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Salvador Borrego fala sobre o Neoliberalismo

O neoliberalismo é a versão moderna do liberalismo, com a única diferença de que já adquiriu tanto poder que está acelerando sua marcha para alcançar os fins que perseguiu durante séculos.

Atualmente, ele se desenvolve da seguinte forma:

1. Entre seus instrumentos essenciais estão as agências financeiras de bolsas de valores.

2. Nega o princípio de que o bem geral é uma lei social.

3. Acredita no sofisma de que o dinheiro é a essência da riqueza (ao invés da produção de trabalho) e o usa como meio de lucro e poder.

4. Sugere ao Terceiro Mundo que, para seu progresso ou subsistência, é imprescindível que recorra a créditos do Fundo Monetário Internacional, do Banco Mundial, do Banco Interamericano de Desenvolvimento, do J.P. Morgan, Salomon Brothers, Stanley, Oppenheimer, etc.

 

5. Tal processo é uma espécie de prostituição governamental. É mais fácil para eles viver do empréstimo do que buscar a autossuficiência com o aumento da produção nacional. Por meio das receitas, o endividamento cresce de um regime para o outro.

6. O “serviço da dívida” é sagrado. Isso significa que o devedor deve cumprir o pagamento dos juros na data estipulada e, caso não tenha recursos, é feito um novo empréstimo para saldá-los, para que a dívida principal continue aumentando.

7. Às vezes, para pagar um vencimento, são emitidos títulos (tesobonos, títulos, títulos de ajuste, etc.), mas precisam pagar um alto rendimento e, portanto, o endividamento é maior.

8. O aparelho de empréstimo financeiro não gera riqueza, mas a extrai daqueles que a produzem. E é aí que as pessoas se perguntam: por que o que meu trabalho produziu ontem vale menos hoje? Ou, por que tudo sobe de preço?

9. Com o dinheiro do aumento de impostos, o Estado paga juros elevados ao capital de empréstimo. Esse dinheiro vem de quem produz bens e paga impostos. O poder de compra do povo cai, enquanto o que perde flui para o capital de empréstimo (supracapitalismo), que não para de crescer.

10. Assim, os países devedores são empobrecidos. É um caos causado que os obriga a leiloar mercadorias (petroquímica, ferrovia, gás, minas, petróleo, etc.) para “cumprir os compromissos assumidos”, já que o “serviço da dívida” é sagrado. Isso vem antes dos interesses das próprias pessoas. Todos os governos se comprometeram a não recorrer a moratórias.

 

11. Os presidentes têm o poder ilegal de endividar o país, a ponto de afundá-lo, e a impunidade hereditária de não ser responsabilizado. Os juramentos da loja garantem isso. Além disso, os credores estrangeiros os protegem.

12. A “Economia de Mercado” proclama que “uma mão invisível” harmoniza salários e preços. Que ninguém deve reivindicar qualquer controle sobre ele. Isso poderia ser bom se tal economia fosse livre e ética, mas a “Mão Invisível” é de agiotas e governos que manipulam o mercado de cima a seu favor, pois podem restringir o crédito, aumentar os juros, reduzir a produção, manipular a lei de oferta e demanda, queda do peso, aumento de impostos, etc. Acontece que as pessoas vivem em uma economia cativa.

13. O Livre Mercado tem virtudes inegáveis, apenas que quando uma minoria poderosa o controla, pode com impunidade subir os preços e quase congelar os salários. O consumidor fica então com a “liberdade” de “apertar o cinto”. Também se diz que essa contingência é obra da “Mão Invisível”, embora seja na verdade uma mão bastante visível se você a procurar na liderança financeira.

14. No Neoliberalismo, ninguém assume a responsabilidade por taxas de juros usuárias, presumivelmente também como obra da “Mão Invisível do Mercado”. Assim, descobriu-se, a certa altura, que o México devia $90.000 milhões, que em seis anos pagou 97.000 milhões, mas que sua dívida era de 140.000 milhões. Muitos cidadãos vivenciam o mesmo fenômeno quando compram uma casa, por exemplo, por 20 milhões e, depois de um certo tempo, pagaram 5 milhões e então descobrem que devem 30 milhões, às vezes mais do que o valor da casa.

15. O monetarismo – de acordo com o liberalismo – exerce controles sobre a moeda para o bem de todos, como evitar a inflação. Assim seria se exercido eticamente, mas como o neoliberalismo nega qualquer conceito moral, na realidade o monetarismo está a serviço dos especuladores e dos políticos. Na prática, vê-se que ambos podem destruir a poupança e o poder de compra das pessoas.

 

16. “Mercado de Trabalho”. Se os desempregados aumentarem, melhor para o neoliberalismo, pois ele invoca a lei da oferta e da procura para quase imobilizar os salários. Além disso, alega que o aumento salarial é inflacionário, enquanto a alta de 40 a 150% nos preços pode ser ignorada como um “remédio necessário” ou como uma virtude do Mercado Livre. Um exemplo: 19 salários mínimos mexicanos são equivalentes a um nos Estados Unidos. “Competitividade” é maior no Vietnã, onde é de 41 salários por um nos Estados Unidos.

17. O neoliberalismo condena que o Estado defenda os produtores e trabalhadores nacionais mediante a cobrança de impostos sobre as importações. Isso é desqualificado como “protecionismo”, razão pela qual abre fronteiras e permite que o Nafta esmague os produtores nacionais e deixe milhões de nativos desempregados. Enquanto isso, nos Estados Unidos, o FTA aplica barreiras a qualquer produto que afete os seus próprios produtos.

18. O neoliberalismo sacrifica o povo pelo bem de seu sistema econômico; ela privilegia agiotas e especuladores e descarta que seu capitalismo desenfreado (supra capitalismo) deve levar em consideração o interesse nacional.

19. O neoliberalismo estabelece o dogma de que sua Economia tem leis tão naturais que escapam ao poder humano; que suas leis são tão soberanas quanto a força gravitacional das estrelas ou como a força da gravidade. Esconde o fato de que sua Economia é obra de

mãos humanas, moldadas por eles, graduadas por eles e manipuladas por eles. Por trás de todos os seus fenômenos econômicos existe uma intenção que os gera.

20. Para o neoliberalismo não há prioridade para aumentar a produção, o emprego e o poder de compra. Seu objetivo é se apoderar das riquezas das nações para chegar à “globalização”. O que o liberalismo buscou há dois séculos (“deixe-me fazer, deixe-me passar”), o neoliberalismo está alcançando tremendamente. Seu poder imperiosamente faz o que quer e acontece até que viole a soberania das nações. É sua estratégia “globalizar”.

 

21. Tais pontos do neoliberalismo têm um bloqueio final: tudo o que se opõe a eles é desqualificado como ignorância econômico-financeira. “Não há nenhum outro.” Essa especificação do que é o neoliberalismo não implica em justificar o programa de governos anteriores que – com endividamento e fraude – foram a ponte para a chegada do neoliberalismo. Ambos são ramos do mesmo tronco. Após 35 anos de ter feito apologia ao liberalismo, e de afirmar que este procurava apenas uma liberdade generosa, Von Mises foi surpreendido, em 1962, que vários liberais ilustres começaram a estigmatizar, como “extremistas” ou “fascistas”, aqueles que não pensavam exatamente como eles, a ponto de proclamar que nenhum país deveria tolerar “tais inimigos públicos”.

Von Mises não tinha mais vida suficiente para verificar que o liberalismo estava se transformando no neoliberalismo e que, assim, começava a revelar sua verdadeira ambição de subjugar o mundo.

Tudo isso não esgota a árvore genealógica do neoliberalismo.


ESCALANTE, Salvador Borrego. “Neoliberalismo: Lo que es Realmente”, 5ª ed., págs. 3 à 5.
Tradução de Nick Clark

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