Rolf Kosiek: O termo “Untermensch” (sub-humano)

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Os nacional-socialistas são acusados de considerar a população do leste europeu, principalmente aquela da União Soviética, de “sub-humanos”. Até mesmo há aqueles que consideram que o termo teria sido inventado por Hitler. [1]

Todavia isto não está correto. Certo é que o termo e seu uso apareceu na ciência primeiramente na Inglaterra e nos EUA. Provavelmente ele nos remeta até Churchill. Ele já falava em 1919 sobre a “Doutrina do sub-humano” [2] e avaliou o Bolchevismo como “doença” e “peste”. Neste mesmo ano, Churchill explanou em uma palestra que os bolchevistas teriam deturpado seus discursos “com a mais grotesca e baixa exposição” que teria existido entre os homens e com atos que envergonhariam os homens das cavernas e os Hottentotten da África central. [3]

O termo “sub-humano” foi inserido na ciência pelo norte-americano Lothrop STODDARD, em 1922, no título de um livro com alta tiragem. [4] Dois anos antes ele já havia apontado para “a crescente inundação das pessoas de cor” [5] e alertado a Europa sobre da miscigenação racial. [6] Isso há mais de uma década antes do termo ter avançado na Alemanha. De um modo geral o racismo nos EUA também teve uma influência significativa no Reich alemão da época de Weimar. O italiano Domenico LOSURDO mostrou isso em uma detalhada pesquisa. [7]

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O termo foi utilizado pela primeira vez no Reich alemão em 1941, como propaganda de guerra em conjunto com material fotográfico, que mostravam as faces escolhidas dentre os milhões de prisioneiros soviéticos. Estes eram “uma mistura dos mais baixos seres humanos, verdadeiros sub-humanos”. Posteriormente o termo apareceu nas brochuras da SS. Contra esta avaliação, levantaram vozes do círculo em torno de Alfred ROSENBERG ou Theodor OBERLÄNDER.

Nos numerosos registros dos principais escritos da ideologia NS, não aparece o termo “sub-humano”, nem em Minha Luta, de Adolf Hitler (1925) ou em Hitlers Zweitem Buch (1961), nem no Taschenbuch des Nationalsozialismus (1934) ou em Hitlers Tischgesprächen im Führerhauptquartier (1963) ou em Adolf Hitler. Monologe im Führerhauptquartier 1941-1944 (1980).

“Destrua esse bruto louco”. Propaganda dos Estados Unidos de Harry R. Hopps em 1917. Este pôster foi lançado em 1917 por Harry Ryle Hopps, retratando a Alemanha como um gorila invadindo os Estados Unidos após conquistar a Europa. Os anglo-americanos não poupavam em denegrir a imagem dos alemães. O pôster de propaganda enfatiza o gorila aterrorizante com um capacete militar alemão segurando um bastão sangrento rotulado como “kultur” e uma mulher seminua enquanto ele pisa na costa dos EUA. Créditos: Divisão de Impressos e Fotografias da Biblioteca do Congresso Washington/Wikimedia Commons.

A enciclopédia Novo Brockhaus, editado em 4 volumes durante o Terceiro Reich, esclarecia o termo “Untermesch” em apenas duas linhas: “Untermensch – uma pessoa com inferioridade espiritual e social, geralmente devido a uma enorme deficiência genética. [8] Portanto, conclui-se que o termo “sub-humano” não tinha importância no Nacional-Socialismo.

Na avaliação deste termo, deve-se levar em conta o fato de que os ingleses se referiam aos alemães em sua propaganda contra o Reich, já na Primeira Guerra e principalmente durante e após a Segunda Guerra, como “hunos”, o que significa uma igual depreciação e degradação. [9] “O topos do alemão como um bárbaro huno indo além do final da guerra”. (1918 – N.A.) [10] Os ingleses se comportaram em suas colônias principalmente como “raça superior”, que desprezava os nativos.

Estação de autocarro de Durham, Carolina do Norte. A placa indica o sítio reservado a “pessoas de cor”. Ao lado, um anúncio sobre Hitler. Interessante notar que nunca houve uma discriminação gratuita desta forma na Alemanha – contra um determinado grupo racial, como aconteceu nos EUA. Veja uma coletânea de fotos como essa aqui. Créditos: Wikimedia Commons

Nos EUA, a ideia de raça superior era amplamente disseminada. O presidente Theodore Roosevelt falou orgulhosamente a 2 de setembro de 1892 sobre “um povo superior como o nosso” [11] e uma “raça superior” [12] nos EUA.


Fonte: ROSE, Olaf; KOSIEK, Rolf. Der Grosse Wendig: Richtigstellungen zur Zeitgeschichte. Vol. 4. Ed. Grabert.

Nota do site: Os autores Olaf Rose e Rolf Kosiek em “Der Große Wendig”, Volume 4 [O Grande Manobrável: Correções para a História Contemporânea] – que inclui registro para todos os e três volumes anteriores -, devido ao excelente sucesso dos primeiros 3 volumes de “Große Wendig” lançaram o quarto volume com mais como 250 outras correções para a história contemporânea, entre outras coisas com os tópicos sobre Rudolf Hess, Georg Elser, o tesouro da Alemanha, Majdanek, arquivos do chanceler, massacre de Treuenbrietzen, suicídio em massa de Wildenhagen. O livro contém 912 páginas, índice de 144 páginas para os volumes 1-4 e muitas ilustrações. O livro se encontra disponível em inglês e alemão na Amazon.


Notas

[1] Hans MEISER, Deutschlands Abwehrkampf gegen den Bolschewismus, Grabert, Tübingen 2010, S. 1 64.
[2] Ebenda.
[3] Zitiert ebenda, aus Daily Herald, 25. 7. 1 91 9.
[4] Lothrop STODDARD, The Revolt against Civilization. The Menace of the underman, New York 1921, dt.: Der Kulturumsturz Die Drohung des Untermenschen, München 1 925.
[5] Ders., The rising tide of color, New York 1 920.
[6] Ders., Racial realities in Europe, London 1 925.
[7] Der neue Brockhaus in vier Bänden, Brockhaus, Leipzig 1 942, Bd. 4, S. 525.
[8] Domenico LOSURDO, Die Deutschen. Der Sondenveg eines unverbesserlichen Volkes?, Kai Homilius, Berlin 201 0.
[9] Thomas WrTIEK, Auf ewig Feind? Das Deutschlandbild in den britischen Massenmedien nach dem Ersten Weltkrieg, Oldenbourg, München 2006.
[10] Gottfried NIEDHART, »Sympathie für die Hunnen«, in: Frankfurter Allgemeine Zeitung, 10. 6. 2006.
[11] Die Moral der Individuen und der Nationen, Lumen, Wien-Leipzig 1909, S. 88.
[12] Ebenda, S. 1 08.


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