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Rússia chama Israel de “o problema” no Oriente Médio, defende o Irã e seus aliados
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Em uma entrevista digna de nota a um jornal israelense na terça-feira (8), a Rússia acusou Israel de ser o responsável pela agitação no Oriente Médio, ao mesmo tempo que aliviava o Irã e seus aliados de culpa.

“O problema na região não são as atividades iranianas”, disse o embaixador russo em Israel, Anatoly Viktorov, ao Jerusalem Post, em comentários posteriormente compartilhados pela embaixada de Moscou em Tel Aviv. “É uma falta de entendimento entre os países e não cumprimento das resoluções da ONU no conflito Israel-Árabe e Israel-Palestina”.

Os israelenses anexaram e se estabeleceram em territórios considerados palestinos pelas Nações Unidas. A violência entre os dois lados bloqueou os esforços de paz por décadas, embora os atritos entre Israel e o Irã, junto com outros parceiros pró-palestinos, como o movimento islâmico xiita libanês Hezbollah, tenham tido precedência.

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Mas Viktorov rejeitou as preocupações israelenses com os planos do Hezbollah, como infiltrações e ataques com foguetes, apontando, em vez disso, para operações israelenses regulares contra o grupo e outros ativos iranianos suspeitos em países como a vizinha Síria.

“Israel está atacando o Hezbollah, o Hezbollah não está atacando Israel”, disse Viktorov, argumentando que “não há prova que o Hezbollah criou os túneis” que Israel afirmou ter descoberto ao longo de sua contestada fronteira norte com o Líbano.

Embaixador da Rússia em Israel, Anatoly Viktorov, na Embaixada da Rússia em Tel Aviv, novembro de 2019. Créditos: Raphael Ahren/TOI

A Newsweek conversou recentemente com autoridades israelenses e do Hezbollah, que disseram estar prontas para outro possível conflito entre eles, visto que as tensões aumentaram. Em resposta aos ataques israelenses à Síria, a missão de Damasco à ONU expressou à Newsweek no mês passado que os países, especialmente os membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU, deveriam se posicionar contra tais agressões.

Viktorov atendeu ao chamado.

Ele disse que Israel “não deve atacar os territórios de membros soberanos da ONU”. Ele reconheceu que Israel avisou a Rússia com antecedência antes de tais ataques porque “a coordenação é sobre a segurança dos militares russos na Síria”, mas enfatizou que “não há como aprovarmos quaisquer ataques israelenses contra a Síria, nunca no passado e nunca no futuro.”

A dinâmica entre Rússia, Irã e Israel se mostrou complexa na Síria. Moscou e Teerã coordenam esforços conjuntos para apoiar Damasco em uma guerra de quase uma década contra uma insurgência e grupos militantes como o Estado Islâmico, mas seus interesses nem sempre se alinham.

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A Rússia culpou em grande parte as potências estrangeiras que atuam na Síria sem a posição do governo por interromper o trabalho para alcançar a paz no país devastado pela guerra. Na sexta-feira (4), o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergey Lavrov, elogiou os esforços de Moscou para “quebrar a espinha” do terrorismo na Síria desde a intervenção militar de 2015 ali, e criticou a presença contínua dos EUA no país.

“As tarefas de proporcionar condições de vida decentes para milhões de sírios, que sobreviveram a essa guerra devastadora, estão vindo à tona. Isso requer a participação de toda a comunidade mundial”, disse Lavrov ao Rome 2020 Mediterranean Dialogues. “Temos que lamentar que, em resposta às mudanças construtivas no acordo político, Damasco receba a presença ilegal de forças dos EUA em seu território, que é abertamente usado para encorajar o separatismo e para impedir a restauração da unidade do país.”

O alto diplomata russo falou especificamente contra as sanções intensivas dos EUA impostas ao governo sírio durante a pandemia COVID-19, que causou ainda mais estragos na economia síria em colapso.

“O Ocidente demonstra dois pesos e duas medidas negando ajuda à Síria, mesmo quando questões humanitárias são levantadas”, disse Lavrov. “Em meio à pandemia, o Ocidente segue sua política de estrangulamento econômico da Síria.”

Embora Washington não se oponha à presença de Moscou na Síria, ele busca a retirada das forças associadas a Teerã, como o Departamento de Estado comunicou à Newsweek.

Um fazendeiro observa enquanto um helicóptero militar russo Mil Mi-24 “Hind” voa acima e veículos militares passam ao longo de uma estrada próxima, durante uma patrulha russa-turca na zona rural oriental da cidade de Al-Darbasiyah, perto da fronteira com a Turquia, na província de Al-Hasakah, no nordeste da Síria, em 7 de dezembro. A Rússia apoia o governo sírio, enquanto a Turquia apoia a oposição, mas os dois países têm procurado trabalhar juntos em um esforço para resolver o conflito de quase uma década. Créditos: DELIL SOULEIMAN/AFP/GETTY IMAGES

A oposição do governo do presidente Donald Trump à pegada do Irã no Oriente Médio foi um dos motivos citados para a saída unilateral da Casa Branca, há dois anos e meio, de um acordo nuclear assinado em 2015 pelos dois países, junto com China, França, Alemanha, Rússia e Reino Unido.

O acordo concedeu ao Irã o alívio das sanções internacionais em troca de concordar em reduzir substancialmente um programa nuclear que funcionários do programa sempre negaram que pretendia produzir uma bomba. Mas o ceticismo, especialmente dos Estados Unidos, Israel e monarquias muçulmanas sunitas como a Arábia Saudita, continuou a cercar as intenções da rival República Islâmica Xiita revolucionária.

Faltando apenas algumas semanas para o governo Trump, o medo de um conflito potencial estourando permanece real em toda a região. Tais ansiedades foram especialmente pronunciadas desde o assassinato no mês passado do cientista nuclear iraniano Mohsen Fakhrizadeh.

Nenhum país ou grupo reivindicou o assassinato, mas as autoridades iranianas culparam Israel, junto com um grupo dissidente ilegal que opera no exterior.

Os EUA permaneceram calados sobre o ataque, mas a Rússia o condenou veementemente como “um ato terrorista com o objetivo claro de desestabilizar a situação e aumentar o potencial de conflito na região”.

Na esteira do assassinato, que ocorre uma década depois de uma série de assassinatos semelhantes de indivíduos associados ao programa nuclear do Irã, autoridades iranianas e israelenses juraram à Newsweek que permaneceriam vigilantes em face de ameaças e seriam capazes de defender seus países.


Fonte: Newsweek
Autor original: Tom O´Connor
Publicação: 8 de dezembro de 2020


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