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Os 130 Anos da Imigração Ucraniana para as terras austrais!

Uma programação especial foi preparada e todos os meses aconteceram eventos ligados à cultura ucraniana para saudar a data. O Estado do Paraná abriga 80% da comunidade imigrante, o que soma aproximadamente 400 mil descendentes de ucranianos. A História da Imigração tem início no ano de 1891 desde o município de Zolochiv na Ucrânia e dirigiram-se para Mallet.

Де б ми жили, гордімося, що ми є українцями! (Onde quer que vivamos, temos orgulho de ser ucranianos!)

No ano de 2021 a comunidade ucraniana sulista, comemora os 130 anos da imigração ucraniana para o Sul austral. Fenômeno que Ivan Franko disse em versos: Oh, transbordaste, desdita rutena, Pela Europa, e além-oceanos! Começou no cone sul com dois grupos de 8 a 10 famílias que se instalaram nos municípios de Palmeira e Mallet no ano de 1891. Nos conta Nikolas Hec que em 1895/96, “devido à imensa propaganda dos agentes italianos e das companhias italianas de imigração e navegação que proviam o Sul austral de imigrantes cerca de 5 mil famílias de ucranianos abandonaram a Galícia. Era uma verdadeira fuga em massa em busca de melhores condições de vida – emigração sem amparo ou assistência governamental, sem planejamento ou orientação alguma, até mesmo sem os necessários guias ou intérpretes, mas com os sempre e em toda parte presentes intermediários e especuladores”.

Família de imigrantes ucranianos no Brasil, 1891. Créditos: Kociolek/Wikimedia Commons

Á imigração da Ucrânia para o exterior pode ser dividida em quatro períodos: final do século XIX, durante a primeira guerra mundial, depois da segunda grande guerra mundial e a quarta onda após a renovação da independência da Ucrânia em 1991. Na primeira e a quarta onda preponderam as razões econômicas e nas outras duas as razões da guerra e políticas. No sul, podemos dizer que dois terços da imigração têm razões econômicas e ocorre durante a primeira onda imigratória, com grande intensidade nos anos de 1895 e 1896.

Essa onda imigratória que se fixa principalmente no território do centro sul paranaense e norte de Santa Catarina, próximo a atual divisa do Paraná com Santa Catarina, era constituída basicamente por agricultores, homens, mulheres e crianças residentes na parte ocidental da Ucrânia em aldeias. Relata Nikolas Hec “Galicia, como província austríaca autônoma de 1772 a 1918, abrangia uma área de 55.337 km2, em que 3,1 milhões de hectares eram de agricultura e pastagens e aproximadamente 2 milhões de florestas. Em 1890 a população atingia 4 milhões e 300 mil habitantes, dos quais 65% eram ucranianos, 15% poloneses, 12% judeus, 7% austro-alemães, principalmente colonos, 1% outros.

Descendentes de ucranianos na cerimônia de bênção dos alimentos na véspera da Páscoa em Curitiba, 2006. Créditos: Marcus M. Bezerra/Wikimedia Commons

O Sul contava, naquela época, com 14,5 milhões de habitantes e o Estado do Paraná (mais de 20 mil km 2) com apenas 250 mil. De toda a Europa, a Galicia era a região agrícola mais densamente povoada. De cada 100 hectares de terra explorável para a agricultura viviam mais de 100 agricultores (na Alemanha 51, na Holanda 70). Essa superpopulação atingia principalmente os ucranianos, pois 92% desses (aproximadamente 2.400.000 de pessoas) dedicavam-se ao cultivo da terra. Em melhores situações achavam-se as minorias nacionais, pois da agricultura viviam: 45% (apr. 300 mil) dos poloneses e 75% (apr. 200 mil) dos alemães; os judeus mantinham em suas mãos quase todo o comércio e parte da indústria.

Além disso havia uma grande desproporção étnico-social quanto à ocupação das terras. A maioria ucraniana do país (65%) era proprietária apenas de 48% de todos o território. Mais de 30% de todas as terras pertenciam a aproximadamente 2 mil famílias de latifundiários da nobreza polonesa. As restantes (22%) cabiam à população polonesa agrícola, às 100 colônias alemães e aos proprietários urbanos poloneses e judeus. Em média, uma família ucraniana de agricultores vivia de 2,6 hectares de terra”.

Igreja greco-católica de rito ucraniano em Prudentópolis, Paraná. Créditos: Fabiano Ferrari/Wikimedia Commons.

Os cultos ucranianos tem forte base na reverência aos seus antepassados. Por essa razão não poderíamos deixar de lembrar nas comemorações dos 130 da imigração ucraniana para as terras austrais, em breve relato, as razões socioeconômicas da maré humana que se formou em direção à Europa e à América e outros continentes formando a primeira grande onda imigratória da Ucrânia. Aqueles que lançarem os olhos sobre os registros de viagem dos navios e de permanência nas hospedarias constatará que nesse trajeto as pessoas morriam e outros nasciam no caminho da esperança de dias melhores, que fincaram os primeiros palanques das casas e fizeram as primeiras roçadas e primeiras colheitas derramando suor e sangue.

Aquele que vai até a Colônia Marcelino no município de São José dos Pinhais naturalmente ficará deslumbrado com a majestosa arquitetura da nova Igreja da Santíssima Trindade (um dos mais belos patrimônios culturais dos descendentes de ucranianos no Sul) e com as pinturas iconográficas da descendente dos primeiros imigrantes daquela mesma localidade Veronica Remes Nogas. Mas escavando o tempo passado da colonização, lá no inicio de sua caminhada, no meio da Mata Atlântica, na localidade Castelhanos, repousam os ossos de mais de 200 imigrantes levados precocemente da vida pelas doenças tropicais. Membros das várias famílias que hoje constituem aquela comunidade jazem no meio da densa floresta. Junto com eles dorme eternamente o meu bisavô Semko Syrotiuk que partiu da aldeia Vertelka, oblast Ternopil, com a esposa Euphrosina e seus oito filhos, o mais velho com 23 anos e o mais novo com 1 ano de existência. Mas o grupo resistiu, como toda a comunidade, e Euphrosina alcançou viver até os 108 anos de idade. A comunidade ucraniana brasileira atinge hoje 130 anos de existência, com aproximadamente 600.000 descendentes, em ascensão econômica e cultural e com grandes contribuições ao Sul austral.


Vitório Sorotiuk, Presidente da Representação Central Ucraniano-Sulista.

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