A Sina das Labaredas a Jato

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Desde que entendi a pestilência econômica que o neoliberalismo dissemina com intensidade bárbara mundo afora que me posiciono radicalmente contra tudo aquilo que sobrevenha disso. Sua filosofia de exploração é introduzida nos países através de instrumentos de quinta coluna para funcionar como sucursais planejadas. No Brasil, a operação Lava-Jato é um dos seus dispositivos mais famosos atualmente.

Faz anos que tal manobra vem agindo para desmontar o Estado brasileiro, que já se encontra há muito tempo alquebrado. É um vírus que se alojou na esfera pública e sempre recebeu apoio incondicional dos grupos que constituem a direita. Vale ressaltar que a maior parte das facções políticas em exercício no país utilizaram a Lava-Jato como espelho publicitário nas últimas eleições, incluindo a chapa que venceu o sufrágio presidencial.

Essa nova direita que se instalou em Brasília — e demonstra com frequência o seu grau de inutilidade arcaica — está saturada de crenças nocivas que almejam conservar o esfacelamento integral da nação. Seguindo o que já virou rotina, a esquerda inanimada se despedaça ainda mais em intrigas que mantém a farsa dos Três Poderes. A distinção ideológica emitida pelos dois espectros no Brasil é profundamente apócrifa. Sob o prisma do desenvolvimento nacional, as famigeradas dicotomias conspiram para dissolver a autodeterminação do país frente aos setores transnacionais, seja de maneira proposital ou não. Já não conseguem apresentar princípios favoráveis e objetivos, mas sim resíduos acidentais que forjaram suas oportunidades.

Mesmo com as atividades da operação Lava-Jato não concluídas até este momento, é possível ratificar — e com total sensatez — os motivos que a tornam um mecanismo de quinta coluna. Aliás, o vazamento das supostas conversas via telefone entre seus comissários é mais um indício que sustenta a imagem de lesa-pátria que tal deflagração carrega. Em razão do caso estar bem longe de ser encerrado, minhas considerações a seu respeito podem mudar, sem dúvida. Porém, o contexto atual não me possibilita fazer neste instante uma vez que as circunstâncias nupérrimas exibem um conchavo que vem tentando fabricar situações que acarretam em monólogos vazios para incrementar os devaneios e a erística multilateral, articulados pela divulgação ilegal das mensagens hipotéticas a fim de desorganizar o pouco que restou do senso de ética e de justiça.

A intenção desses grupos é manipular a sociedade brasileira por meio das doutrinas incrementadas pelo neoliberalismo, especialmente no que concerne à vassalagem financeira. A famosa ideia de “demolição do sistema”, agora benquista até pela direita, não passa de uma tática para destruir a soberania nacional e manter o país na rota da involução. As seitas compostas por alienados desprovidos de raciocínio e argumentação lógica exemplificam isso de maneira categórica, e são estes os principais fãs e protetores do atual governo e da sua ideologia antipovo.

Alguém reparou que os ataques dos ciberpiratas foram justificados com histórias paradoxais bem semelhantes às que a direita vem apresentando nos últimos tempos? Isso outorga um combate feito por vias ideológicas, o que não pode resolver absolutamente nada devido a exclusão da isonomia. Nenhum indivíduo com bom funcionamento de suas faculdades mentais daria razão a uma estolidez dessa magnitude. E o mais surreal é que todos os acusados encontram-se na lateral-direita do campo político, inclusive no moralismo e no comportamento. Alguns chegaram a apoiar fervorosamente o bloco que saiu vitorioso do escrutínio de 2018 e que agora reside no Palácio do Planalto. Efetuam até transações de moedas virtuais (bitcoins) que são utilizadas por adeptos do libertarianismo, doutrina muito ovacionada por um dos filhos do Presidente da República, indicado à embaixada brasileira nos Estados Unidos pelo gabinete do pai, sendo intelectualmente semianalfabeto e desprovido de qualificação sociopolítica. Tartufismo abjeto é pouco, sobretudo para alguém que recrimina a figura do Estado mas se tornou financeiramente rico graças a ele.

A teatralidade dos eventos se dá no entrechoque com os próprios fatos: o perfil dos elementos capturados não tem similaridade alguma com os hábitos de um correligionário da esquerda. Talvez pelo uso de drogas ilícitas, porém isso é apenas uma suspeita pessoal minha e não há qualquer intimação legal pertinente a isto contra nenhum deles. Não me cabe julgá-los. Todavia, o que os sinais revelam com altíssima nitidez é que o hackeamento dos coordenadores da operação Lava-Jato tenha sido feito pelas congregações da própria direita a fim de imputar responsabilidade criminal aos derivados do vermelho, abrindo margem para que o jargão “o Presidente não governa por culpa do parlamento esquerdista que aparelhou o Brasil!” ganhe o retesamento necessário e permita que o Executivo cometa as arbitrariedades que quiser. E aqueles que conduzem na faixa da esquerda desse congestionamento político-encefálico devem estar felizes e serenos com tantos acontecimentos desfavoráveis, dado que continuam desperdiçando tempo com questões improdutivas e disputas partidárias pelo controle supremo de seu hemisfério, lembrando os aristocratas de outrora que juram repudiar. As relativizações da modernidade líquida somadas ao situacionismo cultural brasileiro já anularam as chances de eficiência que estes parâmetros quadrangulares poderiam ter.

A dúvida é: estaríamos diante da antiga estratégia de um duelo combinado entre as partes almejando distrair a população brasileira para que as decisões políticas sejam acertadas — mais uma vez — nos bastidores? Caso sim, quais serão as próximas definições? Inventar novos cenários que terminem extirpando os pouquíssimos direitos adquiridos remanescentes e/ou conferir predomínio beligerante ao Executivo para obrigar o povo a se manter curvado perante as ambições dos organismos de financeirização mundial? Exagero meu? Então por que não investigam as fraudes delatadas pelas procuradorias estrangeiras acerca do Panama Papers? Suas infrações englobam toda a Lava-Jato e se conectam diretamente com as negociatas do sistema financeiro internacional. E os acordos unilaterais que só beneficiam os países do Hemisfério Norte em detrimento do Brasil? O que leva o governo a não romper com isso? Parece que ninguém odeia a criminalidade e a exploração em si; apenas censuram quem praticou as infrações — desde que não seja algum poderoso que financie tais esferas.

A diretoria executiva do Telegram, aplicativo hipoteticamente burlado por hackers brasileiros, já ofereceu mais de R$ 1 milhão a quem descobrisse uma forma de invadir a criptografia do programa, visto que o mesmo conselho declarou ser uma missão impossível. Mas se esses ciberpiratas lograram êxito na tarefa, por qual motivo não informaram uma façanha tão protuberante aos desenvolvedores do suporte lógico? Será que não desejavam receber a quantia? É algo bem difícil de acreditar com base na descrição dos tratantes querelados.

Apenas os desprovidos de qualquer conhecimento a respeito de tecnologia da informação que aceitam uma fábula tão escabrosa, pois é a primeira vez na história que uma invasão cibernética acontece sem o uso de uma rede de computadores funcionando, e que também não empregava algoritmos e protocolos em suas criptografias. Sem contar que tudo ocorreu na área indexada das ferramentas de busca. E no meio dessa tulha de crimes, o que me impressiona bastante é o fato do Governo Federal não ter o mínimo interesse de descobrir por quais razões tentaram assassinar o Presidente empossado há sete meses — e nem mesmo ele — durante a campanha eleitoral de 2018.

Ainda fico surpreso como é que seus fiéis e seguranças, que bradam valentia e provocam qualquer pessoa nas redes antissociais, não espancaram o vilão até à morte. O que houve com o discurso do “bandido bom é bandido morto!”? Nada além de outra amostra grátis que esboça a armação, e só não entende quem padece de lesão axonal difusa.

A verdade é que esse meretrício foi projetado para sustentar o clima de insegurança nas múltiplas camadas da sociedade, o que agrada o Presidente, dado que sua popularidade ganharia chances de subir com a falácia de sabotagem literalmente virtual. Assim, o Planalto conseguiria o apoio que necessita para atacar e perseguir os que se opõem ao seu governo. Todos aqueles que possuem determinada relevância serão atingidos pelos estilhaços dessa granada sorrelfa, produzida com metadados de valores distintos, imersos em uma série de erros analógicos e semânticos. E como não há marcações definidas por um relógio, é melhor que os indivíduos auto intitulados como nacionalistas — o segmento não importa — se alinhem, a não ser que prefiram terminar estigmatizados como neonazistas ou comunistas em uma fossa social junto com o resto da oposição que saiba cativar um público considerável.

Muitos não devem saber, mas agências do serviço especial de nações do Leste Europeu, Ásia Central e Menor foram incapazes de violar a codificação do aplicativo que o Planalto divulga como se fosse uma ação simples. Seus desenvolvedores, que são dois irmãos russos, precisaram deixar o país em consequência das ameaças que vinham sofrendo após terem se recusado a ceder informações ao Kremlin. Agora surgem meia dúzia de ignorantes e são tidos automaticamente como os maiores perpetradores da ciberpirataria no Brasil? Isso tem um nome: guerra híbrida. É algo bastante comum nos quadros políticos locais, até porque o desígnio de elaborar situações confusas e voláteis não é um mero detalhe insólito nessa ocasião. Deste modo, as instituições de Estado poderão ser implodidas e reerguidas numa ótica neoliberal hodierna sem que ninguém perceba. É a famosa novela que marcou época no horário nobre sendo reprisada pela enésima vez.

O principal elemento acusado de incursão em sistemas complexos alega ter feito a quebra de sigilo das autoridades unicamente por discordância ideológica e antipatia, e ofereceu os dados cativos gratuitamente às agremiações de esquerda que não trouxe uma só alternativa aos males do globalismo financeirizado enquanto dirigia o Brasil. Imaginemos que uma pessoa, com noções excepcionais sobre logaritmos binários, tenha sucesso realizando uma proeza que nem as inteligências estratégicas de nações com elevado poder bélico conseguiram. O que se espera de alguém tão brilhante, levando em conta que o suporte lógico é defraudado somente nas publicidades ridículas do Executivo? Que entre em contato com os donos da aplicação para exibir seus defeitos, embolsar o montante anunciado e provavelmente receber uma vistosa oferta de trabalho para melhorar a encriptação do programa, ficando milionário com isso? Ou então que venda os conhecimentos obtidos para outros Estados que diferem da política exercida pela direita por centenas de milhões de reais? É importante ressaltar que as diversas manifestações civis que incorrem na atualidade são inteiramente organizadas via Telegram, especialmente as de locais que rivalizam com o Ocidente a preeminência geopolítica e econômica mundial. Esse motivo é adotado pelos governos centrais fora da órbita neoliberal como justificativa para encontrar maneiras que trespassem a codificação deste aplicativo de modo absoluto. Todavia, o ilustre ás da informática não opta por qualquer uma das alternativas supracitadas; apenas concede um alto número de mensagens aos opositores do Planalto de forma desinteressada e sem respaldo jurídico, correndo o risco de acabar em um presídio brasileiro, dividindo cela com os piores tipos de criminosos em um ambiente carcerário falido.

Após destacar tantas irrealidades, o que posso comentar é que não há certeza alguma que os itens expostos pelo jornal online The Intercept a respeito da operação Lava-Jato são fidedignos, a julgar pela ausência de muitas substâncias concretas para assegurar o conteúdo das mensagens. Se posso me queixar de um movimento agir como um artifício de quinta coluna, nada me impede de atribuir o mesmo desvio ao outro, haja vista que ambos se escoram nos pilares do neoliberalismo e não possuem compromissos com o Brasil, e sim com facções partidárias monitoradas pelo sistema financeiro. Portanto, falar com extrema convicção de ciberpiratas atuando isocronicamente com células internacionais pelo bem da sociedade brasileira é um dislate terrível a esta altura do trecho. Não obstante, admitir a existência de uma trama desse gabarito significa que as pessoas acreditam no material indevidamente propalado, de acordo com as normas jurídicas constitucionais. Tal crédito não beneficia os paralelos, ao contrário, já que assim a direita ficaria obrigada a reconhecer que os dados são verdadeiros, e também faria com que esquerda homologasse as atitudes ilícitas que tanto reprovou nos últimos anos. O impeachment sofrido pela Chefe de Estado e de Governo da República Federativa do Brasil em 2016 — tido como um golpe pelos cetrinos — foi iniciado em condições equivalentes e incluiu a distribuição pública de mensagens cruciais e delicadas. Subjetividade não deve ocupar o espaço das leis. Mas voltando aos perigosíssimos espiões cibernéticos, qual é a razão que leva um grupo de indivíduos conceituados por se manterem na eterna penumbra a realizar chamadas telefônicas para fornecer pistas a um governo que reputaram como inimigo? Essa miríade de incongruências detém todas as características necessárias para ser definida como uma manobra de bandeira falsa.

Bem no começo, a direita exclamava que o conteúdo divulgado pelos ciberpiratas era totalmente artificial, mas agora está implorando aos céus para que um milagre converta tudo em verdade cristalina para responsabilizar a esquerda pelo crime político e exigir a obliteração dos canhotos. E os vermelhos também desejam que os itens disseminados através de uma suposta invasão de um aplicativo considerado inviolável até o momento por agências de segurança e defesa nacional seja um material legítimo, pois assim ganhará a estampa dos injustiçados e o impulso fundamental para angariar novos asseclas na tentativa de neutralizar o Governo Federal. Essa atmosfera repleta de contrainformações é o terreno ideal para um embate civil. Uma parcela dos aldeões irá alegar que o trigésimo quinto Presidente da República Federativa do Brasil — prestigiado como uma santidade pela esquerda tanto quanto a direita consagra o trigésimo oitavo — foi julgado precocemente pelo atual Ministro da Justiça e Segurança Pública enquanto magistrado, e a outra parte vai relatar que isso já é passado e não importa a sentença, mas sim que os réus sejam condenados. Tenho certeza que não haverá sinergia para um acordo popular, nem mesmo uma simples trégua, e tal conjuntura acabará com a pequena união que ainda persiste no horizonte sociopolítico da nação, fazendo com que o Estado brasileiro se aguilhoe em definitivo. Em um panorama tão fúnebre como este, não é imprudente cogitar a erupção de um colapso geral cedo ou tarde. Para os estratagemas neoliberais, seria o álibi mais que perfeito na implementação restante da sua cultura que sempre foi utilizada para resguardar as elites e iludir os plebeus.

Piterson Hageland

Jornalista literário no segmento metapolítico e sociocultural. Pesquisador stricto-sensu de assuntos históricos, filosóficos e aspectos econômicos do Brasil e da Ásia Oriental. Colaborador de periódicos geopolíticos e podcasts. Tradutor, locutor e dublador ocasional.
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