Por trás da Declaração de Balfour: A penhora britânica da Grande Guerra ao Lord Rothschild (Parte I)

Nos ajude a espalhar a palavra:

Agradecimentos.

Para Benjamin H. Freedman, que se comprometeu ele próprio a encontrar e contar os fatos sobre o sionismo e o comunismo, e encorajou outros a fazerem o mesmo. O filho de um dos fundadores do Comitê Judaico Americano, que por muitos anos foi antissionista, Ben Freedman fundou a Liga pela Paz com Justiça na Palestina {League for Peace with Justice in Palestine} em 1946. Ele me deu cópias de materiais sobre a Declaração de Balfour, as quais eu nunca poderia ter encontrado por mim mesmo e encorajou a minha própria pesquisa. (Ele morreu em abril de 1984.)

O Institute for Historical Review está disponibilizando meios para a melhor compreensão dos eventos do nosso tempo.

As tentativas de rever os registros históricos de forma imparcial, muitas vezes revelam que a culpa, delito, ou desonra não são para serem conectados totalmente a um lado nos conflitos dos últimos cem anos. A busca em separar o fato da propaganda é um estudo digno, pois aumenta a compreensão de como nós chegamos onde estamos e deve ajudar as pessoas a resistirem à exploração pelos interesses poderosos e destrutivos no presente e futuro, expondo o seu trabalho no passado.

Poderia eu recomendar ao Comitê do Prêmio Nobel que, quando a influência de revisão histórica desta organização e busca pela verdade tenha predominado nas sociedades de seus colaboradores – digamos cerca de 5 anos ou menos a partir de agora – que considerem o IHR para o Prêmio Nobel da Paz.

Lamentavelmente, parte da empresa desse prêmio teria dificuldades de suportar!


A Declaração de Balfour pode ser o documento mais extraordinário produzido por qualquer governo na história do mundo. Ela tomou a forma de uma carta do Governo de Sua Majestade Britânica Rei George V, o Governo do maior império que o mundo conheceu, em que – durante um período – o sol nunca se punha; uma carta a um financiador internacional da casa bancária de Rothschild, que tinha sido feito um nobre do reino.

Lionel Walter Rothschild, 2º Barão Rothschild (1868 – 1937) foi um influente e excêntrico banqueiro, político, zoólogo e descendente do ramo britânico da família Rothschild. Como líder sionista de destaque, foi presenteado com a famosa Declaração de Balfour, que prometia um lar nacional judeu na Palestina. Rothschild foi o presidente do Conselho de Deputados dos judeus britânicos de 1925 a 1926. Foto: Getty Images

Arthur Koestler escreveu que, na carta “uma nação prometeu solenemente a uma segunda nação o país de uma terceira.” Mais do que isso, o país ainda fazia parte do Império de uma quarta, nominalmente a Turquia.

Ele dizia:

Ministério das Relações Exteriores, 02 de novembro de 1917 Caro Lord Rothschild, 

Eu tenho muito prazer em transmitir-lhe, em nome do governo de Sua Majestade, a seguinte declaração de simpatia com as aspirações sionistas dos judeus, a qual foi submetida e aprovada pelo Conselho de Ministros: 

“O Governo de Sua Majestade vê favorável o estabelecimento na Palestina de um lar nacional para o povo judeu, e vai usar os seus melhores esforços para facilitar a realização deste objetivo, sendo claramente entendido que nada será feito que possa prejudicar os direitos civis e religiosos das comunidades não-judaicas existentes na Palestina ou os direitos e estatuto político usufruídos por judeus em qualquer outro país.” 

Eu ficaria grato se você levar essa declaração ao conhecimento da Federação Sionista. 

Atenciosamente, 

Arthur James Balfour. [1]

Foi decidido por Lord Allenby que a “Declaração” não fosse então publicada na Palestina, onde suas forças ainda estavam ao sul da linha Gaza-Beersheba. Isto não foi feito até após o estabelecimento da Administração Civil, em 1920.

Então, por que a “Declaração” foi feita um ano antes do final do que foi chamado de “A Grande Guerra”?

“Às pessoas” foram ditas na época que ela foi dada como uma troca de uma dívida de gratidão que supostamente eles deveriam ter ao líder sionista (e primeiro presidente de Israel), Chaim Weizman, um imigrante judeu-russo vindo para a Grã-Bretanha a partir da Alemanha, quem foi dito ter inventado um processo de fermentação de castanhas da Índia resultando em acetona para a produção de altos explosivos para o Ministério das Munições.

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Esta produção da propaganda de castanha da Índia não foi desalojada do conhecimento das massas pelas rajadas de outra história, que foi usada oficialmente entre as Guerras Mundiais.

Por isso, vamos explorar a fundo os registros e enterrar as castanhas para sempre.

Para saber onde explorar devemos ficar fora do evento e olhar algumas partes do fundo histórico relevante. O terreno é extenso e a lama profunda, então tentarei proceder apontando os marcos.

Herzl sobre o “Problema Judaico”

O apoio para um “lar nacional” para os judeus na Palestina do governo do maior império do mundo foi, em parte, o cumprimento dos esforços e esquematizações de Theodor Herzl (1860-1904), descendente de judeus sefarditas (do lado de seu pai rico) que tinha publicado Der Judenstaat (O Estado Judeu), em Viena, em 1896. Ele delineou os fatores os quais, ele acreditava, tinham criado um problema judeu universal, e ofereceu um programa para regulá-lo através do êxodo dos judeus infelizes e indesejados para um território autônomo próprio em um cenário nacional-socialista.

Theodor Herzl
Theodor Herzl (1860-1904), em 2 de janeiro de 1897. Jornalista judeu austro-húngaro que se tornou fundador do moderno Sionismo político. Créditos: Wikimedia Commons

Herzl ofereceu um foco para um movimento sionista fundado em Odessa em 1881, o qual se espalhou rapidamente através das comunidades judaicas da Rússia, e as pequenas ramificações que haviam surgido na Alemanha, Inglaterra e outros lugares. Apesar de “Sião” se referir à uma localização geográfica, ele funcionou como uma concepção utópica nos mitos dos tradicionalistas, modernistas e sionistas igualmente. Era o reverso de tudo rejeitado na situação judaica real de “dispersão”, seja opressão ou assimilação.

Em seu diário, Herzl descreve a apresentação dos rascunhos de suas propostas ao Conselho da Família Rothschild, observando: “Eu trago para os Rothschilds e os grandes judeus a sua missão histórica. Eu vou acolher todos os homens de boa vontade – temos de estar unidos – e esmagar todos aqueles de má.”[2]

Ele leu seu manuscrito “dirigido aos Rothschilds” a um amigo, Meyer-Cohn, que disse:

Até agora, eu tenho acreditado que nós não somos uma nação – mas mais do que uma nação. Eu acreditei que nós temos a missão histórica de sermos os expoentes do universalismo entre as nações e, portanto, éramos mais do que pessoas identificadas com uma terra específica.

Herzl respondeu:

Nada nos impede de ser e permanecer os expoentes de uma humanidade unida, quando tivermos um país próprio. Para cumprir essa missão não temos de permanecer literalmente plantados entre as nações que nos odeiam e nos desprezam. Se, nas nossas circunstâncias presentes, nós quisermos trazer a unidade da humanidade independente das fronteiras nacionais, nós teríamos de combater o ideal de patriotismo. Este último, no entanto, vai provar mais forte do que nós para inúmeros anos que há de vir.” 2a

Nesta era, havia um número de cristãos e grupos messiânicos que procuraram um “retorno” judeu. Um deles foi o capelão protestante na embaixada britânica em Viena, que havia publicado um livro em 1882: The Restoration of the Jews to Palestine According to the Prophets {A Restauração dos Judeus à Palestina Segundo os Profetas}. Através dele, Herzl obteve uma audiência do Grão-Duque de Baden, e enquanto esperavam um convite para ir ao castelo, Herzl disse para o Capelão Hechler, “Quando eu for para Jerusalém eu irei levá-lo comigo.”

O duque deu a sua consideração à proposta de Herzl, e concordou com o pedido de Herzl de que ele poderia se referir a ele em suas reuniões fora de Baden. Herzl então usou isso para abrir seu caminho para níveis mais elevados do poder.

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Através de intermediários, ele se esforçou para congraçar-se com o Sultão da Turquia por atividades designadas a reduzir a agitação por comitês armênios emigrados em Londres e Bruxelas para reformas turcas e cessação de opressão [A] e iniciou uma campanha de imprensa para acalmar a opinião pública em Londres na questão armênia. Mas quando ofereceu dinheiro para a Palestina, o sultão respondeu que o seu povo havia ganhado o seu império com sangue, e o possuiu. “Os judeus podem gastar seus milhões. Quando meu Império for dividido, talvez eles vão ficar com a Palestina por nada. Mas só o nosso cadáver pode ser dividido. Eu nunca vou concordar com a vivissecção.”

Herzl encontrou o Núncio Papal em Viena, e prometeu a exclusão de Jerusalém, Belém e Nazaré do Estado judaico. Ele começou um jornal sionista, Die Welt, e ficou encantado ao ouvir dos Estados Unidos que um grupo de rabinos encabeçados pelo Dr. Gustave Gottheil apoiava um movimento sionista. Tudo isso, e muito mais, em uns poucos meses.

Foi Herzl que criou o primeiro Congresso Sionista na Basileia, Suíça, em 29-31 de agosto de 1897 [B]. Havia 197 “delegados”; alguns eram ortodoxos, alguns nacionalistas, liberais, ateístas, culturalistas, anarquistas, socialistas e alguns capitalistas.

“Nós Queremos lançar a pedra fundamental da casa a qual vai abrigar a nação judaica,” e o “sionismo busca obter para o povo judeu uma pátria reconhecida publicamente e legalmente assegurada na Palestina.” Declarou Herzl. E o ditado anti-assimilacionista que o “Sionismo é um retorno ao redil judaico antes mesmo que seja um retorno à terra judaica,” foi uma expressão de sua própria experiência, a qual foi estendida para a plataforma oficial do Sionismo como o intuito de “fortalecer o sentimento nacional judaico e consciência nacional.” [3]

Outra figura proeminente conducente que se dirigiu ao Congresso foi Max Nordau, um médico judeu húngaro e autor, que apresentou uma polêmica contra judeus assimilados. “Pela primeira vez, o problema judaico foi apresentado com força perante um fórum europeu”, escreveu Weizmann. Mas os judeus russos pensaram que Herzl estava os apadrinhando como Asquenazes. Eles acharam que a sua “dignidade ocidental não se coaduna com o nosso realismo russo-judaico, e sem querer, poderíamos não ajudar, irritando eles.” [4]

Como um resultado do Congresso, no “Protocolo Básico,” pedra angular do movimento sionista mundial, foi adotado o seguinte:

Sionismo se esforça arduamente para criar para o povo judeu um lar na Palestina assegurado pelo direito público. O Congresso contempla os seguintes meios para a atendimento deste fim:

1. A promoção de linhas adequadas da colonização da Palestina por parte dos trabalhadores agrícolas e industriais judeus.

2. A organização e agregação obrigatória de toda a comunidade judaica por meio de instituições adequadas, locais e internacionais, em acordo com as leis de cada país.

3. O fortalecimento e o favorecimento da consciência e do sentimento nacional judaico.

4. Passos preparatórios frente a obtenção de consentimento do Governo onde necessário para a realização do objetivo do sionismo. [5]

Os britânicos da Associação Chovevei-Zion declinaram um convite para serem representados no Congresso, e o Comitê Executivo da Associação dos rabinos na Alemanha protestaram que:

1. Os esforços dos então chamados sionistas para fundar um Estado nacional judeu na Palestina contradizem a promessa messiânica do judaísmo como contida na Sagrada Escritura e nas fontes religiosas posteriores.

2. O Judaísmo obriga seus adeptos para servirem com toda a devoção à Pátria a que pertencem, e para promover os seus interesses nacionais de todo o coração e com toda a força deles.

3. Contudo, aqueles nobres intuitos dirigidos frente a colonização da Palestina por camponeses e agricultores judeus não estão em contradição a estas obrigações, porque eles não têm nenhuma relação quaisquer que sejam com a fundação de um Estado nacional. [6]

Em conversação com um delegado no Primeiro Congresso, Litman Rosenthal, Herzl disse:

Pode ser que a Turquia recusará ou será incapaz de nos compreender. Isso não vai nos desencorajar. Nós buscaremos outros meios para realizar o nosso fim. A questão Oriente é agora a questão do dia. Mais cedo ou mais tarde ela vai trazer um conflito entre as nações. A guerra europeia é iminente. A grande Guerra Europeia deve vir. Com o meu relógio na mão eu aguardo este momento terrível. Depois que a grande guerra europeia ter terminada a Conferência de Paz vai se reunir como um todo. Nós devemos estar prontos para a época. Vamos seguramente ser chamados para esta grande conferência das nações e devemos provar-lhes a importância urgente de uma solução sionista para a Questão Judaica. Temos de provar-lhes que o problema do Oriente e Palestina tem a ver com o problema dos judeus – ambos devem ser resolvidos em conjunto. Nós devemos provar a eles que o problema judaico é um problema mundial e que um problema do mundo deve ser resolvido pelo mundo. E a solução deve ser o retorno da Palestina para o povo judeu. [American Jewish News, 07 de março de 1919].

Uns poucos meses mais tarde, em uma mensagem à uma conferência judaica em Londres, Herzl escreveu “o primeiro momento em que vislumbrei o Movimento os meus olhos foram direcionados para a Inglaterra porque eu vi que, em virtude da situação geral das coisas existia o ponto de Arquimedes, onde a alavanca poderia ser aplicada.” Herzl mostrou seu desejo por algum ponto de apoio na Inglaterra, e também, talvez, seu respeito por Londres como centro financeiro do mundo, por causa do Jewish Colonial Trust, que era para ser o principal instrumento financeiro de seu Movimento, a ser incorporado em 1899 como uma companhia inglesa.

Herzl era infatigável. Ele ofereceu ao sultão da Turquia ajuda para reorganizar os seus assuntos financeiros em troca de assistência no assentamento judaico na Palestina. [7] Para o Kaiser, que visitou a Palestina em 1888 e novamente em 1898, [C] ele prometeu apoio para promover os interesses alemães no Oriente Próximo; uma oferta semelhante foi feito para o rei Eduardo VII da Inglaterra; e ele, pessoalmente, prometeu ao Papa respeitar os lugares santos da cristandade em troca de apoio do Vaticano. [D]. Mas somente a partir do Czar ele recebeu, por intermédio do Ministro do Interior, uma promessa de “assistência moral e material em relação as medidas tomadas pelo movimento, que levariam a uma diminuição da população judaica na Rússia.” [8]

Ele reportou seu trabalho para o Sexto Congresso Sionista na Basileia em 23 de agosto de 1903, mas declarou: “Sião não é e nunca pode ser. É meramente um expediente para propósitos de colonização, mas, fica bem entendido, um expediente fundado em uma base nacional e política.” [9]

Quando pressionado para a colonização judaica na Palestina, a Sublime Porta Turca {autoridade turca} ofereceu uma carta para qualquer outro território turco [com aceitação por parte dos colonos de cidadania otomana] a qual Herzl recusou. [11] O establishment {o conjunto das principais forças influentes na Grã-Bretanha} britânico, consciente das atividades de Herzl através de sua aparência perante a Comissão Real sobre a Imigração de Estrangeiros, [E] e poderosos órgãos de imprensa, tal como o Daily Chronicle e Pall Mall Gazette, os quais exigiam uma conferência das potências para considerar o programa sionista [12], caracteristicamente de alguma maneira, tinham mostrado disposição para negociar uma colônia judaica no território egípcio de Alarixe na fronteira turco-egípcio na península do Sinai. Mas o Governo egípcio se opôs a tornar a água do Nilo disponível para irrigação; o Governo da Turquia, através de seu Comissário no Cairo, se opôs; e o agente britânico no Cairo, Lord Cromer, finalmente aconselhou a rejeição do esquema.[13]

Enquanto isso, retornando de uma visita à África Oriental Britânica, na primavera de 1903, o primeiro-ministro Joseph Chamberlain colocou à Herzl a ideia de um assentamento judaico no que estava prestes a se tornar a Colônia de Quênia, mas através de um mal-entendido Herzl acreditava que Uganda era o que estava sendo intencionado, e foi referido como o “esquema de Uganda.” Da parte da conversa sobre a proposta Alarixe, Herzl escreveu em seu diário que ele tinha dito a Chamberlain que, eventualmente, nós ganharemos os nossos objetivos “não a partir da boa vontade, mas a partir do ciúme dos Poderes”. [14] Com o fracasso da proposta Alarixe, Herzl autorizou a preparação do esboço de um esquema de assentamento na África Oriental. Este foi preparado pela firma de advocacia de Lloyd George, Roberts and Company, sob as instruções de Herzl, através de seu intermediário com o governo britânico, Leopold Greenberg. [15]

Herzl instou a aceitação do “esquema de Uganda”, favorecendo-o como um refúgio temporário, mas ele encontrou resistência de todos os lados, e morreu subitamente de parada cardíaca em 3 de julho 1904. A morte de Herzl livrou os sionistas de um “alienígena”, e ele foi substituído por David Wolffsohn (o Litvak [F]). [16]

A “proposta Uganda” dividiu o movimento sionista. Alguns que a favoreciam formaram a Organização Territorial Judaica, sob a liderança de Israel Zangwill (1864-1926). Para estes territorialistas, a renúncia de “Sião” não era sentida como um sacrifício ideológico; ao invés, sustentavam que não deveriam ser as reivindicações místicas para o “arresto histórico”, mas as condições presentes que deveriam determinar a localização de um lar nacional judeu. [17]

Na Turquia, a revolução de 1908, chamada “Young Turk” – (Committee of Union and Progress – {“Jovens Turcos” Comitê de União e Progresso} era ostensivamente um movimento popular oposto à influência estrangeira. Contudo, os judeus e cripto-judeus conhecidos como Dunmeh tinham desempenhado um papel de liderança na revolução. [19]

Os sionistas abriram uma ramificação do Banco Anglo-Palestino na capital turca, e o banco se tornou o quartel general do seu trabalho no Império Otomano. Victor Jacobson [G] foi trazido de Beirute “ostensivamente para representar a Companhia Anglo-Palestina, mas realmente para fazer propaganda sionista entre os judeus turcos”. [20] Seus contatos incluíam ambos os partidos políticos, as discussões com os membros árabes do Parlamento da Síria e da Palestina, e uma abordagem geral aos jovens intelectuais otomanos através de um jornal emitido pelo escritório sionista. [21] Na Turquia, como na Alemanha, os “Seus próprios judeus nativos estavam ressentidos com a tentativa de segregá-los como judeus e se opuseram à invasão do nacionalismo judeu em seus assuntos domésticos”. Apesar de vários jornais em francês “serem subvencionados” pelo escritório sionista principal liderado pelo Dr. Victor Jacobson [22], (o primeiro sionista que aspirou ser não um líder sionista, mas a um diplomata de “carreira”) e, embora ele construiu boas conexões políticas através de contatos sociais, “sempre evitando a agudeza afiada de uma questão direta, e esperando numa paciência à moda oriental para ver a semente insidiosa de propaganda frutificar” [23], ainda sim alguns daqueles engajados no trabalho, notavelmente Vladimir (Zev) Jabotinsky (1880-1940), vieram ao desespero pelo sucesso enquanto o Império Otomano controlasse a Palestina. Eles doravante depositaram as suas esperanças em seu colapso. [24]

No Décimo Congresso Sionista em 1911, David Wolffsohn, que tinha sucedido Herzl, disse em seu discurso presidencial que o que os sionistas queriam não era um estado judeu, mas uma terra pátria [26], enquanto Max Nordau denunciava os “infames depreciadores de imagens”, que alegavam que “os sionistas … queriam rastejar perfurando um caminho para a Turquia com o fim de capturar a Palestina. É nosso dever convencer (os turcos) que … eles não possuem amigos mais generosos e abnegados no mundo do que os Sionistas”. [H] [27]

David Wolffsohn (1856 – 1914). Homem de negócios lituano-judeu, proeminente sionista e segundo presidente da organização sionista (ZO). Créditos: Wikimedia Commons

A simpatia branda que os Jovens Turcos tinham mostrado para o sionismo foi substituída por suspeita conforme uma crescente inquietação nacional ameaçava o Império Otomano, especialmente nos Bálcãs. A política sionista então se deslocou para os árabes, de modo que eles pudessem assim pensar no Sionismo como uma possível força extra a fazer peso contra os turcos. Mas os Sionistas logo observaram que a sua recepção pelos líderes árabes crescia calorosa quando os árabes ficavam desapontados em suas esperanças de ganhar concessões dos turcos, mas resfriavam rapidamente quando estas esperanças eram revividas. Os mais de 60 delegados parlamentares árabes em Constantinopla e a imprensa árabe recém-ativa mantinham “reclamações em rajadas” contra a imigração judaica, a compra de terras e assentamento na Palestina. [28]

“Após de muitos anos de luta, a convicção foi imposta sobre nós de que nós ficamos num beco sem saída, que era impossível para nós vencermos por meios políticos comuns”, disse Weizmann a partir do último Congresso Sionista de pré-guerra. Mas a força da vontade nacional forjou para si duas estradas principais em direção à sua meta – a gradual extensão e fortalecimento de nosso Yishuv (em hebraico: literalmente, “assentamento”, um nome coletivo para os colonos judeus) na Palestina e a difusão da ideia sionista através de toda a extensão e amplitude da judiaria. [29]

Os turcos estavam fazendo todo o possível para manter os judeus fora da Palestina. Mas essa barreira foi superada de forma encoberta, em parte devido à venalidade dos funcionários turcos [30], (como delicadamente colocado em um relatório sionista – “era sempre possível contornar o oficial individualmente com um pouco de artifício”) [32]; e, em parte, à diligência dos cônsules da Rússia na Palestina em proteger os judeus russos e salvando-os da expulsão [33].

Mas se o sionismo fosse bem-sucedido em suas ambições, então o domínio otomano da Palestina deveria acabar. A independência árabe poderia ser evitada pela intervenção da Inglaterra e da França, da Alemanha ou da Rússia. Os judeus orientais odiavam Rússia czarista. Com a entente cordiale em existência, deveria ser a Alemanha ou a Inglaterra, com probabilidades ligeiramente em favor da Grã-Bretanha no potencial apoio do objetivo sionista na Palestina, bem como no poder militar [I]. Por outro lado, o Sionismo estava atraindo alguns judeus alemães e austríacos com interesses financeiros importantes e tinha que levar em conta a forte opinião antissionista judaica na Inglaterra.

Mas antes de que o Sionismo tivesse finalmente considerado que não poderia ter ganho nenhuma consideração especial na Palestina vinda da Turquia, o correspondente do The Times foi capaz de relatar em uma mensagem publicada em 14 de abril de 1911, a partir do órgão sionista Jeune Turc [J], sobre a “hostilidade violenta contra a Inglaterra” e o “o entusiasmo germanófilo dela”, e a propaganda continua entre os judeus turcos por “agentes sionistas alemães.” Quando a linha política se alterou, essa impressão na Inglaterra teve de ser apagada. [34] A preocupação da maioria dos judeus ingleses ricos não diminuiu nem acalmou pelos artigos no Jewish Chronicle, editado por Leopold Greenberg, ressaltando que no programa da Basileia havia “nenhuma palavra de qualquer estado judeu autônomo” [35], e no Die Welt, o órgão oficial do Movimento, o artigo de Nahum Sokolow, o então Secretário-Geral da Organização Sionista, protestava que não havia verdade na alegação de que o sionismo visava o estabelecimento de um Estado judeu independente. [36] Mesmo no 11º Congresso, em 1913, Otto Warburg, falando como presidente do {órgão} Executivo Sionista, deu garantias de lealdade para com a Turquia, acrescentando que na colonização da Palestina e desenvolvimento de seus recursos, os sionistas estariam fazendo uma contribuição valiosa para o progresso do Império Turco. [37]


Fonte: Journal of Historical Review, Inverno 1985-6 (Volume. 6, Nº 4), páginas 389-450, 498.

Este trabalho foi apresentado pela primeira vez pelo autor na V Conferência do IHR, de 1983. Ele também foi a base para o livreto, Behind the Balfour Declaration: The Hidden Origin of Today’s Mideast Crisis, publicado pelo Institute for Historical Review em 1988. Disponível em http://www.ihr.org/jhr/v06/v06p389_John.html

Tradução e palavras entre chaves por Mykel Alexander via World Traditional Front


{Adendos da parte 1}

[A] A carta inserida no diário de Herzl em 15 maio de 1896 afirma que o chefe do movimento armênio em Londres é Avetis Nazarhek, “e ele dirige o jornal Huntchak (O Sino). Ele vai ser contatado.”

[B] Em ambos os lados da porta principal do salão haviam penduradas bandeiras brancas com duas listras azuis, e sobre a porta foi colocado um “Escudo de David” de seis pontas. Foi a invenção de David Wolffsohn, que empregou as cores do manto de oração judaica tradicional. Cinquenta anos depois, os emblemas combinados se tornaram a bandeira do estado sionista. O “Escudo de David” é de origem assíria: anteriormente um motivo decorativo ou emblema mágico. Ele apareceu na bandeira heráldica dos judeus em Praga em 1527.

[C] Na última viagem, ele estava acompanhado de sua imperatriz. Seu iate, o Hohenzollern, colocado em Haifa, e eles foram escoltados para Jerusalém por 2.000 soldados turcos.

[D] O Papa Pio X disse-lhe que a Igreja não poderia apoiar o regresso de “judeus infiéis” à Terra Santa.10

[E] Em 1880, havia cerca de 60.000 judeus na Inglaterra. Entre 1881 e 1905, houve uma imigração de cerca de 100.000 judeus orientais. Embora cortado pela Alliens Bill {Lei de alienígenas} do Governo Balfour, a qual se tornou lei, no verão de 1905, a imigração continuou de modo que em 1914 havia uma população judaica na Inglaterra de cerca de 300.000. Um líder da luta contra o Alliens Bill e contra aumento da rigorosidade do regulamento de naturalização em 1903-1904 foi Winston S. Churchill. [18]

[F] Os judeus orientais que se referiam uns aos outros como “Litvaks” (Lituanos), “Galizianers” (Galegos), “Polaks”, “Húngaros”, e regiões geográficas de sua origem ancestral, por exemplo, “Pinskers”; nunca pelo termo judeu.

[G] (1869 – 1935). Nascido na Crimeia, e criado na atmosfera de assimilação e agitação revolucionária na Rússia, Jacobson tinha organizado clubes e escrito sobre o sionismo em jornais judeus russos. Após a Primeira Guerra Mundial, a era do suborno direto e indireto e do intermediário deu lugar a uma em que os interesses sobre nacionalidades, representado pelos diplomatas-advogados, tinham que ser conseguidos, escreveu Lipsky: “Neste novo mundo em que Jacobson foi lançado, ele trabalhou com a delicadeza e a concentração de um artista … trabalhando persistentemente e com a visão de construir um interesse na causa. Ele teve que vencer pela simpatia, como também pela convicção.” [25]

[H] No Congresso Sionista de 1911, (22 anos antes de Hitler chegar ao poder e, três anos antes da I Guerra Mundial), Nordau disse, “Como se ousam os bajuladores, os tagarelas oficiais inteligentes, abrirem a boca e se orgulharem do progresso … Aqui eles realizaram conferências jubilantes de paz e falam contra a guerra … Mas os mesmos governos justos, que são tão nobres e atuam para estabelecer a paz eterna, estão se preparando, por sua própria confissão, completa aniquilação de seis milhões pessoas,* e não há ninguém, exceto a esses condenados, a levantar a voz em protesto, apesar deste ser um crime pior do que qualquer guerra …” [31]

[I] A despesa anual aproximada para fins militares pelas potências europeias nos primeiros anos do século foram: França – £ 38.400.000; Alemanha – £ 38.000.000; Itália – £ 15.000.000; Rússia – £ 43.000.000; Estados Unidos – £ 38.300.000; Grã-Bretanha – £ 69.000.000 em valores pré-1914 de libras esterlinas.

[J] O gerente de negócios era um judeu alemão, Sam Hochberg. Entre os colaboradores convidados estava o imensamente rico judeu russo Alexander Helphand quem, {apresentado} como “Parvus”, foi depois sugerir aos partidos de esquerda alemães que Lenin e seus companheiros fossem enviados para a Rússia em 1917 para desmoralizar ainda mais os exércitos russos abatidos.


Notas

[1] Nota de Robert John: A Survey of Palestine, 1945-1946, H.M.S.O., vol. I, página 1.

[2] Nota de Robert John: {Marvin} Lowenthal, The Diaries of Theodor Herzl. Página 35.

2a Nota de Robert John: {Marvin} Lowenthal, The Diaries of Theodor Herzl. Página 63.

[3] Nota de Robert John: {Marvin} Lowenthal, The Diaries of Theodor Herzl. Página 215.

[4] Nota de Robert John: {Chain} Weizmann, Trial and Error, páginas 45-46.

[5] Nota de Robert John: Stein, Leonard, Zionism (London: Kegan Paul, Trench, Trubaer and Ca., 1932). Página 62.

[6] Nota de Robert John: Bela, Alex, Theodor Herzl (tradução de. Maurice Samuel). (Philadelphia: Jewish Palestine Society), páginas 304-305; {Ben}Halpern. The Ideal of a Jewish State, página 144.

[7] Nota de Robert John: Ibid. {suponho se referir à Bela, Alex, Theodor Herzl (tradução de. Maurice Samuel). (Philadelphia: Jewish Palestine Society)}. Para detalhes financeiros ver páginas 262-264.

[8] Nota de Robert John: {Marvin} Lowenthal, The Diaries of Theodor Herzl. Página 398.

[9] Nota de Robert John: Lewisohn, Ludwig, Theodor Herzl. (New York: World. 1955). Páginas 335-341.

[10] Nota de Robert John: Bela, Alex. Theodor Herzl, página 490.

[11] Nota de Robert John: Ibid. {suponho se referir à Bela, Alex, Theodor Herzl (tradução de. Maurice Samuel). (Philadelphia: Jewish Palestine Society)}. Páginas 361ff. 378f.

[12] Nota de Robert John: Ziff, William B., The Rape of Palestine. (New York: Longmans & Green, 1938), página 43.

[13] Nota de Robert John: British Foreign Office to Herzl, 19 lane 1903, Zionist Archives, Jerusalém.

[14] Nota de Robert John: Tagebuecher, vol.111, páginas 412-413 (24 de abril de 1903), Berlin 1922.

[15] Nota de Robert John: Stein. Leonard, The Balfour Declaration. (New York: Simon & Schuster, 1916),

[16] Nota de Robert John: Lipsky, Louis, A Gallery of Zionist Profiles (New York: Farrar, Straus & Cudahy, 1956), página 37.

[17] Nota de Robert John: {Ben}Halpern, The Idea of a Jewish State, páginas 154-155.

[18] Nota de Robert John: {Leonard} Stein, The Balfour Declaration, página 78.

[19] Nota de Robert John: Ibid., {Leonard Stein, The Balfour Declaration} página 35.

[20] Nota de Robert John: {Louis} Lipsky, A Gallery of Zionist Profiles, página 94.

[21] Nota de Robert John: Alsberg, F.A., Ha-Sh’ela ha-Aravit, vol. I, Shivat Zion, IV, páginas 161-209. Citado por Halpern em The Idea of a Jewish State, página 267.

[22] Nota de Robert John: {Louis} Lipsky, A Gallery of Zionist Profiles, página 36.

[23] Nota de Robert John: Ibid., {Louis Lipsky, A Gallery of Zionist Profiles} página 98.

[24] Nota de Robert John: {Ben} Halpern, The Idea of a Jewish State, página 267.

[25] Nota de Robert John: {Louis} Lipsky, A Gallery of Zionist Profiles, páginas 95.98.

[26] Nota de Robert John: Protocolos do 10º Congresso Sionista, página 11.

[27] Nota de Robert John: {Louis} Lipsky, A Gallery of Zionist Profiles, página 26.

[28] Nota de Robert John: {Ben} Halpern. The Idea of a Jewish State, página 267.

[29] Nota de Robert John: Relatório do 12º Congresso Sionista (Londres: Escritório Central da Organização. 1922) páginas 13ff.

[30] Nota de Robert John: Bela, A., Return to the Soil. (Jerusalem: Zionist Organization. 1952) página 27.

[31] Nota de Robert John: Hecht, Ben, Perfidy (New York: Julian Messner, Inc., 1961), página 254.

[32] Nota de Robert John: Relatórios enviados pelo Executivo da Organização Sionista ao 12º Congresso Sionista, Londres, 1921, Relatório da Palestina. Página 7.

[33] Nota de Robert John: Hyamson, A.M., The Near East, 31 de outubro 1913 (Londres, 1917), página 68.

[34] Nota de Robert John: Ibid., {Hyamson, A.M., The Near East, 31 de outubro 1913 (Londres, 1917)}, páginas 39-40.

[35] Nota de Robert John: Jewish Chronicle, 16 de outubro de 1908.

[36] Nota de Robert John: Die Welt, 22 de janeiro de 1909.

[37] Nota de Robert John: Protocolos do 11º Congresso Sionista, página 6.

Extra:

[Ex. 1] Nota de Mykel Alexander: Sobre as notícias falsas difundidas pelo judaísmo internacional para criar a estória do alegado holocausto, muito antes do partido de Hitler assumir o poder na Alemanha, ver:

O Primeiro Holocausto – por Germar Rudolf, 20 de janeiro de 2020, O Sentinela.

[Ex. 2] Ver estudo detalhado em Don Heddesheimer, The First Holocaust – Jewish Fund Raising Campaigns With Holocaust Claims During And After World War One, These & Dissertations Press, Chicago, 2ª edição revisada, abril de 2005. Para a 5ª edição atualizada, 2018, acesse gratuitamente em Holocaust Handbooks: https://holocausthandbooks.com/dl/06-tfh.pdf


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