Vozes da Dissidência #3: Entrevista sobre peronismo, com Ricardo Voglino

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Continuando com a terceira parte de nosso quadro de entrevistas sobre as vozes da dissidência política, após o estrondoso sucesso polêmico anterior sobre a Quarta Teoria Política, vamos agora olhar para as bases da Terceira Teoria Política, ou, como chamam também, Terceira Posição Política. O assunto hoje é peronismo. Trouxemos aqui uma pessoa de autoridade no assunto para falar sobre isso e desmistificar seus pontos chave.

Mostraremos na íntegra uma entrevista completa transcrito com alguém que se especializou em falar sobre o peronismo e também, a viver esse pensamento. Falamos com senhor Ricardo Voglino, argentino, 54 anos, atualmente residente no estado brasileiro do Rio Grande do Sul, onde fincou raízes e amigos, suas influências pessoais se estendem para além dos Pampas, como a proximidade com o autor também argentino Alberto Buela, figura conhecida de artigos deste site, e  muitos outros. O senhor Ricardo Voglino, nos últimos 38 anos vem se cultivando na condução política e formação doutrinaria.  Dedica-se a investigação histórica e já publicou e está em vias de publicar sete livros. Um dos livros que foi publicado é um curso básico de formação política, com o qual alicerça suas palestras. Muitos textos doutrinários, filosóficos, econômicos etc., podem ser lidos no seu Facebook.

Introdução – Um contexto histórico do surgimento do peronismo

Para entender o peronismo e poder conversar sobre ele, percebemos que é importante olhar a história contemporânea da Argentina. País vizinho e muito próximo do Brasil em suas relações políticas e econômicas. É uma pena – e fazemos aqui uma crítica – que a maioria dos brasileiros não se interesse nem mesmo pela própria história, quanto mais à história do seu continente, tão rico, tão vasto, tão complexo de suas formas.

Historicamente, o peronismo surge em um dos momentos mais conturbados da história da Argentina e do mundo. Lá fora, a Segunda Guerra Mundial (1939 – 1945), dentro, crises econômicas e disputas políticas sangrentas e acirradas, além da divisão das militares para com o papel de seu país no contexto político nacional e internacional, fizeram com que um jovem militar tomasse as rédeas da situação crítica de seu país e implantasse profundas mudanças jamais vistas em nosso continente ibero-americano, como diz o filósofo Alberto Buela. Esse jovem era Juan Domingo Perón e seu legado é visto hoje como algo aparte pelas gerações atuais da Argentina, da América e do mundo.

O Movimento Nacional Justicialista ou simplesmente “Peronismo” foi inicialmente um movimento de massas argentino criado em torno de Juan Perón que atuaram nos últimos 60 anos da história da Argentina. O nome formal do partido era Partido Justicialista.

Nascido em 17 de outubro de 1945, quando os protestos populares organizados pela Confederação Geral do Trabalho Argentina alcançaram a libertação de Juan Peron, que havia sido preso por setores militares que se opunham à sua crescente influência sobre o governo. A partir de sua eleição, em 1946, Perón rapidamente começa a consolidar seu poder.

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ENTREVISTA

SENTINELA: Dom Voglino, agradecemos por ceder um pouco de seu tempo para responder as nossas perguntas para demonstração ao nosso público. É difícil nos dias de hoje, com tanta desinformação, encontrar pessoas sérias, dispostas e capacitadas como o senhor para discutir temas vitais como esse, uma vez que consideramos a base fundamental política e histórica de nosso pensamento, independente da ideologia ou nomenclaturas.

RICARDO: Eu que agradeço pela entrevista. Todas minhas palestras e escritos são em idioma espanhol, vou tentar não os defraudar e transcrever meus humildes conhecimentos ao português.

SENTINELA: Obrigado. Como o senhor conheceu o peronismo e quais foram os fatores que levaram o peronismo a ser seu objeto de estudo e analise?

RICARDO: Bom, comecei a militar em política no ano de 1982, logo depois da Guerra das Malvinas. Argentina vivia um momento muito difícil em todos os aspetos… No político, econômico e social principalmente. Não comecei no Mov. Nac. Justicialista e sim na multipartidária onde o PJ (Partido Justicialista) fazia parte como principal partido político.  Lembremos que o partido político para nós justicialistas é só uma ferramenta para a toma do poder na democracia neoliberal. Nós somos “movimentistas”. Logo com o advento da democracia comecei os estudos de formação política, o que era considerado fundamental para continuar a militância política na minha época.

SENTINELA: Parece que para entender o peronismo é necessário observar seu nascimento. Em que contexto ele surge na Argentina e como se desenvolveu?

RICARDO: Basicamente o peronismo surge como resposta a injustiça e submissão a que a nação e o povo argentino eram vítimas.

SENTINELA: Qual o paralelo que podemos fazer disso com a ascensão do getulismo e da posterior mudança de posição do Brasil no quadro geopolítico da época? Julga que houve consequências para ambos os lados?

RICARDO: Obviamente que o presidente Getúlio Vargas foi a dobradiça na história do Brasil, em todos os aspetos. E sim ouve consequências, diria que trágicas e desastrosas para os dois países e para o Chile que fazia parte do ABC.

SENTINELA: Dado isso, creio que fica mais claro para o leitor quando perguntamos…  Quais são as bases fundamentais, os princípios do peronismo? No que ele acreditava ou passou a acreditar?

RICARDO: As bases filosóficas fundamentais, para compreender de forma sintética e ajustada, são as três bandeiras de independência econômica, justiça social e soberania política e as 20 verdades do justicialismo peronista.

O casal presidencial, todo vestido. Créditos: Infobae

SENTINELA: Alberto Buela, em seu artigo “Peron y peronismo”, afirma que o “erro” de muitos autores, acadêmicos e teóricos é enxergar o peronismo a partir da ótica de outros prismas políticos, como o fascismo, o nacional-socialismo, o comunismo, liberalismo, etc. Mas ele afirma que o peronismo deve ser visto de acordo com uma visão própria. Como você enxerga essa visão?

RICARDO: O peronismo é um movimento com uma doutrina que é a alma do mesmo. O peronismo surge como algo argentino, uma solução para o povo argentino, mas ao mesmo tempo é uma solução para o mundo. Que povo não sonha com a Justiça Social, Independência Econômica e Soberania Política?…

SENTINELA: Foi Perón quem cunhou o termo “Terceira Posição”? Você pode nos explicar o significado a partir de seu contexto?

RICARDO: Bom, a nossa terceira posição indica que há uma primeira que é o neoliberalismo, o capitalismo individualista, já a segunda é o marxismo dogmático e coletivista ou capitalismo de estado. Os dois intensificam o homem porque passa este a ser uma mera engrenagem de um sistema que não coloca o homem como centro de todas as coisas e realizações, dentro de um humanismo cristão. E a nossa Terceira Posição, que não é uma terceira via, e menos ainda uma posição de centro, equilibra os direitos individuais com os da comunidade. Ao contrário dos outros sistemas, coloca o capital ao serviço da economia e esta última ao bem estar social. O homem não está a serviço do capital privado, individual e egoísta, como na visão neoliberal ou no chamado socialismo cientifico, modelo de capitalismo de estado. Ao contrário, o homem passa a ser o centro de tudo, participando dentro da economia social onde se realiza e realiza ao mesmo tempo a comunidade.

Alguns registram cenas diárias da administração presidencial de Juan Domingo Perón. Créditos: Infobae

SENTINELA: Você concorda em afirmar que a visão de Terceira Posição, modo geral, pôde ser aplicada em outros modelos político-ideológicos antes e depois do peronismo, não tendo essencialmente ligação com o próprio?

RICARDO: A Terceira Posição Justicialista, como visão filosófica é sim aplicável, com as adaptações necessárias as comunidades. O nosso Justicialismo é um nacionalismo e, portanto, não é de exportação como um pacote fechado, por que não é um internacionalismo, não faz parte destas ideologias. 

SENTINELA: Após a eleição em 1946, quais ações políticas indicaram a prática desses princípios?

RICARDO: As políticas sociais e reformas de fundo começaram a ser aplicadas a partir de 1943, como por exemplo, o Estatuto de Peão, que foram tonificando a economia popular. E logo, depois destas medidas de corte de justiça social se lançou o primeiro Plano Quinquenal, onde estavam contidos os planos de desenvolvimento… Lembremos que o primeiro plano quinquenal realizou 76.000 obras de infraestrutura que até hoje servem ao país.

Ensaios para um retrato de Perón. Primeiras fotografias coloridas, no final da década de 1940. Créditos: Infobae

SENTINELA: Hoje, o termo “imperialismo de Estado”, ou “Terrorismo de Estado”, como definiu o escritor e jornalista português Miguel Urbano Rodrigues, no sentido de uma prática geopolítica utilizada na política externa dos países anglófilos em seus círculos herméticos para com os países de menor influência externa e economicamente mais precários é atribuído de forma estigmatizada para um “alarde comunista”, na visão dos liberais extremistas de direita, assim como a visão de um estado justo e social, enquanto que a política de Estado forte, nacionalista e coeso, cuja economia deve ser voltada para o benefício do povo, é visto pelo progressismo de esquerda. Como o peronismo enxerga essas correlações? E mais, como Perón, o líder, lidou com essas adversidades desde seu berço político com toda destreza?

RICARDO: O General Juan Perón soube conduzir o país de uma forma independente, sem preconceitos no político, e de modo a evitar toda forma de confronto com outros povos, sem pôr isto “ceder” nada que não fosse benéfico para a Nação e Povo Argentino. Lembremos que o Líder Juan Perón foi cofundador do Movimento de países não alinhados, que era conformado por países de diferentes tendências ideológicas. Sempre os peronistas ficaram equidistantes dos centros de poder, na época Leste-Oeste.

 SENTINELA: Na Argentina, um de nossos membros da equipe, o brasileiro do Paraná que estuda ciências naturais na Universidade de Buenos Aires há alguns anos, sempre nos aponta que além de Perón, existe uma devoção muito forte e afetuosa da lembrança de “Evita” Perón, sua esposa. Figura amada e querida. Como ela se tornou esse símbolo tão precioso? De alguma forma isso foi incentivado? De que forma Eva fez jus ao seu nome e é lembrada até os dias de hoje como símbolo do nacionalismo?

RICARDO: Maria Eva Duarte de Perón se tornou a Líder Espiritual da Nação pela sua grande obra de assistência e ajuda aos necessitados.  Aqueles que não eram “compreendidos” pelas normas e leis do momento e não podiam esperar, enquanto Perón construía a “casa grande”, tijolo por tijolo. Na parte de fora da casa as pessoas o aguardavam e para que não passasse frio existia a Fundação Eva Perón. Eva Perón não precisou que nada nem ninguém incentivassem a sua figura, foi seu trabalho. Ela se imolou em holocausto pelo povo argentino. Não podemos deixar de mencionar, e isto é para outra matéria a terceira esposa do Líder, Maria Estela Martinez de Perón. Uma grande mulher e uma grande patriota.

Retrato de Evita no qual os efeitos da doença em seu corpo já começam a aparecer. Créditos: Infobae

SENTINELA: Recentemente, em maio deste ano, entidades sionistas na Argentina protestaram e fizeram uso de sua influência na sociedade civil e meio de comunicação de massa contra a determinação de estampar o rosto do prestigiado médico e ministro da Saúde de Perón, Ramon Carrillo (1906 – 1956), na nota de 5.000 pesos argentinos. Tal protesto foi apoiado por pessoas ligadas ao meio político progressista e conservador liberal.

Existe uma polêmica que sempre paira no ar quando o assunto é o getulismo, peronismo ou bolivarianismo na América do Sul… A atribuição rotulada de “fascismo”. Tudo é “ligado” a ele pelo sistema não para coadunar, mas para enquadrar tudo de forma pejorativa como “extremo e intolerante”, ignorando qualquer sentença e contexto bastante diferenciados de qualquer dessas doutrinas praticadas. Isso é feito tanto pelo progressismo de esquerda quanto pelo conservadorismo de direita, ambos, em suas formas, defendendo um modus operandi liberal e antinacional do conceito de Estado. Qual foi de fato, em sua visão, a relação do peronismo no poder e após (seu período no poder) para com os governos nacionalistas europeus surgidos no contexto do pré-guerra (Isso é, até 1939, como Fascismo na Itália, Nacional-Socialismo na Alemanha, Salazarismo em Portugal, Franquismo na Espanha, etc.).

RICARDO: Quem lê a obra do General Perón, a mesma é muito grande e basta, pode observar que sempre condenou toda forma de regime autoritário, digo condenado desde a nossa visão filosófica e nas realizações, onde sempre o peronismo procurou aprofundar a democracia com a participação do povo através das organizações livres do povo, sindicatos, associações de profissionais, etc. Vemos que todo que se opõe de alguma forma aos regimes imperantes é tachado de “facho ou fachas” pelos progres, neomarxistas e similares de esquerdas ou de “zurdo” típico mote dos liberais conservadores na argentina para com quem desafia o sistema. Como falei antes o nacionalismo não é de importação ou exportação, cada povo tem suas caraterísticas e história.

O jornalista Matías Méndez, neto do fotógrafo, colecionou as melhores imagens tiradas pelo avô no livro: “Fusco, o fotógrafo de Perón” (Aguilar). Perón abraça Evita depois de anunciar que ela não será candidata a vice-presidente. À esquerda, aplaude Héctor Cámpora. Créditos: Infobae

SENTINELA: Em um de seus discursos em 1946, Perón fala da união de todos os povos latinos americanos e prega contra os abusos do comunismo e do capitalismo, doutrinas que tipificavam os blocos principais do imediato pós-guerra. No contexto mais recente, na era PT e durante o governo de Chaves na Venezuela, houve um avanço em sentido da criação de um bloco econômico sul-americano unificado, o MERCOSUL. Isso fica bem claro no documentário “South of the Border” (2009) produzido independentemente pro Oliver Stone. Como isso pode ser enxergado à luz de uma visão peronista?

RICARDO: Juan Perón tinha uma clara visão de união continental, primeiro através da unidade regional, como foi o ABC, que logo se somaram vários outros países.  A unidade continental é fundamental. O General Perón disse para o presidente Vargas: “unidos inconquistables, separados indefendibles”. O General Perón sempre falou do continentalíssimo como etapa previa ao universalismo. Mas antes o regionalismo. Por isso dizia: “El año 2000 nos encontrara unidos o dominados” e nos encontrou de joelhos, dominados e submetidos…

Sempre o Líder condenou os abusos do capitalismo e do seu efeito, o comunismo. Como já falei antes os dois intensificam o homem e são materialistas… Não humanistas e quando falamos de humanismo, os justicialistas, é o humanismo cristão…

Créditos: Infobae

SENTINELA: Como vê a organização econômica e social de classes no peronismo?

RICARDO: Para o peronismo há uma só classe de homens, os que trabalham!

SENTINELA: Visto do Brasil, a Argentina com Macri e o Brasil com Bolsonaro parecem ter sofrido do mesmo mal. Como o senhor acha que deveria discorrer um verdadeiro governo nacionalista a luz do peronismo sobre a atual situação socioeconômica argentina e em sua relação com o Brasil e os demais países da América do Sul como a Venezuela, Bolívia e Paraguai, desestabilizados por imposição de governos administrados por políticos e entidades civis pró-USA e pró-Israel?

RICARDO: Aqui há única saída é a unidade de todos os países e povos ibero-americanos, com boas relações com todos os países do mundo, com respeito mútuo, sem imperialismos regionais e sem reservas mentais dos seus governos.

 SENTINELA: A mídia internacional colocou a chapa apoiada por Cristina Kirchner, que elegeu Alberto Fernández ano passado como “peronista”. O senhor deve ter visto tais afirmações. Como vê essa questão?

RICARDO: O governo de AF ou FF não é um governo peronista. Eles apoiam o aborto, ideologia de gênero, etc., por exemplo, e fazem parte por tanto do NOM. Último governo peronista foi o de Juan Perón e Maria E. M. de Perón e acabou no dia 24 de março de 1976.

SENTINELA: Então fica a pergunta, qual foi o legado deixado por Perón e o peronismo para a Argentina, nossa América ibérica e o mundo?

RICARDO: Juan Perón deixou um legado filosófico para argentina e os povos do mundo. No caso pontual de argentina uma de suas obras é O Modelo Argentino para o Projeto Nacional, obra fundamental onde desenha a nova argentina, uma argentina justa, livre e soberana. E nos deixou a esperança de que é possível construir um mundo melhor e mais justo. Por isso o peronismo é condição de fé. O peronismo se compreende e se sente.

Foto aérea do funeral de Evita. As pessoas fazem fila para homenageá-la. Créditos: Infobae

SENTINELA: O peronismo ainda está vivo? Ele é ainda um conceito atual para os enfrentamentos tão intrincados pelos quais nós, povos da América ibérica passamos hoje nessa guerra híbrida cultural, econômica e social? Ainda mais. Existem pessoas ou entidades na atualidade que lhe representam ou que façam/fizeram justiça ao seu legado de certo modo?

RICARDO: Sim está vivo no coração do povo que é o mais importante. O conteúdo filosófico do peronismo é atual, por que vivemos sem justiça social…

SENTINELA: Onde as pessoas podem aprender mais sobre peronismo?

RICARDO: Na doutrina, na história das suas realizações. Uma das coisas que eu faço e dedico meu tempo é a pesquisa histórica, pois esta serve como fonte de inspiração para o peronismo de agora e do futuro.

SENTINELA: Como as pessoas podem fazer para adquirir seus escritos?

RICARDO: Pelo meu correio eletrônico… [email protected] ou no meu perfil em facebook Ricardo Voglino II

SENTINELA: Gostaria que expusesse suas considerações finais. Aquilo que gostaria que o público soubesse ou que pudesse se interessar pelo assunto tão rico que é o peronismo.

RICARDO: Acredito e estou persuadido que só a formação política, a formação de quadros políticos, de condutores e a cultura política vão fazer com que em algum momento possamos os povos os ibero-americanos, estarmos organizados para declarar nossa definitiva e verdadeira independência e construir uma comunidade organizada onde todos possa ser um pouquinho mais felizes.

SENTINELA: Nós agradecemos mais uma vez por sua dedicação e por esse aprendizado que nos é tão urgente. Agradecemos em nome da equipe e do público do site Sentinela.

RICARDO: Sou agradecido pela sua amável entrevista. Um fraternal abraço para todos e estamos ao dispor para colaborar na formação e organização política.


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