Plano Ynon: A balcanização do Oriente Médio e a Grande Israel

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Em 1982, Oded Yinon, funcionário do governo israelense das Relações Exteriores, defendeu explicitamente a balcanização do Oriente Médio para encorajar Israel no seu Documento Estratégia para Israel na década de oitenta.

O que Israel tem a ver com a Guerra do Iraque? Porque Israel financiaria (em conjunto com os EUA e UE) um grupo radical islâmico como o Estado Islâmico? A resposta está no Plano Yinon e no projeto de formação do “Grande Israel”.

Apesar de parecer simples “teoria da conspiração”, na verdade é uma tese bem fundamentada e bastante lógica. O conceito de um “Grande Israel”, segundo o fundador do sionismo Theodore Herzl, é um Estado judeu “alongado” desde o rio do Egito (Nilo) até o Eufrates (Iraque)… O Lebensraum israelense!

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Em 04 de setembro de 2001, uma semana antes dos atentados às Torres Gêmeas, uma manifestação foi realizada em Jerusalém em apoio à ideia da implantação do Estado de Israel desde o Nilo (Egito) até o  Eufrates (Iraque). Essa demonstração foi organizado pelo movimento Bhead Artzeinu [Para a Pátria], então dirigido pelo rabino e historiador Avraham Shmulevic, de Hebron. De acordo com Shmulevic:

“Nós não teremos paz enquanto todo o território da Terra de Israel não voltar sob o controle judaico. Uma paz estável só virá depois, quando Israel tomar a si todas as suas terras históricas, e, assim, controlar desde o canal de Suez (Egito) até o Estreito de Ormuz (Irã) […] Devemos lembrar que os campos de petróleo iraquianos também estão localizadas na terra dos judeus”. [1]

Mapa ilustrativo do Plano Ynon, a Grande Israel. Imagem: Reprodução

Israel e seus membros mais destacados, os anglo-sionistas globalistas, os grandes banqueiros, bem como os as grandes empresas petrolíferas estadunidenses, facções da sinarquia financeira, além de objetivarem suas aspirações ideológico-espirituais, como a ideia de governo mundial, de um controle cabal hermético para uma sapiência que advêm o universo, se beneficiariam acima de tudo do controle total da estabilidade no Oriente Médio, mesmo que para isso devam causar total instabilidade, não importando o preço e o sangue.

O documento de Yinon 

O documento de Yinon apareceu em Kivunim (Directions) – Revista para o Judaísmo e o sionismo, n° 14, Inverno, 5742, fevereiro de 1982; Jornal do Departamento de Publicidade da Organização Sionista Mundial em Jerusalém, traduzido e editado pelo já falecido Israel Shahak – judeu asquenazi polaco declaradamente antissionista -, professor de química orgânica na Universidade Hebraica de Jerusalém e diretor da Liga Israelense para os Direitos Humanos e Civis, com o sugestivo título “O plano sionista para o Oriente Médio” [2], que, em sua opinião, opera dois pré-requisitos essenciais para Israel sobreviver:

  1. Deve se tornar uma potência regional imperial.
  2. Deve efetuar a divisão de toda a área em pequenos estados pela dissolução de todos (sic) os países árabes existente.

De forma premonitória, o oficial israelense, cujo documento se poderia chamar  “As profecias de Yinon”, adiantou-se 32 anos à balcanização do Iraque em processo:

“Iraque, rico em petróleo, por um lado e rasgado internamente por outro lado, é garantida como candidato aos alvos israelenses. A sua dissolução é ainda mais importante para nós do que a da Síria. O Iraque é mais forte do que a Síria. A curto prazo, é o poder iraquiano que constitui a maior ameaça para Israel. […] Todo tipo de confronto inter-árabe vai nos ajudar e reduzir o caminho para o objetivo mais importante de dividir o Iraque em denominações como na Síria e no Líbano. […] Então, três (ou mais) estados existirão em torno das três cidades principais: Basra, Bagdá e Mosul, assim como as áreas xiitas no sul vão ser separadas do norte sunita e curdo”. (sic!)

 Israel Shahak
Dr. Israel Shahak, presidente da Liga Israelense de Direitos Humanos e Civis, falou na Universidade Estadual de Ohio. Sua aparição foi patrocinada pela Liga Árabe Americana contra a Discriminação. Foto: Columbus Citizen Journal, Universidade de Columbus, Ohio, 7/10/1982

Outra frase balcanizadora e vulcanizadora do “Plano Yinon” é:

“A dissolução total do Líbano em cinco províncias serve como precedente para todo o mundo árabe, incluindo o Egito, a Síria, o Iraque e a península Arábica […] A dissolução da Síria e do Iraque, em áreas étnicas ou religioso como no Líbano, é alvo primário de Israel na frente oriental, a longo prazo, enquanto a dissolução do poder militar dos estados serve como o principal objetivo de curto prazo.”

O documento do “Plano Yinon”, na tradução de Shahak, foi avaliada pelo portal alternativo canadense Global Research [3], dirigido por Michel Chossudovsky renomado economista.

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Na visão de Alfredo Jalife-Rahme, ganhador do prêmio Nobel da Paz em 1985 e fundador do IPPNW (Médicos Internacionais para a Prevenção da Guerra Nuclear), a estratégia geopolítica de Israel do “Plano Yinon” é muito semelhante da famosa “Teoria do Arco da Crise (Crescent de Crise [4])” de 1978, do geoestrategista polonês-estadunidense-canadense Zbigniew Brzezinski – retomado tanto pelo polêmico historiador israelense-anglo-estadunidense Bernard Lewis em 1980 [5], que era um espião britânico, funcionário do Ministério das Relações Exteriores da Grã-Bretanha e, também consultor do Departamento de Estado e, assim como, de forma trivial, mas não menos desestabilizadora, pelo especulador George Soros, que é designado como padrinho pecuniário das “revoluções coloridas” na Europa Oriental e no Cáucaso.

O Plano Brezinski/ Lewis, quase um decalque do “Plano Yinon”, visava principalmente a desestabilização da URSS e do Irã, que são complicados…

Jalife-Rahme aborda o teorema do “Arco da Crise” desde o Iêmen [6] passando pela região islâmica da China [7] até a zona petrolífera do Qaedastão/Caostão” [8], que, em sua opinião, não está longe de uma espécie de “Israelistão/Sionistão” que subentende o “Plano Yinon” como o “choque de civilizações” de Samuel Huntington.

Outro documento de 1996 “A ruptura: uma nova estratégia para garantir o reinado”, do israelense-estadunidense Richard Perle – proeminente conselheiro de defesa de Bush Jr., e do “Grupo de Estudo sobre uma nova estratégia israelense para os anos 2000” – do Instituto Avançado de Estratégica e Estudos políticos do Likud partido sionista fundamentalista [9] constitui o enlace com o teorema do “Arco da Crise” de Brzezinski / Lewis [1978-1980] e o “Plano Yinon”, de 1982, que se cumprem-se requintadamente no Iraque e Síria, para não falar no Iêmen e na Somália, no verão de 2014.

No website Counterpunch, a britânica Linda Heard, especialista em Oriente Médio, perguntava desde 2006: “Os EUA executam as guerras de Israel de acordo com A profecias de Oded Yinon?” [10]

Em 2011, Dmitri Medvedev, então presidente russo alertou aos árabe sobre o extremismo regionais [11], sabendo da implementação do “Plano de Yinon” e suas consequências, já que ele conhecia como ninguém os geo-estrategas citados e com quem trabalhara.

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A professora universitária Sultana Afroz no jornal The Daily Star de Bangladesh – quarto país mais populoso no mundo islâmico (149 milhões) atrás da Indonésia (221 milhões), Paquistão (189 milhões) e Índia (166 milhões) – conjuga de forma alarmante o “Plano Yinon” [11] com o “Papel do Novo Estado Islâmico“.

Devido à importância demográfica de Bangladesh, Egito, Indonésia e Paquistão no mundo islâmico – resulta transcendental a sua percepção sobre o a a implantação do “Plano Yinon” do governo israelense para balcanizar o Oriente Médio.

Sultana Afroz diz que, o hoje denominado Estado Islâmico, é um instrumento de engano dos “USrael” para o “novo Oriente Médio” , à semelhança Ocidental da “Primavera Árabe” fabricada na África do Norte, o projeto desse Estado Islâmico é o pior engano concebido com intenções odiosas para provocar o caos e a terrível destruição mediante o poder militar para a criação desse “Novo Oriente Médio”, com Israel como uma potência regional no controle dos recursos de petróleo, gás e de água da região.

Ainda na linha de Afroz, o ativista e advogado vincula a “meteórica guerra do Estado Islâmico no Iraque” com a “criação de uma ilusão para iniciar o cumprimento de uma agenda pré-planejada no Ocidente, em estreita aliança com Israel” para reconfigurar o mapa de toda a região de um “Novo Oriente Médio”.

Concluindo, este é o “Plano Yinon” em andamento, cujo objetivo é a balcanização do Oriente Médio e o Norte da África com Estados menores e mais fracos, a fim de assegurar a posição dominante de Israel”

Jalife-Rahme também faz essa ligação em seus artigos sobre o papel do novo califado [Estado Islâmico] no século XXI [12] e a revelação de John McCain como esse objetivo final do EI de um supremo califado somados agora ao “Plano Yinon” [13] beneficia o governo israelense através da balcanização do Oriente Médio.

Notas

[1] Legio Romano. ISRAEL E O PLANO YINON – a “balcanização” do Oriente Médio. Dissidente Antiliberal, set. 2016. Disponível em http://dissidente-antiliberal.blogspot.com/2016/09/israel-e-o-plano-yinon-balcanizacao-do.html

[2] Alfredo Jalife Rahme. The Zionist Plan for the Middle East. Tradução de Israel Sharack. Scrib. Disponível em https://pt.scribd.com/doc/237453950/The-Zionist-Plan-for-the-Middle-East

[3] Israel Shahak e Prof Michel Chossudovsky. “Greater Israel”: The Zionist Plan for the Middle East: The Infamous “Oded Yinon Plan”. Introduction by Michel Chossudovsky. Global Research, 16 mai. 2020. Disponível em https://www.globalresearch.ca/greater-israel-the-zionist-plan-for-the-middle-east/5324815

[4] Ivo H. Daalder, Nicole Gnesotto e Philip H. Gordon. Crescent of Crisis: U.S.-European Strategy for the Greater Middle East. Editora Brookings Institution Press, 10 jan. 2006. ISBN: 9780815716891

[5] Mike Robinson. Who Is The Enemy? -OR- Why We Shouldn’t Get Sucked Into The Clash Of Civilisations. UK Colum, Politics, 23 mai. 2013. Disponível em https://www.ukcolumn.org/article/who-enemy

[6] Alfredo Jalife Rahme. El Petroleo detras de la nueva guerra contra Yemen. Contra Línea, Arquivo/Revista, 31 jan. 2010. Disponível em https://www.contralinea.com.mx/archivo-revista/2010/01/31/el-petroleo-detras-de-la-nueva-guerra-contra-yemen/

[7] Alfredo Jalife Rahme. Bajo la Lupa: La agenda oculta de Xinjiang: petróleo, gas y oleoductos. Jornada, Opinión, 17 jul. 2009. Disponível em https://www.jornada.com.mx/2009/07/19/opinion/012o1pol

[8] Zfacts. Start of Iraq War: “A Clean Break: A New Strategy for Securing the Realm”. Disponível em http://zfacts.com/p/139.html

[9] Linda S. Head. Is the US Waging Israel’s Wars?. CounterPunch, 25 abr. 2006. Disponível em https://www.counterpunch.org/2006/04/25/is-the-us-waging-israel-s-wars/

[10] Reuters. Medvedev warns Arabs of ‘extremism’: Russian president says rebellions could empower fanatics, break up states and “spread extremism in the future”. Al Jazeera, News, Europe, 22 fev. 2011. Disponível em https://www.aljazeera.com/news/europe/2011/02/2011222142449923896.html

[11] Sultana Afroz. The Yinon Plan and the role of the ISIS. The Daily Star, 03 jul. 2014. Disponível em https://www.thedailystar.net/the-yinon-plan-and-the-role-of-the-isis-31469

[12] Alfredo Jalife Rahme. Fórmula Brzezinski/Rice/Peters/Clark/Wright para balcanizar Medio Oriente. La Jornada, Bajo la Lupa, 17 ago. 2014. Disponível em http://www.alfredojalife.com/2014/08/17/formula-brzezinskiricepetersclarkwright-para-balcanizar-medio-oriente/

[13] Alfredo Jalife Rahme. Revelación estrujante: el senador John McCain, verdadero califa del Estado Islámico yihadista. La Jornada, Bajo la Lupa, 20 ago. 2014. Disponível em http://www.alfredojalife.com/2014/08/20/revelacion-estrujante-el-senador-john-mccain-verdadero-califa-del-estado-islamico-yihadista/

[14] [VÍDEO] Alfredo Jalife Rahme. NATO s Plan to Divide the Middle East, Oded Yonin, Bernard Lewis. Youtube, Alfredo Jalife, 22 ago. 2014. Disponível em https://www.youtube.com/watch?v=QM2ii6MzCqE&feature=youtu.be

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