da SS abaixo da janela ter aberto fogo contra ela, e a atingiu com 5 tiros na perna. Este depoimento contraditório e fantástico foi o suficiente para me convencer de que a Sra. Rouffanche era uma mentirosa.

Eu me voltei então para outras testemunhas mencionadas na literatura oficial, segundo as quais a Waffen-SS foram os incendiários. No primeiro plano dos sobreviventes do drama estão seis homens que escaparam do fuzilamento, se escondendo no celeiro da camponesa Laudy. De grande interesse foi o depoimento da Sra. Lang, que se escondeu em sua casa naquele fatídico dia de 10 de junho de 1944. Em seu interrogatório, ela explicou: “Podia-se ouvir um barulho horrível da direção da igreja, situada distante de nós algumas dúzias de metros. Uma explosão seguida de outra, então foram ouvidos gritos horríveis. As metralhadoras abriram fogo”.

Sr. Palier, um engenheiro que trabalhava para a Sociedade Nacional de Estradas de Ferro Francesa, o qual visitava a igreja no dia da tragédia, escreve: “Me parece que as mulheres e crianças tiveram um outro destino do que aquele dos homens, pois os cadáveres das pessoas que se encontravam na igreja foram encontrados em um ‘estado normal’”.

Este depoimento confirma minha primeira conclusão, que eu tinha formado baseado nas provas objetivas. A igreja foi destruída por várias explosões, que mataram também as mulheres e crianças. Esta investigação foi confirmada através do depoimento dos sobreviventes, assim como através de documentos não publicados.

Em agosto de 1990, eu me encontrei com Sr. Renaud. Ele me disse como ele vivenciou quando a igreja foi destruída pela explosão. A explosão foi tão forte que o telhado voou e o Sr. Renaud foi atingido pela onda de choque. Sr. Beaubreuil confirmou de sua parte, que o fogo das metralhadoras no vilarejo vieram da direção da igreja, após uma forte explosão. Seu testemunho é de especial importância, pois no dia em questão ele se escondia na casa de sua tia, que morava bem próximo à igreja. Hoje, ambas as testemunhas negam que tenham me conhecido e conversado comigo. Neste caso, ambas mentem. Eu encontrei ambas e nossas conversas foram relatadas em um pequeno livreto vermelho, com datas e informações que eu não podia simplesmente fabricar. O livreto de apontamentos foi confiscado posteriormente pelas autoridades judiciais francesas. Caso ele tivesse sido liberado por elas, estaria claro quem mente aqui!

Com a ajuda de um advogado, eu pude verificar as notícias estenografadas feitas durante o processo dos crimes de guerra, em Bordeaux. Eu pude conferir que não só os acusados (Ferdinand Giedinger, Heinrich Weber, e outros), mas também as testemunhas da acusação (isto é, os sobreviventes) confirmaram que a igreja explodiu. A Sra. Renaud, por exemplo, disse: “Houve uma grande explosão na igreja”. Seu marido, que eu conheci, disse: “Os únicos gritos que eu ouvi começaram quando a igreja explodiu”. O Sr. Petit foi um daqueles que entrou na igreja logo após a tragédia. Em Bordeaux, ele afirmou: “Foi uma visão terrível. Não havia mais nenhum corpo inteiro. Alguns foram divididos ao meio”.

Todos os depoimentos das testemunhas convergem ao ponto de que a igreja foi atingida por uma série de grandes explosões, onde pelo menos uma ocorreu no interior da torre da igreja. Além dos danos visíveis no prédio, as explosões provocaram a morte de várias mulheres e crianças na igreja e iniciaram o tiroteio no vilarejo.

A Waffen-SS explodiu a igreja?

Podemos responsabilizar a Waffen-SS pela explosão? Segundo a sustentada versão dos acontecimentos, a resposta é: sim.

Porém, os responsáveis pela versão oficial sabem que a caixa misteriosa, sobre a qual falou a sra. Rouffanche, não pode explicar a explosão da igreja, pois ela foi colocada alegadamente longe da torre, na nave principal da igreja. É afirmado que a Waffen-SS queria a morte simultânea de todas as mulheres e crianças. Esta tentativa falhou e causou mais barulho do que danos, pois o único que foi morto foi um homem da SS chamado Gnug, atingido por uma pedra que caiu da torre da igreja. Depois eles teriam improvisado uma máquina de asfixia, que pegou fogo posteriormente no interior da igreja. Mas essa tentativa também falhou, pois a explosão destruiu a janela que servia então de exaustão para a fumaça. Completamente hesitantes, os membros da Waffen-SS entraram na igreja para fuzilar as pessoas com suas metralhadoras. [Albert Hyvernaud, Petite histoire d’Oradour-sur-Glane de la Préhistoire à nos jours, 1989]

Vila histórica de Oradour-sur-Glane. Foto: TripAdvisor. As casas destruídas foram conservadas intactas com placas de “lembre-se”, tornado-se a principal atração turística na localidade.

O problema é que essa representação é totalmente absurda, como podemos observar rapidamente. Se alguém quisesse matar para valer mulheres e crianças, então não prendendo dentro de uma igreja com suas espessas paredes. Mais provável seria fuzilá-los em pequenos grupos. Mas existe ainda um outro ponto a ser considerado: se a representação oficial fosse verdade, então as mulheres e crianças teriam ouvido uma explosão antes da chegada da “caixa”. Mas em seu depoimento do ano 1944, a testemunha mais importante, Sra. Rouffanche, não comentou nada sobre uma explosão. Em 1947, ela até afirmou: “Durante aquele período na igreja, eu não ouvi nem vi uma explosão”. Aqui a historiografia oficial é contraditória, mais uma vez. O principal depoimento de sua argumentação parece ser: está tudo bem em responsabilizar a Waffen-SS por uma explosão, mas assim que a história torna-se absurda, é melhor que não tenha havido qualquer explosão.

Para mim então havia somente uma conclusão: as misteriosas explosões, onde uma ocorreu na torre da igreja, não foi obra da Waffen-SS. Elas tiveram outra origem, e os defensores da versão oficial poderiam ter esclarecido já em 1944.

Oradour, um ponto de apoio para atividades dos partisanos

A suposição mais provável é que se encontrava no interior da igreja um estoque de munição dos partisanos, o qual teria explodido a 10 de junho, com consequências trágicas. Os motivos para isso devem ser esclarecidos. Natural que esta teoria esteja em contradição com a representação oficial, que pinta Oradour como um vilarejo amante da paz em uma região livre de partisanos. Os defensores da versão oficial não querem que as pessoas reflitam seriamente sobre a origem da destruição da igreja. Por que a Resistência não teria utilizado para seus objetivos um grande vilarejo localizado em um importante entroncamento rodoviário? Pois nós sabemos de diversos casos da França e da Bélgica, onde partisanos utilizaram as igrejas para armazenar grandes quantidades de munição.

Nos anos 90, eu comecei a me ocupar mais com as atividades dos partisanos e logo descobri que alguns moradores do vilarejo de Oradour tinham contato com a Resistência: Maurice Beaubreuil foi um membro de um grupo de partisanos, seu amigo Mathieu Borie pertenceu ao FTP, o movimento comunista de resistência. Paul Doutre foi um membro da Resistência; M. Dupic foi um membro do “Exército Secreto”, (um grupo de partisanos de orientação de extrema direita). Paul Doire abastecia os partisanos locais com pão. Mas ainda existem outros exemplos: estudando o departamento de Haute-Vienne, eu encontrei nos arquivos que os partisanos estavam ativos frequentemente em Oradour e faziam certas ações lá, como o furto de cigarro e gasolina (Comparar o relatório do sub-prefeito Guy Pauchou, citado em meu livro. Apesar deste fato, o próprio Pachou declarou em 1945 que Oradour era um vilarejo totalmente pacífico). Apesar disso, a 643ª Divisão dos empregados estrangeiros estava estacionada em Oradour. Ela era composta principalmente de espanhóis que fugiram do regime de Franco. Para os partisanos, estes anti-fascistas eram uma fonte de possíveis recrutas. Este é certamente o motivo pelo qual hoje em dia os empregados estrangeiros escapam da verificação oficial.

Exemplo de como essa Resistência comunista agia financiada pelos Aliados e a dificuldade das tropas alemães e colaboracionista em detê-las. Essa foto foi tirada durante uma invasão em frente ao Palazzo Barberini, em Roma, por tropas alemãs e republicanas italianas colaboracionistas, após o ataque partisan na Via Rasella contra uma companhia policial do sul do Tirol (agregada à SS) em treinamento, em 23 de março de 1944. Os detidos nesta invasão foram levados ao Ministério do Interior, sendo alguns executados como retaliação devido sua participação no massacre de Ardeatine. Foto: Bundesarchiv, Bild.

Em 1996, eu descobri que um antigo piloto da RAF, chamado Len Cotton, foi abatido no final de 1942 nas proximidades de Confolens. Textualmente ele me relatou que a tripulação de seu avião recebeu tratamento da Resistência, para evitar que eles caíssem nas mãos dos alemães. Por três dias eles estiveram em Oradour-sur-Glane, na sacristia da igreja, com total conhecimento do padre local. O cuidado dos homens da RAF foi levado a cabo pela filha da já mencionada sra. Rouffanche, que era um membro da Resistência, sob o codinome de Danielle. Por telefone, Len Cotton me explicou que Oradour era um importante ponto logístico da Resistência. Este testemunho eu publiquei há sete anos atrás. Até agora nenhum representante da versão oficial se manifestou.

Os dados apresentados acima devem explicar porque, sem exitar, a sra. Rouffanche foi uma testemunha favorável à Resistência. Com sua história inacreditável da “caixa” e seu espetacular salto pela janela, ela conseguiu impor toda a culpa na Waffen-SS e livrar a Resistência da culpa. Desta forma, Sra. Rouffanche continuou a luta de sua filha.

Em todo o caso, os dois pilares centrais da versão oficial ruíram – um após o outro. Oradour não era um vilarejo totalmente pacífico, sem atividade de partisanos, mas ao contrário, era um centro das atividades dos partisanos. E ainda: a igreja não foi destruída por um incêndio causado pela Waffen-SS, mas sim através de uma série de explosões das munições que foram armazenadas em seu interior.

Estas conclusões são tão importantes que já em 1944 a Waffen-SS negou que ela estava em Oradour para aterrorizar a população e liquidar o vilarejo. A 10 de junho de 1944, vieram 120 a 150 membros da Divisão “Das Reich” da Waffen-SS para Oradour, com a missão de procurar no vilarejo e imediações pelo soldado alemão Helmut Kämpfe, aprisionado no dia anterior pelo grupo de partisanos liderado por Jean Canou.

Segundo as primeiras impressões, o prisioneiro se encontrava ainda em Oradour. Os homens do vilarejo foram separados das mulheres e crianças, enquanto estes últimos foram conduzidos para sua própria segurança ao interior da igreja. Em seguida, os homens foram divididos em pequenos grupos e trancados no celeiro, possibilitando a vigia dos soldados. A Waffen-SS vasculhou as residências e encontrou inúmeras armas, assim como munição. Houve então uma grande explosão na igreja, mutilando as mulheres e crianças. A Waffen-SS acreditavam que eles estavam sob fogo e por isso abriram fogo contra os homens no celeiro.

A refutação oficial francesa

Os franceses sempre refutaram a versão alemã com a tese do vilarejo pacífico. Isto é uma tentativa falha de se auto-proclamar inocente, ou pelo menos querer se justificar. Vamos então assumir que a Waffen-SS realmente queria agir “com maldade habitual”, com lhe é impetrado. Caso eles realmente quisessem aterrorizar e desmoralizar a população, então a Waffen-SS nem teria procurado argumentar. Muito mais, eles iriam explicar que um orgulho diabólico que eles não se deixam passar por tolos. Em um caso desses, não teria havido um Oradour, mas sim dez, vinte, cinquenta.

Joachim Gauck [direita], presidente da Alemanha e François Hollande [esquerda], na época o presidente francês, em visita as ruínas de Oradour-sur-Glane. As ruínas da igreja estão até hoje preservadas para mostrar a “barbárie” alemã… Gauck se tornou o primeiro chefe de Estado da Alemanha a visitar Oradour em setembro de 2014. A imprensa francesa aplaudiu o gesto, mas destacou a “ausência de desculpas” no discurso. Gauck, nascido em 1940 falando sobre o período pós-guerra disse na ocasião: “Você tinha que odiar a si mesmo por ser alemão”. Foto: Reuters.
Por fim, ninguém duvida que a Waffen-SS tenha separado em Oradour os homens das mulheres e crianças, ou que eles exigiram reféns dentre entre os mais idosos do vilarejo, para possível negociação. Também é consenso que a Waffen-SS tenha revistado as casas. Por que então todo esse trabalho, se eles entraram no vilarejo somente para liquidar sua população? Afinal, eram alemães com tremenda pressa em seguir para a zona de batalha da Normandia.

Em Tulle no dia anterior

Não se pode esquecer que foi dado à Waffen-SS no dia anterior em Tulle, a oportunidade ideal para medidas retaliadoras como resposta à atividade dos partisanos e suas “atrocidades sem sentido”. Neste vilarejo, encontrou-se 40 cadáveres mutilados de soldados alemães mortos pela Resistência. Os alemães poderiam ter expostos os cadáveres de seus soldados tombados, enquanto eles iniciavam o massacre dos homens mulheres e crianças em Oradour. Mas está claro que isso não ocorreu. Em Tulle, a Waffen-SS, de acordo com suas próprias diretrizes, pouparam as mulheres e crianças, enquanto enforcaram 99 dentre todos os 1200 prisioneiros. O fato de que em Oradour, os homens foram separados das mulheres e crianças não prova que eles queriam exterminar propositadamente todo o vilarejo. Partindo disso, eu suponho que em Oradour trata-se de uma ação policial que, sem intenção, terminou em uma tragédia. A missão da Waffen-SS fora procurar o soldado alemão Helmut Kämpfe e destruir o ninho dos partisanos. Enquanto a operação estava sendo executada, enviaram as mulheres e crianças para a igreja. O erro do comandante alemão foi não ter revistado minuciosamente o “local sagrado”. Mas porque aconteceu a explosão no depósito de munição, levando a morte a tantas pessoas? Enquanto o acesso aos arquivos do processo estiver restrito (e eles não serão abertos antes de 2053!), nós podemos somente lançar mão de especulações. O cenário mais provável é para mim o seguinte: enquanto a Waffen-SS vasculhava o vilarejo, alguns partisanos se esconderam na igreja, onde, como dito, estavam escondidos armas e munições. Quando as mulheres e crianças forma levadas à igreja, os partisanos foram descobertos. Os soldados alemães tentaram capturá-los e houve agressões físicas e, finalmente, tiros. Estes tiros podem ter originado a explosão da munição. Todas as mulheres e crianças foram mortas devido a esta catástrofe? Isso não parece ser o caso, pois parte da igreja não foi destruída e peças de madeira e tecido permaneceram intactos. As pessoas, que se encontravam perto destes objetos, devem ter sobrevivido ao drama, e não apenas a falsa testemunha sra. Rouffanche.

Um soldado alemão chamado Eberhard Matthes, visitou Oradour “em uniforme”, em 1963. Ele declarou sob juramento, a amizade que fizera com duas mulheres que se apresentaram como sobreviventes da igreja. Elas lhe disseram que a Waffen-SS “teriam salvado do inferno várias mulheres e crianças”.

Censura brutal

Todos os detalhes mencionados acima foram tratados detalhadamente em um livro de quase 450 páginas, publicado em 1997, na Bélgica, sob o título “Le massacre d’Oradour” [O massacre de Oradour]. Foi traduzido posteriormente para o alemão como Die Wahrheit über Oradour e lançado pela Editora Druffel. Em seu prefácio, eu escrevi na época: “Se críticos nos convidarem para um debate sincero, então nós iremos aceitá-lo com prazer”. Eu já estava disposto naquela época a discutir minha teoria. Se os defensores da versão oficial estivessem realmente seguros de sua versão, então eles não teriam problema algum em refutar minhas teses durante um debate. O melhor caminho para isso seria responder ao meu livro.

Todavia, a oportunidade nunca foi aceita pelos meus adversários. Ao invés de discutirem, responderam com uma brutal censura. Meu livro foi publicado em 1997, numa época onde me foi proibido lecionar na França devido meu “revisionismo”. Perto de Limosin, uma intensa campanha midiática foi clamada contra mim. Eu fui difamado intensamente, meu nome vilipendiado, caluniado como mentiroso e falsário. Naturalmente, nenhum jornalista me entrevistou e nenhuma de minhas respostas às calúnias foi publicada. Somente meus adversários puderam falar.

A proibição de meu livro na França

Paralelo aos esforços oficiais, em Limosin foi tentado proibir meu livro o mais rápido possível. Como esperado, isto levou a um rápido resultado e já em setembro de 1997, foi proibido a impressão e distribuição de meu livro por toda a França, através do decreto do ministro do interior da época, Jean-Pierre Chevènement.

De 1998 a 1999, um pequeno grupo de ativistas trabalhou em um vídeo com o resumo dos principais argumentos de meu livro. O filme foi terminado ao final de 2000 e comercializado em janeiro de 2001. Também neste caso a reação das autoridades foi rápida. A 8 de fevereiro de 2001, foi publicado um decreto do prefeito de Haute-Vienne, proibindo a exibição do filme por toda a comarca. Os protetores da versão oficial queriam me processar por “negação de crime de guerra”. Como não existe tal lei na França, as autoridades mudaram o curso e alegaram “consentimento a um crime de guerra”. Como eu poderia aprovar algo cuja existência eu coloco em xeque!

Um processo criminal contra mim foi aberto então através da justiça. A 16 de maio de 2001, minha residência em Bruxelas foi revistada, em minha presença, pela polícia belga, sob diretriz das autoridades francesas. Eles confiscaram cerca de 60 caixas de livros, diversos papéis, apontamentos e cópias. Ao mesmo tempo, a residência de meu editor e seu escritório em Antuérpia foram revistados. Formulários anônimos de compra para meu filme foram enviados para as pessoas da região de Limousin. A justiça ordenou uma análise da escrita dos envelopes e uma análise de DNA do resto da saliva nos selos. O remetente do formulário foi então descoberto, ele se revelou como sendo um amigo meu da região de Limousin, que achava estar ajudando.

Em junho de 2001, a juíza Christine Fourel decretou a apreensão de meu passaporte. Me foi proibido permanecer no distrito de Haute-Vienne, e eu era obrigado a notificar o tribunal caso me ausentasse por mais de três dias de minha casa. A 27 de setembro de 2001, quatro anos após meu livro, o ministro do inteiro da França assinou um decreto que proibia meu filme por todo o território da França. Para legitimar tal ato, eles se basearam em uma lei de 17 junho de 1998, desenvolvida para “a proteção de menores de idade, e para a luta contra crimes sexuais”!

Entrementes, as audiências do meu processo continuam. Elas duram dois anos. Ao final, meu caso foi considerado “consentimento a um crime de guerra”. O processo no tribunal de primeira instância foi a 18 de novembro de 2003. O modo como ele foi conduzido, só pode ser descrito como escandaloso. O juiz recusou-se a assistir meu vídeo. Interrompendo-me sempre, ele se assegurou que eu não pudesse me defender. A 12 de dezembro saiu meu veredito e eu fui condenado a um ano de prisão, sendo nove de condicional, pelo crime de “consentimento”. Além disso, foi aplicada uma multa de € 10.000. O confisco de meu material de pesquisa foi declarado legal.

A apelação aconteceu a 14 de abril de 2004. Desta vez, o comportamento do tribunal foi mais correto. Mesmo com a permissão que eu me defendesse desta vez, meus argumentos foram ignorados. O veredito foi proclamado a 9 de junho de 2004, ou seja, na véspera dos 60 anos da tragédia de Oradour. Em muitos casos, o tribunal manteve o veredicto da primeira instância ao pé da letra, enquanto o próprio veredito foi feito grosseiramente. Devido à exigência do promotor, o juiz me condenou a dois anos de prisão, sendo 18 de condicional. A multa foi reduzida para € 3.000, a pagar a três partes civis do processo (Marcel Durthout, sobrevivente da tragédia; “Liga Internacional contra racismo e anti-semitismo” e “Amigos da sociedade para a memória da deportação”). O confisco de meu material foi novamente declarado legítimo. Eu clamei por inocência novamente, com pouca esperança de sucesso.

Neste momento, em que escrevo este texto, aguardo ir para a prisão por seis meses. Do ponto de vista jurídico, meus inimigos triunfaram. Mas intelectualmente eles perderam, pois eles em sete anos não estiveram na condição de refutar meus argumentos, mas sim silenciaram-se, e recusaram a debater comigo. Eles se protegeram com a lei. Eles exigiram ininterruptamente brutal censura contra meu trabalho, e minha condenação. Esta quadrilha tenta me silenciar, custe o que custar. Através disso, inconscientemente, eles ajudaram a divulgar meus argumentos.

Fonte: Inacreditável

Publicado originalmente em 02 abr. 2009.

Um nota da edição

Em 9 de dezembro de 2014, a justiça alemã abandonou por falta de provas, a acusação contra Werner C., que não teve o nome completo divulgado, de 89 anos, pela participação no alegado massacre no povoado de Oradour-sur-Glane, França, em 10 de junho de 1944, durante a Segunda Guerra Mundial.

Werner, ex-membro do regimento de infantaria mecanizada “The Fuehrer” (da SS) foi acusado pelo Ministério Público em Dortmund, Alemanha, de atirar contra 25 pessoas que estavam reunidas em uma fazenda e ajudar a matar outras vítimas. Ele, por sua vez, reconheceu que estava na aldeia, mas disse que não utilizou sua arma ou participou dos assassinatos.

Isso aconteceu após dados referentes a seis soldados que ainda estavam vivos serem descobertos nos arquivos da Stasi (polícia secreta da Alemanha Oriental). Ao todo, vinte soldados foram condenados por acusação de “assassinato”, mas todos foram posteriormente libertados.

O próprio tribunal de Colônia avaliou que um julgamento só seria capaz de provar que ele estava na área durante o massacre e classificou os registros como incompletos.

Em entrevista, Werner alegou que tinha salvado duas mulheres, escoltando-as para uma floresta próxima.

Fonte: O Globo

Vincent Reynouard
Últimos posts por Vincent Reynouard (exibir todos)
Nos ajude a espalhar a palavra:
Gostou do artigo? Você pode contribuir para o site com uma doação:

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

dezesseis − 6 =

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.