Por trás da Declaração de Balfour – A penhora britânica da Grande Guerra ao Lord Rothschild (Parte III)

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Este presente artigo é uma continuação das primeiras duas partes. Caso não tenha lido-as, sugerimos a leitura anterior para melhor compreensão do assunto.

A Declaração, 1917

O comitê informal de sionistas e Mark Sykes como representante do Governo britânico, reuniram-se em 07 fevereiro de 1917, na casa de Moses Gaster, [X], o rabino-chefe das Congregações Sefarditas (espanhol e português) na Inglaterra. Gaster abriu a reunião com uma declaração que ressaltou o apoio sionista para os interesses estratégicos britânicos na Palestina os quais estavam a ser parte integrante de qualquer acordo entre eles. Conforme esses interesses podiam ser considerados primordiais para estadistas britânicos, o apoio para objetivos sionistas direcionados lá, Gaster disse, era plenamente justificado. O Sionismo estava irrevogavelmente em oposição a quaisquer propostas de internacionalização, mesmo um condomínio anglo-francês. [113]

Herbert Samuel seguiu com uma expressão de esperança de que os judeus na Palestina iriam receber o status nacional completo, o qual seria compartilhado por judeus na Diáspora. A questão do conflito de nacionalidade não foi mencionada e um orador seguinte, Harry Sacher, sugeriu que a partilha não deveria envolver as implicações políticas da cidadania. [114] Weizmann falou da necessidade de imigração sem restrições. É claro que o conteúdo de cada discurso foi cuidadosamente preparado antes da reunião.

Sykes delineou os obstáculos: As inevitáveis objeções russas, a oposição dos árabes, e as fortemente pressionadas reivindicações francesas para toda a Síria, incluindo a Palestina. [115] James de Rothschild e Nahum Sokolow, o líder sionista internacional, também falaram. O encontro terminou com um resumo dos objetivos sionistas:

1. O reconhecimento internacional do direito judaico para a Palestina;
2. Nacionalidade Jurídica para a comunidade judaica na Palestina;
3. A criação de uma empresa prerrogativas de privilégios {em inglês, chartered} judaica na Palestina com direitos de aquisição de terras;
4. União e uma administração para a Palestina; e
5. Status extraterritorial para os lugares santos. [117]

Os primeiros três pontos são sionistas, os dois últimos foram projetados para aplacar Inglaterra e Rússia, respectivamente [118] e, provavelmente, a Itália e o Vaticano. Sokolow foi escolhido para atuar como representante sionista, para negociar com Sir Mark Sykes.

Os sionistas estavam, naturalmente, coordenando suas atividades internacionalmente. No mesmo dia da reunião em Londres, o rabino Stephen Wise nos Estados Unidos escreveu para Brandeis: “Eu mandei o memorando para o coronel House cobrindo a nossa questão, e ele escreve: ‘Espero que o sonho que você tem possa em breve tornar-se uma realidade.’” [118 a]

Os relatórios alcançando a Inglaterra sobre a iminente dissolução do Estado russo praticamente removeram a necessidade de endosso russo dos objetivos sionistas, mas fizeram a aceitação francesa e italiana ainda mais urgente. Isso, de qualquer modo era a crença de Sykes, Balfour, Lloyd George e Winston Churchill, que, como alegaram em suas declarações posteriores, estavam convencidos de que proclamado o apoio dos Aliados para objetivos sionistas, iria especialmente influenciar os Estados Unidos. Eventos na Rússia fizeram a cooperação de grupos judaicos com os Aliados muito mais fácil. Em uma reunião em massa em março de 1917 para comemorar a revolução que então tinha tido lugar, o rabino Stephen Wise, que tinha sucedido Brandeis como presidente do Comitê Sionista Provisório Americano após a nomeação de Brandeis para a Suprema Corte, disse: “Eu acredito que de todas as realizações do meu povo, nenhuma tem sido mais nobre do que a parte dos filhos e filhas de Israel têm tomado no grande movimento [*g] o qual tem culminado na Rússia livre.” [119]

{Fotos da esquerda e centro com a notícia do New York Times (24 de março de 1917) quando o principal rabino nos EUA durante o século XX elogia a participação dos judeus na chamada “Revolução” Russa de março e que culminaria na Revolução Bolchevique de novembro de 1917 e a implementação do regime soviético em parte da Rússia, e depois na totalidade da Rússia a partir de 1921. Na foto a direita Wise discursa contra os alegados, pela mídia judaica ou filo judaica, maus tratos do governo de menos de 2 meses de Hitler aos judeus já em 1933. Por outro lado, não parece haver tido o mesmo empenho do rabino Wise até então ou depois sobre a tirania soviética, e sua vasta liderança judaica, contra dezenas de etnias em todos os territórios que a URSS ocupou ou influiu. Crédito das fotos: United States Holocaust Memorial Museum.}

As negociações para uma série de empréstimos no total de $190,000,000 dos Estados Unidos para o governo provisório na Rússia de Alexander Kerensky foram iniciados sob o conselho do embaixador dos EUA para a Rússia, David R. Francis, que anotou em seu telegrama ao Secretário de Estado Lansing, “auxílio financeiro agora da América seria um golpe de mestre. Confidencial. Imensuravelmente importante para os judeus que a revolução foi sucedida…” [120]

Em 22 março de 1917 Jacob H. Schiff da {firma bancária} Kuhn, Loeb & Co., escreveu a Mortimer Schiff, “Nós devemos ser um pouco cuidadosos, não para aparecer como excesso de zelo, mas você poderia contatar Cassel que por causa da recente ação da Alemanha (a declaração de ilimitada guerra de U-Boat) e dos desenvolvimentos na Rússia nós devemos não mais nos abstermos de financiamentos dos governos Aliados quando uma oportunidade for oferecida.”

Ele também enviou um telegrama de felicitações ao Ministro das Relações Exteriores no primeiro Governo Provisório, referindo-se ao governo anterior como “os perseguidores impiedosos dos meus correligionários”. [*h]

{Foto da esquerda: Judeus dos EUA que distribuíram doze milhões de dólares do dinheiro de socorro levantado pelos judeus americanos desde o início da Primeira Guerra Mundial. Jacob Schiff, banqueiro internacional e um dos fundadores da American Jewish Historical Society, aparece no canto inferior direito. Sentados da esquerda para a direita estão, reproduzindo a legenda disponibilizada na Wikipedia: Felix M. Warburg, da Kuhn Loeb & Co., Presidente do Comitê; Rabino Aaron Teitelbaum, Secretário Correspondente do Comitê Conjunto de Distribuição; Albert Lucas; Sra. F. Friedman, estenógrafa oficial; Dr. Boris D. Bogen, organizador da seção do Comitê na Holanda e diretor da Conferência Nacional de Caridade; Leon Sanders, presidente da Ordem Independente de Brith Abraham; Harry Fishcel, Tesoureiro do Comitê Central de Ajuda; Sholem Asch, notável escritor iídiche e vice-presidente do Comitê de Ajuda ao Povo; Alexander Kahn, presidente do Comitê de Ajuda do Povo; Jacob Milk; Srta. Harriet Lowenstein, advogada e Controladora do Comitê de Distribuição Conjunta; Coronel Moses Schonenberg; Rabbi M.Z. Margolies, Presidente da Agudas Habonim; Israel Friedlander, Seminário Teológico Judaico de Nova Iorque; Paul Baerwald, Tesoureiro Associado do Comitê; Julius Levy; Peter Wiernik, presidente do Comitê Central de Ajuda e editor do Jewish Morning Journal; Meyer Gillis, editor assistente do Forward; Coronel Harry Cutler, Presidente do Conselho de Bem-Estar Judaico; Cyrus Adler, presidente do Dropsey College e do Jewish Theological Seminary; Arthur Lehman, tesoureiro do Comitê e membro do Lehman Bros. Em pé, da esquerda para a direita: Abraham Zucker, Comitê de Ajuda do Povo; Isadore Hershfield, que estabeleceu a comunicação entre famílias judias na Europa e na América; Rabino Meyer Berlin, vice-presidente do Comitê Central de Ajuda; Stanley Bero, Comitê Central de Ajuda; Louis Topkis; Morris Engelman, secretário financeiro do Comitê Central de Ajuda e criador do plano de ajuda americana para os judeus que sofrem de guerra. Data: 16 de agosto de 2018. Repositório: American Jewish Historical Society, 15 West 16th Street, New York, NY 10011. Fonte domínio público via Wikipedia. Foto da direita: Jacob Schiff (1847-1920) em 1903, crédito de Aimé Dupont via Wikipedia. Jacob Schiff, como banqueiro internacional e de amplas conexões internacionais, foi um ponto de união de esforços do judaísmo internacional e eventos decisivos das convulsões na Rússia durante a Primeira Guerra Mundial e antes ainda na Guerra Russo-Japonesa de 1904-1905. Ver notas *h e *i}

No mesmo mês, Leiber Davidovich Bronstein, conhecido como Leon Trotsky, um imigrante dos EUA nascido na Rússia, havia deixado o Bronx, Nova Iorque, para a Rússia, com um contingente de seguidores, enquanto V.I. Ulyanov (Lênin) e um grupo de cerca de trinta integrantes estavam se movendo pela Alemanha, vindos da Suíça, através da Escandinávia para a Rússia. Existem alguma evidência de que Schiff e outros patrocinadores como Helphand {Alexander Lvovich Parvus (1867-1924) nascido como Israel Lazarevich Gelfand} financiaram estes revolucionários. [*i]

{o banqueiro judeu Alexander Israel Parvus (esquerda) com o bolchevique judeu Leon Bronstein Trotsky (centro) e o menchevique judeu Leo Deutsch (direita). A direita liberal, a extrema esquerda e a social democracia sob a direção judaica contra a Rússia. Os três foram presos pelo regime czarista. Foto de domínio público – Wikipedia.}

Em março de 1917, o presidente Wilson denunciou como “um pequeno grupo de homens voluntariosos”, os não intervencionistas que atrasavam um projeto de lei patrocinado pela Administração, que daria poderes a Wilson de travar uma guerra naval não declarada contra a Alemanha. A oposição de Wilson foi liderada pelos senadores La Follette e Norris.

Em 5 de abril, um dia antes de o Congresso dos Estados Unidos adotar uma resolução de guerra, Schiff tinha sido informado pelo Barão Gunzburg da assinatura, de fato, dos decretos removendo todas as restrições sobre os judeus na Rússia.

Em uma sessão especial do Congresso, em 2 de abril de 1917, o presidente Wilson se referiu aos navios mercantes americanos, levando suprimentos para os Aliados, que tinham sido afundados durante o mês anterior por submarinos alemães (que operavam um contra-bloqueio; as frotas britânicas e francesas tendo bloqueado os Poderes Centrais desde o início da guerra); e, em seguida, disse ao Congresso que “coisas maravilhosas e animadoras estavam acontecendo nas últimas semanas na Rússia.”

Ele pediu uma declaração de guerra com uma missão:

“pela democracia, para o direito daqueles que se submetem à autoridade de terem uma voz em seus próprios governos, para os direitos e liberdades das pequenas nações, para um domínio universal de direito por tal concerto de povos livres conforme trará paz e segurança para todas as nações e fazer o próprio mundo finalmente livre.

Para tal tarefa, nós podemos dedicar nossas vidas e nossas fortunas, tudo o que nós somos e tudo o que nós temos, com o orgulho de quem sabe que o dia chegou quando a América tem o privilégio de usar o seu sangue e seu poder para os princípios que deram o seu nascimento e a felicidade e a paz que ela tem entesourado. Deus está a ajudá-la, ela não pode fazer outra coisa.” (Grifo nosso)

Naquela noite, multidões encheram as ruas, marchando, gritando, cantando “Dixie” ou “The Star Spangled Banner”. Wilson virou-se para sua secretária, Tumulty: “Pense o que isso significa, o aplauso. Minha mensagem hoje à noite foi uma mensagem de morte. Que estranho aplaudir isso!”

Assim, dentro de seis meses da sugestão específica de Malcolm para Sykes, os Estados Unidos da América, guiado por Woodrow Wilson, estava do lado dos Aliados na Grande Guerra.

Foi Wilson guiado por Brandeis para fora da neutralidade – para a guerra?

Em Londres, o Gabinete de Guerra liderado por Lloyd George não perdeu tempo, comprometendo forças britânicas primeiro para capturar Jerusalém, e depois para a expulsão total dos turcos da Palestina. O ataque contra o Egito, lançado em 26 de março de 1917, de tentar tirar Gaza, terminou em fracasso. Até o final de abril, um segundo ataque contra Gaza tinha sido repelido e tornou-se claro que não havia nenhuma perspectiva de um rápido sucesso nesta frente.

Do Cairo, onde ele tinha ido esperando seguir o Exército para dentro de Jerusalém com Weizmann, Sykes telegrafou ao Foreign Office que, se a Força Expedicionária egípcia não fosse reforçada, então seria necessário “largar todos os projetos sionistas … os sionistas em Londres e nos EUA deveriam ser advertidos disso através M. Sokolow …” [120 a]

Três semanas depois, foi dito a Sykes que reforços estavam vindo de Salônica {segunda maior cidade da Grécia}. O Gabinete de Guerra também decidiu substituir o comandante da Força pelo General Allenby.

Sykes foi o negociador oficial para todo o projeto de ajudar os sionistas. [*j] Ele atuou imediatamente após a reunião na casa de {Moses} Gaster pedindo a seu amigo M. Picot {François Marie Denis Georges-Picot (1870-1951} para encontrar Nahum Sokolow na Embaixada de França em Londres, em uma tentativa de induzir os franceses a ceder na questão da soberania britânica na Palestina. [121] James Malcolm foi então solicitado para ir sozinho a Paris arranjar uma entrevista para Sokolow diretamente com o ministro dos Negócios Estrangeiros francês. Sokolow tinha sido previamente malsucedido em obter o apoio da comunidade judaica francesa para uma reunião com o Ministro; uma vez que os judeus mais ricos e influentes nos Estados Unidos e na Inglaterra, com a notável exceção dos Rothschilds, que poderiam ter arranjado um tal encontro, eram opostos às implicações políticas do sionismo. Em Paris, a poderosa Alliance Israélite Universelle tinha feito todos os esforços para dissuadi-lo de sua missão. [122] Não que os sionistas não tinham na França outros seguidores além de Edmond de Rothschild, [Y], mas o Ministério das Relações Exteriores não tinha motivo para emaranhar-se com eles. Agora James Malcolm abriu a porta diretamente a eles, como tinha feito em Londres. [123]

{O inglês Mark Sykes (1879-1919) assumiu a proeminência nas negociações inglesas durante a Grande Guerra em favor dos interesses sionistas na Palestina. Crédito da foto – acast}

Sykes juntou Malcolm e Sokolow em Paris. Sykes e Malcolm, além da consideração com o sionismo e o futuro apoio americano para a guerra, estavam preocupados com a possibilidade de uma entente árabe-judaica-armênia que, através da amizade entre islâmicos, judeus e povos cristãos, traria a paz, a estabilidade e uma novo futuro brilhante para os habitantes desta área onde a Europa, Ásia Menor e África se encontram. Sokolow embarcou junto para uma tentativa diplomática, mas, em uma carta a Weizmann (20 de Abril 1917), ele escreveu: “Eu considero a ideia bem fantástica. É difícil chegar a um entendimento com os árabes, mas vamos ter que tentar. Não existem conflitos entre judeus e armênios, porque não há qualquer interesse comum.” [Z] [124]

Várias conversas foram sustentadas com Picot, incluindo uma em 9 de abril, quando outros funcionários, incluído Jules Cambon, o Secretário-Geral do Ministério das Relações Exteriores e o Ministro Chefe de Gabinete. Exatamente que garantias foram dadas a Sokolow é incerto, mas ele escreveu a Weizmann “que eles aceitam em princípio, o reconhecimento da nacionalidade judaica em termos de um lar nacional, a autonomia local, etc.” [125] E para Brandeis e Tschlenow, ele telegrafou através dos canais oficiais franceses: “… Tenho plena confiança que a vitória dos Aliados vai realizar as nossas aspirações sionistas na Palestina.” [126]

Sokolow partiu para Roma e Vaticano. “Lá, graças às apresentações de Fitzmaurice, por um lado e com a ajuda do Barão Sidney Sonnino [AA], por outro,” uma audiência Papal e entrevistas com os principais responsáveis do Ministério de Relações Exteriores foram rapidamente arranjadas. [127]

Quando Sokolow retornou à Paris, ele requereu e recebeu uma carta do ministro das Relações Exteriores de 4 de junho de 1917, apoiando a causa sionista em termos gerais. Ele muito rapidamente escreveu dois telegramas os quais ele deu a M. Picot para despachar por canais diplomáticos oficiais. Um foi dirigido a Louis D. Brandeis, nos Estados Unidos. Se lia: “Agora você pode mover. Temos a garantia formal do Governo francês.” [BB] [128]

“Depois de muitos anos”, escreveu M. Picot, “Eu estou ainda comovido pelos agradecimentos que ele me derramou quando ele me deu os dois telegramas … não digo que foi a causa do grande surto de entusiasmo que ocorreu nos Estados Unidos, mas eu digo que o juiz Brandeis, a quem este telegrama foi endereçado, foi certamente um dos elementos que determinaram a decisão do Presidente Wilson.” [129]

Mas Wilson havia declarado guerra um mês antes!

É natural que M. Picot devesse querer acreditar que ele havia desempenhado um papel significativo em trazer a América para a guerra e, portanto, ajudar a vitória de seu país. A evidência certamente apoia-o tendo uma parte em ajudar uma vitória sionista.

Os objetivos deles estavam à vista, mas tinham ainda de ser tomados e mantidos.

Embora os Estados Unidos fosse agora um beligerante, nenhuma declaração de apoio foi feita para o programa sionista para a Palestina, ou pela Grã-Bretanha ou os Estados Unidos, e alguns dos judeus mais ricos e poderosos em ambos os países eram opostos a ela.

A exceção entre esses príncipes mercadores judeus era, é claro, a Casa de Rothschild. De Londres, em 25 de abril de 1917, James de Rothschild telegrafou para Brandeis que Balfour estava vindo para os Estados Unidos, e instou os judeus americanos para apoiar “uma Palestina judaica sob proteção britânica… bem como para pressionar seu governo a fazer assim. Ele aconselhou Brandeis para encontrar Balfour. [134] O encontro aconteceu em um almoço na Casa Branca: “Você é um dos americanos que eu queria me encontrar”, disse o secretário do Exterior britânico. [135] Brandeis telegrafou para Louis de Rothschild: “Tive uma conversa satisfatória com o Sr. Balfour, também com nosso presidente. Isto não é para publicação.” [136]

Por outro lado, uma carta datada de 17 de maio de 1917 apareceu no The Times (Londres), assinada pelo presidente da Jewish Board of Deputies e pelo presidente da Anglo-Jewish Association (Alexander e Montefiore, respectivamente, ambos os homens de riqueza e eminência), indicando a aprovação de assentamento judaico na Palestina como uma fonte de inspiração para todos os judeus, mas acrescentando que eles não poderiam favorecer o esquema político sionista. Judeus, acreditavam eles, eram uma comunidade religiosa e se opunham à criação de “uma nacionalidade judaica secular recrutada em alguns princípios soltos e obscuros de raça e de peculiaridade etnológica.” Eles particularmente se fizeram exceção à Pressão Sionista para uma companhia judaica com encartada {em inglês, chartered} de privilégios políticos na qual apenas os judeus iriam participar, pois isto era incompatível com os desejos dos judeus do mundo por direitos iguais onde quer que vivessem. [137]

Uma controvérsia então seguiu-se consequentemente na imprensa britânica, em associações judaicas e nos corredores do governo, entre os judeus sionistas e não-sionistas. Nisso, Weizmann realmente teve menos peso, mas ele mobilizou a equipe mais forte. O rabino-chefe dissociou-se ele mesmo da declaração não-sionista e denunciou que a carta de Alexander-Montefiore não representava as opiniões de suas organizações. [138] Lord Rothschild escreveu: “Nós Sionistas não podemos ver como a criação de um Estado Judeu autônomo, sob a égide de uma das Potências Aliadas, poderia ser subversiva na fidelização dos judeus com os países nos quais são cidadãos. Na carta que vocês publicaram, também é levantada a questão de uma empresa com prerrogativas de privilégios {em inglês, chartered}”. Ele continuou: Nós sionistas temos sempre sentido que se a Palestina é a para ser colonizada por judeus, algum maquinário deveria ser arranjado para receber os imigrantes, assentá-los em sua terra e desenvolver a terra, e para ser uma agência geral de direção. Eu só posso de novo enfatizar que nós sionistas não temos desejo de privilégios em detrimento de outras nacionalidades, mas somente o desejo de ter a possibilidade de ser permitido trabalhar os nossos destinos, lado a lado com outras nacionalidades em um estado autônomo sob a suserania de uma das Potências Aliadas.” [139] Esta carta salientou o aspecto colonialista do sionismo, mas prejudicou a forte declaração estadista de Weizmann. O corpo sionista na Palestina era para ser de um caráter mais organizacional para a comunidade judaica.

Talvez sentindo que sua declaração tinha sido um pouco forte demais para aceitação liberal, Weizmann também se juntou a esta correspondência no The Times. Escrevendo como presidente da English Zionist Federation, ele alegou em primeiro lugar que,

“é estritamente uma questão do fato que os judeus são uma nacionalidade. Uma esmagadora maioria deles sempre tiveram a convicção de que eles eram uma nacionalidade, a qual tinha sido compartilhada por não-judeus em todos os países.”

A carta continua:

“Os sionistas não estão demandando monopólios na Palestina ou privilégios exclusivos, nem eles estão pedindo que qualquer parte da Palestina deve ela administrada por uma empresa com prerrogativas de privilégios {em inglês, chartered} em detrimento de outros. Sempre foi e permanece sendo um princípio cardeal do sionismo, um movimento democrático que todas as raças e seitas na Palestina devem usufruir plena justiça e liberdade, e os sionistas estão confiantes de que o novo suserano de quem eles esperam adquirir a Palestina como resultado da guerra, na sua administração do país, pautar-se-á pelo mesmo princípio.” [140] (grifo nosso).

A competição para ganhar a atenção do público britânico e dos judeus britânicos entre os sionistas e seus oponentes judeus continuaram na imprensa e nas suas várias reuniões especiais. Um manifesto de solidariedade para com as opiniões de Alexander e Montefiore foi enviado ao The Times em 01 junho de 1917; e no mesmo mês em Buffalo, Nova Iorque, o presidente da Annual Convention of the Central Conference of American Rabbis acrescentou seu peso contra o nacionalismo judaico: “Eu não estou aqui para querelar com o sionismo. Minha, é somente a intenção de declarar que nós, como rabinos, que somos consagrados ao serviço do Senhor … não temos lugar num movimento em que os judeus se unem por motivos raciais ou nacionais, e por um Estado político ou até mesmo por um Lar legalmente assegurado.” [141]

Mas, enquanto a controvérsia continuava, os sionistas trabalhavam duro para produzir um projeto de documento que poderia formar uma declaração aceitável para os Aliados, particularmente a Grã-Bretanha e os Estados Unidos, e que seria na natureza de uma carta de status internacional para seus objetivos na Palestina. Isto foi tratado como uma questão de urgência, já que Weizmann acreditava que isso iria remover o apoio dos judeus não-sionistas [142] e assegurar-se-ia contra as incertezas inseparáveis de uma guerra.

Em 13 de junho de 1917 Weizmann escreveu à Sir Ronald Graham no Ministério das Relações Exteriores que “parece desejável de todos os pontos de vista que o Governo britânico deve exprimir a sua simpatia e apoio das reivindicações sionistas na Palestina. Na verdade, só precisa confirmar a visão que os eminentes membros representativos do Governo têm muitas vezes expressado a nós…” [143] Isto foi programado para coincidir ao mesmo minuto, da mesma data de um dos conselheiros de Balfour no qual foi sugerido que o tempo havia chegado “quando nós podemos coincidir com os desejos dos sionistas e dar-lhes a garantia de que HMG {Her Majesty’s Government} está em simpatia geral com as aspirações deles.” [144] Para a qual Balfour observou: “Pessoalmente, eu ainda preferiria a associar os EUA no Protetorado, caso consigamos assegura-lo.” [145]

Os sionistas também tiveram de contrariar as tentativas de planos britânicos e americanos na busca de uma paz em separado com a Turquia. Quando Weizmann, pelos sionistas, juntamente com Malcolm, pelos armênios, foram em 10 de junho, para o Ministério das Relações Exteriores para protestar contra um plano desse tipo, Weizmann amplamente sugeriu que os líderes sionistas na Alemanha estavam sendo cortejados pelo Governo alemão, e ele mencionou, para melhorar a credibilidade, que as abordagens foram feitas a eles por meio de um Dr. Lepsius.

A verdade, provavelmente, é que o Berlin Zionist Executive estava iniciando contato renovado com o Governo alemão, de modo a dar peso à súplica dos seus homólogos em Londres de que o risco da concorrência alemã não poderia ficar de fora da conta. Lepsius era na verdade um líder evangélico divino, conhecido por seu sucesso com os armênios, que estavam sendo massacrados na Turquia. Quando Leonard Stein analisou os papéis do Berlin Executive após a guerra, o seu nome foi encontrado, e Mr. Lichtheim do Executivo não tinha nenhuma lembrança de qualquer introdução de uma proposta de Lepsius. [146]

Nos EUA, em julho de 1917, uma missão especial consistindo de Henry Morgenthau, o pai, e o sobrinho do juiz Brandeis, Felix Frankfurter, foi encarregada pelo presidente Wilson para ir à Turquia, contra a qual os Estados Unidos não declararam guerra, para sondar a possibilidade das negociações de paz entre a Turquia e os Aliados. Nisso, Wilson pode ter sido particularmente motivado por sua paixão para parar os massacres de cristãos armênios e gregos os quais estavam ocorrendo na Turquia e para quem ele expressou imensa solicitude em muitas ocasiões. Weizmann, no entanto, acompanhado pelo francês sionista M. Weyl, avisado, procedeu a interceptá-los em Gibraltar e convenceu-os a voltar para casa. [147] Durante 1917 e 1918 mais cristãos foram massacrados na Turquia. Tivessem Morgenthau e Frankfurter realizado a sua missão com sucesso, talvez isso tivesse sido evitado.

Este relato aparece no livro de William Yale The Near East: A Modern History. Ele era um agente especial do Departamento de Estado {dos EUA} no Oriente Médio durante a Primeira Guerra Mundial. Quando eu jantei com ele em 12 de maio de 1970, no Hotel Biltmore, em Nova Iorque, eu lhe perguntei se Weizmann lhe dissera como a missão especial tinha sido abortada. Ele respondeu que Weizmann disse que o governador de Gibraltar tinha realizado um banquete especial em sua honra, mas no final todos os funcionários britânicos retiraram-se discretamente, deixando os quatro judeus sozinhos. “Então”, disse Weizmann, “nós consertamos isso.”

{O judeu Chaim Weizmann num encontro onde estava presente o também judeu Edwin Samuel Montagu (1879-1924) Secretário de Estado Britânico para a Índia (1917-1922). Esta foto é de 1917, retratando uma imagem do mesmo ano que Weizmann fizera a missão de Gibraltar, a qual os sionistas, sob a liderança de Weizmann, impediram um acordo de paz entre EUA e Turquia,
visando a derrota da Turquia que impediria o Império Turco de decidir pela rejeição da entrega da Palestina aos interesses do judaísmo internacional. Crédito da foto: Jewish Chronicle.}

Na mesma noite, ele me disse algo que ele nunca disse que tinha contado a ninguém, e que estava em seus papéis secretos que eram somente para ser abertos após sua morte. Ele mais tarde escreveu para mim, depois de ter lido The Palestine Diary, dizendo que ele gostaria que eu lidasse com tais papéis.

Uma das tarefas atribuídas a Yale era seguir a preferência de Wilson por ter conversas privadas com personalidades-chave capazes de influenciar o curso dos acontecimentos. Ele fez isso com Lloyd George, General Allenby e Col. T.E. Lawrence, por exemplo. Yale disse que teve uma conversa com Weizmann “num lugar no Mediterrâneo em 1919”, e perguntei o que poderia acontecer se os britânicos não apoiassem um lar nacional para os judeus na Palestina. Weizmann bateu com o punho na mesa e as xícaras de chá saltaram, “Se não o fizerem,” ele disse, “nós vamos esmagar o Império Britânico como nós esmagamos o Império Russo.”

{Se os britânicos não apoiarem um lar nacional para os judeus na Palestina, disse o judeu Chaim Weizmann (Foto) em 1919 para William Yale, homem de confiança do governo americano de então, “nós vamos esmagar o Império Britânico como nós esmagamos o Império Russo.” Crédito da foto – CIE – Center for Israel Education.}

Brandeis estava em Washington durante o verão de 1917 e conferiu com o secretário de Estado, Robert S. Lansing ao longo do tempo sobre as relações turco-americanas e o tratamento dos judeus na Palestina. [148] Ele ocupou-se, em particular, com rascunhos do que mais tarde tornou-se Declaração de Balfour e o Mandato Britânico da Palestina, e na obtenção da aprovação americana para eles. [149] Um número considerável de projetos foi feito em Londres e transmitidos para os Estados Unidos, por meio de canais do Gabinete de Guerra, para a utilização da American Zionist Political Committee. Alguns foram detalhados, mas o Governo britânico não quis comprometer-se a mais de uma declaração geral de princípios.

Em 18 de julho, tal declaração, aprovada nos Estados Unidos, foi encaminhada por Lord Rothschild para Lord Balfour. Lia-se conforme segue:

“O Governo de Sua Majestade, depois de considerar os intuitos da Organização Sionista, aceita o princípio de reconhecer a Palestina como o Lar Nacional [CC] do povo judeu e do direito do povo judeu em construir a sua vida nacional na Palestina sob um protetorado a ser estabelecido na conclusão de paz após a bem-sucedida questão da guerra.

Governo de Sua Majestade considera como essencial para a realização deste princípio a concessão de autonomia interna à nacionalidade judaica na Palestina, a liberdade de imigração para os judeus, e do estabelecimento de uma corporação judaica de colonização nacional para o reassentamento e desenvolvimento econômico do país.

As condições e formas de autonomia interna e uma carta para a corporação colonizadora nacional judaica deveriam, na visão do governo de Sua Majestade, ser elaboradas em detalhe, e determinadas com os representantes da Organização Sionista.” [150]

Parece possível que Balfour teria emitido esta declaração, mas representativas fortes contra ela foram feitas diretamente ao Conselho de Ministros por Lucien Wolf, Claude Montefiore, Sir Mathew Nathan, Edwin Montagu, o Secretário de Estado da Índia, [DD] e outros judeus não-sionistas. Foi significante que eles acreditavam que “antissemitas são sempre muito simpáticos ao sionismo”, e apesar de que eles aceitavam o estabelecimento de um centro de cultura judaico na Palestina, alguns – como Philip Magnes – temiam que uma declaração política antagonizaria outras seções da população na Palestina, e poderia resultar que os turcos lidassem com os judeus, como eles tinham lidado com os armênios. [154] A oposição judaica era importante demais para ignorar, e a preparação de um novo rascunho foi principiar. Ao redor desta época, Northcliffe e Reading [EE] visitaram Washington e tiveram uma discussão com Brandeis na qual, sem dúvida, discutiram sionismo. [155]

Múltiplas pressões em pontos-chave levaram Lord Robert Cecil telegrafar para Col. E.M. House em 03 de setembro de 1917: “Estamos sendo pressionados aqui para uma declaração de simpatia com o movimento sionista e eu ficaria muito grato se você sentisse que pode averiguar extraoficialmente se o Presidente favorece tal declaração.” [156] House, que havia realizado serviços relativos ao Federal Reserve e legislação de moeda para Jacob W. Schiff e Paul Warburg, [157] e era o conselheiro mais próximo de Wilson, transmitiu a mensagem, mas uma semana depois Cecil ainda estava sem uma resposta.

Em 11 de setembro, o Ministério das Relações Exteriores tinha pronto para expedição a seguinte mensagem para Sir William Wiseman, [FF] chefe do serviço de inteligência militar britânica nos Estados Unidos: “Tem o coronel House sido capaz de determinar se o presidente favorece simpatias com as aspirações sionistas conforme perguntei em meu telegrama de 03 de setembro? Nós ficaríamos muito gratos por uma resposta antes de 17 de setembro que é o Ano Novo judaico, e um anúncio de simpatia em antes ou mesmo na data teria um efeito excelente.” Mas antes de ser enviado, um telegrama do coronel House datado de 11 de setembro alcançou o Ministério das Relações Exteriores.

Wilson tinha sido abordado, conforme solicitado e tinha expressado a opinião de que “o momento não era oportuno para qualquer afirmação definitiva além, talvez, de uma simpatia, desde que possa ser feita sem conceder qualquer compromisso real.” Presumivelmente, uma declaração formal pressuporia a expulsão dos turcos da Palestina, mas os Estados Unidos não estavam em guerra com a Turquia, e uma declaração implicando anexação excluiria uma paz ainda separada e precoce com aquele país. [158]

Em um discurso amplamente divulgado em Cincinnati em 21 de maio de 1916, depois de desistir temporariamente de sua nomeação como embaixador na Turquia, em favor de um colega judeu, Henry Morgenthau tinha anunciado que ele havia sugerido recentemente ao Governo turco que a Turquia deveria vender a Palestina aos sionistas depois a guerra. A proposta, segundo ele, havia sido bem recebida, mas sua publicação causou raiva na Turquia. [159]

Weizmann ficou “muito atônito” nessa notícia, especialmente conforme ele tinha “ligado para Brandeis pedindo-lhe que use a sua influência em nosso favor… Mas até agora não ouvi nada de Brandeis.” [161]

Em 19 de setembro Weizmann telegrafou para Brandeis:

O seguinte texto de declaração foi aprovado pelo Ministério das Relações Exteriores e primeiro-ministro e submetido ao Gabinete de Guerra:

1.O Governo de Sua Majestade aceita o princípio de que a Palestina deve ser reconstituída como o lar nacional do povo judeu.

2. O Governo de Sua Majestade vai usar os seus melhores esforços para assegurar a realização do objeto e vai discutir os métodos e meios necessários com a Organização Sionista. [162]

Weizmann sugeriu que a oposição não-sionista deveria ser prevenida, e nisso iria “ajudar grandemente se o presidente Wilson e você mesmo apoiar o texto. Assunto mais urgente.” [163] Junto com essa ele enviou mensagens para dois líderes sionistas em Nova Iorque, pedindo-lhes para “ver Brandeis e Frankfurter afim de discutir imediatamente os meus últimos dois telegramas com eles,” adicionando que pode ser necessário que ele mesmo venha para os Estados Unidos. [164]

Brandeis viu House em 23 de setembro e rascunhou uma mensagem, enviada no dia seguinte através do Gabinete de Guerra britânico. Ela aconselhava que o apoio presidencial seria facilitado se os franceses e os italianos inquirissem, perguntado sobre a atitude da Casa Branca, mas ele seguiu isto no mesmo dia com outro cabograma declarando que a partir de conversas anteriores com o presidente e, na opinião de seus conselheiros mais próximos, ele poderia dizer com segurança que Wilson estaria em completa simpatia. [165]

Assim, Brandeis tinha ou persuadido Wilson que não havia nada no rascunho da declaração (Rothschild), de 19 de setembro, o qual poderia ser interpretado como “trazendo o conteúdo de qualquer comprometimento real”, o que é difícil de acreditar, ou ele tinha induzido o presidente a mudar de ideia sobre o tipo de declaração que pudesse aprovar ou estava certo que ele e House poderiam assim fazer. [166]

{Um jornal da época destaca a liderança de Brandeis no movimento sionista, quando na ocasião fora nomeado pelo presidente Woodrow Wilson para a Suprema Corte. Brandeis influía nesse então decisivamente no presidente dos EUA.}

Em 7 de fevereiro de 1917, Stephen Wise tinha escrito para Brandeis: “Eu enviei o memorando para o coronel House cobrindo a nossa pergunta, e ele escreve: ‘Espero que o sonho que você tem possa logo tornar-se uma realidade.’” [167] Em outubro, depois de ter visto House juntamente com Wise, De Haas reportou para Brandeis: “Ele nos tem dito que ele estava tão interessado no nosso sucesso quanto nós mesmos”. Para Wilson, House declarou que “Os judeus de todas as tribos desceram com força, e eles parecem determinados a arrombar com um pé-de cabra, se eles não forem deixados entrar”. [168] Um novo rascunho de declaração tinha sido preparado. Wilson teve de apoiá-lo.

{Brandeis e House em representações associando suas influências sobre o presidente americano Woodrow Wilson. A esquerda um cartoom de 12 de maio de 1916 no The American Hebreu, a montagem da direita procede do The Rock Island Argus, vol. 64, número 215, 28 de junho de 1915.}

Em 9 de outubro de 1917, Weizmann telegrafou novamente para Brandeis de Londres sobre as dificuldades com os “assimilantes” da Oposição: “Eles tinham encontrado um excelente campeão… no Sr. Edwin Montagu, que é um membro do Governo {britânico} e certamente fez uso de sua posição para injuriar a causa sionista.” [169]

Weizmann também telegrafou para Brandeis uma nova fórmula (Milner-Amery). O mesmo esboço foi cabografado por Balfour para House em Washington em 14 de outubro:

“O Governo de Sua Majestade vê com favor o estabelecimento na Palestina de um lar nacional para a raça judaica e vai usar seus melhores esforços para facilitar a realização desse objetivo; sendo claramente entendido que nada será feito que possa prejudicar os direitos civis e religiosos das comunidades não-judias existentes na Palestina ou os direitos e estatuto político desfrutado em qualquer outro país por tais judeus que estão plenamente satisfeitos com a sua nacionalidade e cidadania existente.” [170]

Isso foi reforçado por um telegrama da Embaixada dos EUA em Londres direto para o Presidente Wilson (não passando pelo Departamento de Estado), afirmando que a “questão de uma mensagem de simpatia com o movimento (sionista)” estava sendo reconsiderada pelo Conselho de Ministros britânico “em vista dos relatórios que (o) Governo alemão está fazendo grandes esforços para capturar (o) movimento sionista.” [171]

Brandeis e seus associados acharam o rascunho insatisfatório em duas particularidades. Eles não desgostaram da parte da segunda cláusula do rascunho sobre a salvaguarda, a qual dizia: “por esses judeus que estão plenamente contentes com a sua nacionalidade e cidadania existentes,” e substituíram “os direitos e estatuto político civil, usufruídos pelos judeus em qualquer país”. Em adição, Brandeis, aparentemente, propôs a mudança de “raça judaica” para “povo judeu.” [172]

Jacob de Haas, o então Secretário Executivo do Comitê Sionista Provisório, tinha escrito que a pressão para emitir a declaração estava vindo dos líderes sionistas ingleses: “eles, aparentemente, necessitaram-na para estabilizar a sua posição contra o antissionismo local. Se os sionistas americanos estavam ansiosos sobre isso, Washington agiria”. De Haas continua:

“Então, numa manhã o Barão Furness {Marmaduke Furness, 1883-1940}, um dos representantes não ostentativos da Inglaterra, trouxe para 44 East-23rd Street, naquele tempo o quartel general da Organização Sionista, o rascunho final pronto para emissão. A linguagem da declaração aceita pelos sionistas ingleses, baseada como foi na teoria de descontentamento era inaceitável para mim. Eu informei o Juiz Brandeis dos meus pontos de vista, chamei o Dr. Schmarya Levin e procedi a mudar o texto. Em seguida, com o Dr. Wise, eu corri até o coronel House. Dessa vez, ele tinha vindo falar do sionismo como ‘nossa causa’. Calmamente ele leu minha mudança de proposta, discutiu os pontos positivos e prometeu ligar para o Presidente Wilson em sua linha privada e instar a mudança. Ele cabografou ao Conselho de Ministros britânico. No dia seguinte, ele me informou que o presidente tinha aprovado. Eu tinha negócios naquele final de semana em Boston e foi por telefone que minha secretária em Nova Iorque leu para mim a forma final como foi repassada por cabograma de Londres. Era o texto conforme eu tinha alterado.” [173]

“Parece claro”, escreveu Stein, “que não foi sem alguma insistência de House que Wilson finalmente autorizou uma resposta favorável ao inquérito britânico”. Sir William Wiseman {da Inteligência Britânica}, “que era persona grata tanto com o presidente como com o House, foi confiado pelo Ministério das Relações Exteriores para lidar com a declaração no lado americano. A lembrança de Sir William é que o coronel House foi influente em trazer o assunto à atenção do presidente e persuadi-lo a aprovar a fórmula”. [174]

Em 16 de Outubro de 1917, depois de uma conferência com House, Wiseman telegrafou para o secretário particular de Balfour: ‘”O coronel House colocou a fórmula perante o Presidente, que a aprova, mas pede que não se mencione essa aprovação quando o Governo de Sua Majestade fizer a fórmula pública, conforme ele tinha arranjado para que os judeus americanos pedissem a ele pela aprovação, a qual ele vai publicamente dar aqui”. [175]

O obscuro Edward M. House (a esquerda, cerca de 1915), conselheiro do presidente dos EUA Woodrow Wilson (centro, em abril de 1917 na  declaração de guerra à Alemanha), e o ministro da Suprema corte, o judeu Louis Dembitz Brandeis (direita). House e Brandeis, sendo a máxima influência sobre o presidente Wilson, não eleitos pelo povo, e relativamente desconhecidos do grande público, canalizavam as ordens do sionismo para a formulação da política dos EUA pró-sionismo, pró-Palestina para local do Estado judaico. Crédito das fotos:  Edward M. House, domínio público, Wikipedia; Woodow Wilson, The Irish Times; Louis Dembitz Brandeis, Encyclopaedia Britannica.}

A Declaração de Balfour, como declarada, foi emitida em 2 de novembro de 1917. Seu texto, aparentemente tão simples, tinha sido preparado por alguns dos mais talentosos homens no ofício de redação legal. Folhetos contendo a sua mensagem foram jogados por ar sobre a Alemanha e a Áustria e no cinturão judaico desde a Polônia até o Mar Báltico.

Sete meses se passaram desde que a América entrou na guerra. Foi um triunfo memorável para o sionismo, e alguns acreditam que, para os judeus.

Por outro lado, dois meses antes da declaração, Sokolow tinha escrito sobre uma acentuada baixa em “le filo-sémitisme d’autrefois {o filo-semitismo do passado}”, atribuída por alguns a impressão de que os judeus russos foram a mola mestra do bolchevismo [*k]; e no dia em que foi emitido, The Jewish Chronicle queixou-se de uma “campanha antissemita que uma parte da imprensa neste país, indiferente aos interesses nacionais, está sedutoramente conduzindo” [176]. Só permaneceram certas cortesias para serem efetuadas.

Em novembro 1917, Weizmann escreveu uma carta de agradecimento a Brandeis:

“… Eu dificilmente necessito dizer como nós todos nos alegramos com este grande evento e como todos nós nos sentimos gratos pela a ajuda valiosa e eficiente que você emprestou para a causa na hora crítica… Uma vez mais, caro Sr. Brandeis, eu tomo humildemente a liberdade em apresentar a você as nossas congratulações com o máximo de nosso coração, não só em meu próprio nome, mas também em nome dos nossos amigos aqui – e que esta criação de época seja um início de um grande trabalho para o nosso povo intensamente maturado na dificuldade e também para humanidade.” [177]

Os outros principais governos aliados foram abordados com pedidos de pronunciamentos semelhantes. Os franceses simplesmente apoiaram o Governo britânico em um curto parágrafo em 9 de fevereiro de 1918. O apoio italiano foi contido em uma nota datada de 09 de maio de 1918 ao Sr. Sokolow pelo seu embaixador em Londres, no qual destacou as divisões religiosas das comunidades, agrupando “um centro nacional judeu” com as “comunidades religiosas existentes.”

Em 31 de agosto de 1918, o presidente Wilson escreveu ao rabino Wise “para expressar a satisfação que tenho sentido no progresso do movimento sionista… Desde… a aprovação da Grã-Bretanha do estabelecimento na Palestina de um lar nacional para o povo judeu”. Brandeis juntou-se ao deleite sionista no endosso do presidente e escreveu: “Desde a carta do presidente, o antissionismo está perto de se tornar deslealdade e o não-sionismo está se tornando menos rígido”. [178] Os Judeus não-sionistas agora tinham um tempo difícil se eles quisessem disseminar os seus pontos de vista; se eles não poderiam apoiar o sionismo, foram-lhes pedido, pelo menos, a permanecerem em silêncio.

Em 30 de junho de 1922, a seguinte resolução foi aprovada pelo Congresso dos Estados Unidos:

“Favorecer o estabelecimento na Palestina de um lar nacional para o povo judeu;

Resolvido pelo Senado e pela Câmara dos Representantes dos Estados Unidos da América no congresso reunido. Que os Estados Unidos da América favorecem o estabelecimento na Palestina de um lar nacional para o povo judeu, sendo claramente entendido que nada será feito o qual deva prejudicar os direitos civis e religiosos dos cristãos e todas as outras comunidades não-judaicas na Palestina, e que os lugares santos e edifícios religiosos e sítios na Palestina devem ser protegidos de forma adequada.” [GG]

Todas as pessoas tendem a ver o mundo e seus eventos em termos de suas próprias experiências, ideias e preconceitos. Isso é natural. É um fato usado por políticos mestres e manipuladores da opinião que formam os seus apelos em tal conformidade. O caso da Declaração de Balfour é um exemplo fascinante de um esquema que apresenta uma multiplicidade de imagens de acordo com a faceta da mente na qual ela refletia.

Haviam críticos da Declaração de Balfour, embora entre a cacofonia de muitos eventos competindo pela atenção, poucos, se não seus beneficiários concentraram sobre o significado do que estava sendo oferecido. Um deles foi o líder judeu e estadista Mr. Edwin Montagu, que não tinha nenhum desejo de que os judeus devessem ser considerados uma raça separada e uma nacionalidade distinta. [181] O outro era Lorde Curzon {George Nathaniel Curzon (1859-1925}}, que se tornou ministro das Relações Exteriores, no final de outubro 1918. Ele preparou um memorando datado em 26 de outubro de 1917, no penúltimo e último rascunho da Declaração de Balfour e documentos relacionados, e veiculou-o no Conselho de Ministros. Era intitulado “O Futuro da Palestina”. Aqui estão alguns extratos:

“Não estou preocupado em discutir a questão em disputa entre os judeus sionistas e antissionistas. Só estou preocupado nas questões práticas mais imediatas:

(a) Qual é o significado da frase “um lar nacional para a raça judaica na Palestina”, e qual é a natureza da obrigação que vamos assumir, se aceitarmos isso como um princípio da política britânica?

(b) Se essa política for buscada, quais são as chances de sua realização bem-sucedida?

Se eu procurar a guia da última coleção de papéis circulado (The Zionist Movement, G.-164) eu encontro um desacordo fundamental entre as autoridades citadas lá como para o alcance e natureza dos seus intuitos.

Um ‘lar nacional para o povo ou raça judaica’ pareceria, se as palavras devem sustentar o seu significado comum, implicar um lugar onde os judeus podem ser reunidos como uma nação, e onde irão desfrutar dos privilégios de uma existência nacional independente. Essa é claramente a concepção daqueles que, como Sir Alfred Mond {o judeu sionista Alfred Moritz Mond [*l]}, falam da criação na Palestina de um “Estado judeu autônomo”, palavras as quais parecem contemplar um Estado, ou seja, uma entidade política, composta por judeus, governada por judeus, e administrado principalmente no interesse dos judeus …

A mesma concepção parece estar subjacente à várias outras das frases empregadas nestes documentos, por exemplo, quando nos é dito que a Palestina é para tornar-se “uma casa para a nação judaica”, “um lar nacional para a raça judaica”, “uma Palestina judaica”, e quando lemos sobre “o reassentamento da Palestina como um centro nacional”, e “a restauração da Palestina para o povo judeu”, todas essas frases são variantes da mesma ideia, viz., a recriação da Palestina como foi antes dos dias de dispersão.

Por outro lado, Lorde Rothschild, quando ele fala da Palestina como ‘uma casa onde os judeus poderiam falar a sua própria língua, ter a sua própria educação, sua própria civilização, e instituições religiosas sob a proteção de governos aliados’, parece postular uma forma de existência política muito menos definitiva, uma, de fato, que é bastante compatível com a existência de um governo estrangeiro (contanto que ele não seja turco)…

Agora, no que se refere população, qual é a capacidade da Palestina dentro de qualquer período razoável de tempo? Sob os turcos não existe Palestina tal como um lugar ou país, porque ela está dividida entre o sanjak {nome de uma divisão administrativa do Império Otomano} de Jerusalém e os vilayets {nome de uma outra divisão administrativa do Império Otomano} da Síria e Beirute. Mas deixe-nos assumir, que ao falar da Palestina, no presente contexto, nós queremos dizer a velha escritural Palestina, que se estende desde Dã {seria uma cidade bíblica no extremo norte de Israel, atualmente um kibutz} até Bersebá {centro-sul de Israel}, ou seja, {usando os nomes atuais} a partir de Banias {cerca de 150 km ao norte de Jerusalém e c. 60 km a sudoeste de Damasco} até Beersheba’… uma área de menos de 10.000 milhas quadradas. O que vai se tornar das pessoas deste país, assumindo que os Turcos sejam expulsos, e os habitantes não sejam exterminados pela guerra? Há mais de meio milhão destes árabes sírios – uma comunidade mista com sangue árabe, hebraico, canaanita, grego, egípcio, e possivelmente de sangue dos cruzados. Eles e os seus antepassados ocuparam o país durante a maior parte de 1500 anos. Eles são os donos da terra, que pertencem tanto aos proprietários individuais ou as comunidades das vilas. Eles professam a fé maometana. Eles não vão se contentar ou de serem desapropriados por imigrantes judeus, ou de atuarem apenas como cortadores de lenha e carregadores de água para estes últimos.”

O Sr. Hamilton Fish {o importante congressista americano Hamilton Stuyvesant Fish (1888-1991)} replicou:

“Como autor da primeira resolução sionista padronizada na Resolução Balfour, eu denuncio e repudio as declarações de Ben Gurion como inconciliáveis com a minha resolução tal como adotada pelo Congresso, e se eles representam o Governo de Israel e a opinião pública de lá, então vou negar publicamente o meu apoio à minha própria resolução, já que não quero ser associado a tais doutrinas antiamericanas”. [181]


{Adendos da parte 3}

[X] Nascido na Romênia em 1856, a sua presença imponente e escolaridade, combinada com “uma maneira oracular sugerindo que ele tinha acesso aos mistérios escondidos dos outros, tinham-lhe feito uma figura importante nos Congressos Sionistas e em plataformas sionistas na Inglaterra e no exterior.” Foi calculado que Sykes ficaria impressionado com sua personalidade e conhecimento. [*m] [Y] Estes incluíram o líder socialista, Jules Guesde {1845-1922}, que se juntou Governo Nacional de Viviani {Jean Raphaël Adrien René Viviani (1863-1925)} como Ministro de Estado; Gustave Herve (1871-1944}: o publicitário e o futuro ministro {Anatole} de Monzie {1876-1947}; e outros.

[Z] Privadamente, Sokolow se ressentia de Malcolm como “um estranho no centro do nosso trabalho”, que era “imbuído com um espírito de um tipo gói {de um tipo não judeu}.” [130] [AA] De origem judaica. [131] [*n] [BB] A nota francesa representou uma derrota para o “Partido Sírio” no governo que acreditava em domínio francês sobre toda a área. Isso não foi apenas devido às fortes representações de Sykes, em nome de seu Governo, mas foi assistida por àquelas do Barão Edmond de Rothschild, [132] que prevaleceram sobre a Aliance Israélite a apoiar a causa sionista.

O resultado das conversas não menos bem-sucedidas em Roma e no Vaticano foram conectadas à Organização Sionista através de linhas sob controle britânico. [133] [CC] O uso do termo “National Home” {Lar Nacional} foi uma continuação do eufemismo deliberadamente adotado desde o primeiro Congresso Sionista, quando o termo “Heimstaette” foi usado em vez de qualquer uma das possíveis palavras alemãs significando “Estado”. Naquela época, seu propósito foi para não provocar a hostilidade dos judeus não-sionistas. [151]

O autor ou inventor do termo “Heimstaette” foi Max Nordau que cunhou-o “para enganar pela sua brandura” até que “não haja nenhuma razão para dissimular o nosso objetivo real.” [152]

{O relativamente então popular judeu Max Nordau cunhou
um termo para expressar os anseios do sionismo formulado
“para enganar pela sua brandura” até que “não haja
nenhuma razão para dissimular o nosso objetivo real.”
Foto de domínio público – Wikipedia.}

A tradução árabe de “National Home” {Lar Nacional} ignora a sutileza intencionada, e as palavras utilizadas: Watan, qawm e Sha’b, são muito mais fortes em significado do que uma noção abstrata de governo. [153] [DD] (1879-1924). Seu pai, o primeiro Lord Swaythling, e o pai de Herbert Samuel eram irmãos.

[EE] Rufus Isaacs, um advogado judeu, que tinha rapidamente ascendido sua fama em sua profissão e, então, na política. Este foi um período em que as elevações à nobreza por assistência política e financeira para o partido no poder eram tão numerosos que todo o sistema de nobreza britânica foi enfraquecido. Em 1916, Isaacs era um visconde; em 1917, um conde.

[FF] Entrou na Kuhn, Loeb & Co. em 1921, e foi responsável por sua ligação com os bancos de Londres, e era “encarregado de financiar várias grandes empresas”. [160] [GG] Este foi introduzido pelo Sr. Hamilton Fish. Sua interpretação de sua ação foi esclarecida 38 anos mais tarde, quando os sionistas mundiais realizaram o seu 25º Congresso em Jerusalém. David Ben Gurion, como primeiro-ministro de Israel, em seu discurso na reunião, declarou: “todo judeu religioso tem diariamente violados os preceitos do judaísmo, permanecendo na diáspora”; e, citando a autoridade dos sábios judeus, disse: “Quem mora fora da terra de Israel é considerado como tendo nenhum deus.” Ele acrescentou: “O judaísmo está em perigo de morte por estrangulamento. Nos países livres e prósperos ele enfrenta o beijo da morte, um declínio lento e imperceptível para o abismo da assimilação.” [179]

Fonte: Journal of Historical Review, Inverno 1985-6 (Volume. 6, Nº 4), páginas 389-450, 498. Este trabalho foi apresentado pela primeira vez pelo autor na V Conferência do IHR, de 1983. Ele também foi a base para o livreto, Behind the Balfour Declaration: The Hidden Origin of Today’s Mideast Crisis, publicado pelo Institute for Historical Review em 1988. Disponível em http://www.ihr.org/jhr/v06/v06p389_John.html

Tradução e palavras entre chaves por Mykel Alexander via World Traditional Front


Notas

[113] Nota de Robert John: Antonius, The Arab Awakening, página 263.

[114] Nota de Robert John: Taylor. Alan, Prelude to Israel (New York: Philosophical Library, 1959), página 19.

[115] Nota de Robert John: The ESCO Foundation, Palestine: A Study of Jewish, Arab and British Policies, Vol. I, páginas 92-93

[117] Nota de Robert John: The ESCO Foundation, Palestine: A Study of Jewish, Arab and British Policies, Vol. I, página 94.

[118] Nota de Robert John: Taylor. Alan, Prelude to Israel, página 20.

[118 a] Nota de Robert John: {Leonard} Stein, página 509 citando os registros de Brandeis.

[*g] Nota de Mykel Alexander: Sobre a participação judaica na chamada “Revolução” Russa ver:

– The Jewish Role in the Bolshevik Revolution and Russia’s Early Soviet Regime – Assessing the Grim Legacy of Soviet Communism, por Mark Weber, The Journal of Historical Review, janeiro-fevereiro de 1994 (Vol. 14, Nº 1), páginas 4-22. http://www.ihr.org/jhr/v14/v14n1p-4_Weber.html

Em português como:

– A liderança judaica na Revolução Bolchevique e o início do Regime soviético – Avaliando o sinistro legado do comunismo soviético. O Sentinela (publicação programada para 2020). Tradução por Mykel Alexander.

[119] Nota de Robert John: New York Times, 24 de março de 1917.

[120] Nota de Robert John: United States: State Department Document 861.00/288, 19 de março de 1917.

[*h] Nota de Mykel Alexander:

– Naomi W. Cohen, Jacob H. Schiff – A Study in American Jewish Leadership, Brandeis University Press, Hanover (EUA), 1999. Sobre a declaração de Jacob H. Schiff ver página 208.

[*i] Nota de Mykel Alexander: Sobre as aproximações do judeu Jacob H. Schiff e de financistas de Wall Street com a chamada “Revolução” Russa ou, em outras palavras, Revolução Bolchevique ver:

– Wall Street & the March 1917 Russian Revolution, por Kerry Bolton, Ab Aeterno: Journal of the Academy of Social and Political Research, nº 2, março de 2010. http://www.counter-currents.com/2013/10/wall-street-and-the-march-1917-russian-revolution/

Em português:

– Wall Street & a Revolução Russa de março de 1917, por Kerry Bolton, , O Sentinela. Disponível em https://www.osentinela.org/kerry-raymound-bolton/kerry-bolton-wall-street-e-a-revolucao-bolchevique-de-novembro-de-1917-primeira-parte/

– Wall Street & the November 1917 Bolshevik Revolution, por Kerry Bolton, Ab Aeterno: Journal of the Academy of Social and Political Research, nº 2, outono de 2010. http://www.counter-currents.com/2013/10/wall-street-and-the-november-1917-bolshevik-revolution/

Em português:

– Wall Street e a Revolução Bolchevique de Novembro de 1917, por Kerry Bolton, , World Traditional Front. Tradução por Mykel Alexander. Disponível em https://www.osentinela.org/kerry-raymound-bolton/kerry-bolton-wall-street-e-a-revolucao-bolchevique-de-novembro-de-1917-segunda-parte/

Sobre as aproximações do judeu e banqueiro Alexander Lvovich Parvus com a chamada “Revolução” Russa ou, em outras palavras, Revolução Bolchevique ver:

– Z.A.B. Zeman and W.B. Scharlau, The Merchant of Revolution: The Life of Alexander Israel Helphand (Parvus), 1867-1924. London: Oxford University Press, 1965. Especialmente o capítulo: Revolution in Russia. As passagens abaixo, por exemplo, são bem significativas:

“Em Estocolmo, ele passou a maior parte do tempo com os membros da Missão Estrangeira Bolchevique {Karl Radek e Jakob Fürstenberg eram judeus e apenas V. V. Vorovski possuía antecedentes poloneses}: de fato, parecia que ele próprio era um deles.” (página 219).

“Fora as atividades de propaganda e inteligência, essa equipe bolchevique toda polonesa {Karl Radek e Jakob Fürstenberg eram judeus, e apenas V. V. Vorovski, possuía antecedentes poloneses}, cuidadosamente selecionada, servia outra função. Foi usada para o propósito de canalizar dinheiro para os cofres do partido bolchevique na Rússia. {O banqueiro judeu} Helphand era a principal – se não a única – fonte dessa munificência; se os bolcheviques pensavam que Helphand ainda lhes devia dinheiro com os royalties de Gorki, agora estava sendo pago a eles, e da maneira mais generosa.” (página 220).

– How Germany got the Russian Revolution off the ground, por Volker Wagener, 07 de novembro de 2017, Deutsche Welle. https://www.dw.com/en/how-germany-got-the-russian-revolution-off-the-ground/a-41195312

[120 a] Nota de Robert John: {Leonard} Stein, página 332, nota de rodapé.

[*j] Nota de Mykel Alexander: Como complemento em relação às atividades de Mark Sykes e François Picot ajudando o projeto sionista em detrimento dos árabes ver:

– Roots of Present World Conflict Zionist Machinations and Western Duplicity during World War I, por Kerry R. Bolton, The Incovenient History, vol. 6, nº 3, 2014 (na internet em 29 de Agosto de 2014).
https://www.inconvenienthistory.com/6/3/3330

– Raízes do Conflito Mundial Atual – Estratégias sionistas e a duplicidade Ocidental durante a Primeira Guerra Mundial, por Kerry Bolton, 02 de dezembro de 2018, O Sentinela. Tradução de Mykel Alexander. Disponível em https://www.osentinela.org/kerry-raymound-bolton/raizes-do-conflito-mundial-atual-estrategias-sionistas-e-a-duplicidade-ocidental-durante-a-primeira-guerra-mundial/

[121] Nota de Robert John: {Mark} Sykes, Two Studies in Virtue, página 196.

[122] Nota de Robert John: {Joseph Mary Nagle} Jeffries, Palestine: The Reality, página 140. {Leonard} Stein, The Balfour Declaration, página 396, nota de rodapé 10.

[123] Nota de Robert John: {Leonard} Stein, The Balfour Declaration, páginas 396-397.

[124] Nota de Robert John: {Leonard} Stein, The Balfour Declaration, página 394, nota de rodapé 3.

[125] Nota de Robert John: Carta de Sokolow a Weizmann, citada em {Leonard Stein,} The Balfour Declaration, página 400, nota de rodapé 27.

[126] Nota de Robert John: {Leonard} Stein, The Balfour Declaration, página 400, nota de rodapé 29.

[127] Nota de Robert John: Landman, S., em World Jewry, Balfour Declaration: Scent Facts Revealed (London: Independent Weekly Journal 1935), 1 de março de 1935.

[128] Nota de Robert John: Les Origines de la Déclaration Balfour, Question d’Israel (Paris, 1939), Vol. 17, página 680 (Tradução).

[129] Nota de Robert John: Ibid., Les Origines de la Déclaration Balfour, Question d’Israel (Paris, 1939), Vol. 17, página 680 (Tradução).

[134] Nota de Robert John: {Alphoos T.M.} Mason, Brandeis, A Free Man’s Life, página 452.

[135] Nota de Robert John: Dugdale, Blanche E.C., Arthur James Balfour (London, Hutchinson, 1936), Vol, II. página 231.

[136] Nota de Robert John: {Alphoos T.M.} Mason, Brandeis, A Free Man’s Life, páginas 452-453.

[137] Nota de Robert John: The Times (Londres), 24 de maio de 1917.

[138] Nota de Robert John: The Times (Londres), 28 de maio de 1917.

[139] Nota de Robert John: {Joseph Mary Nagle} Jeffries, Palestine: The Reality, página 148.

[140] Nota de Robert John: Ibid. {Joseph Mary Nagle Jeffries, Palestine: The Reality,}, página 149.

[141] Nota de Robert John: Ibid. {Joseph Mary Nagle Jeffries, Palestine: The Reality,}, página 153.

[142] Nota de Robert John: {Chaim} Weizmann, Trial and Error, página 179.

[143] Nota de Robert John: {Leonard} Stein, página 462.

[144] Nota de Robert John: Ibid., {Leonard Stein, página 462.}

[145] Nota de Robert John: Ibid., {Leonard Stein, página 462.}

[146] Nota de Robert John: Ibid., {Leonard Stein,} páginas 463-64.

[147] Nota de Robert John: {William} Yale, The Near East: A Modern History, página 241. Também artigo de William Yale em World Politics (New Haven: April 1949), Vol. I, Nº 3, páginas 308-320 em ‘Ambassador Morgenthau’s Special Mission of 1917’; {Leonard} Stein, The Balfour Declaration, páginas 352-360.

[148] Nota de Robert John: {Alpheus Thomas} Mason, Brandeis, A Free Man’s Life, página 453.

[149] Nota de Robert John: Ibid. {Alpheus Thoma Mason, Brandeis, A Free Man’s Life}, página 453.

[150] Nota de Robert John: {Joseph Mary Nagle} Jeffries, Palestine: The Reality, páginas 163-164.

[154] Nota de Robert John: {Leonard} Stein, The Balfour Declaration, página 526.

[155] Nota de Robert John: {Alpheus Thomas} Mason, Brandeis, A Free Man’s Life, página 673.

[156] Nota de Robert John: {Leonard} Stein, The Balfour Declaration, página 504, nota de rodapé 5.

[157] Nota de Robert John: Seymour, Charles (ed. by), The Intimate Papers of Col. House (New York: Houghton Mifflin, 1926), páginas 161, 174.

[158] Nota de Robert John: {Leonard} Stein, The Balfour Declaration, páginas 504-505, nota de rodapé 5, 7.

[159] Nota de Robert John: The Jewish Chronicle, 26 de maio de 1916. Em uma comunicação pessoal, o professor W. Yale observa que o editor do Cairo, Dr. Faris Nimr, disse a ele que Morgenthau conversara com o quedive Abbas Hilmi, em 1914, sobre um papel na promoção da cessão da Palestina ao Egito.

[161] Nota de Robert John: Chaim Weizmann Papers em Stein, The Balfour Declaration, página 506.

[162] Nota de Robert John: {Alpheus Thomas} Mason, Brandeis, A Free Man’s Life, página 453.

[163] Nota de Robert John: Ibid. {Alpheus Thomas Mason, Brandeis, A Free Man’s Life}, página 453. {Leonard} Stein, The Balfour Declaration, página 506.

[164] Nota de Robert John: Brandeis para de Haas e Lewin-Epstein. 20 de setembro de 1917, Brandeis Papers, em {Leonardo} Stein, The Balfour Declaration, página 506.

[165] Nota de Robert John: Ibid. {Brandeis Papers, em Leonardo Stein, The Balfour Declaration, página 506}, Brandeis para House, 24 de setembro de 1917.

[166] Nota de Robert John: {Leonard} Stein, The Balfour Declaration, página 507-508.

[167] Nota de Robert John: The Brandeis Papers em {Leonard} Stein, The Balfour Declaration, página 509.

[168] Nota de Robert John: The Wilson Papers em Stein, The Balfour Declaration, página 509.

[169] Nota de Robert John: {Alphoos T.M.} Mason, Brandeis, A Free Man’s Life, página 453.

[170] Nota de Robert John: {Alphoos T.M.} Mason, Brandeis, A Free Man’s Life, página 453.

[171] Nota de Robert John: Adler. ‘The Palestine Question in the Wilson Era,’ páginas 305-306. Citado em {Leonard} Stein, The Balfour Declaration, página 528.

[172] Nota de Robert John: Ver ‘The Zionist-Israel Juridical claims to constitute “The Jewish people” nationality entity and to confer membership in it: Appraisal in public international law.’ W.T. Mallinson, Jr., George Washington Law Review, Vol. 32, Nº 5, (junho de 1964), páginas 983-1075, particularmente página 1015.

[173] Nota de Robert John: The New Palestine publicada pela Zionist Organization of America, 28 de outubro de 1927, páginas 321, 343.

[174] Nota de Robert John: William Wiseman para Leonard Stein, 7 de novembo de 1952: em {Leonard} Stein, The Balfour Declaration, página 529.

[175] Nota de Robert John: em um despacho datado de 19 de maio de 1919 de Balfour a Curzon, “A correspondência com Sir William Wiseman em outubro de 1917” é mencionada como evidência de endosso da Declaração de Balfour. Document on British Foreign Policy, First Series, vol. IV, Nº 196, nota de rodapé 4, página 281.

[*k] Nota de Mykel Alexander: Sobre a participação judaica na chamada “Revolução” Russa ver:
– The Jewish Role in the Bolshevik Revolution and Russia’s Early Soviet Regime – Assessing the Grim Legacy of Soviet Communism, por Mark Weber, The Journal of Historical Review, janeiro-fevereiro de 1994 (Vol. 14, Nº 1), páginas 4-22. http://www.ihr.org/jhr/v14/v14n1p-4_Weber.html

Em português como:

– A liderança judaica na Revolução Bolchevique e o início do Regime soviético – Avaliando o sinistro legado do comunismo soviético. O Sentinela (publicação programada para 2020). Tradução por Mykel Alexander.

– Wall Street & the March 1917 Russian Revolution, por Kerry Bolton, Ab Aeterno: Journal of the Academy of Social and Political Research, nº 2, março de 2010. http://www.counter-currents.com/2013/10/wall-street-and-the-march-1917-russian-revolution/

Em português:

– Wall Street & a Revolução Russa de março de 1917, por Kerry Bolton, , O Sentinela. Disponível em https://www.osentinela.org/kerry-raymound-bolton/kerry-bolton-wall-street-e-a-revolucao-bolchevique-de-novembro-de-1917-primeira-parte/

– Wall Street & the November 1917 Bolshevik Revolution, por Kerry Bolton, Ab Aeterno: Journal of the Academy of Social and Political Research, nº 2, outono de 2010. http://www.counter-currents.com/2013/10/wall-street-and-the-november-1917-bolshevik-revolution/

Em português:

– Wall Street e a Revolução Bolchevique de Novembro de 1917, por Kerry Bolton, , World Traditional Front. Tradução por Mykel Alexander. Disponível em https://www.osentinela.org/kerry-raymound-bolton/kerry-bolton-wall-street-e-a-revolucao-bolchevique-de-novembro-de-1917-segunda-parte/

[176] Nota de Robert John: {Leonard} Stein, The Balfour Declaration, páginas 561-562.

[177] Nota de Robert John: {Alphoos T.M.} Mason, Brandeis, A Free Man’s Life, página 454.

[178] Nota de Robert John: Ibid., {Alphoos T.M.} Mason, Brandeis, A Free Man’s Life, página 455.

[181] Nota de Robert John: Lloyd George, Memoirs of the Peace Conference, Vol. II, página 732.

[*l] Nota de Mykel Alexander: Ver entrada em:

– Mond, Alfred Moritz (1868-1930) em Dan Cohn-Sherbok, Dictionary of Jewish biografphy, Continuum, Bodmin (GB), 2005.

– MOND (Melchett), em Encyclopaedia Judaica, Volume 14, Thomson/Gale, Farmington Hills, 2007, 2ª edição.

[181] Nota de Robert John: Ibid. {The New York Times}, 14 de janeiro de 1961, 22:5.

[*m] Nota de Mykel Alexander: A influência de Moses Gaster era tanta conforme se pode apreciar na colocação abaixo (marcação em negrito minha), feita ainda em cerca de 1901-1906:

“Gaster está entre os líderes mais ativos do movimento sionista na Inglaterra; e mesmo na Romênia, ele ajudou a estabelecer a primeira colônia judaica na Palestina. Ele foi vice-presidente do primeiro Congresso da Basileia e tem sido uma figura proeminente em cada congresso seguinte.” – Joseph Jacobs e Goodman Lipkind, em Jewish Encyclopedia, volume 5, página 574.

[130] Nota de Robert John: Tradução do russo em Stein, The Balfour Declaration, página 395

[131] Nota de Robert John: {Leonard} Stein, The Balfour Declaration, página 414.

[*n] Nota de Mykel Alexander: Ver entrada: Sonnino, Sidney (1847-1922) em Dan Cohn-Sherbok, Dictionary of Jewish biografphy, Continuum, Bodmin (GB), 2005.

[132] Nota de Robert John: {Mark} Sykes, Two Studies in Virtue, página 211.

[133] Nota de Robert John: {Joseph Mary Nagle} Jeffries, Palestine: The Reality, página 141.

[151] Nota de Robert John: De Haas, Jacob, Theodor Herzl: A Biographical Study (Chicago: University Press, 1927), Vol. I, páginas 194 e seguintes.

[152] Nota de Robert John: Sykes, Two Studies in Virtue: sobre a base do manuscrito de Nordeau, ‘The Prosperity of His Servant.’ página 160, nota de rodapé 1.

[153] Nota de Robert John: Sadaqu Najib, Qadiyet Falastin (Beirut: 1946) páginas 19, 31.

[160] Nota de Robert John: New York Times, Obituary, 18 de junho de 1962.

[179] Nota de Robert John: The New York Times, 8 de janeiro de 1961, 53:6.


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