Vozes da dissidência #2: Entrevista com Raphael Machado sobre Quarta Teoria Política

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Seguindo nossa série sobre a desmistificação da dissidência e dos pensamentos político ideológico a margem da velha dicotomia vigente (esquerda e direita) e não alinhados ao politicamente correto, transcrevemos aqui uma entrevista com Raphael Machado, atualmente, secretário nacional da Nova Resistência no Brasil para falar sobre Eurasianismo e Quarta Teoria Política.

As motivações para esse entrave são óbvias. Desde que em nossa geração e na seguinte, a temática “Política” passou a ser algo popular no Brasil, isso é, saiu das rodas intelectuais e dos “papos de velho” em mesas de bares para se tornar um dos assuntos mais comentados nas redes sociais, no trabalho, nas ruas, etc., muitos jovens e adultos que pouco ou nada tiveram de contato e formações com o tema arriscam e se posicionam quanto aos seus pensamentos sem, muitas vezes, entender exatamente do que se trata essa ou aquela ideologia. Muitas vezes, esse posicionamento prematuro e segmentado vem acompanhado de certos preconceitos e obscuridades que, quando transformados em atos, geram desgaste e desinformação, fazendo com que surja uma maioria desprovida de capacidade de aprendizado e debate, até mesmo para entender de fato aquilo que se diz ser contrário ou a favorável. Por esse motivo, fomos atrás de pessoas “fora da bolha”, desafiando nossa má – e injusta – fama de “nazistas”, mostrar que temos que nos desafiar ao conhecimento para melhorar a nós mesmo e sempre estar questionando nossas ideias a fim de aprimorá-las, para trazer ao leitor o que dizem na fonte, aqueles que propagam as ideias das quais muitos escutam falar, mas não conhecem a fundo por inúmeros motivos, mas gostariam de saber mais ou, nada sabem e, não se importam de ouvir o que dizem já que não possuem opinião formada.

Na edição passada, falamos sobre “castilhismo” com os internautas dos “Círculos Castilhistas”, que escrevem no blog Ressurreição Nacionalista. Nesta edição, falaremos com alguém que representa um movimento presencial, instalado em vários estados e cidades do Brasil já faz alguns anos e tem tido bastante crescimento. Raphael Machado é figura conhecida no meio dissidente político brasileiro e fora da pátria mãe. Advogado carioca de 32 anos, atualmente mora e trabalha no Rio Grande do Sul. Possui formação em Direito pela UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) e é um dos principais responsáveis por divulgar na atualidade as ideias da Quarta Teoria Política junto de outros membros da NR (Nova Resistência) que possuem formações profissionais diversas e interações com diferentes públicos, áreas do meio civil participativo, ideológico e etc., a qual lhes é volante o site oficial homônimo, com matérias atuais de diversos temas e conteúdo doutrinário e mais recentemente, podcasts, lives e outros meios de interação.

Segue abaixo a entrevista completa.

Entrevista

SENTINELA: Raphael, primeiramente obrigado por participar. Sei que é delicado tanto para o site quanto para o Movimento no qual você atua ter que se preocupar com associações desinformadas que nada acrescentam, quando na verdade, estamos buscando aqui combater desinformações e entender cada qual aquilo que realmente é. Acreditamos que essa é uma forma saudável de fazer frente à desinformação generalizada que assola e acirra os ânimos desse país para promover interesses escusos. Portanto, obrigado por aceitar o convite.

RAP. MACHADO: Primeiramente, eu gostaria de agradecer o convite. Nós estamos sempre à disposição para debates, questionamentos, diálogos e outras interações que nos permitam expor os nossos posicionamentos. Não acreditamos em sectarismo ou isolacionismo, em só falar com quem concorda conosco, então estamos aqui para conversar, independentemente de possíveis e naturais discordâncias, com o fim de tentar fornecer aos seus leitores uma visão mais clara e aprofundada sobre a Nova Resistência, para que eles possam decidir se gostam ou não de nós tendo em mãos informações objetivas e claras.

SENTINELA: Legal… Então, Quarta Teoria Política pode ser chamada de “eurasianismo”?

RAP. MACHADO: Seria um equívoco usar esses dois termos como sinônimos. O eurasianismo é uma teoria geopolítica e civilizacional que surge na comunidade russa emigrada no começo do século XX. Se funda na noção de que a Rússia não é uma extensão da civilização europeia ou ocidental, mas o núcleo de uma civilização específica que reúne elementos europeus e asiáticos. Os eurasianistas viam uma continuidade entre Império Russo e União Soviética e, por isso, apesar de ligados ao Movimento Branco [1], passaram a considerar a Revolução Russa como algo necessário para barrar a ameaça ocidental que já havia se infiltrado no Império durante o período Romanov.

SENTINELA: Bom. Então, você pode nos dar uma definição básica ou teórica do que seria a Quarta Teoria Política e quais os seus fundamentos?

RAP. MACHADO: A Quarta Teoria Política é a tentativa de construir um novo esforço por derrotar derradeiramente a modernidade, mas agora sob as condições da pós-modernidade e do pós-liberalismo hegemônico. É a essência revolucionária do pensamento de Julius Evola (tal como percebida por baluartes dissidentes como Giorgio Freda, Claudio Mutti ou Maurizio Murelli), mas atualizada para a realidade extremamente complexa e diferente do século XXI. Surge de um esforço por aprender com os erros do comunismo e do fascismo, para construir uma nova teoria efetivamente antimoderna, o que só se tornou possível, paradoxalmente, na pós-modernidade com o esgotamento do projeto racionalista. É a política tradicional, mas na era das redes, do transumanismo e da guerra híbrida. O seu núcleo é o Povo, não como massa (seja de indivíduos abstratos, de indivíduos organizados em classe, ou indivíduos zoologicamente distinguidos), mas como Unidade de Destino.

SENTINELA: Raphael, então, qual foi o seu percurso cosmovisionário até chegar à Quarta Teoria Política? Teve que passar por outras antes de chegar nessa concepção? Você acredita que este é o único caminho pelo qual um jovem hoje tenha que percorrer para enfim entrar nas fileiras da Quarta Teoria?

RAP. MACHADO: Antes da Quarta Teoria Política eu passei pela Terceira Teoria Política. Fiquei na Terceira Teoria Política aproximadamente até 2011, quando conheci a Quarta Teoria Política, já que eu participei da tradução da própria obra homônima. De um modo geral, esse é o percurso mais comum, porque das três teorias políticas modernas, a terceira é a mais próxima da quarta. De um modo geral, 75-80% da NR veio da TTP [Terceira Teoria Política]. Mas é possível, ainda que mais raro, chegar à QTP [Quarta Teoria Política] vindo da Segunda Teoria Política [2]. É mais difícil porque a distância é maior, mas às vezes acontece. Especialmente quando, antes disso, o comunista em questão abraça alguma religiosidade tradicional. Inevitavelmente, ele chega à conclusão da incompatibilidade entre sua religiosidade e seu posicionamento político, e vai se aproximando da QTP. Vir do liberalismo à QTP é quase impossível, mas pode acontecer com alguém que só é liberal porque não conhecida outras ideias antes.

SENTINELA: Estivemos num cíclo de palestras e reuniões promovido por afiliados da Nova Resistência do Rio Grande do Sul ano passado como convidados de um ilustre de seus membros, Carlos Henrique Güntzel, muito simpático conosco, assistimos ao círculo de palestras e pudemos perceber bastante organização e uma confluência de ideias bastante dinâmica e diversa, porém, organizada. As críticas recorrentes sobre a Quarta Teoria Política possuem certo padrão e geram muita polêmica. Isso você deve estar “careca” de saber. Alguns simplificam a Quarta Teoria num “comunismo disfarçado” enquanto outros já chamaram até de “fascistas sociais” (sic!). Como você enxerga essas opiniões tão discrepantes sobre o mesmo assunto? Como a entidade da qual faz parte e a Quarta Teoria Política encaram isso?

RAP. MACHADO: Para nós é motivo de risos, piadas, memes internos. Existem dois fenômenos por trás desses delírios pseudo-críticos. Um é a armadilha gêmea do anticomunismo/antifascismo na ausência seja do comunismo como do fascismo. A Sinarquia mobiliza esses dois mitos para manter as massas semipolitizadas sempre distraídas das reais prioridades e contradições de nossa época. As pessoas fazem e dizem as maiores loucuras porque possuem suas existências controladas pelos espantalhos do comunismo e do fascismo. O outro fenômeno é a aversão “natural” que as pessoas de um temperamento mais bovino sentem por qualquer coisa nova, que possua o frescor da juventude. Existem pessoas que vivem e pensam em um ritmo simplesmente diferente, “mais devagar” por assim dizer, então simplesmente levarão anos até entender a QTP.

SENTINELA: Para a Quarta Teoria Política, o termo “esquerdo e direito” está morto? Na verdade, existe aí um conservadorismo e um progressismo, ambos liberais, não existindo mais uma oposição formal e sim o liberalismo e suas faces contra aqueles que não querem se posicionar como seus servos… Essa categorização rápida que fiz está correta aos olhos da 4TP?

RAP. MACHADO: Em linhas gerais é isso mesmo. A contradição esquerda/direita está morta há algumas décadas. Ela não é capaz de dar conta da complexidade dos fenômenos políticos típicos da pós-modernidade. Como categorizar os ambientalistas nesse eixo? E os jihadistas? E os tradicionalistas? Pior, literalmente cada ideologia possui a sua própria definição dessa contradição, então o que temos são infinitas maneiras de posicionar pessoas e movimentos políticos em um eixo unidimensional ou bidimensional (no caso desse também ridículo eixo AL/AR/LL/LR), o que alimenta uma confusão infinita.

Hoje, a única contradição real é a que opõe globalistas de um lado e patriotas, identitários [3] e tradicionalistas do outro. Simples assim. Encontraremos comunistas, fascistas, nazbols [4], pessoas das mesmas religiões, dos dois lados. Essa é a realidade.

De um modo geral, o partido do sistema costuma se fracionar em duas grandes vertentes, uma liberal-conservadora e a outra social-democrata. A primeira defende liberalismo econômico, mas conservadorismo cultural, a segunda defende economia social, mas liberalismo cultural. Essas formações são as responsáveis operacionais pela mobilização dos mitos do anticomunismo e do antifascismo. Agora, a Sinarquia em si poderíamos chamar de liberal-libertária, que é o termo que Alain Soral e Diego Fusaro usam. Ela é liberal na economia e liberal nos costumes. As figuras mais perigosas da ordem hegemônica são essas. Tipos como Macron, ou como os Clinton, ou como Moro e Dória.

SENTINELA: Acredito que para o público geral que acompanha os estudos políticos, isso deva ser um questionamento central. Qual a visão da Quarta Teoria, em termos gerais, sobre a Terceira Posição no passado e no presente? A Quarta Teoria se vê como uma superação da Terceira, que deve ser soterrada ou a continuidade da luta contra um único inimigo? Isso é, pela lógica, a Quarta Teoria herda ou suplanta a Terceira?

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RAP. MACHADO: De um modo bem geral, e entendendo que há muitas diferenças entre os vários movimentos, já que estamos falando aqui de dúzias de ideologias sob uma mesma categoria, a Terceira Teoria Política foi uma interessante revisão da Segunda Teoria Política. Se a STP assumia de forma inequívoca a herança da modernidade, foi na TTP que primeiro se tomou consciência, ainda que de forma não majoritária ou hegemônica, dos problemas da modernidade. Tanto isso é verdade que vários dos pensadores tidos como mais importantes pela QTP “arriscaram” a sorte na TTP, tentando influenciar os movimentos na direção da autenticidade. Para citar alguns, teríamos Martin Heidegger, Julius Evola, Ernst Jünger, Carl Schmitt e vários outros. Ainda assim, eles não conseguiram, a TTP permaneceu fundamentalmente dentro dos marcos da modernidade, com vários de seus defeitos e vícios típicos, como certo racionalismo, certo materialismo, uma concepção fundamentalmente moderna de Estado, etc. E, por isso, a Terceira Teoria Política morreu enquanto cosmovisão apta a disputar a hegemonia.

Agora, para nós, superar e enterrar é o mesmo. Herdar e suplantar é o mesmo. Diz um ditado zen budista: “Se você encontrar o Buda na estrada, mate-o”. Essas ligações emocionais com movimentos, figuras, livros, conceitos defuntos é um triste vício espiritual. Isso que eu digo vale tanto para a Segunda como para a Terceira Teorias Políticas. Podemos recordar ou apelar, seletivamente e esporadicamente, a elementos positivos dessas teorias mortas porque é parte do projeto absorver o que pode haver de positivo nos esforços políticos antiliberais do passado.

Mas é uma situação triste. Eu estou em vários grupos nacionalistas no WhatsApp, no Facebook e no Telegram. Quase tudo que é postado nesses espaços é sobre mortos. É um culto mórbido a figuras defuntas há quase 100 anos, discussões superficiais sobre livros pouco relevantes escritos no século XIX ou no início do XX, que estavam adscritos a fenômenos e realidades daquele momento, fotos em preto-e-branco, tudo isso me causa um imenso tédio e aversão. E causaria o mesmo às figuras reverenciadas. Na época de seu auge, esses movimentos nacionalistas eram jovens, vanguardistas, iconoclastas, eram os “punks” do início do século passado. Tanto o nudismo como o ecologismo foram criados pelos fascistas, em alguns países certo tipo de feminismo era parte central do fascismo.

Hoje o culto necromântico do neofascismo é algo para “tiozões” anticomunistas cuja cabeça parou na Guerra Fria ou para jovens que possuem mentalidade de avó. Os defuntos do comunismo e do fascismo já estão fedendo há bastante tempo. O enterro é parte do respeito que devemos aos mortos. Mas devemos sempre recordar, herdar e abraçar o que havia de positivo em todos os projetos antiliberais do passado.

SENTINELA: Aleksandr Dugin; você foi uma das pessoas responsáveis por trazê-lo em certa ocasião para o Brasil, lembro que junto de Alain Soral. Dugin é colocado pela mídia internacional hoje como um novo “Rasputin”, sujeito enigmático, perigoso até. Mas até mesmo Alex Jones e Lauren Southern – figuras queridas da Alt-right -, o entrevistaram, gerando boas conversas e, claro, veio ao Brasil através de vocês. Quem é Aleksandr Dugin para a Quarta Teoria Política hoje no cenário geral e como foi à experiência de travar conhecimento com esses pesos pesados?

RAP. MACHADO: O Dugin veio aqui no Brasil duas vezes, a primeira em 2012, a segunda em 2014, para o mesmo evento que o Soral, sempre no contexto dos saudosos Encontros Evolianos. Dugin é, de fato, perigoso. Perigoso para a ordem hegemônica. Ele, que não é nada além de um pensador, filósofo e sociólogo, sofreu sanções oficiais por parte de governos ocidentais. Foi banido de entrar em alguns países. Há, até mesmo, ameaças extra-oficiais de sequestro contra ele caso ele passe ou mesmo sobrevoe certos países europeus.

Quando foi a última vez que filósofos foram sancionados, perseguidos e punidos de forma generalizada? Poucas pessoas vão saber responder a essa pergunta.

De modo geral, nós recusamos o rótulo de “duguinistas” porque não somos seus seguidores. Não existem “duguinistas” em paralelo a “olavetes”. Dugin é, simplesmente, um pensador bastante sagaz que acendeu uma nova luz, apontou para uma nova possibilidade e lançou um desafio a todos os corajosos que queiram se aventurar, como bandeirantes das ideias, a desbravar as florestas escuras da pós-modernidade em busca de uma clareira, de uma maneira de dar fim à crise, de sair dela. O tigre que se queria cavalgar é mais resistente do que parecia.

Aliás, diferentemente do Olavo, o Dugin é bastante humilde, simples, e fácil de abordar. Vários camaradas tiram dúvidas com ele, e ele tenta responder todo mundo, apesar de evidentemente ser muito ocupado. Eu me correspondo com ele desde, creio, 2009, quando descobri o seu e-mail. E apesar de na época eu ser um total desconhecido, um mero estudante, sem qualquer envolvimento com qualquer projeto político, ele me respondeu humildemente, enviou arquivos de livros dele, etc.

Aleksandr Dugin no Encontro Nacional Evoliano sendo entrevistado por Raphael Machado em 2014. Foto: Legio Victrix/Divulgação

SENTINELA: Trazê-los ao Brasil te trouxe alguma complicação ou inconveniente legal, investigativo ou mesmo perseguição ideológica? E mais, qual foi à impressão que eles tiveram do nosso país. Será que hoje estão mantendo isso?

RAP. MACHADO: As forças hegemônicas tentaram impedir a vinda de Dugin e Soral ao Brasil, mas sem sucesso. Figuras da comunidade judaica, inclusive figuras ligadas às milícias do Rio de Janeiro (creio ser desnecessário mencionar nomes) acionaram seus contatos na casta judiciária brasileira. Fernando Capez chegou a discursar em 2014, na Câmara de São Paulo, contra o Encontro Evoliano. Eu, certamente, estou no radar. Mas cada passo dado pela NR é calculado de forma a reduzir as possibilidades de dores de cabeça legais, até porque temos vários advogados e estudantes de Direito em nossas fileiras. Estou ansioso para trazer essas e outras figuras controversas ao Brasil, até para saber qual será a reação do inimigo.

Dugin é, notoriamente, um admirador do Brasil e de sua cultura, especialmente da música e das formas brasileiras de religiosidade. Ele se interessou, por exemplo, pelas peculiaridades do nosso catolicismo, que para ele parece mais popular e “pagão/raiz” do que de outros países católicos que ele visitou, pelo menos nas últimas décadas. As imagens de santos dentro de lojas, nas entradas de túneis, etc., o deixaram bastante impressionado.

Soral, após a participação no Encontro Evoliano, passeou de moto por alguns dias no Brasil. Fez uma pequena versão paulista da viagem de motocicleta do Che. Ele também gostou do Brasil. Achou, naturalmente, um país cheio de contradições econômicas, mas achou que é um país com muito potencial., Como não poderia deixar de ser com alguém com background nos meios da PUA e semelhantes, ele comentou sobre a beleza da mulher brasileira.

SENTINELA: Tenho visto Dugin participar de várias conversas mundo a fora sobre os efeitos geopolíticos e globais da pandemia de Covid-19 no mundo e suas implicações futuras e diversas. Qual a visão sobre isso atualmente?

RAP. MACHADO: A pandemia expôs para o mundo a falência do projeto globalista e liberal. Os países que se têm se saído melhor são os menos liberais e menos “integrados à aldeia global”. Agora, o caos com o qual nos deparamos ocultou o fato de que uma crise do sistema financeiro já vinha se arrastando e estava prestes a explodir. A crise do sistema financeiro vai se misturar com as consequências econômicas da pandemia, de modo que é bem possível que o mundo pós-covid seja razoavelmente diferente do mundo pré-covid.

Agora, também é um fato, que as forças hegemônicas do globalismo vão tentar aproveitar as condições inéditas da pandemia e da quarentena para avançar os próprios projetos de controle totalitário da vida humana, especificamente nos países alinhados ao atlantismo. O futuro ainda não está definido.

SENTINELA: Outro surto atual, o do antifascismo em protestos mundo a fora, principalmente nos EUA envolve muitas questões políticas e socioculturais. Não é de hoje, as gigantes multinacionais donas dos mercados internacionais tem patrocinado uma agenda de desconstrução de tudo que é considero tradicional ou convencional em termos de valores morais e sociais. Como exacerbação do feminismo, transexuais, pautas LGBTQIA+ e até mesmo transumanismo. Como a Quarta Teoria Política enxerga essas questões? Qual o motivo de grandes corporações no mundo desde o ramo do petróleo, alimentação, finanças, política e tantos outros diversos apoiarem essas causas?

RAP. MACHADO: Esses temas são fundamentais para a Quarta Teoria Política. Essa é a dimensão cultural do liberalismo, especialmente em sua fase pós-moderna. Eu já comentei previamente sobre o antifascismo como ferramenta de distração. O desconstrucionismo é a fase final do liberalismo. O liberalismo em sua fase moderna destruiu todos os laços coletivos que limitavam o indivíduo (religião, Estado, nação, etnia, cultura, família), até sobre apenas o átomo humano, o indivíduo desenraizado e desvinculado. O indivíduo se tornou a última fronteira. Conforme o liberalismo passou de sua fase moderna para a fase pós-moderna, as ferramentas de desconstrução do liberalismo, previamente aplicadas a todos os pertencimentos coletivos, foram voltadas contra o próprio homem. O indivíduo foi substituído pelo divíduo, por um agregado caótico de pulsões que pode ser desmontado. Do LGBTQIA+ ao transumanismo é apenas um passo. É a negação de toda essência humana, a qual, para as várias linhagens espirituais tradicionais, possui ligação com a forma do homem. É o individualismo liberal levado ao ápice. O divíduo quer trocar de forma como quem troca de roupa.

No âmbito da análise marxista mais superficial, esse apoio dado por corporações às pautas mais radicais do liberalismo cultural se daria por mero oportunismo econômico, vontade de lucrar. Mas nós sabemos que tudo isso não passa do liberalismo sendo levado às últimas consequências. Por que se surpreender com isso? Quem derrubou a religião, o Estado e a família como opressores no passado, hoje considera que biologia é opressão. É uma rebelião contra toda forma de limite. Agora, o espaço aqui é curto para expor o sentido metafísico do “limite”. Mas para além de entendermos que se trata aqui do liberalismo sendo levado às suas consequências lógicas, esse apelo pela relativização, pela liquefação, pela dissolução das formas também possui um signo espiritual especificamente satânico, contra-iniciático.

SENTINELA: Como a QUARTA TEORIA POLÍTICA enxerga o sionismo internacional? Seja em seus aspectos históricos no passado ou as consequências de hoje, assim como seu papel nas Altas Finanças.

RAP. MACHADO: Esse tema é mais assunto de ideologia do que de filosofia. Mas de um modo geral, o sionismo internacional não é compatível nem com o projeto de multipolaridade civilizacional, nem com a busca pelo retorno à Tradição. Ele é uma forma de tentar construir uma espécie de “unipolaridade secreta” para garantir uma hegemonia do Povo Eleito. A solução para isso é os próprios judeus abandonarem o seu farisaísmo e encontrarem um caminho político mais saudável. Quanto à elite sionista mais diretamente envolvida com isso, deve-se lidar com ela da mesma maneira que se deve lidar com toda a elite capitalista e cosmopolita do globalismo.

SENTINELA: Já que estamos falando disso… Qual a visão da Quarta Teoria Política sobre o Brasil? Povo, raça, Estado, União, fragmentação… Qual sua opinião?

RAP. MACHADO: O Brasil é o coração da América Ibérica. É um Povo formado por vários povos. Uma macro-etnia, no sentido dado pelo antropólogo Lev Gumilev, composta por várias etnias. A sua tradição imperial garante que essa diversidade não implique qualquer tipo de problema, desde que, no topo do Estado, esteja instaurada uma visão espiritual, metafísica de Brasil, a qual em nossa opinião deve estar vinculada ao projeto de construção de uma Nova Roma. Estamos muito além de micro-debates irrelevantes sobre “etnonacionalismo”, “separatismo”, “Estado-Nação”, etc.

SENTINELA: Como a Quarta Teoria vê o nacionalismo? E no caso do Brasil?

RAP. MACHADO: Nacionalismo é um afeto. Tem gente que trata como se fosse ideologia ou algo assim. Existe nacionalismo liberal, nacionalismo comunista, evidentemente existe nacionalismo fascista, e nós acreditamos em construir um nacionalismo da QTP. Para nós, a própria noção de comunitarismo já traz, implicitamente, uma forma específica de nacionalismo. Ainda que gostemos também da terminologia “nacionalismo revolucionário”, usada já há décadas nos meios dissidentes, para designar aquilo que deve nos guiar ideologicamente nesse período de luta política pelo poder até a vitória.

Nada impede que sejamos nacionalistas no Brasil. Tal como há vários nacionalismos dependendo da teoria política, paralelamente há vários tipos de nacionalismo dependendo da forma de Estado. A natureza imperial do Brasil já nos aponta para a necessidade de um nacionalismo imperial, semelhante ao nacionalismo russo contemporâneo.

SENTINELA: Algumas entidades pequenas que desejam renascer o integralismo dizem que “não existe nacionalismo fora do integralismo” e que tudo que não é integralista é enlatado que não se adequada a nós, brasileiros. Já os castilhistas, na edição passada, disseram que a Quarta Teoria é uma ideologia de exportação do imperialismo russo. Você como um adepto da Quarta Teoria, poderia nos fazer uma réplica para que o leitor possa trabalhar com mais perspectivas?

RAP. MACHADO: De modo geral, essas micro-agremiações, que como já criticamos estão engajadas em necromancia política, em culto aos mortos, etc., sofrem de uma doença mental que eu chamaria de “policarpismo”, referência à obra “Triste Fim de Policarpo Quaresma”. Elas possuem uma neurose cultural em relação a “importações”, quando falam um idioma importado, são geneticamente importados (já que raramente são índios), etc. Quando olham ao redor de si, não encontram praticamente nada que seja nativo. Nem entrarei no mérito do fato de não existir “imperialismo russo”, um termo bizarro que é típico de gente que nem sabe exatamente o que é imperialismo. O problema dessa crítica à Quarta Teoria Política é que a consequência lógica seria o abandono da álgebra, invenção persa, “importada” para o Brasil. O pensamento filosófico autêntico está sempre enraizado e, por isso mesmo, é universal. É universal na medida de seu enraizamento. Não há nada de especificamente russo na Quarta Teoria Política, não mais do que há algo de especificamente persa na álgebra. Na verdade, existe certa desatualização aí. Hoje, a Quarta Teoria Política já é desenvolvida por figuras como Alain de Benoist e Alain Soral, que são franceses, Diego Fusaro, que é italiano, e Alberto Buela e Marcelo Gullo, que são argentinos.

Não existe crítica mais burra do que a desses nacional-nacionalistas.

SENTINELA: Ainda no assunto “Brasil”, quais as implementações políticas nacionais ou regionais presentes hoje em disputa no Brasil pelas quais a Quarta Teoria (ou na figura da NR) é favorável e desfavorável. Poderíamos incluir a Auditoria da Divida Pública como um desses fatores?

RAP. MACHADO: De modo geral, nós simpatizamos com a pauta de realização de uma auditoria da dívida pública. Tirando isso, apoiamos uma reforma tributária que tire o peso das costas do trabalhador e da classe média e repasse para a burguesia, apoiamos reforma agrária, apoiamos as pautas ligadas ao desenvolvimentismo industrial, somos críticos de todas as privatizações atualmente em pauta (CEF, BB, Correios, etc.), etc.

SENTINELA: Em nível nacional, como está disposta e organizada Nova Resistência hoje?

RAP. MACHADO: Estamos em 22 estados brasileiros, cada estado constituindo uma célula. Os líderes estaduais da NR formam um Conselho Consultivo da organização, que vota nos temas mais importantes. Acima desse Conselho Consultivo está um Comitê Central, liderado por mim. Ademais, vinculados ao Comitê Central, a NR possui uma série de departamentos especializados: propaganda visual, redes sociais, relações públicas, tesouraria, etc.

Alguns membros da Nova Resistência, vindos de vários lugares do país pousam para fotografia. Foto: Acervo pessoal/Raphael Machado

SENTINELA: Algumas pessoas tem divulgado que a Nova Resistência é na verdade uma organização internacional, como seu homônimo em inglês, ligada diretamente ao Dugin. E que, portanto, nenhum compromisso pátrio teria… Isso já deve ter chegado até você. Isso é uma inverdade? Aproveitando, poderia nos explicar uma breve história da Nova Resistência para que quem não conhecer, saiba por você?

RAP. MACHADO: A Nova Resistência é uma organização 100% nacional e nunca respondeu a quem quer que seja que não fosse a sua própria liderança constituída. A Nova Resistência, aliás, não possui qualquer ligação organizacional com homônimos em outras línguas, ainda que no passado tenha mantido relações amistosas com páginas estrangeiras dessas supostas organizações. A página (não é uma organização) cujo nome é um homônimo nosso em inglês nem mesmo segue a Quarta Teoria Política.

A Nova Resistência foi criada por mim, no início de 2015. O nome já me soava interessante, e então eu descobri que já tinha existido uma organização nacionalista revolucionária com esse nome na França, surgida nos anos 80 e ilegalizada no início dos anos 90, que foi liderada por Christian Bouchet. Eu entrei em contato com ele apenas para verificar se não haveria problema em usar o mesmo nome. Como achei o símbolo deles interessante, também pegamos, mas fizemos algumas alterações nele. Estabelecemos à época, contato com uma página estrangeira que havia passado pelo mesmo processo pouco antes de nós. Mas institucionalmente, a Nova Resistência sempre foi 100% soberana.

Membros na Nova Resistência pousam com bandeiras do movimento e do eurasianismo. Foto: Acervo pessoal/Raphael Machado

SENTINELA: Saindo da dissidência e indo para a política nacional. A Nova Resistência é coligada de alguma forma como algum partidarismo no Brasil? Qual motivo?

RAP. MACHADO: Partido é um meio para o fim. O fim é o poder político. Poder político no Brasil não se consegue senão com algum nível de engajamento partidário. A Nova Resistência possui membros em 3 ou 4 partidos brasileiros e pretendemos lançar candidatos a vereador esse ano.

SENTINELA: Governo Bolsonaro, uma análise segundo a Quarta Teoria Política… O que o levou ao poder, o balanço de suas medidas no governo e a finalidade.

RAP. MACHADO: Bem, a essa altura toda análise é inútil. A tragédia se tornou visível, palpável e material. A mistura de políticas liberais com o obscurantismo olavete vai nos levar a um número de mortos pela pandemia superior ao dos EUA. Bolsonaro é, indubitavelmente, o pior presidente que o Brasil já teve. O menos nacionalista, o mais sionista, etc. Nem mesmo no âmbito de seu carro-chefe, o combate ao progressismo, ele fez qualquer coisa de relevante. Ao contrário, tratou de construir uma base eleitoral gay.
O que o levou ao poder é relativamente claro: o cansaço do povo em relação às pautas antipopulares da esquerda, especificamente no âmbito moral e cultural. O povo tem paciência, mas essa paciência tem limites.

SENTINELA: Quais os potenciais políticos reais que você ou a Quarta Teoria Política enxergam para o Brasil em 2022?

RAP. MACHADO: A perspectiva para 2022 é negativa, em nossa opinião. O projeto da Sinarquia para o Brasil nas próximas eleições é usar Bolsonaro como espantalho para empurrar um candidato liberal-libertário de centro, com um discurso “anti-extremismo”, “anti-ideologias”, algo como um Moro, Dória ou Huck. Quanto mais incompetente for o governo de Bolsonaro, mais fácil vai ser justificar tudo que o próximo governante fizer. Na prática, não tem como competir com prováveis mais de 100 mil mortos por negligência política e aceleracionismo olavete, em termos de juízo negativo, de modo que o próximo presidente terá “passe livre”. Possível até que lidere um “governo de coalizão nacional”.

SENTINELA: Podemos dizer que a Quarta Teoria Política está deixando ou fez sua marca no cenário internacional moderno? E no Brasil, quais as ambições?

RAP. MACHADO: Com certeza. Dugin é considerado “o filósofo mais perigoso do mundo”, além de possuir clara influência sobre o governo de Putin. O que não é tão sabido, porém, é que a influência de Dugin sobre o pensamento do alto oficialato russo é ainda maior do que sobre Putin. Para além disso, o Donbass foi a primeira revolta armada diretamente inspirada pela Quarta Teoria Política. Todos os primeiros líderes do levante armado foram estudantes de Dugin.

SENTINELA: Onde as pessoas que quiserem saber mais sobre a organização que você pertence podem os encontrar e, qual a literatura que você recomenda para aqueles que querem estudar mais e se aprofundar no assunto?

RAP. MACHADO: Resumidamente, deixarei aqui os links de onde estamos e como nos achar:

Site: novaresistencia.org
Facebook: Nova Resistência – Brasil
Instagram: instagram.com/_novaresistencia
Twitter: twitter.com/br_resistencia
YouTube: Nova Resistência NR
Telegram: t.me/novaresistenciabrasil

Quanto a leituras, todos, até quem não é adepto da QTP, deveria ler o livro homônimo do Dugin, bem como tudo mais dele. Infelizmente, porém, poucos livros dele foram lançados no Brasil e é muito difícil encontrar qualquer um porque a editora responsável acabou em 2013. Nós vamos dar um jeito nisso porque temos um projeto editorial para sair, mas enquanto isso, estudem e leiam o Legio Victrix. As pessoas com QI não tão privilegiado podem não enxergar conexão entre Nova Resistência e Legio Victrix, mas a NR é tão somente a aplicação a nível de práxis político-ideológica dos estudos que fazemos a partir do Legio Victrix.

Então, a última recomendação é essa: Legio Victrix

SENTINELA: Suas considerações finais… Algo que não perguntei e que gostaria de expressar.

RAP. MACHADO: Eu vou ser bastante direto. Os dissidentes, nacionalistas, identitários, etc., qualquer seja o termo, devem tentar abandonar o romantismo vazio, o idealismo pueril, a postura “anti-tudo”, e o trotskismo inconsciente. Eu realmente acho que todo dissidente deve fazer parte de uma organização. Quem não milita não deve ser levado a sério. E se for para militar, que militem pelas organizações principais do Brasil, entre as quais nós estamos. Chega de todo dia um José Aleatório criando mais um movimento nacional-nacionalista da nação, com seus 3 camaradas. Mais importante, todos deviam abandonar todo esse triste e fúnebre culto aos mortos. Temos um futuro a construir.

A Nova Resistência tem muitos projetos que estarão aparecendo em breve. A revolução já começou. Ela é um processo. Se iniciou dentro de nós e vai se desdobrando com nossa estratégia de longo prazo. A nossa vitória é inevitável, é apenas questão de tempo. Se eu não fosse membro da Nova Resistência, inevitavelmente iria querer fazer parte. Com essa caça às bruxas do antifascismo, o futuro não será bom pra quem quer insistir em ser “sozinho” ou em não militar.

SENTINELA: Sendo assim, agradeço mais uma vez e obrigado pelo seu tempo dedicado para essa entrevista.

RAP. MACHADO: Eu que, em nome da Nova Resistência, agradeço a oportunidade de conversar com vocês do Sentinela.


Notas

[1] Nota da edição: Aqui, ele se refere ao movimento que foi uma confederação de organizações e grupos que atuavam na Rússia no começo do século XX, unindo movimentos, tanto políticos como militares, que se opuseram aos bolcheviques após a Revolução de Outubro e lutaram, durante a Guerra Civil Russa de 1917 a 1921, contra o Exército Vermelho, da mesma forma que o Exército Verde nacionalista, o Exército Negro anarquista e o Exército Azul separatista polonês. O braço militar desse movimento era conhecido como Exército Branco ou Guarda Branca. O nome “branco” tinha dois significados: oposição aos “vermelhos”, que eram os bolcheviques que apoiavam o Soviete Supremo e o comunismo e, a cor remente a monarquia russa dos czares.

[2] Nota da edição: Modo geral, aquilo que se entende como as ideias que pregam o objetivo final do “Comunismo”, nascidos no século XIX.

[3] Nota da edição: Aqui, ele se refere ao Movimento Identitário. O ideal identitário representa uma corrente do nacionalismo europeísta que surgiu no final do século XX sob a influência de pensadores e ideólogos como Robert Steuckers, Guillaume Faye, Pierre Vial, entre outros, diferenciando-se em termos ideológicos e da doutrina política dos movimentos nacionalistas tradicionais e aproximando-se ao völkisch alemão do início do século XX. O Ideal Identitário é abertamente etnocentrista, rejeitando todavia o racismo primário. No seu lugar os identitários promovem o etno-diferencialismo, um conceito que que recusa o universalismo homogeneizador e que visa a preservação dos povos e das suas respectivas culturas, com vista a um desenvolvimento do direito à diferença e dos povos a disporem de si mesmos.

[4] Nota da edição: O chamado “nazbol” surgiu da tentativa histórica de conciliar duas posições opostas: nacionalismo e comunismo. Pejorativamente chamado “Nacional-bolchevismo”, pode ser chamado também de bolchevismo nacional, embora simbolize uma ideologia com contornos precisos, é usado por movimentos políticos que visam superar o comunismo mas não como adversário, glorificando o estado, a subordinação da economia à política e não se baseando nos textos de Marx, Engels, Lenin ou outros filósofos e economistas marxistas.

Segundo Alexander Dughin em “Metafísica do Bolchevismo Nacional”, surgiu na Alemanha e na Rússia para:

“… refletir a intuição, por alguns teóricos políticos, do caráter nacional da revolução bolchevique de 1917, um personagem oculto da fraseologia do marxismo internacionalista ortodoxo. No contexto russo, o nacional bolchevique” ‘era o nome usual daqueles comunistas orientados para a conservação do Estado e (consciente ou inconscientemente) continuadores da linha geopolítica da missão da Grande Rússia”.


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