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Por Savitri Devi

Até na queda do terceiro império, até no horror dos últimos dias do Líder e de seus fiéis no Bunker da Chancelaria sob o braseiro que se havia convertido Berlim, há uma grandeza digna das tragédias de Esquilo, ou da tetralogia wagneriana. O combate sem debilidade, ainda que sem esperança do herói sobre-humano contra o inflexível destino – o seu, e o do mundo – representou-se ali, sem dúvida, pela última vez. A próxima vez, não serão gigantes nem semideuses os que sofrerão a inevitável destruição, senão os miseráveis anões – milhares de anões banalmente feios, sem caráter, que desaparecerão ante o Vingador como um formigueiro alagado por um rio de lava. De todas as formas, sobrevivamos ou não ao doloroso nascimento do novo ciclo, não estaremos nunca entre esses anões.

A prova deste fatídico ano e, sobretudo a dos anos da pós-guerra – a prova, passada vitoriosamente, da prosperidade tentadora – fez de nós o que nós somos. E no rugido de poder desatado marcará o fim de tudo o que desprezamos tão cordialmente, saudaremos com um calafrio de êxtase à voz da vingança divina, cujo triunfo será o nosso – ainda se perecermos.

Melhor isto, cem vezes, que a participação na degeneração universal com um título glorioso, mas vazio cada vez mais de todo significado! O que teria acontecido se o Reich vitorioso tivesse sobrevivo à “hora vinte e cinco.”

O que resta a ser feito então aos que vivem agora, entregues de corpo e alma ao nosso ideal de perfeição visível e invisível, em todos os planos? A escala mundial, ou inclusive nacional, estritamente, nada. É demasiado tarde. A “hora vinte e cinco” já tocou há muito tempo.

A escala individual, ou ao menos “restrita”, resta preservar, na medida em que isto está em nossas mãos, a beleza do mundo – humana, animal, vegetal, inanimada; toda a beleza – a vigiar obstinada e eficientemente pelas minorias de elite, aqueles que estão dispostos a defendê-las a qualquer preço – a todas as minorias nobres, já se trate dos Ários da Europa, Ásia ou América, consciente da excelência de sua origem comum, dos esplêndidos grandes felinos ameaçados de extinção, das nobres árvores ameaçadas pelos buldôzer, com vistas à instalação sobre seu solo nutrício de invasoras multidões de mamíferos com duas patas, menos belos e inocentes do que elas.

Resta vigiar e resistir; e ajudar a toda bela minoria atacada pelos agentes do caos; resistir, ainda que isto não faça mais do que retardar por algumas décadas a desaparição dos últimos aristocratas, homens, animais ou árvores. Não há outra coisa que se possa fazer, senão, quiçá, amaldiçoar no coração, dia e noite, à humanidade atual (salvo raras exceções), e trabalhar, com todo afinco, para seu aniquilamento. Nada há que fazer, salvo fazer-se responsável pelo fim do ciclo, desejando-o sem cessar, pelo menos, sabendo que o pensamento – sobretudo o pensamento dirigido – é também uma força, e que o invisível rege ao visível.

Tu, que é dos nossos, filho e pai de fortes e belos, olha ao teu redor sem prejuízos e sem paixão, e diz o que vês! De um extremo ao outro da Terra, os fortes retrocedem ante os débeis armados de engenhosa malícia; os belos, ante os excêntricos, deformados, os feios, armados com enganos; os sãos, ante os enfermos armados com receitas arrancadas aos demônios, com os quais pactuaram. Os gigantes cedem ante os anões detentores do divino poder, usurpado por meio de investigações sacrílegas.

Há quarenta anos vim à Índia, buscar o equivalente tropical da Europa ária e pagã – desse mundo antigo, onde reinava a tolerância, e o culto ao belo, sinônimo da verdade; o belo, que saca sua própria essência da verdade. Vim e permaneci; e me fui novamente, e de novo regressei, sempre discípula do Líder, moderno rosto do que virá; armada sempre com o espírito do “combate contra o tempo” que Ele encarnara junto aos seus gloriosos predecessores, e a Kalki, o vingador que um dia deve suceder-lhe.

E agora que não se pode fazer outra coisa, camaradas, vivam comigo a ardente espera do fim desta humanidade, que rejeitou ao nosso Líder, e rejeita a nós mesmos. Não vale a pena salvá-la! Que a levem todos os diabos – sepultada sob as ruínas de seus hospitais, de seus laboratórios, de seus matadouros e de seus salões de festas!

Cito-lhes os versos que Leconte de Lisle dirige à selva virgem, queimada, arrasada, desgarrada pelo homem:

“Lágrimas e sangue regarão suas cinzas, E você vai voltar para nós, Ó Floresta! ”

Para mim, são palavras de alegria antecipada.

Vos recordo também as palavras de J.G à hora da queda desse Império, para o qual vivíamos: “Após o dilúvio, nós!”

Não nos resta nada mais que desejar, mais que chamar com todas as nossas forças, o dilúvio, o fim. Não nos resta senão fazer-mo-nos pessoalmente responsáveis por sua vinda, desejando-a dia e noite.

O desejaria, o chamaria, ainda persuadida de que nenhum de nós – nem eu, nem os que admiro e amo mais – sobreviveríamos. O mundo é demasiadamente feio, sem seus verdadeiros Deuses – sem o sentido do Sagrado no seio da vida, para que os fortes não desejem seu fim.

Camaradas, estejam unidos a mim para lançar, com Wotan, o Canto do Fim:

“Eins will ich: das Ende, das Ende!” (“É isto que quero: O Fim, o Fim!”)

O mundo sem o homem é demasiadamente preferível a um mundo em que nenhuma elite humana comande. O rugido do leão se ouvirá de novo por todas as partes de noite, sob o céu resplandecente de lua, ou sem ela e coberto de estrelas.

 E de novo os seres vivos vibrarão ante um Rei digno deles.


Trecho extraído do livro Recordações e Reflexões de uma Ária – Savitri Devi, em homenagem ao seu 116º aniversário.
Traduzido e adaptado para o Brasil por Christa Savitri.

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