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Por meio das marcas deixadas por uma radiação cósmica em árvores, cientistas puderam determinar o ano da construção de um assentamento viking numa ilha do Canadá: 1021, exatos mil anos atrás.

Cientistas anunciaram na quarta-feira passada (20/10) que conseguiram determinar com grande precisão que os vikings estiveram na América do Norte em 1021, exatamente mil anos atrás, graças a uma radiação cósmica que deixou rastros em fragmentos de madeira usados nessa época.

Há décadas que se sabe que navegantes escandinavos foram os primeiros europeus a chegarem ao continente americano, em torno do ano 1000, cinco séculos antes de Cristóvão Colombo (que chegou no de 1492 na atual Bahamas).

O único local conhecido com rastros da presença dos nórdicos é o sítio arqueológico de L’Anse aux Meadows, no extremo norte da ilha de Terra Nova, no Canadá. Lá estão os fundamentos de oito construções: três residências, uma forja, uma serraria para abastecer um estaleiro e três armazéns.

Modelo em escala de como o local provavelmente parecia em seu apogeu presente no centro de visitantes de  L'Anse aux Meadows. Créditos: © Dennis Minty
Modelo em escala de como o local provavelmente parecia em seu apogeu presente no centro de visitantes de L’Anse aux Meadows. Hoje, esse antigo porto de escala é Patrimônio Mundial da UNESCO. Créditos: © Dennis Minty

A datação por radiacorbono (que usa o radioisótopo de ocorrência natural carbono 14) feita nesses restos havia apontado que eles eram de cerca de mil anos atrás, mas sem determinar o ano específico.

Tanto a arqueologia como as Sagas dos islandeses, textos que narram as epopeias dos vikings, indicam que a ocupação do local foi breve e esporádica.

Marcas de uma tempestade solar

A equipe de cientistas comandada por Michael Dee e Margot Kuitems, da Universidade de Groningen, na Holanda, encontrou um método original para resolver o problema, como relatado na revista Nature.

Tempestades solares elevam a presença do isótopo carbono 14 na atmosfera, o que, por sua vez, deixa sinais nas árvores, que são conhecidas por absorverem carbono da atmosfera.

Como se sabe, cada anel de crescimento nos troncos das árvores corresponde a um ano de vida.

Em três pedaços de madeira analisados, de três árvores diferentes, foi detectada uma elevada presença do isótopo carbono 14 num dos anéis, e observados mais 29 anéis que se formaram depois.

Como é sabido que houve uma tempestade solar no ano 992, o anel com elevada presença do isótopo carbono 14 deve corresponder àquele ano, e somados mais 29 anos, quando a árvore parou de crescer por ter sido derrubada, chega-se ao ano de 1021.

“O aumento da produção de radiocarbono que ocorreu entre 992 e 993 já foi detectado nos registros de anéis de árvores de todo o mundo”, afirmou Dee.

Os autores também eliminaram a possibilidade de que populações indígenas locais tenham derrubado as árvores, pois há evidências de que elas foram cortadas com artefatos de metal, algo de que essas populações não dispunham.

L’Anse aux Meadows foi declarada Sítio Histórico Nacional em 1977 e, em 1978, foi designada como um dos primeiros Sítios do Patrimônio Mundial da UNESCO reconhecido por sua “importância global na história da migração e descoberta humana”. Uma visita aqui com a Adventure Canada é um destaque de suas expedições que visitam Newfoundland and Labrador. Créditos: © Dennis Minty

Questões ainda em aberto

O número de expedições dos vikings à América e a duração do assentamento em L’Anse aux Meadows continuam desconhecidos, bem como quantos vikings viviam no local. Os cientistas supõem que os vikings tenham ficado em torno de uma década por lá, e que talvez cerca de cem deles vivessem ao mesmo tempo no local.

As estruturas se assemelham a construções existentes na Groenlândia e na Islândia.

Imagem do no cais onde a estátua de bronze de Leif Erikson observa as idas e vindas. A pequena cidade de L’Anse aux Meadows, com seus vinte e oito residentes e cais conveniente, fica a cerca de um quilômetro a pé ou cinco minutos de ônibus do local histórico oficial. Créditos: © Dennis Minty

Duas das Sagas dos islandeses descrevem a presença dos vikings na América. Escritas séculos depois, elas falam de um líder chamado Leif Erikson e um acampamento chamado Vinland e narram interações violentas e também pacíficas com povos locais, incluindo a captura de escravos. Mas foram encontradas poucas provas arqueológicas que confirmem essas interações, explica a universidade holandesa.

Porém, o ano de 1021 aproximadamente corresponde aos relatos das Sagas, disse Dee. “Assim fica a questão: o que mais das aventuras das Sagas é verdade?”

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