Ramiro Ledesma Ramos: Nacionalismo Social e Socialismo Nacionalista

O texto que segue abaixo é um trecho de passagem de “Discursos a La Juventudes de España”, de autoria de Ramiro Ledesma Ramos, entre as páginas 22 e 24, traduzido por Alerta Nacionalista para finalidades didáticas sobre o tema proposto no título do artigo. Boa leitura!

O nacionalismo das massas, sua aceitação de uma disciplina nacional, exige que a Pátria seja realmente para elas uma bandeira libertadora.

O objetivo de conquistar as massas para uma obra histórica a serviço da Pátria Espanhola é um empreendimento viável e deve ser realizado pela revolução nacional da juventude. Milhares de anúncios traiçoeiros e lamentáveis ​​pesam sobre o povo espanhol e, claro, paga-se caro pelo erro de assisti-los e aplaudi-los.

Lá está ele agora, quase sem pátria, e à mercê de todos os vendavais que os aventureiros lançam contra ele. Mas o povo espanhol nunca ouviu uma voz verdadeiramente angustiada por sua desgraça, e nunca por isso se viu repudiá-la. Não se pode perder a confiança e a fé no povo, porque isso equivaleria a decretar inexoravelmente a ruína definitiva da Espanha, sua incapacidade de abrir as portas do futuro histórico.

 

Cada era tem suas fontes e em cada era há eficiências peculiares. Ignorá-los significa ficar à margem do sucesso. Bem, nesta época as massas são os únicos instrumentos da grandeza nacional. Pode-se aceitar que em outros tempos, já distantes, alguns poderes sem relação direta com o calor das grandes massas conseguiram construir, usando exclusivamente seu próprio gênio, pátrias poderosas e ricas. A Espanha não é a cidade que tem menos exemplos disso em seu grande passado.

Mas hoje esses remédios não se aplicam. Não há país grande, livre e forte se não tiver como nascente uma enorme plataforma feita com o sopro das massas. O que não significa que se trate de relatos de multidões, independentemente da disciplina e da ação hierárquica. Pelo contrário, são eles que se colocam com mais facilidade e naturalidade no seu lugar, a partir daí respondem e cumprem as instruções dos seus chefes.

A revolução nacional espanhola não pode prescindir das massas. É falso pensar que uma bandeira nacional plena e exigente nunca será aceite pelo nosso povo. Quem tem peito reduzido fala e pensa assim, e sua voz é excessivamente débil e feminina para a atração viril das massas. Pois bem, ao contrário, as massas espanholas esperam e clamam hoje pela presença de uma verdadeira voz nacional.

O que acontece é que uma série de vozes impotentes e falsas aparece e aparece e são ensaiadas, cujo fracasso não significa e não pode significar o fracasso da voz nacional espanhola. Os jovens conseguirão o apoio das massas com relativa facilidade se souberem incorporar a atual angústia do povo em sua propaganda. Pois bem, tem sofrido as maiores calamidades, e hoje é um povo pobre explorado e martirizado só porque está fora dos elementos históricos, sem abrigo nacional, nem possui realmente uma Pátria.

A nacionalização das grandes massas populares espanholas é estritamente oposta por duas atitudes e duas forças, atuando em direções diferentes. Uma formada pelos grupos que realmente querem prescindir das massas e querem que a Espanha, Pátria Espanhola, se sustente e apoie exclusivamente. Outra, composta por todos os grupos, partidos e tendências que o desejam, é afastar o povo espanhol de qualquer preocupação nacional, deixando-o assim realmente diminuído, no papel duplamente triste de derrotado e desertor. Pois sempre acontece que as massas extranacionais caem sob o chicote das minorias do “patriotismo suspeito”, ou são, senão, escravizadas de forma direta ou indireta por uma potência estrangeira.

 

Os jovens que orientam suas lutas em busca da revolução nacional não podem esquecer por um minuto que a conquista das massas é um fator inevitável de sucesso. O que é muito diferente de conquistar a maioria. Não se trata disso, nem é a adesão das massas à causa nacional, à causa da Pátria, um problema numérico […].

O nacionalismo das massas, sua aceitação de uma disciplina nacional, exige que a Pátria seja realmente para elas uma bandeira libertadora. O povo espanhol sofre mais do que qualquer outro com as consequências da falta de força da Espanha. A economia atual do nosso país é atrofiada e está quase na ordem das economias coloniais. Disto derivam males profundos, que afetam inteiramente o nível extremamente deficiente em que vivem quinze milhões de espanhóis.

A Espanha possui um capitalismo rudimentar – traiçoeiramente predatório – que evita todos os riscos e vive à margem de qualquer ideia de serviço à economia nacional espanhola. A nossa economia não é livre, ou seja, está impedida de adotar as formas e de seguir os caminhos que melhor se adequam ao seu próprio avanço e ao bem-estar geral de todas as pessoas. Tanto a exploração industrial, quanto a mineração e agrícola tendem menos a revigorar nossa realidade econômica do que a atender às deficiências e lacunas das economias estrangeiras, principalmente da Inglaterra. Por meio século ou mais, isto é, durante o período em que ocorreu a expansão econômica imperialista, a Espanha não teve liberdade para dirigir sua economia e foi obrigada a servir às conveniências de outros povos. O operário espanhol, o camponês, o industrial, todo o povo, enfim, trabalharam em péssimas condições e sofreram as consequências da falta de liberdade na Espanha.

Uma minoria de espanhóis, agachada na grande propriedade territorial, nos bancos e nos negócios industriais que se desenvolvem com a proteção direta do Estado, tem obtido grandes benefícios, explorando a fragilidade nacional e enriquecendo-se à custa das anomalias e deficiências que toda a nossa organização econômica está estabelecida. Gente, então, para quem o próprio atraso do país é um magnífico meio de lucro.

Quase não existe uma grande ou pequena indústria. Nossos camponeses, nossa grande massa de lavradores, sobretudo desde que começou há quinze ou vinte anos nas zonas rurais uma forte demanda por mercadorias de origem industrial, têm sido explorados cruelmente, usurpando o produto de suas safras em troca de produtos supervalorizados. o que tornou qualquer processo fecundo de capitalização impossível nos campos.

 

Assim, temos diante de nós duas urgências que só podem ser alcançadas e obtidas por meio da revolução nacional: libertar a economia espanhola do jugo estrangeiro, ordenando-a exclusivamente para seu próprio interesse, e outra, desmantelar o atual sistema econômico e financeiro, que na verdade, funciona para o benefício daqueles que se adaptaram e até receberam com prazer a nossa fraqueza.

E, naturalmente, só uma Espanha vigorosa, enérgica e livre pode se dispor seriamente à realização de tais fins. As potências econômicas estrangeiras – principalmente francesas e inglesas -, que hoje dirigem toda nossa produção e todo nosso comércio exterior, sempre imporão sua lei e sua voracidade a uma Espanha fragmentada, dividida e fraca.

A juventude não pode fugir a essa questão ou fazer retórica nacionalista sem enfrentar de frente o problema socioeconômico, que hoje nos torna um povo quase colonial e escravizado. Uma atitude diferente seria muito grotesca, mais do que impossível e radicalmente estéril. Se estiveres ao serviço dos destinos nacionais de Espanha, se aspiras honestamente à sua grandeza e se realmente queres fazer da Espanha uma pátria livre, uma das primeiras coisas por que tens que lutar é a destruição da ordem economia econômica atual, que só favorece, repetimos, algumas minorias ousadas, com absoluto desprezo pelos verdadeiros interesses de toda a nação.

O capitalismo espanhol não tem força suficiente para se revoltar contra as anomalias em que assenta a economia nacional e não desenvolve outros negócios ou empresas que não aqueles para os quais a ajuda do Estado está previamente assegurada. Isso nada mais é do que uma incapacidade, e isso indica que não é possível subordinar o desenvolvimento econômico do povo espanhol ao seu próprio ritmo. E como vai ter vontade de retificar, se ele mesmo como já disse, se beneficia e se aproveita do atoleiro e da servidão econômica de Espanha?

Na Espanha a necessidade é incontornável, e é a de transferir para o Estado a responsabilidade e a tarefa histórica de ser aquele que, substituindo o capital privado ou utilizando-o como auxiliar obrigatório ao seu serviço, aumenta a industrialização segundo a natureza do nossa economia. Isso acarretaria duas vantagens formidáveis: uma, realizar de forma eficaz os avanços econômicos que legalmente correspondem à Espanha, levando em consideração as características de suas matérias-primas, seu comércio internacional e seu próprio mercado interno; outro, para realizá-lo em benefício único e exclusivo de todos os espanhóis, sem que as oligarquias financeiras obriguem ou deformem esses fins de acordo com seus interesses privados.

 

É assim, e só assim, que a Espanha teria uma economia robusta, ou seja, suas ferrovias não ficariam em ruínas, nem faltaria indústria pesada, nem desperdiçaria sua riqueza hidrelétrica, nem faria o vergonhoso negócio de exportar minério de ferro e importá-lo em forma de aço ou maquinaria cara, nem haveria desemprego forçado, nem seria outro dia a situação de ser uma nação marítima sem frota, nem, enfim, ser o posto avançado europeu para a América, para um continente que fala a nossa língua e tem uma economia agrária, limitar-se-ia a uma bela troca lírica com ele, mas vincularia relações comerciais e econômicas de grande volume. Tudo isso sem sequer nos lembrarmos da África, aquele outro continente ao nosso alcance e que todos os dias é chamado a se tornar um dos maiores objetivos do mundo.

Apresentar este panorama a um Estado e a um regime como o que temos hoje, os espanhóis, é, com efeito, um absurdo. Tem razão quem diz que o Estado é mau gestor e mau administrador. Mas é preciso acrescentar que esses julgamentos referem-se integralmente ao Estado burguês, efetivamente ineficaz e absurdo, mas não às instituições emanadas da revolução nacional, não a um poder político legítimo decorrente das lutas que a própria Nação desenvolve em seu alcance, libertação e sua grandeza histórica.

Esse poder político pode fazê-lo, com absoluta eficiência e com absoluta probidade. Realmente não tem que fazer isso, mas sim projetar-se sobre os atuais setores onde se manifesta e reside a paralisante e inepta área de nossa economia: grandes indústrias, transportes, bancos e comércio exterior. Se o Estado nacional controlasse de forma direta, nacionalizando-os, essas grandes funções, o rápido e prodigioso crescimento da economia espanhola e, portanto, também das economias privadas e de toda a classe trabalhadora, seriam uma realidade imediata.

 

Não se trata de pilhagem ou expropriação no sentido social marxista. Em primeiro lugar, porque não se trata tanto de apoderar-se das riquezas existentes, mas de criar novas riquezas; e, em segundo lugar, porque isso fortaleceria extraordinariamente as posições, agora tão esgotadas e fragilizadas, da pequena indústria, do comércio interno e da propriedade camponesa, inserindo-os em uma ordem econômica de grande consumo e mobilidade.

Sem qualquer hesitação, pois, camaradas, o problema da revolução nacional deve estar ligado ao da adoção franca e audaciosa por parte do Estado de um papel dirigente e preponderante nas mencionadas tarefas econômicas.

A Espanha joga a sua independência e o seu futuro com a possibilidade de levar a cabo um plano econômico com ousadia e sem hesitações com base nestas perspectivas; se você quiser, com base naquele capitalismo de estado. Do contrário, continuará a viver de milagres, à custa dos inimigos, com sua população dizimada e constituindo uma triste possibilidade fracassada, uma verdadeira desgraça.

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