Quem Não Gosta do Nacionalismo?

Diversos tipos de pessoas públicas evitam utilizar a palavra nação quando se referem ao Brasil, apesar da notória dedicação de algumas delas ao país. Inclusive costumam dar preferência ao uso desse aparente sinônimo substantivo mencionado anteriormente: país. No entanto, não existem sinônimos de características absolutas, já que todas as palavras possuem seu próprio conteúdo subjetivo.

No decorrer das últimas décadas, cresceu um nítido repúdio pelo termo nação e também pelos seus derivados: nacionalidade e nacionalismo. Essa rejeição possui uma essência diferente daquela que mancha as palavras pátria e patriotismo há bastante tempo. Mas a principal diferença entre os conceitos de patriotismo e nacionalismo é a conotação política anexada a esta última expressão de maneira implícita. Tal contraponto atribui certa puerilidade ao termo patriotismo. Com efeito, país não é simplesmente o sinônimo de nação. É, antes de tudo, um conceito de tendências geográficas ou, na melhor das hipóteses, demográficas. É uma palavra desprovida de entusiasmo e de parcialidade. Pessoas mudam de país, mas não mudam de pátria e muito menos de nação. Sendo assim, é possível dizer, ainda que de modo preambular, que a somatória de país e idoneidade, equivalem a pátria, e que a união entre pátria e política resultam em nação.

A aversão a todas essas expressões são resultados da exorbitante influência globalista sobre a cultura dos países ocidentais via neoliberalismo e pós-modernismo. Contestações feitas de modo genericamente estólido acerca de seus conteúdos subjetivos ocorrem com frequência. A antipatia pelos termos nação, nacionalidade e nacionalismo é resultado da exclusão do conteúdo adicional dos conceitos de país e pátria, ou seja, a política.

Resumidamente, nação é uma conjunção política autônoma, delimitada territorialmente, cujos membros compartilham de valores análogos, além do respeito a instituições comuns. Esses vínculos societários, quando sustentados pela ética e pela razão, proporcionam um sentido de unidade, concebendo uma autodeterminação espontânea de toda a população. Percebam que, se eliminarmos as orações substantivas autônoma e política, tal acepção se encaixa em pátria. E se o conceito de valores análogos for subtraído a entidades comuns, o resultado é uma descrição próxima do termo país. Isto posto, o entendimento sobre a repulsa pela palavra nação começa a se desenvolver, ou seja, os motivos ideológicos — e principalmente os práticos — que indicam sobre o nacionalismo possuir concepções que são verdadeiras ameaças para os setores dominados pelas elites que tanto atrasam o progresso do Brasil.

A questão recebe maior claridade quando se percebe que, associadas ao termo nação, existem as expressões nacionalidade e nacionalismo. Já na palavra pátria, não há nenhuma outra sentença além de patriotismo. Sobre o substantivo país, sequer existem derivações.

Nacionalidade é a identificação e a colaboração com uma nação em particular. Logo, o conceito de nacionalidade envolve incontestavelmente uma cultura primorosamente coletiva. Dessa maneira, a ausência de nacionalidade acarreta na perda de identidade. Nacionalismo, enquanto expresso pela coerência e pelas virtudes da ética, é a vontade de uma nacionalidade em razão do sentimento de orgulho em pertencer ao lugar. É também, em um aspecto teórico, uma filosofia que possui a nacionalidade como valor social indispensável, reconhecendo a dedicação e o respeito à nação como um entusiasmo consciente.

Pouco a pouco, os motivos que tornam o nacionalismo em algo desconfortável para muitos vêm à tona. Contudo, é necessário realizar algumas análises de fatos importantes para que os grupos interessados em anular o nacionalismo sejam plenamente classificados.

Uma experiência recente a ser considerada é o caso sobre a desnacionalização da Eletrobrás, isso porque é um assunto extremamente alheio aos interesses da Nação. Muitos preferem que essa questão permaneça em sigilo absoluto já que seria um desastre para os políticos e especuladores se o povo brasileiro descobrisse mais esse enclave no patrimônio público. Ignorem, portanto, as acusações verídicas por crimes de lesa pátria. Ignorem as denúncias da Justiça Federal contra parlamentares ligados a banqueiros interessados em desmanchar o controle energético nacional. Ignorem que tal medida vai retirar tecnologia e empregos da população a fim de remeter tudo isso aos países hegemônicos. Ignorem que essa privatização custará mais de dez vezes menos que os lucros gerados pela estatal, e que a oferta de 12 bilhões não cobre a rolagem diária das alíquotas sobre a taxa de juros da dívida pública. Simplesmente ignorem, pois essa é uma das maiores aspirações dos controladores do Sistema Financeiro!

Para o escopo desse assunto a respeito da completa desnacionalização em específico, basta observarmos o exemplo de diversos grupos e partidos políticos neoliberais surgindo a todo momento. São os mesmos que condenam a existência do Estado com inúmeras desinformações acintosas mas utilizam do mesmo “Estado ineficiente” em benefício de seus próprios interesses. Então, considerem que uma parte significativa do povo brasileiro tenha atingido uma qualidade de vida equivalente à dos países boreais — onde a participação do Estado é gigantesca em praticamente todos os setores — com uma política de privatizações irrestritas.

Esse mesmo progresso teria homologado os limites ao acesso, conservados artificialmente por uma força policial privada. Se suas dimensões financeiras e tecnológicas coubessem em uma escala probatória, não haveria importância, pois os habitantes desse “Brasil sem Estado” considerado seriam obrigados a uma convivência com a outra classe de brasileiros. No entanto, quando o aporte capital dessas propriedades desnacionalizadas atingem proporções superiores àquelas de muitos países em conjunto, é cogitado o desenvolvimento de atividades socioeconômicas completamente independentes, desconectadas do resto do Brasil. Os negócios e, consequentemente, a tutela perante ao território brasileiro seriam semelhantes às que existem entre países adjacentes.

Dentro de três ou quatro décadas, o número de habitantes beneficiados por essas antigas estatais teria dobrado, no mínimo, e a doutrina privatista teria se convertido em fator cultural.

Sumariamente, esses novos cidadãos não teriam identificação alguma com o Brasil, mas sim com os elementos propagandeados pelas empresas desnacionalizadas e por transnacionais. Eis o verdadeiro plano por trás dos enfeites neoliberais. Felizmente, a hipocrisia e a incompetência administrativa desses colonizadores do Século XXI sempre conduziu seus próprios projetos nefastos ao fracasso, tendo a sociedade brasileira que absorver o prejuízo, mas conseguindo recuperar, pelo menos por algum tempo, certa parte de sua soberania.

A oposição nacionalista é o resultado de todos os sentimentos contra todas as ameaças que planejam causar danos a propriedade da nação. É evitar que os brasileiros se afastem da nacionalidade, impedindo a descaracterização da identidade nacional. Embora pudesse não haver prejuízo econômico para o Brasil em primeira instância, a redução de nacionalidade acabaria por viabilizar essa calamidade, uma vez que os não identificados com a nação jamais teriam motivos para contribuir com o seu desenvolvimento. Por mais que suas vidas também caíssem em desgraça por conta dos problemas sociais, a perda seria algo insignificante para aqueles que acreditam que a política do pão e circo é o suficiente. Aliás, eles seriam incapazes de perceber os problemas acarretados por tais medidas.

Outra gigantesca cominação advém do precedente estabelecido. Se é interessante que o decréscimo do sentimento nacionalista atinja um brasileiro, por que não dois, cinco, oitenta, trezentos, quinze mil ou vinte milhões? Os rumores da entrega do patrimônio nacional se tornam cada vez mais concretos devido a desnacionalização de áreas estratégicas para o desenvolvimento e soberania da nação brasileira, tais como portos, empresas, usinas hidrelétricas e campos minerais.

A produção industrial, já situada sob o manto das empresas multinacionais, está em risco de ser completamente absorvida pelo capital estrangeiro. Diante dessas circunstâncias, acreditar que o setor financeiro permanecerá sob controle nacional é tolice, pois os mesmos conceitos que irão predominar o setor produtivo, essencial para a economia de desenvolvimento de um país, prevalecerão cedo ou tarde no setor financeiro. Portanto, desenvolvimento dependente é algo que não existe, assim como não há pátria sem patrimônio. Se não existir uma pátria, jamais haverá uma nação.

Essa obsessão em destruir o Brasil é similar a um tumor maligno: começa de maneira localizada e em poucas células, mas logo se espalha como uma metástase. Dentro dessa mesma perspectiva estão os perigosos contratos para exploração do petróleo. Começaram de forma despretensiosa, com pequenas concessões e em condições bastante restritas.

Hoje, esses acordos já estão espalhados por todo o território nacional, e as transnacionais já reivindicam o direito de retenção de parte do petróleo brasileiro para que ele seja comercializado no Exterior, inclusive controlando o preço. O Brasil foi um dos primeiros países a exercer uma política nacionalista na área do petróleo, enquanto diversos outros locais não industrializados — Equador, Venezuela, México, Cazaquistão, Iraque, Arábia Saudita, Líbia, etc. — começaram se submetendo às pressões externas. Mas boa parte do resto do mundo se livrou do pensamento colonial em relação ao petróleo; o Brasil é uma das poucas exceções, pois implora para permanecer em posição de colônia.

Em contraste com os termos patriota e nacionalista, a expressão sistemizado é a mais adequada para descrever os apoiadores dessas medidas alienígenas, já que a mesma é capaz de elucidar aqueles que se recusam a ter um envolvimento filantrópico com o país e evitam reconhecer a autodeterminação como o principal instrumento de valor para o desenvolvimento social. Em síntese, a expressão adjetiva perfeitamente todos os indivíduos que estão presos em diferentes matrizes do Sistema e que são influenciados por elas.

O sistemizado, de algum modo, tolera o dito patriota, e não há exemplo mais claro disso do que a composição atual do governo brasileiro. Ninguém vai questionar a autenticidade do patriotismo dos políticos, haja vista que muitos ali estão por conta dos votos dados pelos sistemizados via sufrágio universal. Devido o seu compromisso com a organização social e a ação política, o nacionalista é excluído desse diagrama.

Um verdadeiro nacionalista não é um refém voluntário do Sistema!

A depreciação que o nacionalismo vem sofrendo no Brasil decorre de inúmeras campanhas promovidas incessantemente pelos países hegemônicos que, atualmente, controlam o território brasileiro. Todavia, existe uma falha estrutural ainda latente nas áreas sistemizadas. O patriota pode se converter em nacionalista com certa facilidade por meio dos fatos históricos e do ambiente social democrático. Em um futuro não tão distante, o brasileiro terá que escolher definitivamente entre uma das duas opções:

• Defender a sua nacionalidade através da ética, da justiça e de uma cultura intrínseca ao povo, que proporcione o surgimento de uma verdadeira nação independente.

ou

• Se dar por satisfeito em habitar um Estado-favela, plastificado pelo pós-modernismo neoliberal, de base multinacional, onde não exista dignidade e nem empatia pelo próximo.

Outra evidência que denota a aversão dos sistemizados pelo nacionalismo é o deboche praticado por eles de maneira habitual, assim como faziam com o extinto Partido de Reedificação da Ordem Nacional (PRONA). Em meados dos anos 90, esse partido divulgou três grandes manuais de informe ao povo brasileiro a respeito da malversação de todos os recursos do Brasil. Essas publicações foram elaboradas por diversos especialistas preocupados com a causa nacional, tais como médicos, economistas, engenheiros, juristas, professores, oficiais militares, etc. Muitos dos colaboradores eram conhecidos por suas convicções desenvolvimentistas e pela manutenção da ordem e da integridade da nação. Contudo, esses livros causaram desgosto instantâneo em uma gama de setores da opinião pública do país sem nenhum motivo plausível. Setores estes ditos democráticos.

O elemento chave que provoca essas reações hostis é, por unanimidade, a superfície emocional criada pelo adventício do Sistema. Não há objeções verdadeiras no tocante ao conteúdo manifestado ou mesmo contestações judiciosas aos argumentos nacionalistas. As denúncias contidas em publicações nacionalistas são frequentemente ignoradas.

A mídia brasileira, corporativista e sensacionalista, é uma das principais bases do Sistema. Ela contribui para que as referências acerca do desenvolvimento nacional sejam omitidas, já que não interessa ao Sistema permitir que o sistemizado abandone a espiral. A mídia vende publicidade vestida de informação, transformando o jornalismo em puro marketing. Diante desse quadro, acusações genéricas são expostas contra o nacionalismo, deduzidas de alguns paralelos rasos, sem representação popular no Brasil, com erros crassos de comparação com regimes totalitários do passado e sem nenhuma influência geopolítica na atualidade. Por conta da difusão proposital da insciência, uma miríade de fatos históricos sobre o assunto são desprezados, ocasionando um elo arquitetado intencionalmente pelo Sistema a fim de associar o nacionalismo com todos os tipos de governos tirânicos.

É muito improvável que toda essa incoerência dos sistemizados fosse gerada por pura ignorância e/ou desonestidade desses indivíduos. A instauração do nacionalismo no Brasil representa uma ameaça concreta para inúmeros grupos que se mantém através da exploração do povo e do território nacional. O relatório que deu origem ao Consenso de Washington — do qual o Brasil é signatário —, elaborado em 1989 pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), pelo Banco Mundial (BIRD) e pelo Departamento do Tesouro dos Estados Unidos responsável pelos Bancos Centrais ianques (FED), possui provas incontestáveis sobre isso.

Vejamos:

A Rodada Uruguai promovida pelo Acordo Geral de Tarifas e Comércio (GATT), que acabou dando origem a Organização Mundial do Comércio (OMC), traz ao Brasil uma quantia correspondente a pouco mais de um quarto de seu PIB nominal em recursos estrangeiros. É, portanto, o fundo soberano nacional, através de inúmeros reinvestimentos públicos, que constitui quase 75% do capital das transnacionais.

Em razão da política de conversão tributária praticada em território brasileiro, a remessa de lucros das multinacionais alcança, simultaneamente, 286% do investimento inicial, fora o encaminhamento de seus dividendos às matrizes, que equivalem de quatro a seis vezes mais que seus investimentos diretos. Desde 2008, quando a dívida externa foi transformada em interna, os ganhos totais das empresas estrangeiras e de seus investidores foram de quase 1920%. Essa é uma das consequências causadas pela contratação de empréstimos e/ou emissão de dívida interna para pagar amortizações do capital principal de dívida externa.

O principal objetivo desses levantamentos é retratar que, se tais exemplos destacados fossem uma simples exceção, seriam irrelevantes. Porém, esses casos descrevem claramente aquilo que, por via de regra, ocorre com os investimentos estrangeiros no Brasil. Todavia, a realidade praticada é ainda mais hostil com a economia nacional do que as observações apresentadas.

O capital privado incipiente é, com frequência, composto às expensas dos recursos internos públicos, através de empréstimos contraídos em instituições financeiras de abrangência mundial ou com financiamentos externos e amortizados a curto prazo por elementos que constituem o patrimônio nacional, como os títulos públicos. Vale ressaltar que, mesmo com a proibição do Supremo Tribunal Federal (STF) de capitalizar juros sobre juros, conforme a Súmula 121/1963 baseada no Decreto 22.626/1933 — publicamente conhecido como Lei da Usura —, os governantes do Brasil consideram inteiramente normais essas atividades.

As declarações sobre o capital exterior ter sido fundamental para o desenvolvimento do Brasil, sendo reiteradas a todo instante, constituem uma das falácias mais sórdidas e deletérias que podem agredir os interesses nacionais. A soma das aplicações efetuadas por corporações transnacionais no Brasil, desde o Grito do Ipiranga até a atualidade tomada como referência, é inferior a um terço dos investimentos nacionais realizados anualmente.

Todos os investimentos aplicados pelas companhias estrangeiras desde 1822 até 2017, por exemplo, foram inferiores a 20 bilhões de reais, menos de um sexto dos investimentos efetuados pela União durante o período 2017 para 2018, que atingiu aproximadamente 131 bilhões de reais.

Embora ainda não se tenha acesso aos balancetes das empresas multinacionais, as circunstâncias levam a acreditar que uma parcela dos 20 bilhões — algo entre 10% e 20% — seja capital de risco proveniente do exterior.

Desde 1955 que a capitalização no Brasil é efetuada principalmente pelo Estado, privilegiando os investimentos destinados a infra-estrutura e criando um espaço abissal para a iniciativa privada estrangeira.

O vasto complexo transnacional existente no território brasileiro foi, desse modo, criado substancialmente com o fundo soberano de investimentos públicos. Essa ocorrência talvez pudesse ser perdoada se a remessa de lucros fosse referente ao capital de risco oriundo do exterior.

Entretanto, a “generosa” legislação fiscal brasileira vincula a remessa de lucros ao capital registrado, se relacionando instantaneamente com o fundo soberano nacional. Sabendo que a classe política do Brasil faz de tudo para permanecer subserviente às elites, não surpreende a conivência dos Três Poderes com tamanha hecatombe financeira. E o resultado dessa catástrofe fantasiada de solidariedade é que, praticamente sem capital de risco advindo do exterior, a indústria brasileira acabou se desnacionalizando. Isso equivale a 100% do setor automobilístico; 100% das fábricas de vulcanização; 95% da subdivisão de informática; 85% da farmacêutica e 70% da indústria química. As usinas de autopeças, que seriam o contraponto nacional submetido pelas concessões às montadoras, já alcança uma desnacionalização de 80%, além dos prejuízos causados pela crescente verticalização das multinacionais do ramo automotivo.

Ainda nesse âmbito, a indústria têxtil se desnacionalizou em aproximadamente 90%; a petroquímica, mesmo com tratamento especial, já ultrapassa os 90%. No final da década de 1980, o setor nacional de eletrodomésticos e eletroeletrônicos correspondiam a quase 75% de seus relacionados, e atualmente não constituem 15% de suas esferas. No ambiente relativo a mecânica e aos equipamentos industriais, as fábricas estrangeiras ocupam mais de 80% do espaço, apesar das vantagens concedidas às nacionais. A indústria de alimentos, cuja desnacionalização é mais recente, já alcança os 70%. As concessionárias responsáveis pela distribuição de serviços urbanos (saneamento, água, gás, eletricidade, telefonia, etc.) estão praticamente desligadas da órbita nacional.

O mais espantoso, porém, não é essa série de percentuais ilustrando o que aconteceu em muitos setores de produção no Brasil, mas sim sobre o que ocorre com os demais. Segundo os boletins do Banco Central, de 2010 a 2016, o capital estrangeiro no setor da indústria mecânica cresceu, em termos reais, 381%; na de autopeças, o aumento foi de 334%; na de eletrônicos, 316%, e na metalúrgica, atingiu os 252%.

Outras atividades associadas à área industrial também sofreram gravíssima desnacionalização, como o extrativismo vegetal e o mineral, por exemplo. Esses dois setores foram acometidos pela invasão de 739% e 442% de aplicações estrangeiras em suas esferas, respectivamente. Esses números assombrosos mostram que não há limites para o tripúdio feito pelas transnacionais e pelo capital externo. Durante o mesmo período, o setor produtivo teve, em valores reais, um crescimento global de investimentos estrangeiros de 264%.

Simultaneamente, o avanço do capital externo na agricultura teria sido de 32%, entretanto existem dúvidas seríssimas acerca desse percentual, haja vista que, além dessa camada ser controlada por senadores latifundiários ligados às vertentes negativas do agronegócio, também há ausência de uma fiscalização adequada quando os investimentos são efetuados por intermédio de corporações multinacionais apoiadas pela classe política. No setor comercial, as aplicações externas apresentaram um crescimento de 206%, enquanto que na área de engenharia e consultoria houve um aumento de 492%.

As pressões para a expansão do capital estrangeiro também são evidentes em áreas como o setor bancário, onde já ultrapassa os 56% com instigações frequentes. Ou ainda aquelas que já ocorrem em ambientes inesperados, como o da saúde, sem considerar o esquema das assistências médicas e os perdões fiscais concedidos pelos congressistas. Grandes projetos agrícolas financiados pelo Banco Mundial e as recentes concessões à exploração de minérios, juntamente com as crescentes taxas das aplicações externas na esfera industrial brasileira, estabelecem uma perspectiva sem alento. Nesse ritmo, toda a atividade econômica nacional poderá estar sob controle externo a partir de 2040. Contudo, essa dominação estrangeira que beira as raias da insensatez só acontece por causa das propagandas irresponsáveis feitas contra a Nação por milhões de indivíduos que se intitulam como brasileiros.

Em todos os ângulos, a Nação brasileira nunca esteve tão ameaçada. Principalmente por ignorar a oportunidade que nenhum outro país possui: de construir um futuro próspero, erguido sobre um projeto de desenvolvimento nacional e autônomo que resulte na consolidação autêntica da democracia, contendo valores éticos livres de moralismo, igualdade, justiça social e soberania política via autodeterminação. Essa soberania depende da vontade do povo brasileiro em ir buscar conhecimentos científicos e capacitação tecnológica junto a uma nova organização social. São esses os fatores que transformaram simples países em verdadeiras nações, revolucionando o poder e a riqueza que, sem os quais, o nacionalismo não sobrevive e se transforma num mero patriotismo circense.

Não há democracia que resista a tantas distorções. A principal razão de sua existência consiste em sua credibilidade perante ao povo, e a mesma é posta sob risco toda vez que interessa às facções que controlam o país, desmoralizando as leis e os poderes instituídos. Também não há nação que resista ao desmoronamento de sua economia e de sua identidade cultural.

A ideologia neoliberal tão difundida pelos sistemizados já se auto confirmou como produto de exportação dos países hegemônicos aos periféricos, dado que os primeiros nunca abdicaram de suas práticas protecionistas e sabem que as crônicas do tal desenvolvimento dependente constituem uma farsa! O famigerado cosmopolitismo, por seu lado, impõe costumes e padrões pós-modernos que, além de consolidarem a confusão e pusilanimidade social, acabam por obliterar o identitarismo da Nação com seus valores civilizacionais.

No Brasil, nenhum grande esquema de traição foi, de fato, necessário. É preciso ter bastante coragem e convicção para algo do tipo. Uma profusão de propagandas neoliberais repetidas de modo exaustivo e múltiplas convivências de identificação complexa foram suficientes.

O fator chave em todas essas questões foram as ações de desinformantes e manipuladores estrategicamente posicionados pelo Sistema. O nacionalista é considerado um brasileiro legítimo pela sua integridade e compromisso com o Brasil. Já o sistemizado tem medo do nacionalismo, pois é incapaz de abandonar o individualismo importado e a dedicação prestada exclusivamente às seitas transnacionais que exploram a Nação brasileira. Enquanto o nacionalista defende a nação, o sistemizado protege as elites.

E você? É nacionalista ou internacionalista? É um brasileiro ou um sistemizado? Defende os interesses comuns do povo ou o das elites? O que você almeja para o Brasil? Uma nação soberana composta por pessoas preparadas, destemidas e altruístas, ou uma filial corporativa repleta de indivíduos frágeis, mesquinhos e estultos?


REFERÊNCIAS

— ADRIANO BENAYON: Globalização versus Desenvolvimento

— AYRTON CAPELLA & JALDYR B. FAUSTINO DA SILVA: Estudos de Problemas Brasileiros; Organização Social e Política do Brasil

— CELSO FURTADO: Brasil – A Construção Interrompida; O Mito do Desenvolvimento Econômico

— GILBERTO FELISBERTO VASCONCELLOS: Brazil no Prego

— HELIO JAGUARIBE: Brasil – Alternativas e Saídas; Desenvolvimento Econômico e Desenvolvimento Político

— J. W. BAUTISTA VIDAL: O Esfacelamento da Nação; Soberania e Dignidade – Raízes da Sobrevivência

— KARL POLANYI: A Grande Transformação – As Origens Políticas e Econômicas do Nosso Tempo

— LADISLAU DOWBOR: A Era do Capital ImprodutivoJuros Extorsivos no Brasil

— MARIA LUCIA FATTORELLI: Auditoria Cidadã da Dívida – Experiências e Métodos

— MELVIN CONANT & RACINE GOLD: A Geopolítica Energética

— RAYMUNDO FAORO: Os Donos do Poder – Formação do Patronato Político Brasileiro

— RUI NOGUEIRA: Servos da Moeda

— SÉRGIO LAZZARINI: Capitalismo de Laços – Os Donos do Brasil e Suas Conexões

— SERGIO XAVIER FEROLLA & PAULO METRI: Nem Todo Petróleo é Nosso

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