Mahmoud Ahmadinejad sobre o Irã, armas nucleares e holocausto judaico

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Em 20 de setembro de 2006, durante a Conferência das Nações Unidas em Nova Iorque, Brian Douglas Williams, apresentador por dez anos no NBC Nightly News, programa noticiário noturno da rede de televisão National Broadcasting Company, entrevistou o ex-presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad numa conversa exclusiva em meio a mais uma das crises geopolíticas envolvendo o EUA e o Irã. Dessa vez, na Era Bush (filho), com a questão do lobby judaico-estadunidense sobre o alegado enriquecimento de urânio do qual o governo norte-americano acusava o Irã estava a fazer “ilegalmente” segundo as diretrizes internacionais. 

Sem mencionar que essas tais “diretrizes internacionais” permitem que somente os EUA e outros poucos possuam tecnologia bélica nuclear, a questão se dividia entre manter o status quo anglo-sionista e o direito de nações potentados de possuir tal tecnologia para defesa e negociação, tal como os países hegemônicos o fazem desde o fim da Segunda Guerra Mundial (1945).

Mas outra questão que chamou atenção do mundo foi de que o então presidente passou a patrocinar as atividades acadêmicas do revisionismo histórico como as conferências revisionistas em Teerã sobre “Hollywoodism e Cinema” e “Holocausto Judaico”. ou dar respaldo para o mesmo através de seus defensores, entre eles, autoridades como Robert Faurisson e David Irving. Principalmente no quesito do dogma histórico do “holocausto judaico”, um suposto assassinato sistemático que teria sido executado pelo governo alemão e seus militares durante a gestão dos nacional-socialistas do chanceler Adolf Hitler (1933 – 1945). Uma imposição que não pode ser questionada por lei em muitos países, nem mesmo investigada ou contradita. Além do fato de que posicionar-se não “politicamente correto” sobre o assunto gera ostracismo e ataque midiático da opinião pública.

Em um vídeo abaixo, mostraremos um trecho completo dessa parte da entrevista e o resto dela estará transcrita em português abaixo do vídeo.

Conversa ocorrida em um hotel no centro de Manhattan (EUA), onde Ahmadinejad era protegido por sua própria segurança e pelo Serviço Secreto dos EUA enquanto estava na América. Por falar pouco inglês, a entrevista seguiu com a mediação de uma interprete do persa (língua oficial iraniana) para o inglês.

Entrevista completa:

Brian Williams: Como você acha que a discussão foi tão longe, que estamos discutindo uma possível guerra entre os EUA e o Irã?

Mahmoud Ahmadinejad: Acho que precisamos fazer essa pergunta a políticos americanos, americanos. O mundo mudou. O tempo dos impérios mundiais terminou. O governo dos EUA acha que ainda é o período após a Segunda Guerra Mundial, quando eles saíram como vencedores e gozaram de direitos especiais. E pode governar, portanto, sobre o resto do mundo. Digo explicitamente que sou contra as políticas escolhidas pelo governo dos EUA para governar o mundo. Porque essas políticas estão levando o mundo à guerra.

Williams: Senhor Presidente, você está aqui como convidado das Nações Unidas, sob a proteção dos Estados Unidos. Qual é a sua mensagem para o povo americano?

Ahmadinejad: Na carta que enviei ao Sr. Bush, também falei com o povo americano. Pensamos que o povo americano é como o nosso povo. Eles são boas pessoas. Eles apóiam a paz, a igualdade e a irmandade. Eles gostam de ver o mundo em paz.

Williams: Qual foi sua reação ao discurso do papa? E você aceita o pedido de desculpas dele?

Ahmadinejad: Eu acho que as pessoas que dão conselhos políticos ao papa não estavam bem informadas.

Williams: Você aceita suas palavras de desculpas?

Ahmadinejad: Eu acho que ele realmente retira sua declaração, e não há problema. Ele deve tomar cuidado para que aqueles que querem a guerra não tirem proveito de suas declarações e a usem para suas próprias causas. Pessoas em posições importantes devem ter cuidado com o que dizem. O que ele disse pode dar uma desculpa para outro grupo para iniciar uma guerra.

Williams: O presidente dos Estados Unidos, falando hoje às Nações Unidas, disse ao povo do Irã que espera o dia em que os Estados Unidos e o Irã possam ser bons amigos. E parceiros próximos, na causa da paz. Como você reage à declaração do presidente americano hoje?

Ahmadinejad: Temos o mesmo desejo de estar juntos pela causa da paz mundial. Mas temos que ver quais são os impedimentos. São as forças iranianas que ocuparam países vizinhos dos Estados Unidos ou são as forças americanas que estão ocupando países vizinhos do Irã? Se Bush está dizendo que pode criar a distância entre a nação iraniana e o governo iraniano, ele está errado.

Williams: Você está na capa da revista Time, aqui nos Estados Unidos e em todo o mundo. No interior, diz: “Um encontro com uma mente perigosa”. Por que você acha que eles pensam que você tem uma mente perigosa? Você?

Ahmadinejad: Você deve ouvir o que tenho a dizer e depois ser o juiz disso. Penso que, se as pessoas têm dificuldade em aceitar a lógica e o fato, não devem realmente acusar os outros. A imagem é uma tentativa de escurecer muito meu rosto. Eu acho que realmente me mostra muito mais jovem do que eu sou.

Williams: Se eu fosse o presidente Bush, sentado aqui à sua frente, o que você diria a ele? Presidente para presidente, mas mais importante, homem para homem?

Ahmadinejad: Eu acho que a situação teria sido melhor aqui, se você fosse o Sr. Bush. Enviei uma carta para ele.

Williams: Estou ciente disso.

Ahmadinejad: Eu levantei algumas questões muito sérias. Eu realmente expressei meus pensamentos e crenças. Você sabe que eu sou professor. Estou interessado em conversas e em diálogo. Eu gosto de entender a verdade. Fatos. E nessa carta, levantei assunto muito importante. Convidei-o para a paz, fraternidade e amizade. Mas não recebemos uma resposta.

Williams: E o presidente americano diz: “Tudo bem, mantenha seu programa nuclear para manter suas casas aquecidas. Pare de enriquecer urânio em direção a armas”. Como você reage?

Ahmadinejad: Quem é o juiz para isso? Alguma entidade, exceto a AIEA? Os relatórios indicam que o Irã não teve desvio. Dissemos em inúmeras ocasiões que nossas atividades são para fins pacíficos. As câmeras da agência filmam todas as atividades que temos. O Irã construiu a bomba atômica e a usou? Você deve saber que, por causa de nossas crenças e religião, somos contra tais atos. Nós somos contra a bomba atômica. Acreditamos que bombas– são usadas apenas para matar pessoas.

Williams: Por que mantê-los em seu arsenal se um dia você não espera derrubá-las com uma arma nuclear?

Ahmadinejad: Então você está pensando na possibilidade de um perigo? É disso que você está falando?

Williams: Estou perguntando sobre o seu arsenal.

Ahmadinejad: Sim, somos poderosos e fortes em nos defender.

Williams: Há algo que você disse que aborreceu e assustou muitas pessoas. Incomodou muitos judeus nos Estados Unidos e em todo o mundo quando você chamou o Holocausto de mito. Existem pessoas, algumas pessoas que conheço, que escaparam do reinado de Hitler. Existe pesquisa. Há estudiosos que ensinam sobre isso. E, no entanto, você já expressou dúvidas sobre o holocausto, por quê?

Ahmadinejad: Na Segunda Guerra Mundial, mais de 60 milhões de pessoas perderam a vida. Eles eram todos seres humanos. Por que apenas um grupo seleto daqueles que foram mortos se tornou tão proeminente e importante?

Williams: Devido à diferença que a humanidade desenha entre guerra e genocídio.

Ahmadinejad: Você acha que os 60 milhões de pessoas que perderam a vida foram todos resultado apenas da guerra? Havia 2 milhões de pessoas que faziam parte do exército na época – talvez 58 milhões de civis sem papéis na guerra – cristãos, muçulmanos, todos eles foram mortos. Se esse evento aconteceu, e se é um evento histórico, devemos permitir que todos o pesquisem e estudem. Quanto mais pesquisas e estudos são feitos, mais podemos tomar consciência das realidades que aconteceram. Eventos históricos estão sempre sujeitos a revisões, revisões e estudos.

Williams: Isso mudou sua posição de que Israel deveria ser varrido? E segundo, você estaria disposto a sentar-se com os judeus, com estudiosos, com sobreviventes dos campos de Hitler, onde 6 milhões morreram? Nosso diretor de cinema americano, Steven Spielberg, é um dos muitos que coleciona histórias daqueles que ainda estão vivos, que lhe contarão sobre os mortos e o programa para matar os judeus na Alemanha e em outros lugares.

Ahmadinejad: A principal questão é, se isso aconteceu na Europa, qual é a culpa do povo palestino? Esse é um problema que temos hoje, a causa raiz de muitos dos nossos problemas, não o que aconteceu 60 anos atrás. O povo palestino, suas vidas estão sendo destruídas hoje sob o pretexto do Holocausto. Suas terras foram ocupadas, usurpadas. Qual é a culpa deles? Por que eles devem ser culpados? Eles não são seres humanos? Eles não têm direitos? Que papel eles desempenharam no Holocausto?

Extraído de NBC Nightly News with Brian Williams on NBC News. Nova Iorque, 20/09/2006. Vídeo extraído de Youtube e postado em ® O Sentinela Oficial no Vkontact.

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