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A cada dia os meios de comunicação tornam-se cada vez mais regulados pelas forças mediadoras do debate público, não somente pelos agentes políticos mas também pelos setores externos que influenciam o direcionamento do pensamento das massas diretamente e indiretamente. A afronta contra a liberdade de expressão já não precisa ser demonstrada como um problema, é uma realidade que todos estão cientes, e a ironia maior é o paradoxo cognitivo daqueles que em defesa da democracia defendem censuras e penalidades para aqueles no qual pensam e se expressam diferentemente. O tal “Governo do Povo” que somente permite um “povo seleto” de ter sua opinião válida democraticamente, e aqueles que ousam questioná-los, que cortem as cabeças.

O Conceito do Político expresso por Carl Schmitt representa o antagonismo amigo/inimigo, em que vê a luta política como ela realmente é, Schmitt é conhecido por seu realismo político, e para ele o modelo partidário liberal gera consequentemente uma ruptura da unidade nacional em nome de bandeiras ideológicas diversas, que se combatem pela influência, controle e poder governamental. Para Schmitt, esse embate deve ser elevado a um ponto em que uma “bandeira vencedora” irá suprimir todos seus opositores políticos, assim a nova ordem dominante absorveria grande parte da população, agora órfã de um movimento político próprio, fazendo ela se juntar ao novo regime, criando assim uma nova unidade nacional.

Toda a censura dos meios de comunicação que vemos hoje fazem parte do embate amigo/inimigo contemporâneo. Não há muito que possamos fazer a não ser denunciar e combater as forças dominantes que querem nos calar em pró de suas agendas políticas. A liberdade de expressão deve ser defendida mais do que nunca como um meio para que as vozes dissidentes das personalidades próprias ainda ecoem tentando fazer um ruído na esfera do debate público. A supressão dos discursos “fora da caixa” está efetivamente sendo realizada. Nós perdemos já nosso espaço nos meios acadêmicos, com a elite intelectual presente não só devorando mas também cuspindo para fora todas as ideias consideradas “inadequadas” para as novas correntes dominantes de pensamento. Em consequência dessa exclusão sistemática, os meios de comunicação mainstream como o noticiário e outros programas populares inclusive os de entretenimento, refletem somente as visões impostas por essa nova “elite intelectual”.

Como essa hegemonia foi instaurada pouco importa para compreender o problema, ajudará a entender como combatê-lo claro, mas a questão mais importante é que essa panelinha acadêmica existe e está calando e perseguindo seus opositores. Mas o problema vai além de um embate político, não são ideias políticas sendo disseminadas para as massas, e sim concepções de mundo intoxicadas por mentiras e cosmovisões niilistas que estão rebaixando o homem a níveis desumanos. A essência do homem também está em jogo nesta discussão. O homem está sendo rebaixado e sua essência abolida por doutrinas materialistas que o fazem somente buscar confortos temporais, extinguindo a busca pelo absoluto e eterno, assim como inviabilizando o mesmo de deixar sua marca na história através da honra e de sua conduta, assim como nossos antepassados faziam. Antigamente erguiam-se estátuas de grandes heróis que marcaram para sempre o curso da história e da nação com suas grandes obras e feitos, hoje levantam estátuas de criminosos como George Floyd, por exigências temporais movidas pela pura emoção irracional do homem pós moderno.

A internet serviu como refúgio e continua sendo um dos últimos lugares onde é possível encontrar plena liberdade de expressão. Os fóruns de internet que não exigem nenhuma identificação pessoal ou revelação da própria identidade tornaram-se propícios para que os usuários possam comunicar-se expressando suas opiniões diversas sem serem repreendidos ou assediados por qualquer autoridade. Claro que com isso a falta de responsabilidade moral sobre o indivíduo também acaba, permitindo com que ele possa agir da maneira que desejar, sob a personalidade que desejar. Na internet a máscara social é inexistente, revelando os desejos verbais mais profundos das pessoas, e o resultado muitas vezes pode ser perturbador, fazendo da internet a legítima terra de ninguém, revelando a verdadeira natureza imoral do homem moderno, sem escrúpulos quaisquer, levantando também a questão: “Seria liberdade de expressão demais um erro?”.

Sob pretextos da imoralidade da conduta humana em um ambiente sem leis e sem controle, surgem as pautas sobre a importância do controle dos meios de comunicação, desta vez querendo controlar as redes sociais e os meios de comunicação virtual. Deixa perfeitamente oportuna para suprimir ainda mais aqueles que encontram somente nos meios virtuais uma oportunidade para verdadeiramente expressar suas opiniões contra corrente e contra o pensamento mainstream. O rumo para o totalitarismo parece estar se tornando uma realidade, as forças dominantes já estão em completo controle das narrativas que devem chegar às massas e as que devem ser censuradas, por arbitrariedade puramente deles próprios, e os que acabam por decidir não estão agindo por altruísmo.

A guerra foi perdida no século passado, permitindo com que eles chegassem ao nível de influência que possuem hoje. Dependemos das plataformas do inimigo para podermos nos comunicar, e com a importância das redes sociais no debate público, sem elas, qualquer influência que possamos ter é eliminada. Tornar-nos em camaleões é o que resta, se adaptando às exigências das novas censuras sendo impostas pelos controladores a cada dia que passa, dançando com o inimigo sabendo que os passos estão se tornando mais difíceis, e que logo possivelmente iremos tropeçar, não podendo dançar novamente. Esta é a realidade política que nós estamos enfrentando. E até o momento não há nenhuma maneira de contornar esse problema, não há nada que possamos fazer a não ser exclamar e defender a liberdade de expressão como uma defesa.

Diferentemente de uma opressão política, onde o estado através das leis suprimem o que pode ser dito por parte da população, a censura que possuímos hoje é sistemática, todo o coletivo social, as massas, juntamente com o apoio das instituições políticas querem acabar com os valores tradicionais defendidos por aqueles contra o mundo pós moderno. Para isso eles precisam nos calar. E para nós falarmos, o esforço só aumenta, antigamente podíamos gritar, ontem podíamos falar, hoje somente cochichar, amanhã… quem sabe?

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