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No contexto global desta primeira metade do século XXI, haveria duas exigências, diria, “práticas” a se fazer ao Islam para que ele conseguisse, se quisesse, “dominar o Ocidente” no sentido de pouco a pouco alcançar maioria das populações nacionais europeias. Não acho que o Islam ou qualquer religião deva se curvar a elas. E sei que os muçulmanos verdadeiros jamais irão fazê-lo ou apoiá-lo.

A primeira é se tornar “humanista” e “liberal”, recortando o Alcorão ou empobrecendo sua hermenêutica para fazê-lo se ajustar ao paladar do proto-ateu e das militâncias progressistas. Neste caso, é o “Islam” que se ocidentaliza, não o Ocidente que se islamiza. É o que testemunhamos quando assistimos a divulgadores do Islam, na melhor das intenções (e “o inferno está cheio de boas intenções”, como diz o adágio europeu), tentando demonstrar não apenas a influência, mas a confluência entre o trabalho de antigos cientistas islâmicos e certas teorias da ciência moderna, o que significa pressupor uma “continuidade” entre a ciência daquele contexto (estruturada em irremovíveis pressupostos teológicos/sagrados) e a ciência profana, desenvolvida após a ocidental “Morte de Deus” — tal gesto abre na mente ocidental uma momentânea susceptibilidade à “Religião” (àquilo que está se apresentando como tal), que pode ser, e geralmente é, aproveitada, ou acrescenta-lhe capital na economia geral das ideias; ou, outro exemplo, quando assistimos a algo como a militância auto-intitulada “Feminismo Islâmico”, essa aberração anacrônica e moderno-cêntrica. O leitor pode pensar em outros exemplos.

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A segunda é o contrário (aparente) da ocidentalização: um “fundamentalismo”, uma hermenêutica rasa que visa estimular pontos emotivos ou irracionais e despertar agressividade, muito adequado ao paladar do europeu “que não aguenta mais a decadência moderna” (sim, por incrível que pareça, muitos conservadores acabam se convertendo a este tipo de “Islam”). Este é o “Islam” dos wahabitas, do Daesh; por sua carga anti-xiita, é inclusive bastante instrumentalizado pelos governos sionistas, que ao menos pontual e intermitentemente interferem, auxiliando-o, em seu cultivo.

Há um tipo de jovem no Ocidente que busca nas religiões apenas um meio de “sublimar” seu ódio. Alguns deles viram zé-cruzadinhas, outros zé-vediquinhos, alguns zé-talibinhos. Este tipo de seita “fundamentalista” é coisa moderna, não tradicional. Equivale ao que no Ocidente seriam as seitas protestantes. Também elas apelam a uma “simplificação” hermenêutica e pragmática da doutrina.

Ou seja, é improvável que o Islam, o Islam tradicional, “conquiste o Ocidente” no sentido em que vemos alardear os cruzadinhas, pois este preço não será pago pelos muçulmanos tradicionais, embora possa sê-lo por lideranças ocidentalizadas, engajadas com o público-alvo progressista ou anti-progressista. É mais provável que cresça, ainda assim até limitado ponto, um pseudo-Islam “ocidentalizado” e, em menor grau ainda, um pseudo-Islam “fundamentalista”. O inimigo do “tradicionalista ocidental” não é o Islam, e sim a Modernidade, máquina que não poupou nenhuma religião que caiu em seu raio de atuação, e que gerou também do Islam, para si, para seu uso, convenientes simulacros.


Fonte: Medium – Carlos Alberto Sanches


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By Carlos Alberto Sanches

Sociólogo de formação; Pesquisador de Antropologia, Metapolítica, Metafísica Tradicional e Tradição Perene

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