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O Brasil é um Estado nacional soberano e, ao que consta, não existe um “governo mundial” liderado pelo presidente estadunidense Joe Biden.

Apesar da obviedade, lideranças políticas, intelectuais e celebridades diversas parecem ter deixado o óbvio de lado, a julgar pela sequência de “apelos” feitos nos últimos dias ao titular da Casa Branca, a quem pediram um endurecimento da atitude estadunidense em relação ao governo do presidente Jair Bolsonaro.

A mais aberrante, pelo seu caráter político, foi a carta de 23 governadores estaduais, pedindo a Biden o estabelecimento de relações diretas dos seus estados com o governo dos EUA, para a realização de ações conjuntas “para responder à emergência climática”, citada na edição anterior deste Alerta (15/04/2021). Apenas quatro governadores ficaram de fora: Carlos Moisés, de Santa Catarina, Marcos Rocha, de Rondônia, Antonio Denarium, de Roraima, e Ibaneis Rocha, do Distrito Federal.

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A iniciativa é inusitada na história nacional e remete aos tempos da República Velha, quando os chefes dos Executivos estaduais gozavam de autonomia diplomática para estabelecer relações diretas com outros países, inclusive, para contrair empréstimos externos. E este parece ser o objetivo dos governadores: disputar, independentemente do governo federal, um naco do atrativo mercado internacional de carbono, cuja consolidação é uma das pautas prioritárias de Biden.

Outra carta foi produzida por 35 artistas brasileiros e estadunidenses, manifestando a Biden a sua preocupação com “que seu governo possa estar negociando um acordo para proteger a Amazônia com Bolsonaro neste momento”. Por isso, “pedimos que o senhor continue o diálogo com povos indígenas e comunidades tradicionais da Bacia Amazônica, com governos subnacionais e a sociedade civil antes de anunciar qualquer compromisso ou liberar quaisquer fundos (O Estado de S. Paulo20/04/2021)”.

Entre os signatários: Alec Baldwin, Joaquin Phoenix, Leonardo DiCaprio, Mark Ruffalo, Sigourney Weaver, Jane Fonda, Orlando Bloom, Roger Waters, Katy Perry, Caetano Veloso, Fernando Meirelles, Walter Salles, Marisa Monte, Sonia Braga, Wagner Moura e outros.

Seria conveniente que os artistas de Hollywood recordassem aos indígenas (e aos seus colegas) brasileiros o tratamento historicamente concedido aos silvícolas estadunidenses pelos governos de Washington.

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Uma terceira missiva, democraticamente encaminhada a todos os líderes participantes da cúpula climática, foi produzida pela Comissão de Defesa dos Direitos Humanos Dom Paulo Evaristo Arns, mais conhecida como Comissão Arns, presidida pelo ex-ministro da Justiça José Carlos Dias. Os parágrafos finais são suficientes para se aquilatar o conteúdo das suas litanias contra o governo brasileiro:

“Os inimigos do meio ambiente e da Floresta Amazônica são muitos e difíceis de combater. Mas não são maioria. Porém, hoje eles têm, no governo federal, um aliado ativo. Isso precisa mudar, pelo bem do Brasil e do planeta.

Ao cobrar dos representantes do país nesta conferência compromissos claros, prazos definidos, metas precisas e métricas para aferir resultados, os participantes desta reunião ajudarão os brasileiros que querem a floresta de pé, os povos indígenas protegidos, as populações amazônicas assistidas e um mundo mais sustentável”.

Outro apelo a Biden saiu da lavra dos ex-ministros do Meio Ambiente, Rubens Ricupero e Marina Silva, em artigo publicado no jornal inglês The Guardian de 22 de abril, significativamente intitulado “Os bilhões de Joe Biden não impedirão Bolsonaro de destruir a floresta amazônica”. Com uma linguagem mais própria de militantes ambientalistas radicais, eles disparam:

“No ano passado, Biden pode não ter estado plenamente informado da extensão em que o atual governo brasileiro transformou o Brasil em um pária ambiental, o maior destruidor de florestas tropicais do mundo e a principal ameaça ao já precário equilíbrio climático do planeta. Agora, na medida em que a cúpula climática de Biden está sendo realizada, ele terá sido plenamente informado e repetidamente alertado sobre o risco de fazer acordos que poderiam fortalecer o governo de Bolsonaro e permitir-lhe prosseguir com suas políticas destrutivas” (grifos nossos).

Não sabemos quanto ao leitor, mas este Alerta não tem registro recente de um ataque tão maciço e inconsequente, beirando a leviandade, de autoridades brasileiras, em serviço ou fora do governo, contra o seu próprio País (de artistas impregnados com as pautas identitárias “politicamente corretas”, tais atitudes são esperadas). Independentemente do conceito que se tenha sobre o Governo Bolsonaro, definitivamente, não cabe a qualquer governo estrangeiro, muito menos o de Joe Biden – líder simbólico do país que representa a maior ameaça à estabilidade mundial –, intervir para mudar as suas políticas.

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Na cúpula, Biden demonstrou estar plenamente sintonizado com tais apelos, humilhando duplamente Bolsonaro: primeiro, ao colocá-lo como 21º dos 27 líderes que falaram no primeiro dia, atrás até mesmo do primeiro-ministro de Bangladesh, Sheikh Hasina, e do presidente das Ilhas Marshall, David Kabua; e não assistindo à sua intervenção, como também fez a vice-presidente Kamala Harris (Biden se retirou antes da fala do argentino Alberto Fernández, que antecedeu Bolsonaro). Uma desfeita deliberada, para demonstrar que qualquer tipo de “colaboração” que o Brasil pretenda conseguir junto ao seu governo terá que dar-se nos termos ditados por Washington.

Este Alerta tem posições críticas quanto a certos aspectos da política ambiental do Governo Bolsonaro, em especial, a intenção de solicitar recursos externos para implementá-la (uma posição de “mendigo”, como explicitou o vice-presidente Hamilton Mourão), que Bolsonaro voltou a mencionar em seu discurso na cúpula. Porém, convém repetir e enfatizar: não cabe a nenhum governo estrangeiro interferir na formulação ou condução das políticas internas.

E quem é Joe Biden, com seus desplantes supremacistas, para julgar o Brasil?


Fonte: Solidariedade Ibero-Americana

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