August Kubizek: A visão de Hitler

Nos ajude a espalhar a palavra:

Esse presente texto foi extraído do livro “Adolf Hitler, meu amigo de Juventude”, de A. Kubizek.


Foi o instante mais impressionante vivido ao lado do meu amigo! Sua recordação ficou gravada em mim de maneira tão indelével que inclusive os detalhes secundários, como o traje que usava Adolf naquela tarde, o clima, até hoje me aparecem tão vivamente como se aquela experiência estivesse fora do correr do tempo.

Que essa cena tenha ficado gravada em mim de forma tão inapagável, se deve também talvez à circunstância de que nunca até então, tinha eu vivido de maneira tão intensa como naquela vez, o céu estrelado da meia noite. Apenas no meio da solidão, nas alturas do Freinberg [1], apareceu bruscamente sobre mim, como criada pela primeira vez, toda a maravilha do firmamento e o hálito do eterno me comoveu tão intensamente como jamais o fizera. É certo que eu já havia tido oportunidade de contemplar muitas vezes o céu estrelado. Mas tal como geralmente acontece entre as pessoas jovens e sensíveis, um instante de peculiar intensidade, a coincidência de extraordinárias circunstâncias nos parece converter esta imagem, indiferente até então, em um sinal, com o qual Deus se dirige diretamente a nós.

O que mais fortemente ficou gravado em minha memória ao recordar minha juvenil amizade com Adolf Hitler, não são seus discursos, nem tampouco suas idéias políticas, mas aquela cena noturna em Freinberg. Com isso se havia decidido, em maneira definitiva, seu Destino. É certo que exteriormente se mantinha em sua projetada carreira artística, sem dúvida por consideração à sua mãe; pois este se parecia certamente um objetivo muito mais concreto quando dizia que seria pintor artístico, do que se tivesse dito: serei político. Sem dúvidas, a decisão de seguir por este caminho teve lugar nesta hora solitária nas alturas que rodeiam a cidade de Linz. Talvez não seja a palavra “decisão” a mais adequada; pois não foi uma decisão voluntária, tomada por si mesmo, mas sim uma visão de um caminho a seguir, que estava completamente fora do alcance de sua vontade.

Ali estava Adolf, com seu sobretudo negro e um chapéu escuro puxado sobre o rosto. Um entardecer frio pouco acolhedor de novembro no qual anoitecia mais cedo.

Adolf assobiou, com impaciência, da rua. Eu estava naqueles momentos me despindo do pó e da sujeira da oficina para me trocar para ir ao teatro. Esta noite se representaria Rienzi. Não tínhamos visto ainda essa ópera de Richard Wagner, o que nos deixava em grande tensão. Para asseguramos as poltronas de passeio, tivemos que chegar cedo. O assobio de Adolf, repetindo-se energicamente, me incitava a apressar-me.

Adolf tinha falado já várias vezes desta ópera. Richard Wagner começou sua composição em 1838, em Dresden, e a prosseguiu em sua estadia nas províncias bálticas. É interessante o fato de que justamente então, quando acabava de conhecer o Norte, lhe ocupasse um tema da Roma medieval. Acabou Rienzi em Paris e dois anos mais tarde foi representada em Dresden pela primeira vez, o que deu bases à fama de Richard Wagner como compositor de óperas, ainda quando nesta obra não houvesse encontrado sua forma de expressão peculiar. Rienzi se encontra em um momento de transição. Depois desta ópera, Wagner regressou ao Norte e encontrou sua verdadeira expressão artística no mundo da mitologia germânica. Rienzi ainda quando se desenvolve no ano de 1847, está impregnado do hálito e do ritmo daquela revolução que seis anos mais tarde tinha de abater-se sobre o solo alemão, e que afetou também intensamente o destino pessoal de Wagner. Rienzi é o grande confronto com as idéias do ano de 1848.

[…]

August “Gustl” Kubizek (1888 – 1956) foi um amigo de adolescência de Adolf Hitler na época em que ambos viviam em Linz, na época, Império Austro-Húngaro. Ele redigiu uma importante obra sobre a infância do futuro chanceler alemão. August teve muita convivência com Hitler chegando a dividir o quarto com o jovem Adolf. Kubizek e Hitler encontraram-se de novo mais tarde quando Hitler já era supremo senhor da nação possuindo por causa disso August uma história curiosa no pós guerra. Ele foi falar a um oficial americano que conheceu Hitler e o oficial perguntou se ele falara com ele sem vigia e ele confirmou e o oficial esbravejou o porquê de August não ter “matado o führer” se teve a oportunidade tão clara. História essa que fez August desistir de relatar sua história para o mundo contando-a somente em seu livro. Foto: Kubizek em 1907/Wikimedia Commons

Ali estávamos nós no teatro e presenciávamos como o povo de Roma era subjugado pela altiva e cínica nobreza; os homens são obrigados por esta à escravidão, as mulheres e donzelas são desonradas e ultrajadas pelos altivos nobres. Então surge Cola Rienzi, um homem sensível e desconhecido, o libertador daquele torturado povo. Claramente soa sua voz:

“Mas se ouves o chamado da trombeta

Ressoando em seu prolongado som,

despertes então, chame todos aqui:

Eu anuncio a liberdade aos filhos de Roma!”

Em um audaz golpe de mão, Rienzi liberta Roma da tirania dos nobres e faz jurar suas leis ao povo. Adriano, ainda procedente da mais nobre linhagem dos Colonna, que guia aos nobres, se une a Rienzi. Sem dúvidas, quer saber a verdade, por isso pergunta ao novo ditador:

“Rienzi, escuta! A quê te propões?

Vejo-te poderoso. Diga-nos:

Para quê utilizas a força?”

Tremendo de êxtase esperávamos a resposta de Rienzi a esta pergunta transcendental:

“Pois que assim seja: Farei Roma grande e livre!

Pretendo criar as leis,

Para o povo, as mesmas que para os nobres!”

 Que palavras: como que pronunciadas diretamente para nós! Até os nobres prestam reverência a Rienzi. Sua vitória é total.

Roma se encontra em suas mãos. Projetos transcendentais ocupam sua mente. A massa liberada lhe expressa sua alegria. Um deles anuncia ao povo e anuncia também aos comovidos expectadores:

“Ele nos converteu em um povo,

Por isso, escutem-me, assintam comigo:

Seja este seu Povo e ele seu Rei!”

Rienzi rejeita a designação de Rei. Quando os homens do povo lhe perguntam como devem nomear-lhe em seu cargo, alude ele aos grandes modelos do passado. Também suas palavras pareciam apelar diretamente ao nosso coração:

“… se elegeis a mim, para vosso protetor, o justo, que compreende ao povo,

Virem o olhar a vossos antepassados:

E chama-me vosso Tribuno do Povo!”

As massas respondem entusiasmadas: “Rienzi, Salve! Salve tu, Tribuno do Povo!”

“Tribuno do Povo”; estas palavras se gravaram em nós de maneira inesquecível.

Uma conjuração está em formação. Stefano Colonna, o pai de Adriano, vai às mentes dos que querem eliminar o Tribuno. Colonna não se deixa influir pelo júbilo das massas. Tremendo de indignação escutamos suas acusações:

“É o ídolo deste povo,

Ao que tem enfeitiçado com seus enganos!”

Adriano, situado entre seu pai e Rienzi, cuja irmã Irene ama ardentemente, descobre a conjura. Os nobres são detidos. Sem embargo, Rienzi faz prevalecer a misericórdia ante a justiça.

Abusando de sua bondade, tratam os nobres de incitar as massas contra Rienzi. Os mesmos homens que outrora aclamaram o Tribuno, não tardam em gritar:

“Aqui está o traidor, a quem servimos,

Que ofereceu à sua soberba o nosso sangue,

E nos precipita à perdição!

Oh, vinguemo-nos dele!”

Com um calafrio vemos como os fiéis abandonam Rienzi. A igreja promulga a excomunhão contra sua pessoa.

“… abandona-me também o povo, a quem eu fiz digno deste nome, abandonam-me todos os amigos, que a sorte me fez conhecer…”

“O populacho? Bah!

Rienzi é quem fez deles cavalheiros,

Tirem Rienzi e será o mesmo que era antes.”

Mas a caída do tribuno deve vir das mesmas filas de seus partidários. Rienzi se sente perdido quando vê que seus fiéis lhe abandonam. O Capitólio e a casa de Rienzi são incendiadas por seus mesmos leais. Ouvimos o grito:

“Venham! Venham! Venham a nós!

Tragam pedras e tochas!

Está maldito, está excomungado!”

Da varanda de sua casa pretende Rienzi falar uma vez mais às massas excitadas, que intentam apedrejar-lhe. Como nos comovem as suas palavras!

“Pensem! Quem os fez grandes e livres?

Já não se lembram do júbilo, com o qual me acolheram,

Quando os dei a paz e a liberdade?”

E a resposta? Ninguém lhe escuta mais. Adriano, que apesar de seu amor por Irene se converteu em líder do indignado populacho, se lança contra a casa em chamas. Apavorado, vê Rienzi, como a traição de suas mesmas fileiras sela sua caída e antes que as chamas o dominem, amaldiçoa ao povo pelo qual viveu e lutou.

“Como? Essa é Roma?

Miseráveis! Indignos deste homem,

O ultimo romano os amaldiçoa!

Maldita, destruída seja essa cidade! Caia e perca-se, Roma!

Assim o quer o teu povo degenerado!”

Comovidos presenciamos a queda de Rienzi.

Em silêncio abandonamos o teatro.  Era já meia noite, mas meu amigo caminhava pelas ruas, sério e fechado em si mesmo, com as mãos profundamente imersas nos bolsos do sobretudo, até os limites da cidade.

LEIA MAIS

Ainda quando, como de costume, depois de uma emoção artística como a que acabava de agitar-lhe, começava a falar imediatamente e julgar agudamente a representação para liberar-se de si mesmo das opressoras impressões, depois desta de Rienzi, guardou silêncio durante um grande tempo. Isso me assombrou. Perguntei-lhe seu parecer sobre a obra. Adolf me olhou de forma estranha, quase com hostilidade.

— Cala! – me gritou seriamente.

Era uma sombria e desagradável noite de novembro. A úmida e gélida névoa se estendia densa sobre os estreitos e desertos becos.  Nossos passos ressoavam estranhamente sobre a calçada. Adolf tomou um caminho que passava por diante das pequenas casinhas periféricas da cidade, quase esmagadas sobre o terreno e que levava às partes mais altas de Freinberg. Ensimesmado, meu amigo caminhava adiante de mim. Tudo isso me parecia quase inquietante. Adolf estava mais pálido que o de costume. A gola do sobretudo levantada reforçava mais ainda essa impressão. O caminho seguia entre diminutos e míseros jardins e pequenos prados, a névoa ficava pra trás; como uma massa pesada e sombria gravitava sobre a cidade e subtraía a casa dos homens aos nossos olhares.

Receba nossas postagens por e-mail

— Aonde queres ir? – quis perguntar ao meu amigo. Mas seu magro e pálido rosto parecia tão distante, que contive a pergunta. Não havia já ninguém ao nosso redor. A cidade estava sumida na névoa.

Como impulsionado por um poder invisível, Adolf subiu até o cume de Freinburg e agora pude ver que não estávamos na cidade, mas na escuridão, pois sobre nossas cabeças brilhavam as estrelas. Adolf estava frente a mim. Tomou minhas mãos e as segurou firmemente. Era este um gesto que eu não tinha conhecido até então nele. Na pressão de suas mãos pude dar-me conta de quão profunda era sua emoção, seus olhos resplandeciam de êxtase, as palavras não saíam de sua boca com a fluidez costumeira, mas soavam ásperas e roucas. Em sua voz pude perceber quão profundamente lhe havia afetado esta vivência.

Lentamente foi expressando o que o oprimia. As palavras fluíram mais facilmente. Nunca até então, nem posteriormente, ouvi Adolf Hitler como nesta hora, na qual estávamos solitários sob as estrelas, como se fôssemos as únicas criaturas deste mundo. É-me impossível reproduzir exatamente as palavras que meu amigo me disse nesta hora.

Neste momento me chamou atenção algo extraordinário que não tinha observado jamais nele, quando me falava pleno de êxtase: parecia como se fosse um outro Eu que falava pela sua boca, e que lhe comoveu tanto quanto a mim. Mas não era, como geralmente dizem, que um orador é levado por suas próprias palavras. Pelo contrário! Tinha a sensação como se ele mesmo vivera com assombro e emoção, o que com força elementar surgia em seu interior.

Não me atrevo a oferecer nenhum juízo sobre esta obsessão, mas era como um estado de êxtase, um estado de total arrebatamento que ele havia vivido em Rienzi, sem citar diretamente este exemplo e modelo, o situava em uma cena genial, mas adequada a ele, ainda quando de modo algum como uma simples cópia do Rienzi. O mais provável é que a impressão recebida desta obra não foi mais que um impulso externo que lhe obrigou a falar.

Como a água retida que quebra os diques que a contêm, as palavras saíam de seu interior. Em imagens geniais, arrebatadoras, desenvolveu diante de mim seu futuro e o futuro de seu povo.

Até então tinha estado eu convencido de que meu amigo queria chegar a ser artista, pintor ou talvez arquiteto. Mas nesta hora não se falou mais nisso. Tratava-se de algo muito mais elevado para ele, mas que eu não podia compreender. Por isso foi muito maior meu assombro, porque pensava que a carreira de artista era para ele a meta mais alta e objetivada. Agora, sem embargo, falava de uma missão, que receberia um dia do povo, para liberá-lo de sua servidão e levá-lo até as alturas da liberdade.

Um jovem completamente desconhecido para os homens falou para mim naquela hora extraordinária. Falou de uma especial missão que algum dia lhe seria confiada. Eu, o único que lhe escutava nesta hora, simplesmente não entendia o que ele queria dizer com tudo isso. Teriam de passar muitos anos antes de compreender o que esta hora vivida sob as estrelas e distante da cidade tinha significado para o meu amigo.

O silêncio seguiu suas palavras.

Descemos de novo até a cidade. Das torres chegou até nós a terceira hora da manhã.

Nos separamos diante da minha casa. Adolf acenou com a mão em sinal de despedida. Vi, assombrado, que não se dirigia em direção à cidade, a caminho de sua casa, mas de novo até a montanha.

— Onde quer ir? – lhe perguntei, assombrado.

Brevemente replicou:

— Quero ficar sozinho.

Segui-lhe ainda por longo tempo com os olhos, enquanto ele, envolto no seu obscuro sobretudo, descia só as ruas noturnas e desertas.

Durante os dias que se seguiram e também nas próximas semanas, Adolf não voltou jamais a falar-me desta hora vivida no Freinberg. A princípio me sentia assombrado por isso e não podia realmente entender essa estranha conduta; era-me impossível acreditar que pudesse ter esquecido essa extraordinária visão. Como pude comprovar trinta e três anos mais tarde, não a esqueceu jamais em sua vida. Mas guardou silêncio, pois queria conservar esta hora para si mesmo. Compreendi e respeitei seu pensamento. Além disso, esta tinha sido sua hora, não a minha. Eu não havia representado nela mais que o modesto papel de um amigo adicto e fiel.

Quando no ano de 1939, pouco antes do início da Guerra, visitei pela primeira vez Bayreuth, como convidado do Chanceler do Reich, acreditei dar uma alegria ao meu amigo, ao recordar-lhe do sucedido naquela hora no silêncio da noite no alto de Freinburg. Assim, pois, referi à Adolf Hitler o que dele tinha ficado gravado em minha recordação, porque supunha que a enorme plenitude de impressões e recordações que no curso destes decênios haviam-se concentrado sobre ele, teriam deslocado por inteiro aquela do garoto de dezesseis anos. Mas já às primeiras palavras pude compreender que ele se lembrava exatamente daquela hora e que seus detalhes haviam se conservado fielmente em sua recordação. Não cabia a menor dúvida de que lhe causou uma especial alegria ver confirmadas suas próprias recordações pelos meus relatos. Eu estava também presente, quando Adolf Hitler referiu à senhora Wagner, em cuja casa tínhamos sido convidados, a cena que havia tido lugar depois da representação de Rienzi em Linz. Assim, pois, eu vi confirmadas minhas próprias recordações de maneira inequívoca. De maneira inesquecível ficaram também gravadas em mim as palavras com que Hitler concluiu seu relato à senhora Wagner. Disse, gravemente:

“Naquela hora, tudo começou.”


Extraído do livro “The young Hitler I knew” [O jovem Hitler que eu conhecia], 1955, de August Kubizek – Traduzido por Christa Savitri. Revisto e corrigido por Sr. B.

Sentinela Mídia Independente
siga em
Nos ajude a espalhar a palavra:
Gostou do artigo? Você pode contribuir para o site com uma doação:

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

cinco + quinze =

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.