Gazprom: Estatal russa comanda produção petroleira e gasolina custa R$ 2,32

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A estatal Gazprom (Газпром), criada em 1989 é a maior empresa do país e a maior exportadora de gás natural do mundo o que lhe confere a décima quinta posição no ranking das maiores empresas mundiais segundo informa a revista Forbes em 2011.

Destruindo a falácia neoliberal

A tendência mundial de alta no preço dos combustíveis não afetou o bolso dos consumidores da Rússia. Segundo a agência Bloomberg, o litro de gasolina no país da Copa custa em média R$ 2,32.

A reportagem do Brasil de Fato está na capital Moscou, onde o custo de vida costuma ser mais alto que no restante do país. Mesmo nos postos de combustível da região central, o preço da gasolina não ultrapassa os R$ 2,50. O litro do diesel custa menos de R$ 2,65.

A empresa possui 93% do gás natural da Rússia (2004), 28,800 km³ de reservas de gás, 16% das reservas mundiais (2004). Após adquirir a Sibneft, com 116 milhões de toneladas de gás natural e petróleo, tornou-se a terceira maior produtora de petróleo e gás do mundo, apenas atrás da Arábia Saudita (263 milhões de toneladas) e do Irã (133 milhões de toneladas). Possui 330.000 funcionários (maior empregador da Rússia), mais de 460.000 acionistas e tem o mais longo gasoduto do mundo, com 150.000 km de tubulações de gás natural com 179 travessias que fornecem gás a 80.000 localidades na Rússia através de uma rede de tubulações de 428.000 km.

Paralelos

A greve dos caminhoneiros no Brasil estimulou uma reflexão sobre a gestão e o controle do petróleo. Na Rússia, quem comanda a produção de petróleo e gás é a empresa pública Gazprom, fundada em 1989, que tem 50,002% de capital estatal.

A Gazprom é a maior empresa de capital aberto da Rússia. Apesar das denúncias de corrupção e falta de transparência, as receitas da companhia superaram há dois anos a casa dos US$ 100 bilhões.

No aniversário de 25 anos da Gazprom, em fevereiro, o presidente Vladimir Putin discursou diante de milhares de trabalhadores e atribuiu o sucesso da empresa ao fortalecimento do seu caráter estatal. Foto: Reprodução

Com relação ao território, a Rússia não é tão diferente do Brasil. Estando ambos entre os cinco maiores territórios nacionais do mundo e contendo dentro de ambos, populações multi-étnicas, a Rússia tem um território de 17.124,442 km²  (densidade 8,3 hab./km²), população 142.914,136 (2016) e um PIB estimado em US$ 1,324 trilhões (2016) e o Brasil possui um território de 8.515.767,049 km² (densidade 23.8 hab./km²), população de 207.660,929 (2017) e um PIB estimado em US$ 2,141 trilhões (2017).

Então isso nos faz pensar, qual é o problema de nacionalizar nosso petróleo e recursos naturais?

Histórico recente

“Houve um tempo em que o Estado praticamente perdeu o controle sobre a companhia”, disse Putin, em referência ao processo de privatizações ocorrido após a dissolução da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS). No início da década de 1990, a população apoiou a venda de ativos das estatais e a entrada de empresas multinacionais no país.

O fracasso do modelo neoliberal, evidenciado pelos índices socioeconômicos, mudaram em poucos anos a opinião pública. Na virada do século, mais de 77% dos russos eram favoráveis a uma revisão parcial ou total das privatizações realizadas nos primeiros meses de abertura para o capitalismo.

Com respaldo popular, e de olho no aumento dos preços do petróleo no mercado internacional, o governo reverteu a onda privatizante e apostou na gestão pública dos recursos naturais. A mesma tendência se verificou na Argentina, durante o governo Néstor Kirchner, e no vizinho Azerbaidjão.

Na Argentina, o fracasso anunciado da política econômica liberal de Marcri fez com que pela primeira vez em décadas, o país austral da América do Sul tivesse que submeter-se ao FMI em empréstimos multibilionário.

O modelo russo permite concessões e partilha, como no Brasil. Ou seja, o governo pode conceder a terceiros o direito de explorar petróleo em uma área durante determinado período. Mas, como o próprio Putin insiste em dizer, é o Estado, e não as empresas privadas, quem “dita as regras do jogo”. Ao contrário do que propôs Pedro Parente, presidente da Petrobras, na Rússia o preço do combustível não é atrelado às flutuações diárias do valor de mercado internacional do petróleo.

Modais de transporte

O protesto dos caminhoneiros no Brasil também suscitou debate sobre a dependência do sistema rodoviário para o transporte de mercadorias.

Na Rússia, a categoria se mobilizou, em junho de 2017, contra o aumento de 25% no imposto referente ao Sistema de Cobrança Eletrônica de Pedágios (ETC) em rodovias administradas pelo Estado.

Houve paralisações de caminhoneiros em 80 distritos russos, mas a greve não levou a um cenário de desabastecimento como no Brasil. Cerca de 88% do transporte de cargas na Rússia utiliza o sistema ferroviário. Devido às variações climáticas, a manutenção de rodovias é considerada muito custosa, e a construção de novas pistas é inviável durante o inverno nas regiões mais frias do país.

Sentinela Mídia Independente
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