O Que Devemos Saber Sobre Bilderberg 2018?

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Esse artigo baseia-se na parte da ‘pauta’ que o Clube de Bilderberg, que se reuniu para realizar sua conferencia nos dias 7,8,9 e 10 desse mês (6) de 2018 em Turim, Itália, deseja que você acredite que ele está(ria) discutindo.

“A 66ª Reunião de Bilderberg deve acontecer entre os dias 7-10/6/2018 em Turim, Itália. Até o momento, 131 participantes, de 23 países, já confirmaram presença. Como sempre, um grupo diversificado (sic) de líderes políticos e especialistas da indústria, finança, academia e mídia foram convidados. A lista dos participantes está disponível em www.bilderbergmeetings.org.”

Na tal lista vê-se que Henry Kissinger e o general Petraeus já confirmaram que lá estarão. Kissinger representa seu próprio escritório de advocacia, claro, e lá estará de pleno direito (vai sempre). Petraeus, já perdoado e reabilitado[1] é hoje empregado do KKR Global Institute, o mesmo fundo de investimentos que “em 2012, ao anunciar a contratação de Henrique Meirelles como conselheiro sênior” apontou o hoje diz-que-candidato a presidente do Brasil como “parceiro tremendamente valioso para a empresa. Um executivo do fundo, Alex Navab, disse que o KKR confiava nos “conselhos e percepções de Meirelles no mundo da governança, finanças e investimentos”(Valor, 10/8/2017). Meirelles desempenha um “papel chave” na política monetária nacional a muitas décadas, desde o início do novo regime “democrático” (…para eles), os quais causou enormes e quase irreparáveis prejuízos a saúde econômica e a vida nacional…verdadeiro auto-comissário do sistema.

Assim sendo, o general Petraeus, em 2018, é o mais parecido com o que se pode ver como representante dos interesses da CIA e do atual (des)governo do Brasil, presente oficialmente em Turim, para o encontro Bilderberg 2018.

A ‘pauta’ que Bilderberg, que se reúne a partir de hoje em Turim, Itália, deseja que você acredite que lá esta(ria) em discussão em 2018 “inclui” (significa que há mais, portanto, no campo do sabido não dito) os seguintes tópicos:

1.Populismo na Europa (lê-se: anti-conservadorismo, anti-nacionalismo e anti-patriotismo)

2.O desafio da desigualdade

3.O futuro do trabalho

4.Inteligência artificial

5.EUA antes das eleições de meio de mandato

6.Livre comércio

7.Liderança dos EUA no mundo

8.Rússia

9.Computação quântica (for dummies)

10.Arábia Saudita e Irã

11.Mundo da “pós-verdade”

12.Eventos em andamento.

Dado que essa é apenas uma pauta “incluída” em pauta maior não noticiada, claro que há mais pauta. Mas não se fala da continuação a qual, se não é Rússia e Irã e Arábia Saudita, já ‘pautados’ na parte divulgável, será necessariamente China e talvez até, por que não, Brasil e Índia.

A China, que não é nem EUA nem Europa (quer dizer, nem CIA nem MI6), esteve presente em lugar de honra em Bilderberg 2017. Sumiu em 2018. O Brasil não é nem EUA nem Europa, mas está sob golpe da CIA desde 2016 e está na lista de compra de supermercado de todos os reunidos em Bilderberg 2018. E a Índia também é problema não dito. Ganhou de presente dos EUA um “Comando do Pacífico Asiático”, mas, com comando de presente e tudo, a Índia continua sem dar bola para sanções dos EUA, e mantém-se parceira comercial ativíssima de Irã e Venezuela, atropelando sanções.

Todos os presentes à reunião de Bilderberg 2018 têm interesses investidos no golpe em curso no Brasil. TODOS. E quando se diz “golpe de Estado no Brasil”, não estamos falando da Lava-Jato, da saída do PT (Partido dos Trabalhadores) do poder Executivo Nacional em si, não. Estamos falando dos sucessivos golpes perpetrados na economia e soberania nacional principalmente nos últimos 50 anos pra cá, os quais denunciava Adriano Benayon. O vemos agora claramente diante de um “governo” conduzido por um presidente flagrantemente fantoche, blindado pelas mais altas facções dos cartéis econômicos nacionais ou internacionais que atuam no país (sem nome, sem pátria, sem vinculo que não seja a especulação avassaladora), cujas propostas de governo são consideradas do ponto de vista do país como traição em alto grau contra o povo, com a venda do patrimônio nacional em larga escala (privatização desenfreada, dívida pública exorbitante), submissão da finança pública e perca de direitos trabalhistas, ao som do aplauso dos ditos “patriotas” liberais e radicais neoliberais.

Israel não aparece como ‘tema’, nem como ‘eventos em andamento’, porque, como se sabe, Israel, potência ocupante de terra palestina, não é tema nem evento: para CIA e MI6, organizadores de Bilderberg, Israel é projeto.

“Fundada em 1954, a Bilderberg Meeting é uma conferência anual que visa a promover o diálogo entre Europa e América do Norte. Todos os anos, entre 120 e 140 líderes políticos e especialistas em indústria, finança, academia e a mídia (sic) são convidados a participar da conferência. Cerca de 2/3 dos participantes vêm da Europa; aproximadamente ¼ são políticos ou membros de governos, e os demais vêm de outros campos.

A conferência é um fórum para discussão informal sobre grandes questões que o mundo enfrenta (sic). As reuniões acontecem sob a “Regra de Chatham House”, pela qual os participantes são livres para usar informação que recebam, mas comprometem-se a não revelar nem a identidade nem a afiliação de quem fale, nem de qualquer outro participante.

Graças à natureza privada (?) da reunião, os participantes não são limitados pelas convenções dos respectivos cargos (públicos? Privados? Como assim?!), nem por posições assumidas previamente. Assim, todos podem ouvir, refletir e coletar insights. Não há resultado esperado, não há tempo delimitado para qualquer intervenção e não se emitem relatórios por escrito. Além disso, não há propostas de resoluções, nem votações, nem se estabelecem normas internas [ing. ‘policy statements‘ da página na internet do ‘grupo’, aqui traduzida].

As condições são as de sempre, quando os reunidos não temem que haja povo ouvindo pelos cantos. É conferência de quem ainda insiste em fazer-crer que não teria de dar NENHUMA satisfação ao mundo real. Porém, reúne-se secretamente para discutir a parte do mundo real que, até junho de 2018, continue a resistir contra as decisões de Bilderberg de junho de 2017.

A parte divulgada da pauta de Bilderberg 2017 foi a seguinte:

1.Governo Trump: relatório de andamento

2.Relações Transatlânticas: opções e cenários

3.A Aliança de Defesa Transatlântica [conhecida como “OTAN”]: “bullets, bytes and bucks” [dito “item de agenda que recebeu o título mais ridículo da história de Bilderberg”. Naquele momento, a OTAN começava a lutar para aumentar a própria dotação em termos de “balas, bytese grana”, alegadamente para enfrentar a Rússia, mas, naquele momento, também para enfrentar o primeiro presidente Donald Trump. [2] Uma sessão de debates com o mesmo título “o mais ridículo (…)” foi presidida por Jens Stoltenberg, desde 2014 secretário-geral da OTAN.

4.Rumos da União Europeia

5.É possível tornar mais lenta a globalização?

6.Empregos, renda e expectativas não realizadas

7.Guerra contra a informação (sic) [ing. ‘The war on information’]

8.Por que cresce o populismo?

9.Rússia na ordem internacional

10.Oriente Próximo

11.Proliferação Nuclear

12.China [“A China será discutida numa reunião da qual participarão o embaixador da China nos EUA, o secretário de comércio dos EUA, o conselheiro de segurança nacional dos EUA, dois senadores dos EUA, o governador da Virginia, dois ex-diretores da CIA– e quase incontáveis investidores-monstro norte-americanos, incluindo diretores de empresas de serviços financeiros Carlyle Group e KKR. [É a mesma KKR que, em 2012 contratara Meirelles como ‘conselheiro” e em 2018, exibirá em Bilderberg o general Petraeus na diretoria.] Ah, e o patrão do Google” (The Guardian, 1/6/2017).]

13.Eventos em andamento.

De interessante a anotar, para analisar depois, que:

(i) o “populismo” passou de 8º lugar, em 2017, e do estado de pergunta, para 1º lugar, circunscrito à Europa, mas afirmado, sem perguntas retóricas, logo no ano seguinte;

(ii) todas as entradas de pauta em 2018 tornaram-se ‘vagas’: por exemplo, de “Rússia na ordem internacional”, em 2017, para “Rússia”, assim, no ar, em 2018. Da China de corpo presente, em 2017 [3], para “faz-de-conta que a China não existe”, em 2018.

Nem é preciso comentar dois itens da agenda de 2018, que, em 2017, nunca teriam status de item de pauta de Bilderberg:

(iii) “Computação quântica”

(iv) o mundo da rementira, que Bilderberg tenta tolamente (re)pautar como “mundo da pós-verdade”.

Interessante anotar também que:

(v) em 2017, o Oriente era dito Próximo; em 2018, o item de pauta se chama “Arábia Saudita e Irã”. Quando, em Bilderberg, desde 1954, Arábia Saudita e Irã foram um só item de pauta?!

Até o fechamento dessa edição, o mundo real não confirmara presença oficial em Bilderberg 2018. Lá não aparecerão oficialmente nem a moeda nem o correspondente lastro-ouro, chineses ou russos. Lá, só aparecerá oficialmente o EUA-dólar, cuja substituição por yuan, reais, rublos et al., estranhamente, não está pautada para Bilderberg 2018, nem como perguntinha retórica nem, que fosse, como alguma vaga ideia. Bilderberg 2018 já é gato escondido “cô rabo de fora”. Segue a luta.

Notícia de Pepe Escobar e  comentários de Gato Filósofo

NOTAS:

[1] – Resumo do escândalo que envolveu o general Petraeus, pode ser lido aqui. Prova de que o establishment do dinheiro ilegal já o perdoou lê-se no New York Times. Petraeus em Bilderberg 2018 é como Moro em Mônaco 2018: o dinheiro ilegal já derrotou a lei, pode-se dizer, em todo o ‘mundo livre’, e agora ri da lei e do mundo dito ‘livre’. Segue a luta.

[2] – “Washington advoga contra o uso manipulador do terrorismo, enquanto Londres não pensa abandonar uma ferramenta tão eficaz aos seus interesses. O Grupo de Bilderberg, inicialmente organizado como uma caixa de ressonância da Aliança, acaba de se tornar palco de um difícil debate entre partidários e adversários do imperialismo no Médio-Oriente” (“Confronto em Bilderberg 2017, Thierry Meyssan, 6/6/2017, Voltairenet).

[3] – “MI6 e CIA assumiram risco enorme ao convidar um não atlanticista à reunião de Bilderberg 2017. O embaixador chinês, Cui Tiankai, agendado para falar só no 4º dia do encontro, pôde avaliar a posição de cada membro da OTAN, desde o 1º dia” (“Confronto em Bilderberg 2017, Thierry Meyssan, 6/6/2017, Voltairenet).

Fontes: Duplo Expresso / Oriente Mídia


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2 thoughts on “O Que Devemos Saber Sobre Bilderberg 2018?”

  1. "O Brasil não é nem EUA nem Europa, mas está sob golpe da CIA desde 2016 " O que??? parece petista falando. O Brasil está sob golpe da CIA desde 1942-45 meu caro. Quando entramos ao lado dos aliados na guerra selamos o nosso destino como nação dependente dos liberais e bolcheviques.

    1. Em resposta explicação de "parece petista falando."

      Não discordamos totalmente dessa afirmativa, mas no paragrafo seguinte do texto diz:

      "[…]E quando se diz "golpe de Estado no Brasil", não estamos falando da Lava-Jato, da saída do PT (Partido dos Trabalhadores) do poder Executivo Nacional em si, não. Estamos falando dos sucessivos golpes perpetrados na economia e soberania nacional principalmente nos últimos 50 anos pra cá, os quais denunciava Adriano Benayon. […].

      Benayon concordava também que não se está em um "golpe" desde agora, mas sua tese reveladora aponta diversos golpes sucessivos entre os diversos governos passados e este seria só mais um, que não se restringe, como apontado no texto, para uma saída do PT, mas um "realinhamento" com outra gestão igual.

      "[…] E quando se diz "golpe de Estado no Brasil", não estamos falando da Lava-Jato, da saída do PT (Partido dos Trabalhadores) do poder Executivo Nacional em si, não. […]

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