Por que as igrejas no Chile foram incendiadas e quais as consequências?

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Militantes de esquerda extremista incendiaram duas igrejas católicas em Santiago, capital do Chile, no último domingo (18), em meio a um ato organizado para celebrar o primeiro aniversário dos protestos do ano passado contra a desigualdade no país. Segundo a mídia local, cinco pessoas foram detidas e 18 policiais ficaram feridos.

O primeiro santuário a ser incendiado no Chile foi a igreja de São Francisco de Borja, usada regularmente pela polícia dos carabineros para cerimônias institucionais. Horas depois, atacaram a igreja de Assunção, uma das mais antigas da capital, com mais de um século e meio de idade.

A igreja de São Francisco de Borja é a capela  militar. Ao atacar essa igreja, eles estão atacando a figura dos carabineros, que são uma espécie de Polícia Militar do Chile. têm uma relação simbólica com a ditadura de Augusto Pinochet (1973-1990). Os ataques ocorreram a uma semana da realização de um plebiscito para mudar a Constituição herdada dessa ditadura, que tem como um dos principais fatores de penúria para os chilenos, a herança da Previdência privada, adotada por Pinochet, um dos primeiros governos do mundo a adotar medidas neoliberais promovidas no final dos anos 1970.

 

Ataques violentos a igrejas também ocorreram em julho deste ano, nos Estados Unidos, durante manifestações do movimento Black Lives Matter que se seguiram ao assassinato de George Floyd. Assim como no caso do Chile, quebrando estátuas religiosas e incendiaram templos.

Contexto político antes dos ataques

A Praça Itália, epicentro das manifestações de 2019, havia amanhecido vigiada por carabineros (Polícia Militar chilena) no domingo e carros blindados. Grupos de manifestantes chegaram cedo, agitando bandeiras, pulando e gritando slogans a favor de uma mobilização para a realização das esperadas reformas sociais das quais nenhum outro governo pós-Pinochet atendeu satisfatoriamente. No fim da tarde, a polícia estimou o número de manifestantes em 25 mil.

O último referendo realizado no país foi em 1989, que determinou o fim do regime militar. Atualmente, um dos empecilhos do qual forças governamentais e nichos de influencia se utilizam para atrasar as reformas sociais urgentes, é o confronto entre militares e a esquerda extremista, conflito urbano que já deixou baixas de ambos os lados.

 

A maioria da população defendia uma manifestação pacífica e sem excessos, segundo pesquisas locais, mas havia o temor de que se repetissem os eventos de 18 de outubro de 2019, quando os protestos motivados pelo aumento da passagem do metrô de Santiago também terminaram em atos violentos. Aquele dia, que começou com um movimento de estudantes secundaristas que pulavam as catracas do metrô, terminou em confrontos generalizados. Além dos vandalismos a igrejas, várias estações foram queimadas e houve ataques a edifícios, pilhagem de lojas e violentos confrontos com a polícia.

Na época, o presidente Sebastián Piñera (RN) chegou a decretar estado de exceção e pôr a segurança pública nas mãos dos militares pela primeira vez depois do fim do regime de Pinochet, revogando a medida pouco mais de uma semana depois.

Em vez de atacar os frutos do regime que tanto odeiam, atacam-se os símbolos culturais e nacionais

Historicamente, revolucionários de esquerda internacionalista promoveram perseguições sanguinárias ao Cristianismo, a começar pelos atos de terrorismo da Revolução Francesa que, instigados pela burguesia liberal, promoveram os massacres de setembro de 1792 e Regime do Terror em 1793. Situação essa que só foi apaziguada internamente com o então general Napoleão Bonaparte assumindo o poder na França. Na Guerra Civil espanhola (1936), membros de movimentos socialistas destruíram igrejas e obras religiosas e assassinaram milhares de sacerdotes – 1.253 já foram beatificados pelo Vaticano. A situação só foi revertida na Espanha daquela época com a intervenção militar da Alemanha e Itália, que apoiaram as forças do general Francisco Franco como chefe de Estado.

 

Hoje, a mesma esquerda extremista pode ser vista como “tropa de choque do liberalismo” tanto quanto os carabineros estavam para o Regime Militar de Pinochet. Além de tirar a atenção dos reais problemas chilenos, como o aumento dos preços dos serviços sociais e a Previdência Privada fracassada em todo o mundo – medida defendida pela Direita brasileira -, a única visão popular que tais ataque geram no povo é o ódio contra essa própria esquerda com sua visível vontade de chamar (ou desviar) atenção com intolerância religiosa, desprezo aos símbolos nacionais que representam o próprio povo, como a religiosidade hispano-americana presente em suas igrejas e praças.

O espantalho da esquerda extremista abre portas para uma direita liberal e igualmente extremista: Assim foi no Brasil, mas será no Chile?

No Brasil, a eleição de Bolsonaro teve seu apoio popular quando o povo foi acostumado com a repulsa da esquerda militante à tudo que é tradicional, basilar e formador da identidade social de qualquer povo, como família, pátria, renda digna, segurança e dignidade. Usando-se disso, subiu ao poder em Brasília a Direita “bolsonarista”, que nada é – e tem mostrado isso todos os dias – do que uma continuação das medidas políticas liberais extremistas de governos como Collor, Fernando Henrique e Michel Temer. Mesmo que prometesse  prometesse não reaver os pacotes de privatização e entrega de patrimônio nacional ocorridos na Era PT de Lula e Dilma, seus ministros agem por puro idealismo ilógico promovendo o “vende tudo e não melhora nada” de FHC, a “abertura total” de Collor e o “Reforma tudo, menos para mim” de Temer. Sendo o principal que, qualquer ideia que vá contra esse estilo de “suicídio nacional”, mesmo que nacionalista, é “esquerdista” e “desagregador” e deve ser “combatido”.

 

No Chile, o horror causado por uma esquerda que faz a propaganda do globalismo contra a noção de povo, pátria, valores familiares, religiosos, tradicionais e de pertencimento da comunidade, cuspindo na fé do povo, causará a erupção de uma direita igualmente extremista que não conseguirá distinguir reformas necessárias para o bem popular e reformas que atendem somente aos interesses escusos de uma elite supranacional que se beneficia da pobreza coletiva, como é o caso dos bancos ao sistema financeiro com uma Previdência privada.


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