O Brasil no BRICS 2020

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A 12ª Cúpula do BRICS 2020 foi realizada em 17 de novembro. Durante o encontro, que foi realizado em formato de vídeo, os líderes do Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul resumiram os resultados do trabalho da organização em 2020, avaliaram as atividades da Rússia como presidente da aliança, trocaram opiniões sobre temas da atualidade da agenda mundial, discutiram as perspectivas de desenvolvimento da cooperação no futuro.

A cooperação na área da medicina nos países do BRICS começou em 2015, após a cúpula de Ufa. Em seguida, os países concordaram em trabalhar juntos para prevenir a propagação de doenças infecciosas, incluindo infecções por coronavírus. Portanto, o sistema de trabalho de combate à pandemia não era novo para os países do BRICS.

O Brasil com Bolsonaro se coloca contra o multilateralismo e a ONU na questão do Covid

O presidente do Brasil, Jair Messias Bolsonaro afirmou que:

“A crise sanitária impôs grandes desafios à estabilidade internacional. O Brasil lutará para que prevaleça em um mundo pós pandemia um sistema internacional pautado pela liberdade, pela transparência e segurança. Para que isso se concretize, é fundamental defender a democracia e defender as prerrogativas soberanas dos países”, disse.

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Sobre a OMC (Organização Mundial do Comércio) Bolsonaro pediu uma reforma na entidade, com foco na questão dos subsídios. Se essa foi uma pauta constante do Brasil ao longo dos anos, ela ganhou uma nova dimensão diante da presença cada vez maior da China no mercado internacional e acusada por Washington de se aproveitar de brechas nas regras internacionais para subsidiar alguns de seus principais setores econômicos.

Em seu discurso, Bolsonaro também fez questão de destacar a necessidade de um respeito à “soberania nacional” e repetiu a “palavra de ordem” atual no Itamaraty de que não foram as entidades internacionais que deram uma solução à crise. Mas sim as nações.

Xi foi contra as políticas chamadas “isolacionistas”

Em seu discurso, Xi Jimping mostrou a distância entre ele e Bolsonaro. Um dos pontos destacados foi o ataque a políticas chamadas de forma rotulada pela mídia de “isolacionistas”, uma referência à adoção por parte de países de posturas não impostas pela OMS (Organização Mundial de Saúde) como as adotadas por Donald Trump e repetida no Itamaraty. Para Xi, atos de “bullying” estão aumentando no cenário internacional. O chinês insiste o risco de abandonar o multilateralismo.

“A história nos mostra que o multilateralismo pode evitar guerras”, já o isolacionismo “vai aumentar a tensão e possibilidade de conflitos”. O presidente chinês pediu que os demais países dos Brics saiam na defesa do direito internacional e da ONU, além de criar uma oposição contra as decisões unilaterais.

Ao longo dos últimos meses, o governo brasileiro tem rejeitado fazer uma defesa explícita do multilateralismo e da ONU, insistindo que o princípio da soberania deve ser a prioridade.

Vacina em parceria com São Paulo e Acordo de Paris

Outro ponto destacado por Xi foi a questão das mudanças climáticas. Ele defendeu que o aquecimento global “não para” diante da pandemia e defendeu que países e que os governos se comprometam a implementar o Acordo de Paris.

Essa é uma pauta de conflito no atual governo brasileiro, que seguiu o exemplo de Donald Trump que, em sua gestão, o denunciava como um lobby contra a soberania nacional.

O presidente chinês fez referência ao acordo de vacinas que mantém com o estado de São Paulo, ainda que não tenha usado o nome da entidade federativa e se referiu apenas como um entendimento com o Brasil. O chinês ainda deixou claro que está disposto a enviar vacinas para os demais países dos Brics, se necessário.

Elogios de Putin para Bolsonaro

Diplomaticamente falando ainda não existe concretude de novas relações maiores da parte de Putin em atrair Bolsonaro. Mas de qualquer forma, certo é que na lógica das relações diplomáticas, o governo brasileiro atual, ideologicamente alinhado aos interesses estadunidenses e agora politicamente num limbo com relação à Joe Biden, mostra que uma aproximação entre a Rússia e o governo brasileiro presidido com Bolsonaro funcionaria para Putin primeiramente na vantagem de afastar o Brasil da esfera de influência norte-americana. Como é sua relação com a Turquia e Israel, por exemplo.

Por dois dias seguidos o presidente voltou a publicar um trecho da declaração de Putin que presidiu o encontro, acompanhado do provérbio bíblico (Provérbios, 24, 10) que havia citado anteriormente. Putin enalteceu as “qualidades masculinas” do chefe do Executivo brasileiro, como “coragem e força de vontade”, em referência ao enfrentamento da pandemia e sobre Bolsonaro ter sido infectado pela COVID-19.

Bolsonaro está deslumbrado com um possível novo começo de amizade após a derrota de Donald Trump nas eleições estadunidenses?

No último dia 10, uma semana antes da Cúpula, em meio ao crescimento dos casos de coronavírus no país, Bolsonaro disse que o Brasil “tem que deixar de ser um país de maricas e enfrentar a doença. Tudo agora é pandemia, tem que acabar com esse negócio, pô. Lamento os mortos, lamento. Todos nós vamos morrer um dia, aqui todo mundo vai morrer. Não adianta fugir disso, fugir da realidade. Tem que deixar de ser um país de maricas”, concluiu.

Resultados da cúpula

Como resultado da cúpula, três documentos foram adotados: a Estratégia de Parceria Econômica do BRICS até 2025, a Estratégia Antiterrorismo do BRICS e a Declaração de Moscou.

Neste ano, a Federação Russa foi a presidente do BRICS. No ano que vem, a presidência passa para a Índia.


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