Igualdade – o caminho para uma vida sem sentido

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Em um livro que ele escreveu cerca de vinte anos atrás, Jonathan Bowden {falecido político inglês nacionalista de tendência pagã} disse que o significado se origina na diferença, ou desigualdade. Isso me interessa porque, antes de descobrir o texto, fiz um argumento muito semelhante em um ensaio publicado cerca de um ano atrás, no qual ataquei a ideia – quase universalmente aceita no Ocidente – de que a igualdade é um bem moral.

Meu argumento era que a natureza do valor é tanto qualitativa (subjetiva) quanto quantitativa (objetiva). O valor qualitativo existe quando algo é especial, quando é diferente de outros exemplos do mesmo, porque possui qualidades especiais ou únicas. O valor quantitativo existe quando alguma coisa é superior, quando ela é diferente de outros exemplos do mesmo, porque é mensuravelmente melhor ou de uma maior qualidade.

Naturalmente, o valor qualitativo algumas vezes pode ser subsistido no quantitativo, pois alguma coisa pode ser superior porque ela é especial, da mesma maneira que o valor quantitativo pode às vezes ser subsistido no valor qualitativo, pois alguma coisa pode ser especial porque é superior.

Isso sem dizer que os valores qualitativo e quantitativo não são necessariamente intercambiáveis, mas são, no entanto, ambas as formas de valor porque são formas de diferença e, em ambos casos, estamos falando de alguma forma de qualidade surgindo da desigualdade.

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O significado é, naturalmente, uma forma de valor – especificamente, de valor qualitativo. Pois quando algo tem significado para nós, ele também é valioso – ele pode não ser mensuravelmente superior a outros exemplos do mesmo, e o valor pode não ser quantificável, mas ele existe subjetivamente, não obstante.

Segue a partir disto que um processo de equalização envolve sempre e necessariamente uma destruição de valor.

Não há conservação de valor através da transferência, porque a igualdade necessita a eliminação da diferença e a qualidade é criada na ou através da diferença, ou desigualdade.

Por sua vez, segue-se disso que se a vida boa é uma vida significativa, então uma vida boa tem valor, e uma má não.

Podemos concluir, então, que viver em igualdade é uma vida sem significado e, portanto, uma vida sem valor para a pessoa que a vive.

Presumivelmente, uma vida que é intercambiável com qualquer outra vida não tem valor se o custo de substituí-la for zero. Esse nunca é o caso, portanto toda a vida tem algum valor, por mais intercambiável que seja. Mas pode facilmente ser visto como a intercambialidade, que depende da equivalência (isto é, igualdade), proporcionalmente reduz o valor.

Isso pode ser o porquê a vida era tão barata sob o comunismo soviético, um sistema predicado na igualdade maximizada. As taxas de suicídio eram altas, uma vez que uma vida sob o sistema soviético era menos valiosa para a pessoa que a vivia e o assassinato em massa também era alto, já que a vida de outras pessoas geralmente era menos valiosa para aqueles no comando.

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Também pode ser por isso que os humanos buscam agregar valor às suas vidas por meio de várias estratégias de diferenciação individual ou grupal, ou desigualdade, porque também há valor em pertencer a um grupo que é considerado superior ou especial em alguma maneira.

Nunca pode haver igualdade perfeita; portanto, sempre é possível encontrar maneiras de dar sentido à vida (embora se o nível de significado é considerado suficiente por um determinado indivíduo seja outra questão). Por outro lado, é difícil imaginar desejar viver muito tempo em um sistema em que qualquer tipo de diferenciação era absolutamente impossível, pois uma vida significativa seria impossível e, assim, encontrar coisas na vida com significado. De fato, somente um autômato seria capaz de viver dessa maneira, então nós podemos legitimamente descrever tal existência como desumana, e um sistema perfeitamente igualitário também como desumano.

Existe alguma justificativa para considerar a igualdade como um bem moral absoluto – como um bem que é digno de perseguir em todos os casos por seu próprio bem?

Parece que não, desde que a igualdade destrói tudo o que faz a vida valer ser vivida.

Cena do filme “I, Robot” (2004), de Alex Proyas,  baseado em vários contos do livro homônimo de Isaac Asimov. Créditos: 20th Century Fox

Pode-se argumentar que as políticas de igualdade trouxeram benefícios para muitos, tornando as sociedades ocidentais muito atraentes para as pessoas que vivem ou procuram viver nelas. No entanto, a busca de políticas de igualdade é uma das características que diferenciam as sociedades ocidentais das contrapartes não ocidentais; portanto, o valor das primeiras reside na desigualdade respectiva às sociedades não ocidentais. Além disso, aqueles que adotam políticas de igualdade no Ocidente o fazem por razões de desigualdade: sentir-se moralmente superior, ser visto moralmente superior ou, o que é o mesmo que o último, eliminar barreiras para um aumento contínuo do poder econômico. Portanto, não é geralmente procurada a igualdade, mas alguma forma de superioridade, seja ela moral ou econômica.

Pior ainda, pode-se argumentar que uma das características que os povos não ocidentais consideram menos atraente sobre o Ocidente na modernidade liberal é o niilismo e o materialismo superficial, ambos produtos da igualdade. A ideia por trás do liberalismo era ‘libertar’ o indivíduo, que deveria ser a medida de todas as coisas. Entre outros poderes externos, o indivíduo foi libertado do transcendente, o que implica hierarquia, e sem o qual o mundo se torna inteiramente material, e o material aumenta a fonte óbvia de melhoria na vida. O projeto liberal tem também procurado libertar o indivíduo das identidades coletivas de facto, baseados em fatores fora de seu poder de controle, como raça ou gênero. No marxismo, uma ideologia mais radicalmente igualitária, a absorção de críticas feitas ao liberalismo resultou em uma versão mais igualitária deste último, em que se procurou também eliminar a classe. Esse processo de ‘libertação’ tem ignorado o fato de que as pessoas encontram significado dentro, ou contra, as categorias que procuravam desvalorizar ou eliminar. O resultado é uma perda de respeito por tudo. E é digno de notar, neste contexto, como os imigrantes de primeira geração geralmente temem que seus filhos percam o respeito – por eles, por si mesmos ou por sua cultura (entendida racialmente) – através da ocidentalização, que hoje significa liberalização.

Em análise final, a igualdade é um anátema para a vida boa e só pode ser considerada um mal.

Portanto, atacar a igualdade – em todas as suas formas – é moralmente justo, e qualquer pessoa que procure criar um futuro mais significativo deve fazê-lo de forma aberta, orgulhosa, com vigor e com raiva.


Fonte: Counter-Currents Publishing – Books Against Time

Autor: Alex Kurtagić, publicado originalmente em 21 de fevereiro de 2013

Tradução e palavras entre chaves por Mykel Alexander via World Traditional Front


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One thought on “Igualdade – o caminho para uma vida sem sentido”

  1. Excelente artigo!
    Muitos pontos edificantes acerca das consequências nefastas do igualitarismo. São esses tipos de argumentos que conseguem quebrar o mundo de arco-íris e unicórnios que hipnotizam as pessoas nessa narrativa falaciosa e perigosa.
    Obrigado e continuem com excelente trabalho!
    Abs

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