Vinte anos após a retirada, Israel e Hezbollah se preparam para possível confronto

Nos ajude a espalhar a palavra:

Vinte anos depois que das forças militares do Hezbollah expulsarem as últimas tropas de Israel do sul do Líbano, parece haver indícios de conflitos que podem culminar no desembocar numa guerra generalizada.

As tropas israelenses estão atingindo alvos do Hezbollah na vizinha Síria e estão buscando o que poderia ser uma invasão do Líbano. O grupo militante do Hezbollah está reforçando suas próprias forças e ameaçando invadir Israel se for provocado. Os inimigos amargos trocam rotineiramente avisos e ameaças.

Receba nossas postagens por e-mail

Quem é o Hezbollah?

O Hezbollah (Partido de Deus) é um partido político e força militar islâmica xiita baseado no Líbano e também presente na Síria. Uma de suas metas é  estabelecimento da Grande Síria. A organização político-militar participa das eleições libanesas e está representado no parlamento libanês. Seu atual líder é Hassan Nasrallah. A organização foi criada durante a ocupação israelense do Líbano em oposição às forças de ocupação de Israel e foram, desde o início, apoiados pelo Irã. Como uma organização de ferrenha oposição ao imperialismo sionista no Oriente Médio bem próxima ao Estado de Israel, a organização ou sua ala militar é considerada uma organização terrorista por vários países e organizações, inclusive por sunitas e é constantemente acusada de estar envolvido no contrabando de drogas para os países ocidentais.

O confronto político-estratégico entre Hezbollah e Israel na atualidade

Atualmente, o Hezbollah possui problemáticas internas por conta das sanções dos EUA impostas a ele e ao Irã, as pesadas perdas na guerra civil síria, perdendo cerca de 2.000 combatentes enquanto lutava ao lado das forças do presidente da Síria, Bashar Assad. Outro fator é o bait promovido dentro do Líbano contra o movimento e suas forças no governo ao estilo da Primavera Árabe.

Qassim Qassir, especialista em Hezbollah, diz que o grupo não tem interesse em ir à guerra, mas está se preparando para a batalha há muito tempo. “A batalha não será apenas uma batalha de mísseis”, disse ele, uma referência que o Hezbollah pode tentar invadir partes do norte de Israel.

LEIA MAIS

Quando autoridades israelenses dizem que “nem os problemas do Irã – incluindo a crise do coronavírus, os preços do petróleo e as sanções dos EUA – nem os problemas domésticos do Líbano mudaram o comportamento do Hezbollah” fica claro o interesse sionista fundidos nessas crises de impacto para com os países árabes livres.

Apoio popular com bandeiras do Hezbollah. Ao fundo a imagem do líder do movimento e do Ayatolá do Irã. Foto: AP

O xeique Ali Daamoush, um dos principais oficiais do Hezbollah, afirmou que os israelenses têm medo do programa de mísseis do Hezbollah. “Os israelenses devem estar preocupados e assustados, porque a resistência agora tem vontade, intenção, capacidade e força para fazer Israel enfrentar uma grande derrota em qualquer confronto vindouro”, disse ele.

Incitação de novo conflito

Não é segredo que Israel considera o Hezbollah e o Irã seus principais inimigos a serem abatidos. E para isso incita o conflito.

O Hezbollah atualmente opera ao longo da fronteira estabelecida pelo cessar-fogo da ONU que terminou a guerra de 2006. Também estabeleceu uma presença no sul da Síria, perto das Colinas de Golã, controlada por Israel de forma arbitrária mas que terminou em acordos vagos com a Síria no contexto da guerra civil, fornecendo uma frente adicional em uma guerra futura.

A desculpa é sempre a mesma… Israel reproduz a fala de que o Hezbollah está desenvolvendo mísseis de precisão ao mesmo que seus especialista especulam que o movimento estaria financeiramente quebrado. Israel também informou a AP uma tentativa recente do Hezbollah de voar com um drone no espaço aéreo israelense e um incidente no mês passado em que supostos agentes “danificaram uma cerca” da da fronteira entre Israel e Líbano.

Na verdade, é conhecido que é o governo de Israel, através de suas forças armadas, que possui autoria de vários ataques aéreos na vizinha Síria nos últimos anos. Segundo os próprios, para interromper o embarque de armas iraniano ou a tecnologia de mísseis do Hezbollah. Nesse contexto, a Síria acusa Israel de realizar pelo menos sete ataques aéreos apenas nos últimos dois meses, que se acredita terem alvejado interesses sírios e iranianos.

Na cidade fronteiriça libanesa de Kfar Chouba, supervisionada por três posições israelenses, área disputada ao longo da fronteira entre Israel, Síria e Líbano, tropas israelenses dispararam e acertaram um pastor sírio que havia atravessado o território de Israel no último domingo (17). Isso aos olhos das forças de paz da ONU ue patrulham as áreas de fronteira, enquanto tropas libanesas apenas mantinham-se atentas em postos por toda a região.

Na planície vizinha de Khiam, dezenas de agricultores estavam plantando sementes de melancia em um pomar, a poucos metros de uma cerca que marcava a fronteira enquanto moradores da cidade de Metulla foram vistos dirigindo pelas ruas decoradas com bandeiras israelenses azuis e brancas colocadas em postes elétricos, enquanto fazendeiros trabalhavam em campos próximos e caminhões entravam e saíam de uma fábrica. Apesar dessas tensões, os moradores da fronteira norte de Israel dizem que a vida melhorou muito desde que Israel se retirou de sua auto-declarada “zona de segurança” duas décadas atrás.

Tanques israelenses posicionados ao longo da fronteira com a Síria, na parte das Colinas de Golã ocupada por Israel – AFP

Nas últimas semanas, dezenas de milhares de soldados israelenses participaram de um exercício massivo na base militar de Elyakim. Quatro tanques israelenses presentes nesse exercício foram postos na beira de uma cordilheira e dispararam conchas de 120 milímetros que atravessavam o vale, atingindo alvos diretos a vários quilômetros de distância. Tropas terrestres manobraram através de uma falsa vila libanesa. A Força aérea, marinha e unidades cibernéticas se juntaram ao exercício.

Sentinela Mídia Independente
siga em
Últimos posts por Sentinela Mídia Independente (exibir todos)
Nos ajude a espalhar a palavra:
Gostou do artigo? Você pode contribuir para o site com uma doação:

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

dezesseis − sete =

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.