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O efeito do estresse crônico nos hormônios sexuais

O desafio atual de cada indivíduo consiste em lidar com a prevenção das doenças crônicas, que são caracterizadas por um acúmulo lento e progressivo de danos e que muitas vezes passam imperceptíveis. Entretanto, devemos ter conhecimento do funcionamento do nosso organismo para podermos prevenir danos futuros. Portanto, entender a gênese de possíveis danos relacionados ao estresse, inevitável nos dias de hoje, é fundamental.

Primeiramente, vamos entender porque os hormônios sexuais são tão importantes. Os hormônios sexuais não têm relação apenas com a reprodução e as mudanças físicas do organismo, mas também estão relacionados com o bem-estar, a saúde mental, desenvolvimento e força muscular, ânimo, disposição e a absorção do cálcio. Nos homens, a testosterona possui as funções citadas acima, mas também tem relação com a produção de glóbulos vermelhos, distribuição da gordura corporal, aumento da produção de espermatozoides, melhora da concentração e da memória, ossos mais fortes, aumento de energia, e atenção mental.  E quando os nossos hormônios estão em desequilíbrio podemos sentir fadiga, depressão, ganho de peso, alterações de humor, risco aumentado de Alzheimer, disfunção erétil, risco de osteoporose, pensamentos confusos, etc.

 

Já em relação ao hormônio do estresse, podemos citar que diversos fatores podem levar a um episódio estressante: desde fatores sensoriais e físicos (como dor, frio ou calor excessivos), como por abalos psicológicos e emocionais. O estresse é uma ferramenta natural e necessária do nosso organismo, como por exemplo, um atleta que treina precisa do estresse físico para atingir a definição e a resposta inflamatória é necessária para a modificação celular desejada; entretanto, a resposta estressante excessiva ou de forma crônica pode causar danos severos no organismo e causar a morte celular em excesso.

Quando há estímulo as glândulas adrenais passam a produzir e liberar os hormônios do estresse, sendo o cortisol o hormônio de principal importância para esta análise. O cortisol é um hormônio relacionado ao estresse com função de gliconeogênese (síntese de glicose no fígado), lipogênese (síntese de gordura que será armazenada no fígado) e proteólise (degradação de proteínas).

A ação do cortisol no organismo consiste em ação anti-inflamatória e efeito na supressão da resposta febril por diminuições de interleucinas, reduzindo o número das células de defesa denominadas linfócitos circulantes, particularmente os T auxiliares, envolvidos na resposta imunológica a substâncias estranhas e diminuindo igualmente a sua função imunológica. O aumento do cortisol causa cansaço, hipoglicemia, pressão alta e diminuição da resposta imune. Enquanto o cortisol baixo resulta em ansiedade, doenças autoimunes, fadiga e insônia.

 

Em suma, o cortisol é o hormônio que está em funcionamento durante o dia, enquanto a melatonina é o hormônio ativo durante a noite. No geral, se os níveis de cortisol estiverem elevados durante a noite pode então desencadear episódios de insônia, imunossupressão e estresse oxidativo avançado, e culminando em doenças crônicas.

Além disso, o estresse também é causador de danos hormonais e a indução à resistência a insulina, o qual ocorre devido ao seu fator de glicação que resulta em doenças degenerativas.

Mas, qual é o efeito do estresse na glândula adrenal e nos hormônios sexuais?

O estresse reduz a produção de hormônios sexuais, pois caem os níveis de DHEA, testosterona, progesterona e estrogênio, isto ocorre porque os níveis de Pregninolona caem na medida em que são necessários para produção do cortisol.

Glândula adrenal

↙                            ↓                             ↘

 Adrenalina e Norepinefrina      Colesterol        Aldosterona

Pregninolona

↙                                                                                    ↘

Progesterona                                                                         DHEA

      ↓                                                              ↓

           Cortisol                                               Testosterona

                                                                    ↓

                                                                     Estrogênio

 

Observamos na via metabólica descrita acima a síntese de Cortisol e como ela ocorre. O colesterol é a base para a produção do cortisol e dos hormônios sexuais. É a partir do colesterol que a Pregninolona é sintetizada. A Pregninolona é precursora tanto da Progesterona (que é a rota do cortisol, hormônio do estresse); tanto quanto da DHEA, que é precursor dos hormônios Testosterona (hormônio masculino) e do estrogênio (hormônio feminino). Isto significa que se a demanda de Pregninolona for muito alta para a produção de cortisol (estresse), haverá uma queda do nível dos hormônios sexuais, importantes para a manutenção saudável do organismo, podendo desencadear episódios dos efeitos citados acima em relação a queda hormonal.

Então a modulação ou o equilíbrio do cortisol se faz é necessária para uma vida equilibrada e obtermos uma resposta imune efetiva, algo muito desejável em época de pandemia, que se faz do estresse algo muito difícil de controlar devido à ansiedade, o medo e a insegurança relacionada com o momento crítico em que vivemos. Porém, o excesso de estresse e ansiedade que nos afligem pode ser justamente o fator que leva a piorar a sua imunidade e mal-estar.

 

Mas, existem fontes naturais que podemos utilizar para nos ajudar? Existem diversos alimentos de fontes naturais que podem nos ajudar neste desafio, como o Ginseng (indicado apenas para quem não tomam antidepressivos e nem tem ansiedade), manjericão santo, amoreira branca e especialmente a aveia, ou Avena sativa, que possui diversos compostos como flavonoides, saponinas e avenantramidas. A Aveia consegue estimular a memória recente e tardia, e é também coadjuvante no gerenciamento de peso.

Além desses compostos, o cuidado psicológico e a alimentação são fundamentais para evitar o estresse crônico. Devemos sempre nos atentar para as causas do estresse crônico, e analisar se sozinhos conseguimos resolver o problema ou se precisamos de algum tipo de auxílio profissional. Manter os nossos hormônios equilibrados é vital para uma vida salutar. E hoje, com tantos compostos químicos e aditivos que tem efeitos disruptores endócrinos (substâncias que promovem alterações hormonais) é quando mais precisamos estar atentos aos sinais apresentados pelo nosso organismo e as substâncias que consumimos. Para esculpir a vida que desejamos precisamos apenas de disciplina e bons hábitos.

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