100 anos depois que os EUA se envolveram na Primeira Guerra Mundial. É hora de saber porque

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Muito do que a mídia noticie é provável de ocorrer nesta primavera pelo fato que cem anos atrás os EUA declararam guerra à Alemanha, iniciando pela primeira vez a participação americana num conflito militar em solo europeu. A natureza sem precedentes desta “grande partida” será comentada. Mas é improvável que muitos observadores se aventurarão além do que por muito tempo tenha sido a explicação padrão deste envolvimento. Uma oportunidade para uma clara compreensão da emergência dos EUA como um poder mundial no século XX irá assim ser sentida ausente.

Nos é usualmente dito que o envolvimento do governo dos EUA na Grande Guerra pode ser explicado de modo muito simples. Talvez não surpreendentemente o relato prevalecente se encaixa numa narrativa vastamente aceita e promovida no exterior sobre o papel geral dos EUA no mundo moderno. Os males externos são a raiz da questão, e eles exigem que a “nação indispensável” faça o mundo seguro, livre e democrático. Em 1917, a Alemanha, por seu uso agressivo de submarinos para bloquear a Grã-Bretanha e seus aliados, forçou o EUA a abandonar a neutralidade. Um presidente idealista, Woodrow Wilson, respondeu aos comícios americanos por trás de uma cruzada pretendendo não somente punir Berlim, mas salvar o mundo de ter que suportar a guerra novamente.

Thomas Woodrow Wilson (1856 – 1924) foi o vigésimo oitavo presidente dos Estados Unidos depois de ser presidente da Universidade de Princeton alegou ser um presbiteriano devoto, mas quando serviu como presidente, nomeou o primeiro judeu e o primeiro católico romano para a faculdade e derrubou os presbiterianos do Conselho de Administração. Afirma-se que a influência judaica foi alta durante o governo Wilson e influenciou questões como a criação do Federal Reserve e a entrada americana na Primeira Guerra Mundial. Em particular, o papel de Bernard Baruch foi mencionado (e também se argumenta que também foi muito influente durante a administração de Franklin D. Roosevelt ).

Mas esta explicação é grosseiramente inadequada. Para compreender o que ocorreu, ajuda ter em mente que os líderes americanos tinham vindo, em cerca de 1900, bem antes da guerra irromper na Europa em 1914, a manter decididas visões sobre o futuro do papel da nação deles no mundo. Inspirados especialmente pelo estupendo crescimento econômico que a América estava experimentando, eles acreditavam que a nas décadas que estavam chegando os EUA poderiam ascender a uma posição de importância internacional comparável, se não eclipsando, àquela desempenhada pela Grã-Bretanha no século XIX. Ao mesmo tempo eles acreditavam que a continuação do tipo de ordem internacional que Londres tinha presidido era vital para o sucesso deles. Eles estavam alarmados pela grande intensificação de potências rivais que poderiam ameaçar aquela ordem e estavam especialmente ansiosos sobre as mudanças das fronteiras políticas e estruturas comerciais que prevaleciam através da América Latina e do leste da Ásia. Era acreditado que ambas daquelas vastas regiões subdesenvolvidas veriam a ascensão da influência e do comércio dos EUA. A partir desta preocupação, surgiram as duas marcantes políticas externas da América neste período: a (revitalizada) Doutrina Monroe e a Política da Porta Aberta.

Grandes relações de poder cada vez mais pareciam requerer atenção também. Enquanto a Grã-Bretanha era considerada como uma rival, muitos de suas políticas foram vistas como trabalhando para a vantagem dos EUA. Como um resultado, os dois governos se aproximaram. E Washington também começou trabalhar com Londres para promover mecanismos para a resolução de disputas internacionais, sendo a guerra vista como uma ameaça ao status quo.

O “Big Four” ou “Quatro grandes” líderes mundiais na Conferência de Paz da Primeira Guerra Mundial em Paris, 27 de maio de 1919. Da esquerda para a direita: Primeiro Ministro David Lloyd George, Primeiro Vittorio Orlando, Primeiro Georges Clemenceau e Presidente Woodrow Wilson. 1915. Cortesia: Biblioteca do Congresso dos EUA.

Do começo ao fim, a resposta oficial dos EUA à Grande Guerra foi dominada pelo objetivo de tentar restaurar e então colocar uma mais segura fundação ao tipo de ordem internacional que os fazedores da política americana queriam. Ideologicamente, eles asseguraram eles mesmos que isto seria uma busca no interesse não somente de todos americanos, mas do mundo inteiro. Os mais altruístas e responsáveis estadistas do mundo estavam simplesmente trabalhando para assegurar que o mundo fosse montado na maneira que era suposta ser, (no pensamento racialista deles) com os povos mais adultos e civilizados da humanidade (eles próprios) liderando o resto em direção ao progresso.

O envolvimento americano na Grande Guerra começou, no exato momento em 1914 quando a guerra estourou. A administração de Wilson queria o conflito composto, mas o presidente e seu conselheiro chefe, o coronel. Edward M. House [membro dos bastidores da política com mais poderes que o próprio presidente], a paz não era um fim em si mesmo. Era uma matéria muito importante que a Alemanha não minasse a Grã-Bretanha e que fosse ensinada a ela uma lição. Foi também vital que a resolução assegurasse contra outro tipo de levante. Frente a estes fins, os EUA promoveram eles mesmos como o único mediador adequado do conflito e tentou posicionar-se ele próprio num lugar na mesa da paz. Antes mesmo de a guerra começar a administração tinha já proposto um plano rústico para a estabilização. A peça central do plano envolveu os EUA e grandes potências que chegaram juntas para manter o status quo contra potenciais adversários como a Rússia e o Japão, bem como supervisionar o futuro do que o coronel House chamou de “lugares perdidos” da terra, o mundo subdesenvolvido. Este plano foi, de fato, um dos precursores da Liga das Nações de Wilson.

Quando a guerra começou Wilson declarou que os Estados Unidos seguiriam uma trilha neutra, e era certamente sua preferência ficar fora da luta. Mas no fim seu apego a uma particular visão do papel da América no mundo do século vinte importava mais que a paz. Seja lá o que ele disse em público, ele repetidamente inclinou-se frente a Grã-Bretanha e seus aliados, não somente por causa que ele não queria que eles perdessem, mas também porque ele queria fazer garantido que os EUA teria um papel de liderança (junto com a Grã-Bretanha) no arranjo do mundo do pós-guerra. Assim, ele concordou com as medidas marítimas indiscriminadas da Grã-Bretanha, as quais envolviam o uso de sua marinha e minas para destruir todo o comércio da Alemanha. E House secretamente ofereceu-se para coordenar seus esforços de paz com Londres. As mesmas considerações foram chave para muito da postura diferente que Wilson assumiu frente ao uso da Alemanha de submarinos. O presidente ameaçou a guerra a não ser que Berlim aderisse a suas visões sobre como se poderia portar em alto mar.

Wilson continuou tentando conseguir os dois lados a aceitarem sua visão de uma resolução adequada. Mas ambos continuaram não cooperativos. Sua esperança da América tornar-se um poder mundial sem participação na luta da Grande Guerra até aqui na verdade foi feita refém da questão de por quanto tempo Berlim concordaria em respeitar as linhas vermelhas de Wilson. Esta questão seria respondida em 1917, apenas meses após ele ter sido reeleito como presidente por trás do slogan “Ele nos manteve fora da guerra.”

Fonte: History News Network

Publicado originalmente em 04 fev. 2017.

Tradução e observações por Mykel Alexander via World Traditional Front

Robert E Hannigan
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