Lutar Diante do Fracasso

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Por que seguir lutando diante do aparente fracasso? “Lutamos e perdemos ou lutamos mesmo que percamos? Andante, não há caminho, se caminha ao andar”.

Quando se analisa a realidade, não restam dúvidas sobre a impossibilidade atual de uma mudança realmente importante na sociedade. Os motivos são muitos e eficazes:

• Estabilidade do sistema econômico capitalista, ainda que baseado em uma enorme dívida e uma brutal acumulação de meios em mãos do sistema financeiro, que, como desfecho, mesmo ao apropriar-se de meios, tiram das mãos da população suficientes as bases para evitar uma revolta real na base econômica, de modo que a dívida não é “sentida” pelo povo, ainda que isso lhe afete significativamente;

• Domínio total da imprensa, televisão e meios de massa, transformados em gigantescas empresas econômicas integradas no poder do dinheiro. Não há forma de chegar às pessoas, pois se fecharam todas as possibilidades “baratas” de propaganda, deixando a capacidade de difusão pública somente às grandes empresas;

• Degradação da mentalidade do povo, depois de 50 anos de propaganda massiva, que infiltrou profundamente a decadência global, da arte à ética, da educação à família, do sexo ao egoísmo. Em suma, tudo transborda decadência e falta de estilo;

• Uma repressão legal e social estrita quando algo atenta ao sistema em temas que considera essenciais de defender. Repressão legal sobre temas raciais, repressão social-econômica contra tudo o que se manifeste anti-sistema, inclusive legalmente;

• Uma invasão de imigração que rompe a unidade popular e dificulta enormemente toda oposição “nacional”, ao dar uma massa de agressores natos contra todo tema “nacionalista”; Em suma, até o mais cego compreende que esta época não é uma etapa pré-revolucionária, mas claramente uma decadência dirigida e controlada.

Nestas circunstâncias, a evolução dos grupos anti-sistemas tem sido de profunda crise e redução radical de meio. Os militantes são cada vez menos e quase todos os operários e trabalhadores não dispõe de outros meios senão vontade e esforço.

As razões para lutar

Há três grandes grupos de razões: As idealistas (embora o nome não seja inteiramente correto), as de interesse e as de necessidade. Só estas últimas podem levar a uma revolta e uma mudança real do sistema.

Até hoje, somente em momentos e lugares concretos, dentro do mundo branco, se criou situações de “necessidade”, como ocorreu na Argentina, diante o fechamento bancário e a degradação brutal da economia, na URSS, diante da hecatombe comunista e a posterior miséria popular, ou na Iugoslávia diante da ruptura entre as repúblicas componentes. E delas, somente a situação na URSS pôde ser determinante de uma mudança realmente anti-sistema, pois na Argentina ou na Iugoslávia o processo foi muito local para poder afetar ao sistema global.

As razões de “interesse”, ou egoístas, como lutar contra o desemprego, pelo aluguel mais barato ou por um maior aumento de salário anual, são questões que manejam perfeitamente as organizações marxistas do próprio sistema, fomentando o egoísmo e a mera luta por “mais dinheiro”. Em outras palavras, lutam por “mais sistemas”, pois não aderem às justas reivindicações uma luta real contra as bases desses problemas: o sistema democrático como tal.

Uma luta meramente egoísta, por um aumento de 4% do salário, é algo que não deve considerar-se anti-sistema. Mesmo a justa reivindicação de uma moradia acessível não é em si uma mobilização anti-sistema, se não se une a uma clara denúncia da armação global financeira e política, coisa que não interessa aos “protestantes egoístas” nem aos sindicatos e marxistas, que estão no mesmo poder do Estado atualmente.

Aos militantes dos grupos nacional-socialistas, não lhes afeta o egoísmo de um tema particular seu, pois sabem que não será através de uma atuação nacional-socialista propriamente dita que se resolverá seu problema, dado que a capacidade de atuação desses grupos é nula a nível prático, nos dias de hoje. E mais: ser nacional-socialista é uma fórmula certa para que não lhe protejam oficialmente, não lhe deem trabalho nos repartimentos e estabelecimentos públicos (e privados), nem receber “presentes” demagógicos de subsídios ou ajudas que são repartidas entre os companheiros do sistema.

Como resultado, os militantes nacional-socialistas se movem meramente por razões idealistas, e nisso radica tanto sua fraqueza como sua força. Fraqueza: porque em uma sociedade onde o idealismo é ultrajado diariamente, os idealistas pressionados pela necessidade de trabalho ou família, pela perseguição e falta de toda perspectiva de êxito, decaem logo de sua vontade de sacrifício “inútil”. Força: porque o idealismo não necessita de êxito em si, assim pode resistir à falta de êxito se dispõe de vontade suficiente para a “constância”.

As bases do idealismo nacional-socialista

Um grave erro é confundir as bases essenciais do Nacional Socialismo com a política ou as doutrinas práticas, aplicando-as no Nacional Socialismo atual ou futuro. No Nacional Socialismo, o idealismo não significa utopias, propostas ideais incoerentes com a realidade, mas “atuar por motivos não-egoístas”, poderíamos dizer, ou seja, mais que “idealistas”, lutamos por “amor ao correto”, nos favorecendo ou não.

Para o nacional-socialista, a luta é o chamado de um dever, não havendo, portanto, vitória ou derrota.

As palavras não são corretas às vezes. Por exemplo, lutar por “igualdade” é uma utopia antinatural que poderia chamar-se “ideal”, no sentido de que é só uma “ideia” sem possibilidade de realidade, pois a natureza é desigual em si mesma. Não é o caso do Nacional Socialismo, onde não se combate então nestes tempos, a única fórmula para que o militante nacional-socialista se mantenha em luta constante está em viver e necessitar desses valores; que estes sejam o seu próprio oxigênio necessário para viver.

Não se mantêm grupos nacional-socialistas nesta época de fracassos e de impossibilidade no campo de ações importantes ou não, mediante votos ridículos, ou mudando seus heróis e mitos por táticas e medos para que, ao fim, não se alcance a nada. Indo além, não se mantêm dispondo cartazes ou panfletos, ou editando revistas, ou com ações de rua, ainda que estas coisas sejam recomendáveis; isso não manterá o grupo unido, se o militante estiver satisfeito do seu sacrifício.

Apenas como cavaleiros do Graal, tendo a visão dos valores essenciais, a vivência de uma vida com honra, decência, família, fidelidade, amor e compreensão ante a necessidade, sair à natureza, amar os animais, viver a arte nobre e bela; apenas ao compreender a esses princípios necessários, e que estão sendo destruídos sistematicamente pelo sistema, impedindo a possibilidade de elevação pessoal do povo em todos os seus sentidos, é que manterá a luta constante, por uma autêntica necessidade. É preciso chegar a uma situação dada por esta frase: “Não posso viver sem lutar para que esses valores essenciais sejam os mesmos de minha comunidade”. E para isso, tais valores éticos devem ser os da vida própria do militante, que deve ser guiado por eles.

Assim, a organização nacional-socialista deve se transformar em uma comunidade de vida, não apenas uma ferramenta de atuações. O movimento de hoje e sempre tem de ser uma comunidade de vida para uma luta constante.

Algo próprio e especial para ser mostrado

Compreendida essa base, é preciso também que toda associação calcada em valores nacional-socialista pense em uma missão a ser realizada, que a defina e a identifique como tal. Há um amplo leque de possibilidades. Umas podem se dedicar à arte, à defesa dos animais, à uma política ativista, à religiosidade em todos os seus aspectos, às edições impressas, enfim: o âmbito de atuação pode ser múltiplo.

Mas se você tivesse de escolher uma dessas opções hoje, teria que ser a de tornar-se um exemplo de vida comunitária, mostrar a imagem bela, amável, sincera e pacífica do nacional-socialismo; mostrar que ser nacional-socialista é algo belo e digno; difundir o amor e a arte, e que a ação seja sempre reflexo desse amor, não do ódio ou rancor diante do inimigo como primeira ideia. O restante é preciso fazê- lo: combater o mal, o inimigo do mundo, a decadência e o poder do dinheiro, mas, acima de tudo, primeiramente é preciso mostrar a beleza e a honra ética do ideal que nos norteia. Não quero afirmar com isso que não se deva atuar, mas justamente o contrário; no entanto, que essa atuação jamais seja oposta aos valores essenciais, ou por táticas, medos ou compromissos pessoais.

E quando alguém nos dizer que não chegaremos a mudar o mundo, ou que é preciso fazer algo mais, recordaremos a esta poesia:

“Eu sou apenas um, mas sou um.
Eu não posso fazer tudo,
mas posso fazer algo,
e esse algo que posso fazer
devo-o fazer, e o que devo fazer,
com a ajuda de Deus, eu o farei”.

– John Howard Payne

A luta visto por…

“Nossa maior glória não consiste em nunca termos caído, mas sim em nos reerguermos toda a vez em que caímos”. – Oliver Goldsmith.

“Há homens que lutam um dia e são bons. Outros, que lutam um ano, e são melhores. Há aqueles ainda que lutam muitos anos, e são muito bons. Porém há os que lutam por toda uma vida: estes são os imprescindíveis”. – Bertolt Brecht.

“Não queremos lutar: queremos simplesmente vencer. Como isto não é possível, preferimos viver de ilusões e nos contentarmos com proclamar-nos ilusoriamente vencedores no parvo recinto de nossa tertúlia de café, de nosso cassino, de nosso quarto de bandeiras ou simplesmente de nossa imaginação”. – José Ortega y Gasset

“Só se pode lutar pelo que se ama e só se pode amar o que se respeita e respeitar o que pelo menos se conhece”. – Adolf Hitler

“Não é imprescindível acreditar na vitória para lutar”. – Guilherme, o Taciturno

“O homem sempre será guerreiro, combatente, herói: deverá lutar contra os ferros e as geadas, contra as marismas e as correntes, contra a escuridão e o terror noturno, contra a selva e a fúria dos mares; finalmente lutará contra seus reis e até contra seus deuses”. – Giovanni Papini

“Viver é lutar” – Lúcio Aneu Sêneca.

“O homem superior é impassível por natureza: pouco se lhe dá que o elogiem ou censurem – ele não ouve senão a voz da própria consciência”. – Napoleão Bonaparte.

“Aquele que luta com monstros, deve-se acautelar para não tornar-se também um monstro. Quando se olha muito tempo para um abismo, o abismo olha para você”.  – Friedrich Nietzsche.

BAU, Ramón. “Luchar ante el Fracaso”. 2ª ed. Thule, 2009.

Ramon Bau
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