O Neoliberalismo politicamente correto

A esquerda hoje discursa no Fórum Econômico Mundial, é recebida de portas abertas nas grandes instituições e organizações internacionais do capitalismo, possui o apoio de celebridades e de grandes empresas? Mas que esquerda é essa? É a esquerda liberal e politicamente correta, que trocou a maioria popular pelas minorias individualistas.

Paira um clima de beneplácito e simpatia por parte do establishment global em relação a governos ditos “populares” ou de “esquerda”. Qual é a razão de tal tolerância quando ao longo do século XX a esquerda foi o inimigo a ser derrotado? Simples, é o establishment global e a classe transnacional que impulsionam as políticas que hoje estão sendo implementadas pela esquerda progre-eco-feminista. Enquanto se leva adianta a instauração totalitária do relativismo cultural, do credo pseudo-ambientalista e da ideologia de gênero, as oligarquias globais aumentam seus lucros e fazem negócios milionários às custas dos trabalhadores, que se tenta satisfazer com migalhas como a Renda Básica Universal ou mostrando “progresso social” com base na concessão, de cima, de caprichos burgueses disfarçados de direitos civis, individuais ou de gênero.

Mas sem dúvida a estrela é o credo pseudo-ambientalista e o uso narrativo apocalíptico das mudanças climáticas é o núcleo duro com suas hipóteses ad hoc que atuam como um cinto protetor, “superpopulação”, emissões de carbono e o homem como um ser maligno são as desculpas perfeitas para realizar um ajuste global ou um “Grande Reset”: desindustrialização, destruição das soberanias e redução populacional. O que a direita liberal não conseguiu alcançar economicamente no século XX está sendo levado adiante pela esquerda progressista da agenda cultural do século XXI.

Geraldo Alckmin (PSDB) e Luís Inácio Lula da Silva (PT) atualmente negociam aliança de governo para as eleições de 2022. Créditos: Ricardo Stuckert via AFP

Por que ninguém se surpreende que hoje seja a Nova Esquerda que, em vez de lutar pelos trabalhadores, luta contra os trabalhadores, com políticas de ajuste e destruição do trabalho e dos salários? É o caso de Joe Biden, nos Estados Unidos, onde desde a saída de Donald Trump ele submergiu os estadunidenses em políticas “progressistas” que só pioraram a vida dos trabalhadores. Macron na França que com suas políticas de “transição ecológica” aumentou os impostos, elevando o nível de vida dos franceses, como o aumento do preço da gasolina que causou o surgimento dos “Coletes Amarelos”. Ou na América Latina com Pedro Sánchez que aumentou as taxas de eletricidade para níveis estratosféricos e com a inflação mais alta das últimas décadas ou Alberto Fernández na Argentina que continuou as mesmas políticas de seu antecessor Mauricio Macri, em favor do sistema financeiro, com cortes nos aposentados e liquefação dos salários dos trabalhadores com inflação e desvalorização da moeda.

É o neoliberalismo de esquerda politicamente correto que se apresenta com uma face progressista, mas não é diferente da “direita neoliberal” que tanto critica. Neoliberalismo de esquerda ou progressismo que tem o apoio da grande mídia como a do Vale do Silício, o principal aliado do progressismo, como demonstrado pela revista TIME que mostra o financiamento da Fundação Zuckerberg Chan apoiando os Democratas na campanha contra o Trump, ou o Fórum Econômico Mundial que oficializa como uma plataforma econômica com Klaus Schwab à frente (Great Reset/Capitalismo de Stakeholder) e burocracias internacionais como as Nações Unidas que promovem a plataforma política (Agenda 2030).

É Biden, Macron, Pedro Sánchez, Alberto Fernández que são aplaudidos e parabenizados pela elite dos bilionários e das multinacionais, em fóruns internacionais, cúpulas como o G20 ou contra a mudança climática, lugares onde se debate a transição para um “novo mundo”. O objetivo é submergir as nações sob os ditames e tutelas de órgãos supranacionais que administrarão seus recursos, gerenciarão políticas e fornecerão diretrizes econômicas ou de saúde, tais como o Fundo Monetário Internacional ou a Organização Mundial da Saúde.

A ideologia verde e o New Deal Verde global que Biden está agora promovendo pela diplomacia e por organizações multilaterais é a nova face do neoliberalismo, a ideologia da dominação que condena as nações ao subdesenvolvimento “sustentável”, à subordinação política e à dependência econômica, impedindo a conquista da soberania nacional, da independência econômica e da autossuficiência energética, pilares para a construção de uma nação independente e não sendo vassalos do globalismo. Onde a rendição dos recursos naturais, o despovoamento, o fechamento de usinas e fábricas nucleares, em nome do combate à mudança climática, são saudados pela esquerda progressista. É o neoliberalismo politicamente correto, ou seja, a esquerda globalista, que hoje reproduz o discurso do Senhor. Pior ainda, é com este braço esquerdo que a plutocracia hoje reprime.


Fonte: geopolitica.ru

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