Snowden obtém autorização de residência permanente na Rússia

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Ex-analista da NSA vive asilado na Rússia desde 2013, quando causou terremoto político ao revelar práticas ilegais de espionagem do serviço secreto dos Estados Unidos.

A Rússia concedeu nesta quinta-feira (22/10) uma autorização de residência permanente a Edward Snowden, ex-analista da Agência de Segurança Nacional americana (NSA) acusado pelo governo dos Estados Unidos de infringir a lei de espionagem.

Snowden vive na Rússia desde 2013, após divulgar para a imprensa práticas ilegais de espionagem da NSA em redes de internet e telefonia, incluindo de líderes internacionais.

O advogado de Snowden, Anatoly Kucherena, disse que seu cliente foi beneficiado por mudanças na legislação de imigração russa aprovadas em 2019, e que, no momento, ele não pretende dar entrada em um processo para obter a cidadania russa.

Kucherena também explicou que o pedido havia sido feito em abril, mas atrasou devido à pandemia de coronavírus. Antes de solicitar a residência permanente, Snowden pediu duas vezes uma autorização de residência temporária.

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Em 2013 Snowden, hoje com 37 anos, chegou a ficar mais de um mês na área de trânsito do Aeroporto de Sheremetyevo, em Moscou, antes de receber asilo temporário. Procurado pelos Estados Unidos, ele chegou à capital russa vindo de Hong Kong, com a intenção de seguir viagem. No entanto, com o passaporte anulado pelas autoridades americanas, ele foi forçado a ficar. Durante as semanas que passou no aeroporto, Snowden chegou a pedir asilo político a mais de 20 países.

Desde que vive na Rússia, Snowden tem trabalhado como consultor, dando videoconferências sobre tecnologia da informação e seus riscos e ameaças.

Em setembro do ano passado, o Departamento de Justiça dos Estados Unidos entrou com uma ação contra a publicação do livro de memórias de Snowden, em razão da divulgação de informações confidenciais.

No livro, Snowden contou pela primeira vez em detalhes a história de sua vida e explicou por que decidiu pôr em risco a própria liberdade ao se tornar um dos maiores delatores de todos os tempos.

A obra traz um relato extenso sobre como foram revelados os detalhes da coleta de dados em massa de e-mails, telefonemas e atividades online por parte da agência, em nome da segurança nacional.

Em agosto deste ano, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse que “daria uma olhada” em um possível perdão a Snowden, que, se condenado, pode pegar até 30 anos de prisão. Snowden afirmou que gostaria de voltar aos Estados Unidos, mas apenas se tivesse um julgamento justo.

REDAÇÃO

Outro ativista, mas este, brasileiro, que até o momento se encontra preso na Rússia é o nacionalista Eduardo Fauzi, acusado de perpetrar um ataque a agência Porta dos Fundos no Rio de Janeiro, capital, preso na Rússia por mando da Interpol (Polícia Internacional). Seu caso ainda aguarda revisão e o olhar atento das autoridades brasileiras.

O livro de Snowden pode ser baixado livremente em nossa Biblioteca Digital


Fonte: Deutsche Welle
Autor original: LE/efe/afp/lusa
Publicado originalmente em 23 de outubro de 2020


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