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O “problema” com o time de futebol italiano é que “há muitos italianos nele”, argumentou The Economist em um artigo bizarro ligando a vitória da Itália na Euro 2020 ao “fascismo”, “racismo” e a “derrota do multiculturalismo”.

A Itália venceu a Inglaterra por 3 a 2 em uma disputa de pênaltis contundente na noite de domingo (11), vencendo a Eurocopa pela primeira vez desde 1968. No entanto, enquanto os italianos explodiam em  comemoração, alguns torcedores desanimados da Inglaterra voltaram sua raiva para os jogadores que perderam seus pênaltis.

Muito se escreveu sobre o suposto “vergonhoso abuso racista lançado contra esses jogadores”, que eram negros, mas no dia seguinte à final, mesmo com italianos sendo atacados fisicamente nas ruas britânicas, o The Economist conseguiu descer ainda mais o nível e ser realmente racista: com o próprio time italiano.

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“O aspecto mais marcante da seleção italiana de 26 jogadores antes de entrar em campo foi que, sozinho entre os principais contendores, não incluiu um único jogador considerado de cor”, dizia o artigo, observando que: “Embora três fossem nascidos no Brasil, são descendentes de italianos.

“Como a seleção italiana acabou tão chocantemente cheia de italianos”, continuou The Economist, é explicada pelas leis de cidadania da Itália. Basicamente, a cidadania italiana é baseada no jus sanguinis (‘direito ao sangue’): é passada de um pai italiano para uma criança italiana. Muitos países ao redor do mundo concedem cidadania desta forma, da Irlanda à França e ao Japão. O oposto, jus soli (‘direito de solo’ ou ‘cidadania de primogenitura’), concede cidadania a qualquer pessoa nascida no território de uma nação. Os Estados Unidos concedem cidadania dessa forma.

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“De qualquer forma, o resultado final é que os italianos jogam no time italiano. Mas eles não são apenas italianos”, continuou o The Economist, eles são italianos ruins que eram “ambivalentes” sobre ajoelhar-se antes de seus jogos – um gesto bizarro importado dos Estados Unidos na esteira do movimento etnonarcisista Black Lives Matter.

“Não só isso, ao vencer o campeonato, a seleção italiana deixou felizes os políticos de direita na Itália, o que, claro, é um crime” – The Economist… Patético.

O artigo foi colocado online. “O Economist algum dia escreveria uma história que as seleções africanas na Copa do Mundo não tinham jogadores brancos ou as seleções asiáticas não tinham jogadores negros?” O conservador americano Ryan Girdusky tuitou.

Deixando os debates demográficos de lado, “o aspecto mais impressionante” do artigo do Economist é sua definição de “pessoas de cor” no estilo estadunidenseEmerson Palmieri, um dos jogadores brasileiros do time, é visivelmente mais moreno do que a maioria de seus companheiros, mas para os efeitos do artigo ele é considerado branco. Assim como nos Estados Unidos, “pessoa de cor” é entendida como um termo substituto para “preto”, com outras raças e cores adicionadas ou excluídas desta categoria dependendo do ponto político que precisa ser feito. Os estadunidenses asiáticos, em particular, são o assunto desta mudança racial: eles são pessoas de cor quando estão sendo atacados na rua (não por brancos, veja bem), e eles obtém “alvura internalizada” quando têm sucesso no trabalho e na educação.

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A classificação é sem sentido e arbitrária e serve apenas para que o The Economist possa marcar pontos de bom menino antirracista. Em meio ao rebuliço, é fácil esquecer que se Giorgio Chiellini, capitão da seleção italiana, tivesse aparecido em Ellis Island no final dos anos 1800, ele nem seria considerado branco. Mesmo na Itália, os nortistas por séculos consideraram seus conterrâneos do sul negros, e uma escola na Grã-Bretanha atraiu acusações de racismo em 2016, quando perguntou aos pais de um estudante italiano se seu filho era “italiano”, “ítalo-napolitano” ou “ Ítalo-siciliano”.

A identidade racial é um assunto complexo e, como publicação britânica, o The Economist não deveria rebaixar-se por reflexo à narrativa de soma zero, “brancos x pessoas de cor” vazando como esgoto dos Estados Unidos nos últimos anos. Ainda mais radicalmente, a revista deve reconhecer e aplaudir o fato de que a Itália ganhou o Euro jogando um futebol bonito, não em virtude dos superpoderes raciais imaginários do time.


Fonte: RT

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