Entendendo o conflito de Armênia e Azerbaijão

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A região autônoma de Nagorno-Karabakh é disputada pelos dois países há mais de 30 anos, quando a região autônoma de Nagorno-Karabakh se separou da então República Socialista Soviética do Azerbaijão. Centenas já morreram no conflito.

Desde a manhã de domingo (27), uma escalada de tensões se desdobrou em um conflito na região de Nagorno-Karabakh, uma área autônoma entre a Armênia e o Azerbaijão. A região tem maioria armênia e proclamou independência em 1991 da então República Soviética do Azerbaijão embora não tenha reconhecimento de nenhum país da Organização das Nações Unidas (ONU).

Durante a escalada de conflitos do último domingo (27), o Azerbaijão lançou o que descreveu como uma “contraofensiva”, enquanto a autoproclamada República de Artsakh acusou as forças azeris de abrirem fogo contra civis e contra a infraestrutura civil de sua capital, Stepanakert.

A ação militar continua enquanto países e organizações internacionais apelam às partes do conflito para que haja um cessar-fogo imediato e que as partes abram diálogo.

Origens e motivos do conflito

Chamado de Artsaque pelos armênios, é uma região montanhosa do sul do Cáucaso de cerca de 4.400 quilômetros quadrados. Sua história cobre vários séculos, durante os quais esteve sob controlo de diversos impérios desde a Antiguidade.

Após o fim da Primeira Guerra Mundial (1914 – 1918) onde, logo após a capitulação do Império Otomano, o Império Russo cai um mês depois da Revolução Comunista em novembro de 1917, passando para o controle dos dirigentes bolcheviques. As três nações do Cáucaso (Armênia, Azerbaijão e Geórgia), anteriormente sob controle russo, declararam a sua independência formando a Federação Transcaucasiana, que se dissolveu após curtos três meses de existência pois em 1919, visto os conflitos entre Armênia e Azerbaijão pela demarcação das fronteiras e os próprios armênios de Karabakh tentando declarar independência dos azeris mas não conseguiram estabelecer contato com a República da Armênia. Divididos e guerren logo tropas britânicas ocuparam a Transcaucásia, nomeando provisoriamente Khosrov bey Sultanov (apontado pelo governo azeri) como governador-geral de Karabakh e Zangezur pelo comando britânico, enquanto se aguardava o término da Conferência de Paz de Paris que gerou o desastroso Tratado de Versalhes no mesmo ano.

Dois meses depois, o 11º Exército da União Soviética invadiu o Cáucaso e três anos depois as repúblicas caucasianas formaram a Transcaucasiana da União Soviética. As disputas territoriais entre armênios e azeris deram lugar a revoltas contra a URSS, gerando conflitos que foram terminados em 1922, onde a URSS englobou o território dos dois países dividindo as regiões de forma separada e assim permanecendo nos quase 70 anos de existência.

No fim da década de 1980, com o fim da União Soviética, os dois países lutaram uma sangrenta guerra pelo controle territorial da região montanhosa de Nagorno-Karabakh, na fronteira entre Armênia e Azerbaijão só terminando em 1994 com um saldo oficial de mais de 30 mil mortos e muitos refugiados. Com a mediação russa, uma trégua determinou que Nagorno-Karabakh seria um estado independente (chamada de República de Artsakh), mas isso não foi reconhecido pela Organização das Nações Unidas (ONU), tornando frágil o acordo. Apenas a Armênia reconhece e apoia as lideranças autoproclamadas da região. Isso não impediu vários conflitos desde então até o último em 2016.

Atualmente, a região possui quase 150 mil pessoas em um território que percorre as fronteiras dos dois países. Dessa população, segundo dados apresentados pelo governo armênio, 95% têm origem armênia.

Os armênios, maioria étnica da região e de fé cristã, lutam pelo controle de Nagorno-Karabakh. Já os azeris entendem que essa região faz parte do território histórico do Azerbaijão, Estado de maioria populacional muçulmana xiita e língua turca. Em relação aos países envolvidos, a região mexe com os interesses não só dos potentados locais (Armênia e Azerbaijão) mas das grandes potências, já que pelo sul do Cáucaso passam oleodutos que transportam petróleo e gás, materiais dos quais todo o Cáucaso e a Eurásia é rico.

O envolvimento das potências internacionais no conflito

Enquanto na mídia mundial, segue o teatro de narrativas onde a União Europeia (UE) faz apelo para retomada urgente das negociações e o Papa Francsico I pede calma para os dois países, caso o conflito de agora evolua para uma guerra, isso pode facilmente envolver países como a Rússia e Turquia (os principais agentes estrangeiros envolvidos). Moscou tem uma aliança de defesa com a Armênia, enquanto Ancara apoia o Azerbaijão.

Por essa razão, os combates, considerados os mais violentos desde 2016, época das últimas tensões fronteiriças, estariam provocando inquietação internacional levando a ONU, Rússia, França e Estados Unidos (Aliados) a pedir um cessar-fogo imediato. Nesta terça (29), o secretário de Estado dos Estados Unidos, o neoconservador Mike Pompeo, pediu para que os dois países cessem as hostilidades.

A Armênia considerou nesta quarta-feira (30) que é prematuro pensar em negociar com o Azerbaijão com mediação da Rússia, no quarto dia de confrontos em Nagorno Karabakh – um enclave separatista armênio em território azerbaijano apoiado por Yerevan (capita da Armênia).

O primeiro-ministro armênio, Nikol Pachinian, fechou a porta para negociações imediatas, poucas horas depois da votação unânime do Conselho de Segurança da ONU por uma declaração que pede o “fim imediato dos hostilidades e a retomada de negociações construtivas”.

“Não é apropriado falar de uma reunião de cúpula Armênia-Azerbaijão-Rússia, no momento em que acontecem intensos combates”, disse ele à imprensa russa, de acordo com a agência estatal Interfax. “Para que aconteçam negociações, precisamos de uma atmosfera e de condições adequadas”.

Potência regional do Cáucaso do Sul, a Rússia mantém relações cordiais com Armênia e Azerbaijão, ex-repúblicas soviéticas. Yerevan integra uma aliança militar liderada por Moscou, que fornece armas para os dois lados.

O Kremlin, afirmou que está disposto a atuar como mediador, em uma região instável que pode ser muito afetada por uma eventual guerra aberta entre Baku (capital do Azerbaijão) e Yerevan.

As geopolíticas de energia em torno dos oleodutos que ligam o Mar Cáspio à Europa – que passam a cerca de 60 quilômetros do território contestado e que foram ocasionalmente atacados – aumentaram a importância do conflito para vários outros estados. Pergunta-se se as esperanças da Europa de explorar os recursos do Cáspio para reduzir sua dependência das fontes de petróleo da Rússia estão em jogo.

Grupo de Minsk

Rússia, França e Estados Unidos são os três mediadores do conflito dentro do chamado Grupo de Minsk, formado dentro da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE) desde 1992, buscam sem sucesso uma solução duradoura para Nagorno-Karabakh.

Armênia e Azerbaijão rejeitaram, nesta quarta-feira (30), pedidos internacionais por um cessar-fogo e o início de negociações, no quarto dia de combates intensos em Nagorno-Karabakh – enclave separatista armênio em território azeri.

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Rússia e França pediram esta noite a interrupção total dos combates. “Vladimir Putin e Emmanuel Macron solicitaram às partes em conflito que interrompam completamente o mesmo e, o quanto antes, reduzam a tensão e mostrem a máxima moderação”, anunciou o Kremlin após uma conversa telefônica entre os presidentes russo e francês.

Antes, o ministro das Relações Exteriores russo, Serguei Lavrov, havia proposto aos colegas de Armênia e Azerbaijão que concordassem em negociar para pôr fim ao conflito entre as duas repúblicas em torno da região de Nagorno-Karabakh, e reiterado o chamado por um cessar-fogo.

Na segunda-feira (28), o presidente turco Recep Tayyip Erdogan, participando no “Simpósio Internacional de Direito Marítimo e o Mediterrâneo Oriental nas Relações Históricas e Políticas entre Países”, organizado pela Universidade de Istambul e pela Universidade de Mármara, com as contribuições da Presidência da Grande Assembleia Nacional da Turquia, condenando mais uma vez a Armênia em detrimento do Azerbaijão, se referiu ao trio de Minsk composto pelos Estados Unidos, Rússia e França, afirmando que não resolveram o problema nos últimos 30 anos:

“Fazem todos os possíveis para não resolver este problema. Agora dão conselhos e às vezes ameaçam-nos. Mas a Turquia está lá? Há soldados turcos? Quem diz isso são os mesmos que carregam milhares de camiões armados para o norte da Síria. Aqueles que dizem isso são os que dividem o norte da Síria e estabelecem bases lá. A Turquia transporta armas para lá? De quem são os territórios ocupados? São territórios do Azerbaijão, todo o mundo sabe disso. Mais de 1 milhão de pessoas no Azerbaijão foram obrigadas a viver longe da sua terra natal. Os invasores continuam lá”.

A diplomacia russa denunciou, nesta quarta-feira (30), que combatentes mercenários (os conhecidos ‘rebeldes’) da Síria e Líbia, apoiados pela Turquia e conhecidos por isso, foram enviados para a área do conflito em Nagorno-Karabakh.

Isso realmente pode tornar as relações de conflito num proporção muitas vezes maior.

Turquia afirma apoio ao Azerbaijão no conflito com Armênia em Nagorno-Karabakh

O presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, telefonou a seu homólogo do Azerbaijão, Ilham Aliyev, no domingo (27) expressando apoio completo em relação à situação de conflito com a Armênia na região de Nagorno-Karabakh, como mostrou o serviço de imprensa de Aliyev à Sputnik. Erdogan também expressou condolências ao presidente e ao povo do Azerbaijão pela morte de civis e soldados azeris pelo que ele chama de “provocação militar da Armênia”.

O comunicado apenas confirmou o contínuo apoio de Ancara a Baku, agradecendo sua intervenção no conflito com Erevan.

Envio de “rebeldes sírios” através da Turquia para apoiar Azerbeijão

O “general” rebelde sírio Ziyad Haji Ubeyd, um dos líderes da coalizão pró-turca de grupos militantes conhecida como Exército Nacional Sírio (SNA a facção rebelde síria, não confundir com o Exército Árabe Sírio, comandado por Bassar al-Assad e legalista), confirmou nesta quarta-feira (30) que o grupo enviou seus combatentes ao Azerbaijão.

Logo no primeiro dia do conflito, a Armênia afirmou que pelo menos 4.000 membros de grupos militantes sírios apoiados pela Turquia foram enviados ao Azerbaijão.

O comandante do SNA afirmou que há 70.000 membros do SNA que estão prontos para participar das operações turcas em qualquer lugar do mundo. Ubeyd enfatizou que eles estão prontos para apoiar o exército turco no Azerbaijão ou onde quer que esteja, se solicitado.

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Essas foram as mesmas tropas que lutaram do lado dos chamados “rebeldes moderados” sustentados pela OTAN e Aliados na Síria contra o governo do Presidente Bashar al-Assad, junto com Estado Islâmico, mercenários salafistas e warrabis estrangeiros ao qual, ao longo de sete anos de guerra, foram derrotados pelas tropas do governo (legalistas) e, no caso dos pró-turcos, voltaram-se a apoiar o governo legítimo de Assad mas que, neste domingo (27), anunciaram a retomada de Saraqib, uma importante cidade da Província de Idlib, no Norte da Síria.

Lei marcial

Ambos os territórios decretaram lei marcial, e muitos voluntários se apresentaram para os combates.

No domingo (27) o parlamento do Azerbaijão aprovou a introdução de lei marcial em diversas regiões do país em resposta à escalada das tensões na região, segundo informações de um correspondente da Sputnik. Entre as regiões estariam a capital Baku, as cidades de Ganja, Yevlakh, Goygol.

O primeiro-ministro da Armênia, Nikol Pashinyan, declarou que governo armênio também decretou lei marcial e mobilização geral devido aos conflitos. Durante a reunião de emergência do parlamento armênio para declarar lei marcial parcial, Pashinyan afirmou ainda que Erevan considera reconhecer a República de fato de Artsakh, (com o é chamada Nagorno-Karabakh pelos armênios), assim como considerava anteriormente.

Números do conflito

No domingo (27) porta-voz do ministério armênio, Shushan Stepanian, publicou no Facebook que “houve um ataque aéreo e com mísseis contra Artsaque”.

A postagem diz:

“O inimigo começou um ataque aéreo e foguete em direção a Artsakh. Toda a responsabilidade está na liderança militar do Azerbaijão. O lado armênio feriu dois helicópteros e três ATS. As batalhas continuam:

O adversário iniciou um ataque aéreo com foguetes na direção de Artsakh. A liderança militar-política do Azerbaijão assume responsabilidade total. O lado armênio atingiu dois helicópteros e três UAVs do adversário. As lutas continuam.”

Além das percas humanas, as partes envolvidas também anunciaram a destruição de tanques, drones e outros materiais.

O Azerbaijão afirma que reconquistou territórios e impede as linhas de abastecimento armênias. Nagorno Karabakh alega que retomou posições.

Autoridades armênias alegaram na terça-feira (29) que drones turcos e caças F-16 estavam sendo usados e abateram um SU-25 de sua força aérea no espaço aéreo armênio, matando o piloto. Turquia e Azerbaijão negam a acusação.

Apesar disso, o lado azerbaijano perdeu lançadores de foguetes Smerch, lançadores de granadas Uragan, dezenas de outros meios de artilharia e armas antitanque na direção norte da linha de frente, informa o Infocentro Unificado Armênio.

As perdas incluíram um lançador de foguetes TOS 1, onze tanques, três veículos de combate de infantaria, seis veículos blindados de transporte de pessoal.

Durante o dia, as hostilidades continuaram em todas as direções da linha de frente.

As unidades de vanguarda do Exército de Defesa continuam a desferir golpes devastadores no inimigo, segundo comunicado armênio.

Assim como a Turquia, Israel apoia o Azerbaijão

Os militares azeris têm usado drones Harop de fabricação israelense durante o recente aumento na violência com a vizinha Armênia, disse Hikmet Hajiyev, assistente do presidente do Azerbaijão, em entrevista ao jornal israelense Walla na quarta-feira (30).

Na entrevista, Hajiyev disse que seu país usou drones israelenses, incluindo munições vagabundas, ou “drones kamikaze”, nas recentes rodadas de combate e elogiou sua eficácia.

“Tiremos o chapéu para os engenheiros que o projetaram”, disse Hajiyev. Ele também disse que os azeris “apreciam muito a cooperação com Israel, especialmente a cooperação de defesa”.

Israel e o Azerbaijão desfrutam de acordos de segurança e importação e especula-se que Israel forneça 60 por cento do armamento militar azeri, enquanto o Azerbaijão fornece uma grande quantidade de combustível natural para o Estado judeu.

Questionado se estava desapontado com o silêncio de Israel em relação aos recentes combates, Hajiyev disse inequivocamente: “Não, não, Israel e o Azerbaijão entendem nossa situação”, e citou os múltiplos acordos entre as duas nações.

Questionado sobre avistamentos recentes de aviões de carga azeri que supostamente pousaram em bases militares israelenses, e se Israel estava fornecendo ao Azerbaijão armas para a atual rodada de combate, Hajiyev disse que não pensava assim e ignorou a questão, citando os acordos de defesa entre as duas nações, e observando que não são um segredo.

Nos últimos dias, um “trem aéreo” de aviões de carga afiliados ao ministério da defesa azeri partiu para Israel. De acordo com aplicativos de radar de voo, os aviões de carga pararam na base aérea de Ovda, no sul de Israel, antes de partir para o Azerbaijão.


Referências de pesquisa

Sputnik News. Qual a razão da escalada do conflito entre Armênia e Azerbaijão? 30 set. 2020. Disponível em https://br.sputniknews.com/sputnik_explica/2020073015886307-qual-razao-escalada-conflito-armenia-azerbaijao/

Sputnik News. VÍDEO mostra submarino russo disparando míssil Kalibr em exercício. 24 set. 2020. Disponível em https://br.sputniknews.com/defesa/2020092416119727-video-mostra-submarino-russo-disparando-missil-kalibr-em-exercicio/

G1. Armênia e Azerbaijão trocam acusações sobre novos ataques longe de região sob disputa: Confrontos entre os dois países entraram no 3º dia consecutivo na região separatista Nagorno-Karabakh. 29 set. 2020. Disponível em  https://g1.globo.com/mundo/noticia/2020/09/29/armenia-e-azerbaijao-trocam-acusacoes-sobre-novos-ataques-longe-de-regiao-sob-disputa.ghtml

AFP. Armênia e Azerbaijão decididos a seguir em combate e sem vontade de negociar. Istoé, Mundo. 30 set. 2020. Disponível em https://istoe.com.br/armenia-e-azerbaijao-decididos-a-seguir-em-combate-e-sem-vontade-de-negociar/

TRT Português. Erdogan: “Se a Arménia abandonar os territórios ocupados, a região voltará a ter paz”: O presidente turco disse que a Turquia continuará a apoiar o amigo e fraterno Azerbaijão com todos os seus meios, e com todo o seu coração. 28 set. 2020. Disponível em https://www.trt.net.tr/portuguese/turquia/2020/09/28/erdogan-se-a-armenia-abandonar-os-territorios-ocupados-a-regiao-voltara-a-ter-paz-1498851

Defesa TV. Exército Nacional Sírio da Turquia confirma envio de tropas ao Azerbaijão. 29 set. 2020. Disponível em https://www.defesa.tv.br/exercito-nacional-sirio-da-turquia-confirma-envio-de-tropas-ao-azerbaijao/

AFP. Armênia e Azerbaijão mantêm combates apesar de chamados internacionais. Correio, Internacional. 30 set. 2020. Disponível em https://correio.rac.com.br/_conteudo/2020/09/agencias/1010449-armenia-e-azerbaijao-mantem-combates-apesar-de-chamados-internacionais.html

The Times of Israel; AP. Azeris use Israeli-made drones as conflict escalates with Armenia — report: As two countries fight for 4th day over separatist Nagorno-Karabakh region, assistant to the president of Azerbaijan lauds Israeli military technology. 30 set. 2020. Disponível em https://www.timesofisrael.com/azeris-use-israeli-made-drones-as-conflict-escalates-with-armenia-report/

Barak Ravid. Azerbaijan using Israeli “kamikaze drones” in Nagorno-Karabakh clashes. Axios. 30 set. 2020. Disponível em  https://www.axios.com/israel-kamikaze-drones-nagorno-karabakh-azerbaijan-d3ebfd39-2cf8-4bf6-a788-b24d80a8569f.html


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