Há Uma Semana, Morria Lyndon LaRouche

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Há exatamente uma semana atrás, morreu aos 96 anos o doutor Lyndon Hermyle LaRouche Jr., filósofo, economista, cientista político, professor, ativista e um dos mais autênticos estadistas da atualidade no setor boreal do planeta. Esse acontecimento lastimável se deu na mesma data do aniversário de 210 anos do nascimento de Abraham Lincoln, décimo sexto Presidente da República dos Estados Unidos e grande influência para LaRouche, que tantas vezes o contemplou em suas obras e em seus discursos. E quero confessar que, mesmo sendo conhecedor de seus trabalhos e de sua admirável oposição contra o imperialismo global, somente ontem que tive conhecimento do ocorrido. Isto posto, quero dedicar aqui uma breve porém objetiva recapitulação de seus conceitos para com os sabotados pelas esferas de dominação do sistema mundial, além de agradecer — em tom primário — a sólida presença de sua intelectualidade em meus mais variados estudos e o adjutório acadêmico sobre a minha compreensão para com a geopolítica e formatos de economia desenvolvimentista.

Aqueles que conheceram Lyndon LaRouche e que possuem ciência dos problemas causados pela financeirização econômica — questão combatida pelo professor LaRouche durante toda a sua vida — sabem precisamente que toda a comunidade antiglobalização sofreu uma perda incomensurável. Para os que não conheceram suas ideias ou que só foram informados a respeito delas há pouco, não existe melhor apresentador das mesmas que o próprio Lyndon LaRouche, me cabendo unicamente o redirecionamento dos temas correspondentes, por mais que, em razão dos aspectos metafísicos e religiosos que faço questão de dispensar em minhas ponderações devido às minhas convicções intrapessoais, consigo entender com nitidez a utilização dessa estrutura por LaRouche, isso porque todos nós temos uma existência material, no mínimo.

Logo abaixo temos uma de suas manifestações. Foi proferida durante uma conferência realizada em 1988 pelo programa Food For Peace, da Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID). O assunto era acerca do gerenciamento da vida na Terra, em meio a processos políticos semelhantes aos que encontramos atualmente contra diversos líderes nacionalistas preocupados com suas respectivas nações. Segue o pronunciamento traduzido:

“Não há parte da sociedade, nenhum eleitorado que não tenha os mesmos interesses. É certo que não existe povo de nenhuma nação que tenha interesses diferentes de qualquer outra nação neste assunto. Estamos falando do futuro de centenas de bilhões de almas não-nascidas, sem cujo sucesso nossas vidas não significam nada. Esse é o interesse comum que une todos e cada um de nós, de modo que não há distinção entre nenhum de nós sobre esta questão; sobre esta causa; sobre este interesse. Se lutarmos assim, se lutarmos com amor à humanidade, pensando especialmente naquelas centenas de bilhões de almas esperando para nascer, e pensando também naqueles cujo martírio e outros sacrifícios nos mostraram qual era nosso potencial e nossa dívida para com eles, respeitando o que passamos para o futuro. E pensamos em nossas vidas não como algo vivido de momento a momento, mas como uma experiência muito pequena, com um começo, e não muito depois, um fim. E pense em nossas vidas não como coisas que são vividas por prazer em si mesmas, mas como uma oportunidade para cumprir um propósito; um propósito que é refletido no que deixamos como herança àquelas centenas de bilhões de almas esperando para nascer, em suas vidas nessa condição. De tal forma que, se em algum momento fizéssemos sacrifícios em nossas vidas de algum modo que pudéssemos assegurar a causa dessas centenas de bilhões de almas ainda nascerem, poderíamos caminhar até a morte com alegria, porque teríamos completado nosso propósito de vida. Poderíamos ter sido negados a chance de cumpri-lo um pouco mais, mas, no entanto, nós tínhamos cumprido isso. A alegria da vida, a verdadeira alegria da vida que se relaciona com o que o Novo Testamento chama de ágape no grego original, cáritas no latim, e caridade na versão do Rei Tiago, como mencionado em I Coríntios 13, a qualidade de ágape, a qualidade da caridade, a qualidade do amor sagrado, que nos une como indivíduos com as centenas de bilhões de almas que ainda não nasceram, por cujo amor podemos dar nossas vidas e por quem podemos andar sorrindo de alegria, sabendo que, em certo sentido, também nos amam, embora ainda estejam para nascer. Dá uma sensação da verdadeira importância de nossas vidas, a verdadeira alegria de ser um ser humano vivo. E devemos trabalhar uns com os outros no sentido dessa atitude em relação à humanidade, à humanidade histórica, à humanidade que, como uma grande família, deve às suas gerações passadas, e o presente deve às gerações futuras. O amor que une essa família é, na questão das obras, a expressão prática da fé, da qual deriva a força para lutar e vencer esta guerra. Se pudermos fazê-lo, tenho certeza de que venceremos. Sou melhor do que a maioria em compreender as leis da natureza e a lei natural em geral, e compreender conceitos tão recônditos como tempo absoluto e coisas desse tipo. E eu posso entender, talvez mais prontamente do que a maioria, como a fé expressa desta maneira, de uma maneira prática, é assegurada de sucesso. Somos todos pequenos, somos cada um individualmente. Mas se sabemos que estamos unidos, estamos unidos a esse efeito, então sabemos que o que cada um de nós como indivíduo faz, dessa forma unida, será motivo para prosperar. Assim, neste momento terrível da humanidade, quando a civilização, como a conhecemos há centenas de anos, ameaça ser removida de nós, nos próximos dois ou dez anos, corremos o risco de perder a civilização. Mas nós também temos a possibilidade de uma solução heróica para esta crise, de se tornar gerações, que, em nosso tempo, enfrentaram a taça do Getsêmani, aceitaram e assim perpetuaram, na imitação de Cristo, a causa da salvação das futuras almas.”

 

Em 15 de janeiro de 1990, já estando preso devido a uma série de perseguições políticas no final da década de 1980 contra o seu movimento intelectual, o professor Lyndon LaRouche escreveu por ocasião do aniversário de 61 anos de nascimento de Martin Luther King:

“Aqueles de nós que nos encontramos no Getsêmani — um Getsêmani onde nos é dito que devemos assumir um papel de liderança com nossos olhos em Cristo na Cruz — muitas vezes experimentam algo que, infelizmente, a maioria das pessoas não conseguem. Nós tendemos a olhar para as coisas de um ponto de vista diferente. Antes de tentar situar como eu vejo o período recente, e o período imediatamente antes de nós, eu deveria tentar comunicar qual é o meu ponto de vista, um ponto de vista que eu sei ser compartilhado em algum grau de aproximação por todos que foram ao Getsêmani com a visão da cruz em seus olhos, dizendo: ‘Ele fez isso, agora me dizem que devo andar também em seu caminho.’

O que eu sugiro com frequência, ao tentar explicar isso a uma pessoa que não a experimentou, é dizer: Imagine um tempo que se passou depois de você estar morto, como meio século, por exemplo. Imagine naquele momento, 50 anos à frente, que você pode se tornar consciente e olhe para trás, para toda a sua vida mortal, do começo ao fim, e, em vez de ver a vida mortal como uma sucessão de experiências, você a vê como uma unidade. Imagine encarar a questão respeitando a vida mortal, perguntando: ‘Era aquela vida necessária no esquema total do universo e na existência da humanidade? Era necessário que eu nascesse para levar essa vida, a soma total daquele número de anos entre nascimento e morte? Eu fiz alguma coisa, ou a minha vida representou algo, que foi positivamente benéfico para as gerações presentes, e implicitamente para as gerações futuras depois de mim?’

Se assim fosse, então eu deveria ter passado por essa vida com alegria, sabendo que cada momento era precioso para toda a humanidade, pois o que eu estava fazendo vivendo era algo que era necessário para toda a humanidade, algo benéfico para toda a humanidade.”

Anos mais tarde, em 19 de janeiro de 2004, já liberto das celas e voltando a falar sobre a personalidade ímpar de Martin Luther King, Lyndon LaRouche foi palestrante convidado em um evento patrocinado pela Conferência Democrática do Condado de Talladega, no Alabama. A cerimônia foi em decorrência das homenagens prestadas ao aniversário de 75 anos de nascimento de King. Traduzidas, suas considerações foram as seguintes:

“Somos todos mortais. E para despertar em nós as paixões, enquanto estamos vivos, o que irá nos obrigar a fazer o bem, temos que ter a sensação de que nossa vida e o consumo de nossa vida; o gasto de nosso talento, significará algo para as próximas gerações. As melhores pessoas procuram coisas — como Moisés — que vão acontecer, quando ele não estará mais por perto para aproveitá-las. É esse senso de imortalidade. É por isso que os pais, na melhor das hipóteses, se sacrificam por seus filhos. É por isso que as comunidades se sacrificam por educação, por seus filhos, por oportunidades para seus filhos. Você passa pelas dores do sofrimento e da falta, mas tem a sensação de que vai para algum lugar, que sua vida vai significar alguma coisa. Que você pode morrer com um sorriso no rosto: você conquistou a morte. Você gastou seu talento com sabedoria, porque a vida significará algo melhor para as gerações futuras.”

 

Se existe algo que pode servir como lenitivo diante de tamanha adversidade, ele está no fato de que o doutor LaRouche construiu um sólido e grandioso legado com suas pesquisas e com o seu caráter íntegro. Todos aqueles que lutam contra as miseráveis agressões que o sistema financeiro provoca pelo mundo devem se comprometer em manter a memória de Lyndon LaRouche ativa daqui em diante. A história vai se encarregar de fazer ao seu nome todas as justiças que a vida lhe negou, professor. Um obrigado de um aluno que, infelizmente, não teve a chance de conhecê-lo.

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