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[Vídeo] Carlos Alberto Sanches: Chaoskampf (e a Origem do Estado)

A Tradição nos fala de seres mais-que-humanos, originários do Polo – de um Norte ao mesmo tempo geográfico e suprageográfico–, de hordas douradas descidas às morenas regiões meridionais, onde precipitaram sobre massas semi-humanas ou agrupamentos remanescentes degenerados de grandes civilizações de ciclos cósmicos anteriores, e onde travaram batalhas no campo intermédio entre Mito e História. Descendo em vagas após vagas, com seu fogo e seus hinos, forjaram novos mundos, novas habitações; edificaram uma nova era. Consolidaram sua vitória – vitória da ordem sobre o caos – na forma de leis e de estados, expressões do triunfo do Espírito; do inconsistente fizeram consistente; do instável, estável; de cadáveres, escadarias.

Sim, o contexto do primeiro estado foi o do encontro do Espírito com a Matéria. Um contexto, tal como diz Nietzsche, da própria transformação do proto-humano em humano pleno, de um animal entregue ao devir em um ser capaz de se lembrar.

“…a inserção de uma população sem normas e sem freios numa forma estável, assim como tivera início com um ato de violência, foi levada a termo somente com atos de violência – que o mais antigo ‘Estado’, em consequência, apareceu como uma terrível tirania, uma maquinaria esmagadora e implacável, e assim prosseguiu seu trabalho, até que tal matéria-prima humana e semianimal ficou não só amassada e maleável, mas também dotada de uma forma. Utilizei a palavra ‘Estado’: está claro a que me refiro – algum bando de bestas louras, uma raça de conquistadores e senhores, que, organizada guerreiramente e com força para organizar, sem hesitação lança suas garras terríveis sobre uma população talvez imensamente superior em número, mas ainda informe e nômade. Deste modo começa a existir o ‘Estado’ na terra: penso haver-se acabado aquele sentimentalismo que o fazia começar com um ‘contrato’.” (Nietzsche, A Genealogia da Mora, II, 17).

O que Nietzsche captou, contudo, está ainda aquém do verdadeiro significado disso que via como um processo humanizador. O que avançava como uma maquinaria impiedosa – o que deixou a imagem do homem na argila e na rocha como subproduto de sua marcha triunfal – não poderia ser humano, embora de humano pudesse levar a imagem: era algo, isto sim, além-do-humano: Divino. E assim é que nos diz a Tradição, assim nos diz a palavra dos povos de sempre, soterrada pelos modernos mitos improvisados do evolucionismo. (…)


 

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