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O uso das plantas medicinais é tão antigo quanto a própria história da humanidade, e muito nós devemos aos homens e mulheres que ao longo de milhares de anos observaram a natureza e testaram em si próprios o efeito de inúmeras espécies de plantas para tratar seus males. Hoje vemos uma parte da sociedade buscando tratamentos alternativos e também a busca pela preservação de sabedorias populares que tanto os nossos antepassados, muitas vezes os nossos próprios avós mantinham, tendo em casa uma área separada para plantar tais condimentos e plantas medicinais. Plantas que hoje podem ser plantadas em espaços pequenos ou até em vasos, podendo ser muito úteis em casos de necessidade.

As Plantas possuem diferentes substâncias que são utilizadas para a sua proteção contra predadores (insetos, fungos, herbívoros, radiação solar, etc.) ou para adaptação aos diferentes tipos de ambientes em que se desenvolvem, como altas temperaturas, solos ácidos. Essas substâncias são substâncias bioativas e o seu uso pode ser utilizado para a medicina. Além disso, muitas pessoas ainda utilizam partes das plantas, como as folhas, por exemplo, para preparar um chá ou algum outro remédio caseiro.

Por exemplo, a erva-mate, o jaborandi e a arruda são ricos em alcaloides que podem ser utilizados como analgésicos e vasodilatadores. O alecrim, camomila, capim-limão, hortelã, marcela, eucalipto são ricos em óleos essenciais, ajudando com problemas digestivos e doenças respiratórias. A babosa, a tanchagem e a malva são ricas em polissacarídeos, que podem ser utilizados como cicatrizantes e anti-inflamatórios. E assim por diante.

Abaixo citarei algumas das plantas mais populares e suas indicações e precauções.

Alcachofra (Cynara scolymus)

Desenvolve-se a pleno sol, não tolera sombra e o excesso de umidade. Indicações: aliviam males gástricos e renais, afecções hepato-biliares e pode ser utilizado para abaixar o colesterol e o açúcar no sangue. Melhora o funcionamento dos rins é utilizada para eliminar as pedras da vesícula.

Precauções: é utilizada tradicionalmente na forma de chá (folhas) e alimento (flores). Não deve ser utilizada durante a lactação, pois a cinarina coagula o leite materno. O excesso pode causar aumento da diurese (da urina) e diarreia.

As brácteas carnosas do receptáculo floral podem ser utilizadas como alimento, mas deve ser cozida antes. Para os efeitos farmacológicos são utilizadas as folhas.

Alecrim (Rosmarinus officinalis)

Arbusto perene desenvolve-se a pleno sol, não tolera sombra, frio excessivo e umidade, por ser uma planta da região mediterrânea. Pode ser utilizado como chá.

Indicações: problemas respiratórios (tosse, gripe, bronquite), ausência de apetite, cansaço físico e mental, cólicas estomacais, hemorroidas, cicatrizante e antisséptico.

Precauções: não se recomenda uso interno para gestantes, prostáticos e pessoas com diarreia.

Babosa (Aloe vera, Aloe arborescens)

Desenvolve-se a pleno sol, não tolera excesso de umidade.

Indicações: seu sumo mucilaginoso possui atividade fortemente cicatrizante nos casos de queimaduras de sol e ferimentos superficiais na pele pela aplicação do sumo fresco. Em casos de hemorroidas inflamadas são utilizados pedaços cortados de maneira apropriada como supositórios.

Precauções: seu uso interno não é recomendado e deve ser evitada, sua ingestão pode ser muito tóxica por causa dos compostos antraquinônicos. Assim, medicamentos de uso oral derivados desta planta podem causar grave crise de nefrite aguda, provocando intensa retenção de água no corpo, que pode ser fatal.

Calêndula (Calendula officinalis)

Planta originária das ilhas Canárias e região mediterrânea. Desenvolve-se a pleno sol e é resistente a geadas e a secas. É utilizada desde a idade média.

Indicações: hemorroidas, lesões cutâneas (cicatrizante utilizado em eczemas, herpes e gengivite), anti-inflamatória, úlcera gástrica e aumenta a produção de bílis e evita cálculos na vesícula. É conhecida por afetar o ciclo menstrual.

Precauções: seu uso deve ser evitado durante o período de gravidez ou lactação.

Camomila (Matricaria chamomilla)

Planta nativa dos campos da Europa. Desenvolve-se a pleno sol, mas não tolera excesso de calor e seca prolongada. Sua ação emenagoga foi descoberta empiricamente por Dioscorides na Grécia antiga.

Indicações: uso interno: cólicas ou inflamações do estômago (digestivo) e intestino, úlcera, insônia (sedativo devido a apigenina), facilita a eliminação de gases (estufamento), combate cólicas e estimulante do apetite.

Uso externo: inflamações e irritações da pele e mucosas.

Capim-limão (Cymbopogon citratus)

Planta originária da Índia.

Desenvolve-se a pleno sol e prefere climas quentes e úmidos, não resiste a geadas.

Indicações: expectorante, descongestionante, acalma cólicas do estômago e intestino e calmante.

Cavalinha (Equisetum arvense)

Planta originária da América do Sul. Desenvolve-se a pleno sol, mas tolera sombra parcial, gosta de solo areno-argiloso.

Indicações: uso interno: problemas ósseos, enfermidades renais e das vias urinárias, arteriosclerose, hipertensão, afecções articulares, hemorragias nasais, afecções dos brônquios e pulmões. Uso externo: frieiras, feridas, aftas, acne, queda de cabelos.

Chapéu de couro (Echinodorus macrophyllus)

Planta brasileira que vegeta em ambiente aquático, com águas pouco profundas e limpas.

Indicações: reumatismos, doenças renais, depurativo, afecções cutâneas. O chá de suas folhas é um dos mais populares como diurético e depurativo do organismo em seu uso no interior do Brasil. Seus rizomas são empregados na forma de cataplasma para hérnias, enquanto a parte aérea ou somente as folhas são utilizadas como tônica, utilizada como depurativa no tratamento de doenças de pele, moléstias do fígado e cálculos renais.

Confrei (Symphytum officinale)

Planta de origem asiática. Indicações: cicatrizante de uso tópico.

Nunca se deve usar internamente, pois pode causar lesões no fígado.

Não expor a área tratada ao sol.

Dente-de-leão (Taraxacum officinale)

Planta de origem europeia desenvolve-se a pleno sol e suportam geadas. A raiz pode ter gosto de café. Pode ser utilizado como PANC (plantas alimentícias não convencionais). Suas folhas podem servir de salada.

Indicações: diurético potente, laxante suave, aumenta o apetite. Suas folhas, raízes e capítulos florais podem ser utilizados para dores reumáticas, diabetes, inapetência, afecções de pele, hepáticas e biliares, prisão de vente e astenias.

Erva-cidreira Brasileira (Lippia alba)

Planta originária da América do Sul.

Desenvolve-se a pleno sol, porém é sensível a geada.

Indicações: má digestão, calmante, cólicas gastrintestinais.

Espinheira-Santa (Maytenus ilicifolia)

Planta fantástica de origem Brasileira. Desenvolve-se em pleno sol, mas tolera sombra parcial. Atenção para a sua correta identificação, a planta verdadeira possui algumas estrias, as nervuras são esverdeadas, enquanto a planta falsa (Sorocea bonplandii) possui nervuras marrons. Deve-se ter cuidado, pois no comércio a Sorocea bonplandii ela é utilizada, falsamente, como a planta verdadeira Maytenus ilicifolia.

Portanto, em caso de comprar, é bom analisar os laudos, e se for ter a planta para análise buscar uma literatura adequada para identifica-la, como o livro Plantas Medicinais do Brasil: Nativas e Exóticas de Francisco José de Abreu Matos e Harri Lorenzi.

Indicações: cicatrizante de uso externo. Uso interno é um excelente tratamento para úlceras e gastrite.

Fáfia (Pfaffia paniculata)

Planta das Américas e muito bem distribuída no Paraná. Desenvolve-se naturalmente a pleno sol, às margens de rios, não toleram geadas.

Indicações: combate o estresse, retarda o envelhecimento, artrite e artrose, ativa a memória, atua sobre doenças do aparelho digestivo e ajuda com estrias e a flacidez da pele. Fortalece o sistema imunológico, e utilizado para balancear o sistema endócrino. Sua raiz, extremamente rica em substâncias nutritivas, contém 19 tipos diferentes de aminoácidos, um grande número de eletrólitos, traços de minerais como ferro, cobalto, sílica, zinco e vitaminas A, B1, B2, E, K e ácido pantotênico.

Funcho (Foeniculum vulgare)

Planta originária da região Mediterrânea da Europa, norte da África e da Ásia ocidental, também é conhecida no Brasil como erva-doce e falso-anis.

É uma planta que se desenvolve a pleno sol e não resiste a geadas fortes.

Indicações: gases intestinais, estimulante da digestão, aumenta a secreção de leite em mulheres que estão amamentando.

Gengibre (Zingiber officinale)

Planta originária do sudoeste da Ásia, que exige clima tipicamente tropical, quente e úmido.

Pode ser plantada ou transplantada a partir dos gomos dos rizomas.

Indicações: estimulante gastrointestinal, gases intestinais, vômitos, tônico, expectorante.

Guaco (Mikania glomerata)

Planta originária da América do Sul, especialmente no Brasil. É um arbusto trepador que se desenvolve a pleno sol e tolera sombra parcial, mas não resiste a geadas. Esta é uma planta de uso popular, mas que possui algumas ressalvas.

Indicações: recomendado como broncodilatador, antisséptico das vias respiratórias, expectorante.

É contraindicado para pessoas que possuem Asma e Bronquite severas, durante o seu uso prolongado seu antagonismo com a vitamina K impede a coagulação do sangue causando hemorragias, pode causar taquicardia, vômitos e diarreia.

Hortelã (Mentha piperita)

Planta de origem europeia. Desenvolve-se a pleno sol.

Indicações: distúrbios digestivos, analgésico, anestésico e vermífugo.

Precauções: em pessoas sensíveis pode causar insônia. Em crianças e lactentes seu uso não é recomendado, pois pode levar à dispneia (dificuldade para respirar) e asfixia.

Malva (Malva sylvestris)

Planta originária da Europa, Ásia ocidental e norte da África.

Desenvolve-se a pleno sol. Plínio de Dioscórides, na Idade Média, já indicavam o seu sumo para evitar indisposições, amolecer o ventre e tratar queimaduras e picadas de insetos.

Indicações: Tosse, garganta irritada, aftas, gengivites, queimaduras sol na pele. Suas folhas, flores e frutos são empregados como infusão no tratamento de bronquite crônica, tosse, asma, enfisema pulmonar e coqueluche. Bem como constipação intestinal.

Maracujazeiro (Passiflora alata)

Originária da Améria Tropical. Desenvolve-se a pleno sol e é exigente em água.

Indicações: calmante e anticonvulsivo.

O chá deve ser feito das folhas, pois o fruto possui menores propriedades.

Marcela (Achyrocline satureioides)

Planta originária do Brasil, nativa de campos e áreas abertas.

Desenvolve-se a pleno sol e toleram geadas.

Indicações: azia, cálculo biliar, cólicas intestinais, diarreias, dores (de cabeça, estômago), resfriados, reumatismo, analgésico, para diarreias e disenteria, sendo também sedativa e emenagoga.

Melissa (Melissa officinalis)

Planta originária da Europa e da Ásia.

Desenvolve-se a pleno sol e não suporta invernos rigorosos. Exigente em água.

Indicações: utilizadas as folhas em forma de chá, de preferência a planta fresca, como alívio da má digestão, cólicas gastrointestinais, pressão alta, e calmante nos casos de ansiedade e insônia.

Mentrasto (Ageratum conyzoides)

Planta originária da América do Sul. Desenvolve-se a pleno sol.

Indicações: alivia as dores de artrose.

Apenas de uso EXTERNO.

Mil folhas (Achillea millefolium)

Planta originária da Europa. Tolera climas quentes e secos. O nome latino do gênero deriva do herói grego Aquiles que a utilizou em uma de suas batalhas para curar seu rei.

Indicações: útil em inflamações gástricas e intestinais associadas a problemas biliares. Febres e resfriados comuns. É diurética, anti-inflamatória, antiespasmódica (cólicas intestinais e uterinas) e cicatrizante. Utilizada também contra infecções das vias aéreas superiores, indisposição, astenia, flatulência, diarreia e como auxiliar no tratamento da gota.

Utilizar a planta com cuidado, pois existem relatos de irritação dérmica, dores de cabeça e vertigens.

Orégano (Origanum vulgare L.)

Planta nativa de regiões montanhosas e pedregosas do sul da Europa.

Indicações: a planta inteira é utilizada na medicina caseira, cujo hábito se originou na cultura italiana.

A literatura etnofarmacológica atribui a esta planta propriedades estimulantes do sistema nervoso, forte ação analgésica, espasmolítica, sudorífera, estimulante da digestão e da atividade uterina, expectorante, utilizada também para distúrbios estomacais, flatulência. Na Itália existe o hábito popular de usar compressa feita com uma almofada cheia de suas inflorescências frescas e brevemente aquecidas para aliviar dores como torcicolo.

Pata-de-vaca (Bauhinia forficata)

Planta originária da América. Desenvolve-se a pleno sol e é tolerante a geadas.

Indicações: diabetes (não interromper dieta específica), elefantíase, poliúria (elimina ácido úrico).

Poejo (Mentha pulegium)

Desenvolve-se a pleno sol. Exigente em água.

Indicações: má digestão, cólicas gastrointestinais, vermífugo, expectorante.

Precauções: a pulegona, um dos princípios ativos da planta, é tóxica em altas doses, não é recomendado para gestantes.

Quebra-pedra (Phyllanthus niruri)

Planta de origem Americana.

Desenvolve-se a pleno sol, mas tolera sombra parcial e tolera umidade.

Indicações: pedras nos rins, inflamação na bexiga, diurético.

Sabugueiro (Sambucus nigra)

Planta originária do sul do Brasil. Desenvolve-se a pleno sol. A espécie Sambucus australis, utilizada para os mesmos fins tem uma história tão antiga como a do próprio homem, tanto os gregos quanto os romanos já o utilizavam na antiguidade e até hoje é cultivado nos quintais da Europa. As folhas são consideradas inseticidas orgânicos.

Indicações: pele irritada por queimadura de sol.

Também é conhecido como “remédio do peito” pela eficiência contra problemas respiratórios, possuindo propriedades diuréticas, antipirética (alivia a febre), antisséptica, cicatrizante e anti-inflamatória.

Salsinha (Petroselinum crispum)

Planta nativa do sul da Europa, da região do mediterrâneo.

Indicações: na medicina tradicional é considerada diurética, emenagoga, sedativa, emoliente, antiparasitária, também sendo empregada em casos de bronquite, asma brônquica e dispepsia (digestão difícil).

Sálvia (Salvia officinalis)

Planta de origem europeia (região mediterrânea). Desenvolve-se a pleno sol.

Não tolera ventos frios e excesso de umidade.

Indicações: gengivite, mau hálito, amigdalite, vômitos, gases, alívio contra picadas de insetos quando as folhas são esfregadas na região afetada.

Não deve ser utilizada por gestantes.

Tanchagem (Plantago australis)

Planta de origem europeia.

Desenvolve-se a pleno sol e tolera umidade e sombra parcial.

Indicações: aftas, amigdalites, inflamação na garganta, expectorante, inflamações urinárias e gastrintestinais. As sementes são laxativas.

Tomilho (Thymus vulgaris)

Planta de origem europeia que se desenvolve a plano sol e não tolera excesso de umidade.

Indicações: má digestão, tosse, vermífuga.

Unha-de-gato (Dolichandra unguis-cati)

Trepadeira perene de base lenhosa, dotados de ganchos semelhantes a “unhas de gato” utilizadas pela planta para se fixar em árvores e obstáculos, nativa de norte a sul do Brasil.

É utilizada como planta ornamental.

Indicações: suas folhas e tubérculos são empregados na medicina caseira, com base na tradição de origem indígena. Suas folhas são utilizadas contra picaduras de cobra, diarreia, febre, reumatismo, inflamação intestinal e para induzir diurese.

Dicas de colheita e secagem

O ideal é colher as plantas preferencialmente pela manhã, logo após secar o orvalho, e no final da tarde, em dias de sol. Em dias nublados pode-se colher em qualquer horário do dia. As flores, folhas e inflorescências devem ser retiradas com o auxílio de uma tesoura para não traumatizar os ramos e galhos. Guardar a colheita ao abrigo do sol e com pouca luz (para que os ativos voláteis não se percam), como entre folhas de jornal em uma caixa de papelão. Não lavar as plantas após a colheita. Carqueja, sálvia e capim-limão devem ser cortados apenas a 10 cm acima do solo, para que planta possa rebrotar.

Algumas plantas que podem ser utilizadas para auxiliar no controle de nematódeos e insetos e no controle de doenças, podendo ser cultivadas nas bordaduras das áreas de cultivo ou em aleias entre as culturas: citronela (repele moscas, mosquitos e pernilongos), cravo-de-defunto e alho (repelem nematódeos e insetos), hortelã e tomilho (repelem a borboleta-da-couve), losna (plantada nas bordaduras repele lagartas e lesmas), sabugueiro (em aleias é atrativo de polinizadores), urtiga (o chá borrifado nas plantas é repelente de pulgões e lagartas).

E, por fim, é importante lembrar que o uso de plantas medicinais deve ser realizado apenas quando necessário e com cautela, por se tratar de um remédio, apesar de ser natural.

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