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A globalização tal como a conhecemos hoje, é um processo que, nas suas vertentes económica, política, social e cultural, nasceu no final do século XX, potenciado pela revolução dos transportes, pela evolução tecnológica e das telecomunicações, pela vitória do capitalismo sobre o sistema comunista pela URSS, e pela crescente interdependência entre os Estados, criando o fenómeno conhecido como Aldeia Global, termo cunhado por Marshall McLuhan.

A globalização almeja um mercado livre mundial, para que seja possível aumentar ainda mais as trocas comerciais e em consequência, os lucros. Para tal é necessário eliminar as fronteiras e as barreiras alfandegárias, uniformizar as culturas humanas, destruindo as identidades dos povos, apagar a história, todas as crenças e substituir tudo isto por uma cultura e uma identidade falsas e superficiais, a versão cultural do pronto-a-vestir.

Para o autor Jean Ziegler, “os  princípios fundadores são aplicáveis a qualquer período da história, a qualquer economia, em qualquer continente. Visam obter, o mais rapidamente possível, a liquidação de qualquer instância reguladora, estatal ou não, a liberalização mais total e mais rápida possível de todos os mercados (de bens, de capitais, de serviços, de patentes, etc.) e a instauração a prazo de uma “stateless global governance”, de um mercado mundial unificado e totalmente auto-regulado”. Para Ziegler, esses princípios fundadores resultam de acordos informais, conhecidos sob o nome de Consenso de Washington, entre as principais multinacionais, entre os banqueiros de Wall Street, o americano Federal Reserve Bank, e organismos internacionais como o Banco Mundial ou o Fundo Monetário Internacional.

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Ernesto Milá, activista espanhol da Catalunha, considera que a emancipação das colónias europeias foi essencial para o desenvolvimento da globalização, que divide em quatro vertentes: económica, geopolítica, ética e espiritual. Em termos económicos, Milá afirma que “a globalização é um estádio extremo do capitalismo (…) A grande inovação do capitalismo globalizante é ter arrastado para fora da sua perspectiva qualquer alusão a justiça social, qualquer referência ao Estado de bem-estar e qualquer sistema de justiça social. Todos, absolutamente todos os mecanismos do sistema económico situam-se acima de qualquer perspectiva “social”.  Para Milá não há dúvidas de que os EUA se encontram no centro de todo o processo de glibalização e que esta é alimentada com “deportações”, sob p nome eufemístico de imigração.

Ruy Miguel, veterano autor português, fala-nos com bom humor, e algum vernáculo, da globalização no seu livro Filosofia da Merda. “Com a merda da globalização – quem teria sido o “génio” que a inventou? – as empresas que têm por norma o lucro a qualquer preço, procuram instalar-se onde o preço do trabalho é mais baixo. Vai daí levantam ferro do local e país onde estão “ancoradas” e rumam para outras paragens, deixando para trás dezenas, centenas ou milhares  de trabalhadores com a vida feita numa merda. Chamam-lhe as “deslocalizações”…

Por outro lado, a Nova Ordem Mundial traz consigo desejos de uma religião mundial unificada, e é acompanhada pelo messianismo que adorna muitas declarações de responsáveis americanos ao mais alto nível. Doutra parte surgem toda uma vaga de crenças New Age, de cultos exóticos mais ou menos sectários, ou de religiões sincréticas, no fundo a destruição da espiritualidade milenar, tendo em vista substituí-la pelo materialismo ou por sucedâneos expurgados do seu carácter metafísico e transcendental. Vemos a imbecilidade ecuménica alastras por todo o lado, fruto da ignorância, da apostasia e dos egos inchados de algumas figuras de topo a hierarquia das igrejas cristãs que pensam que descobriram a pólvora, nas quais podemos incluir o homem anteriormente conhecido  por Bergoglio.

Alguns dos autores que privilegiam a globalização enquanto fenómeno económico, associam-na ao neo-liberalismo. Para Noam Chomsky, “o neo-liberalismo é o paradigma político definidor da economia dos nossos tempos, tendo como referência políticas e procedimentos que permitem que uns poucos interesses privados controlem o mais possível a vida social, de forma a maximizar o seu lucro pessoal. Inicialmente associado a Reagan e Margareth Tatcher, o neo-liberalismo foi, ao longo das duas últimas décadas, a orientação dominante adoptada pelos partidos políticos situados ao centro, por muita da esquerda tradicional bem como pela direita no que se refere a opções da política económica global. Estes partidos e as políticas por eles desenvolvidas são representantes dos interesses imediatos de investidores extremamente poderosos e de umas quantas corporações cujo número não ascende a cem.

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Sandra Balão, docente no ISCSP, identifica três escolas que propõem três visões diferentes sobre a globalização: os hiper-globalistas, os cépticos e os transformacionistas. Segundo esta docente, “para os primeiros, a Globalização representa o pré-anúncio da morte do Estado Soberano por contrapartida à criação da sociedade civil global, que terá como corolário a cosmopolitização da democracia. Por seu lado os Cépticos consideram que a Globalização não passa de um mito, argumentando que no final do século XIX – início do século XX, quando vigorava o sistema padrão-ouro, o grau de integração económica existente entre os vários mercados era muito superior ao actual, e que por isso a Globalização não tem outro objectivo que não o da criação do mercado global. Além disso, consideram que os Estados estão muito longe de ter perdido o papel determinante nas relações internacionais:  pelo contrário, eles são, verdadeiramente, os principais arquitectos da internacionalização. Finalmente, os Transformacionistas consideram que se assiste na actualidade a uma interdependência generalizada como sucedia na época medieval: rei, suseranos, vassalos, igreja e cidadãos mais importantes – todos se relacionavam entre si com base numa espécie de compromisso tacitamente definido e aceite por todos, porque por todos considerado vantajoso. Por isso, para estes Transformacionistas, a regulação da ordem global tem que que ser assegurada com base numa parceria com os novos actores das relações internacionais, assumindo um princípio de partilha da soberania: o que pressupõe um ajustamento do Estado a novos desafios. Além disso, não prospectivam a orientação deste processo/movimento histórico”.

Vemos aqui que a docente olvida ou omite propositadamente duas outras categorias de pessoas que adoptam uma postura de oposição à globalização: os alter-globalistas, que encaram a globalização enquanto fenómeno económico fruto do neo-liberalismo e defendem na maioria dos casos, como o próprio nome indica, uma alter-globalização, uma livre circulação de pessoas, bens e serviços noutros moldes, com uma economia de inspiração socialista, e os anti-globalistas que se opõem à globalização pela nocividade dos seus impactos sociais, económicos, culturais e políticos, oferecendo como alternativa o enraizamento, o localismo, o comunitarismo, em suma: a identidade natural, social, cultural e biológia do Homem.

Para outros autores, por detrás da globalização estão “teorias da conspiração” mais ou menos elaboradas, que incluem organizações como a CIA, o Fórum de Davos, a Comissão Trilateral ou o Grupo Bilderberg. Esta crença em “teorias da conspiração”, vista de fora, ou a partir da corrente de pensamento actualmente dominante, dá muitas vezes uma imagem de demência a certas críticas que, de certa forma, têm toda a razão de o ser, e minam qualquer credibilidade dos seus autores. Não esqueçamos que as explicações mais simples são muitas vezes as mais verdadeiras.

By Tiago Cerejo

Tiago Cerejo Andrade (2001) é português originário do Distrito de Viseu, nacionalista e dissidente com foco na política e história.

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