Resposta a Jordan Peterson Sobre a Questão Judaica – De Seus Heróis Parte Um: Solzhenitsyn

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A seguinte série de artigos foi escrita pelo Dr. Andrew Joyce, originalmente publicada no blog americano Occidental Observer e levanta em questão um assunto abordado por muitos autores (mas que não deve deixar de ser abordado até o seu esgotamento!): a tão chamada Questão Judaica.

Joyce, nesta série, responde a um ensaio de Jordan Peterson, ‘On the So-Called Jewish Question’, em que o mesmo, segundo Joyce, “aparece para negar a possibilidade ou realidade dos choques de interesse essenciais entre europeus e judeus, ambos no passado e no presente, junto com uma rejeição da noção de que estes choques têm girado historicamente em torno de questões de identidade – especialmente a expressão da identidade judaica na civilização ocidental” e as implicações que esse choque de interesses teve no decurso da história moderna europeia, bem como suas ramificações nas políticas raciais (se é que há alguma) atuais.

Não perderei o meu tempo em dizer quem é e o que faz Jordan Peterson, visto que os filo-judeus parecem sempre os mesmos e comportam da mesma forma. Muito menos ser presunçoso a tal ponto de adicionar comentários à brilhante abordagem de Andrew Joyce. Posso dizer que ele é uma celebridade intelectual, como categoriza Kevin MacDonald; digo também que podemos nos aproximar da realidade de nossos vizinhos do Norte, comparando Peterson aos ‘heróis’ da Direita Kosher brasileira: Olavo de Carvalho, Kim, Constantino e outras “celebridades”. Mesmo que Peterson tenha tendências de esquerda, a relação pode ser feita porque ambos defendem o Globalismo, apesar de o aplicarem de forma distinta – como é típico da falsa dicotomia ‘direita x esquerda’ –.  Ademais, fiquem com a série traduzida.

Abertura

“O subconsciente Ariano tem um potencial maior que o Judeu.”  – Carl Gustav Jung

Eu recentemente levei algum tempo para dedicar séria atenção ao trabalho de Jordan Peterson. Até alguns meses atrás, minha familiaridade com Peterson tinha sido limitada à sua intervenção fraca e mal aconselhada [1] no caso Nathan Cofnas. [2] No momento, eu brinquei com a ideia de fornecer uma serie de exemplos históricos (existem muitos) que iriam contradizer cada uma das afirmações de Peterson sobre a Questão Judaica, mas, no final, sua intervenção foi tratada de forma conclusiva por Kevin MacDonald (veja aqui) [3], que eu não vi motivo para discutir ainda mais e abandonei aquele ensaio na fase do “esqueleto”. Peterson é, contudo, difícil de ignorar. Como MacDonald colocou, Peterson é de fato uma “celebridade intelectual”, e aquele que, apesar de um filo-semitismo ocasionalmente evidente, tem se engajado em defesas espirituais contra algumas manifestações do Marxismo Cultural. Assistindo e ouvindo a essas aparições com alguma frequência, é difícil escapar das influências chave de Peterson. O acadêmico canadense é vocal e (notavelmente) repetitivo em nomeá-los: resumos, citações e interpretações de Nietzsche, Dostoievsky, Solzhenitsyn e Jung, todos se apresentam de forma muito proeminente no conteúdo de Peterson. [4] É claro que todos os quatro homens atuam como seus principais heróis pessoais e intelectuais. Mas eles compartilham outra coisa em comum – todos eles têm confrontado a Questão Judaica de uma forma que muito claramente contradiz uma visão posta adiante por Peterson. Isso não quer dizer que todos devam seguir todas as ideias de seus heróis, mas ele faz questão de como Peterson cuidadosamente tem entendido esses escritores e considerado sua própria posição sobre os Judeus. O seguinte ensaio destina-se a fazer vir a superfície alguns problemas e contradições.
Eu passei o ultimo par de meses ouvindo a série de palestras de Peterson sobre as histórias bíblicas, [5] lendo suas “12 Rules for Life“, e examinando (e reexaminando) seu ensaio ‘sobre a tão chamada “Questão Judaica”. Tenho que confessar que achei sua série de palestras muito estranha. Ouvindo às perguntas do público e sessões de resposta no final de cada palestra, é claro que Peterson tem um seguimento Judaico considerável e que suas palestras são, se não voltadas para os Judeus, certamente mantêm grande apelo por eles. Parte disso pode ser o fato que, para um apologista ostensivamente cristão, até agora apenas uma das dezesseis palestras de Peterson têm em causa o Novo Testamento. O que eu acho particularmente interessante sobre a interpretação de Peterson dessas histórias é que extrai, na forma psicanalítica abstrata, uma série de non sequitur de autoajuda sem olhar como e por que, em primeiro lugar, as histórias foram formuladas, e como elas foram entendidas pelos Judeus durante os muitos séculos desde que foram escritos.  Este é um desenvolvimento especialmente irônico porque a aproximação de Peterson com esses textos particulares é um pouco como aquela de Jacques Derrida, o marxista Judeu pós modernista que ele repreende em “12 Rules for Life“, que argumentou que “não há nada fora do texto.” E é muito diferente a sugestão de seu herói Carl Jung, que, como Peterson observa em 12 Rules for Life, sugeriu que “se você não entende porque alguém fez algo, veja as consequências – e deduza a motivação.”
Peterson não parece remotamente interessado nas necessidades e motivações psicológicas dos autores Judeus e leitores das histórias, e, por sua própria admissão (na sessão de perguntas e respostas seguindo sua discussão do conto de Jacó e Esaú) Peterson nunca examinou o Talmude para ver como os Judeus interagiram com eles.
É certamente o caso com o Livro do “Êxodo”. Peterson encobre a barbárie do caráter de Moisés e parece alheio à evidência, sugerindo fortemente que o livro fora construído como uma resposta [6] a uma proliferação das narrativas greco-egípcias no terceiro século a.C. sobre o despejo de estrangeiros subversivos do histórico Delta do Nilo. Ao invés, Peterson apresenta o caráter de Moisés como alguém em toque com um subconsciente divino cósmico, que “barganha” com uma divindade amplamente benevolente e bem-intencionada que representa o futuro – deus como um “pai crítico” (na interpretação de Peterson do desenvolvimento da religião, imaginando o futuro como um “pai crítico” àqueles que devemos sacrifícios é um golpe de gênio). Nessa aproximação, Peterson empresta a metodologia e diverge das conclusões do exame psicanalítico da Bíblia realizado por seu herói Carl Jung que, em seus ensaios “Answer to Job” e “Christ, a Symbol of the Self”, caracteriza o Yahweh do Torá como “selvagem”, “sensível”, “duas-caras”, “gratuito”, “revoltante”, “sem remorso”, “brutal” e “ilógico.” [7]
A indiferença de Peterson às especificidades das interpretações Judaicas e usos dos textos que ele discute é talvez ainda mais o caso sobre a história de Jacó/Israel e Esaú. Peterson vê o conto como uma simples lição em fazer os sacrifícios corretos para alcançar seus objetivos e evitar ressentimento quando as coisas não funcionam como você gostaria que funcionassem – um analgésico chavão de autoajuda por qualquer estimativa. Mas como os Judeus trataram historicamente a história de um de seus mais importantes patriarcas?
Isto certamente tem grande significado para qualquer interpretação psicológica do conto que Jacó que é traduzido como “usurpador” ou “aquele que engana,” e que os Judeus têm sempre concebido Esaú como representando os gentios, especialmente os europeus ou os descendentes raciais ou culturais dos romanos. Daniel Elazar, escrevendo para o Centro de Jerusalém para Assuntos Públicos, comenta [8] que Esaú mostra “características que mais tarde tornar-se-ão parte do estereótipo Judeu dos não-judeus (goyim).” Meir Levin adiciona [9] que “a identificação rabínica de Roma com a figura bíblica de Esaú é básica para o entendimento tradicional de muitas das seções relevantes do “Chumash Bareishis” (Gênesis).” Levin continua que o Talmude e comentários rabínicos passados apresentaram Esaú e a civilização Ocidental como compartilhando características negativas como hipocrisia (Shocher Tov 14,3), individualismo e colocando uma ênfase no estilo sem substância.  Maimônides retratou Esaú como um “malfeitor”, cujos descendentes eram “amalequitas” que eram para ser “destruídos e ter seus nomes apagados.” Maimônides escreveu que os sobreviventes dos amalequitas eram “Roma e a Igreja Católica.” Salo Baron escreve que a ideia de que os europeus eram os descendentes de Esaú foi “amplamente aceita no Judaísmo medieval” junto com a ideia de que o domínio de Edom-Roma acabaria com a vinda do messias Judeu. [10] A Fundação de História Judaico-Americana concorda [11] que “Babilônia, Roma, Edom e o Cristianismo são sinônimos,” e observa que o fim de Edom/descendentes de Esaú podem, ou devem “ser cortados por massacre,” [Obadias v.9] e “perecerão para sempre”.
Essa “árvore genealógica” interpretativa é mais do que um tom um pouco mais escuro do que a interpretação “limpe o seu quarto” de Jordan Peterson.  Mas é fácil de ver por que os Judeus aplaudiriam e promoveriam as apresentações deste último. Uma lição para cristãos e ateus – igualmente – das palestras de Peterson seria que estes textos estão cheios de sabedoria rica e benevolente, sem mencionar até mesmo a possibilidade de intenção maligna ou uso. Conforme afirmado acima, é altamente provável que Jordan Peterson seja ingenuamente ignorante de sua “árvore genealógica” interpretativa, e não há nada em seu trabalho ou ativismo que sugira que ele já tenha se engajado seriamente com a atividade cultural judaica ou comentário crítico sobre isso (para toda sua arrogância, eu sinceramente duvido que ele leu uma única sentença escrita por Kevin MacDonald). Realmente, se algum leitor procurava um perfil sério, novo e psicológico das histórias bíblicas, o terceiro capítulo do livro de Kevin MacDonald “A People That Shall Dwell Alone” faz um caso sucinto, porém poderoso dos aspectos evolucionários do “Tanakh”. Tendo todas as coisas consideradas, eu acho que é difícil de separar a aproximação dúbia de Peterson da série de palestras de suas 12 Rules for Life e depois o ensaio sobre a tão chamada “Questão Judaica”.
Em um nível fundamental, acredito que Peterson está irremediavelmente errado em sua aproximação com os assuntos judaicos, e especialmente a questão do antissemitismo. Uma vez que a opinião de um “antissemita” anônimo é suscetível de manter pouca oscilação com a celebridade intelectual, contudo, o que segue é uma crítica do último ensaio por cada um dos quatro homens a quem Peterson mantem mais apreço; por estes nós podemos – ou ele pode – até mesmo chamar seus pais intelectuais. Assim, Jordan, está na hora de uma conversa de pai para filho.
Uma resposta de Solzhenitsyn
Alexander Issaiévich Soljenítsin (1918 – 2008). Romancista, dramaturgo e historiador russo, suas obras fizeram a imagem que o mundo tem sobre os gulags soviéticos. Nobel de Literatura de 1970, sua postura crítica sobre o que considerava a privação da liberdade individual causou sua expulsão do país natal, a Rússia (então soviética) e a revogação de sua nacionalidade em 1974. É dele o livro “O Arquipélago Gulag”.
Jordan Peterson cita Aleksandr Solzhenitsyn em quase todas as entrevistas, conversas ou textos que ele fornece. Sua admiração pelo autor russo é considerável e se faz clara em 12 Rules for Life. Em 12 Rules, Peterson se refere (p. 115) a Solzhenitsyn como “o grande escritor, o profundo e espirituoso defensor da verdade.” Ele escreve (p. 116) que Solzhenitsyn foi um homem extremamente corajoso, cuja coragem foi uma das razões da queda do Comunismo. Ele (p. 140) escreveu “definitivamente e profundamente sobre os horrores do século XX,” e (p. 152) “escreveu a verdade, sua verdade, terríveis lições aprendidas através de suas próprias experiências”.
Solzhenitsyn me veio à mente imediatamente quando eu li a parte inicial do ensaio de Peterson ‘sobre a tão chamada “Questão Judaica”. O próprio título é quase imperdoavelmente irreverente e arrogante, e ilustrativo de uma profunda ignorância da história. Em essência, Peterson aparece para negar a possibilidade ou realidade dos choques de interesse essenciais entre europeus e judeus, ambos no passado e no presente, junto com uma rejeição da noção de que estes choques têm girado historicamente em torno de questões de identidade – especialmente a expressão da identidade judaica na civilização ocidental. Essas questões são o que é significado essencialmente pelo termo “a Questão Judaica”.
Além disso, o desprezo de Peterson para o que ele desdenhosamente denomina “política de identidade” pode ser retoricamente elegante entre nacionalistas cívicos deliberadamente ignorantes do papel determinante da raça e etnicidade na história do mundo, mas é em grande parte sem sentido considerando que a identidade (racial, religiosa, cultural) influenciou a política de tempo imemorável. Toda política está enraizada na identidade, e todas as identidades são ultimamente políticas. Dada reflexão séria, a posição de Peterson pode ser considerada ainda mais prejudicial e perigosa para os brancos que a posição da esquerda liberal, porque enquanto o último é apenas hipócrita em negar o aspecto positivo da identidade étnica aos brancos (i.e., negação do direito de fazer a pergunta “isso é bom para o meu grupo?”), Peterson nos faria acreditar que todos os nossos interesses profundos são essencialmente sinônimos ou pelo menos conciliáveis, e que conflitos baseados em grupos de interesse são ambos essencialmente errados e, em certa forma, escapáveis. Isto só pode ser descrito como um fácil entendimento do desenvolvimento e manifestação do conflito étnico.
Na Rússia de Solzhenitsyn, o confronto político e cultural de identidades judaicas e europeias foi, claro, tanto inescapável (começando com o assentamento judeu em larga escala e o subsequente crescimento populacional), e totalmente catastrófico. Então pergunta-se como Solzhenitsyn, com sua “verdade e terríveis lições aprendidas através de suas próprias experiências”, pode responder ao afastamento de Peterson da Questão Judaica em relação as “políticas de identidade”.
Felizmente, sabemos exatamente como Solzhenitsyn responderia a celebridade intelectual canadense porque ele respondeu a uma situação quase idêntica em 1985, [12] quando estava sob fogo por insinuar que a identidade judaica desempenhou um papel influente e negativo na revolução bolchevique. Em particular, muitos críticos judeus vieram adiante para declarar que não havia havido tal “Questão Judaica” no desenvolvimento da revolução, e que Solzhenitsyn foi um antissemita por declarar o oposto. A resposta de Solzhenitsyn agora vem através das décadas, falando diretamente a um homem que reivindicaria ser seu protegido:

Uma questão judaica existiu e foi uma questão ardente. Mas no momento centenas de autores, incluindo judeus, escreveram sobre isso; no momento, precisamente a omissão de mencionar a Questão Judaica foi considerada uma manifestação de antissemitismo – e seria indigno para um historiador daquela era fingir que aquela questão não existia. […] Meu desafio é escrever uma verdadeira pesquisa histórica da Revolução Russa. [ênfase adicionada]

Solzhenitsyn, como é bem conhecido, fez isso e mais. Após publicar “Two Hundred Years Together”, Solzhenitsyn foi acusado de antissemitismo por afirmar que os pogrons contra os judeus na Rússia foram raros, espontâneos e originados “de baixo” em vez de serem patrocinados pelo governo. Ele foi além disso, acusado de antissemitismo por insinuar que os judeus evitaram o alistamento e, em particular, o serviço militar de vanguarda. Ambos caem na categoria de pensamento que Peterson descarta em seu ensaio como “reivindicações conspiratórias baseadas na identificação étnica”. E, no entanto, é um testamento para a vitalidade persistente da profissão histórica que a pesquisa arquivística mais recente e estudos publicados (da imprensa da Universidade de Cambridge e da imprensa da Universidade de Princeton) têm justificado ambas as reivindicações de Solzhenitsyn. [13]
Peterson também caricatura a crítica dos judeus como sendo ignorante do papel do QI. Em realidade, contudo, a maior parte dos antissemitas históricos têm atingido uma balança entre o papel da inteligência/capacidade na aquisição pelo judeu do que pode ser denominado guardião de posições sociopolíticas, e o papel do etnocentrismo no desenvolvimento e nas consequências finais da sobrerrepresentação demográfica judaica, resultantes de judeus nestas posições atuando de acordo com seus interesses étnicos percebidos.
Solzhenitsyn, em “Two Hundred Years Together”, fornece muitos exemplos de onde aos judeus foram dadas oportunidades iguais, baseado na habilidade e torna-se sobrerepresentado em diversas áreas chave da vida pública. As preocupações mais generalizadas e justificadas, contudo, onde não se trata de como estas sobrerrepresentações foram alcançadas, mas sobre as consequências potenciais da sobrerrepresentação judaica em aspectos da vida russa. Em um exemplo de 1870, Solzhenitsyn discute a introdução de reformas municipais:

Inicialmente isso foi proposto para restringir a representação dos judeus entre vereadores da cidade e nos conselhos executivos municipais por 50%, mas por causa de objeções pelo Ministro de Assuntos Internos, o Estatuto da Cidade de 1870 reduziu a quota máxima para um terço; além disso, os judeus foram proibidos de ocupar o posto de prefeito. Foi temido que caso contrário a coesão interna judaica e a auto segregação permitir-lhes-iam obter um papel de liderança nas instituições da cidade e dar-lhes uma vantagem na resolução das questões públicas. [ênfase adicionada]

Solzhenitsyn também foi consciente do papel da vingança nas escolhas e ações políticas dos judeus. Referente a escassez de comida e fome, ele observa:

O que se esperaria de camponeses na província de Tambov se, durante o calor da supressão da grande revolta camponesa nessa região de terra preta da Rússia Central, a triste cova do Gubcom de Tambov foi habitada por planejadores de loteamentos de grão, secretários do Gubcom P. Raivid e Pinson, e pelo chefe do departamento de propaganda, Eidman (A.G. Shlikhter, que nos lembramos de Kiev em 1905, estava lá também, dessa vez como o presidente do Comitê Executivo da província)? Y. Goldin foi o Comissário de Gêneros Alimentícios da província de Tambov; foi ele que provocou a revolta por confiscos exorbitantes de grãos, enquanto que um N. Margolin, comandante da esquadra de confisco de grãos, era famoso por chicotear os camponeses que não conseguiram fornecer grãos (e ele também os matou). De acordo com Kakurin, que foi chefe de pessoal para Tukhachevsky, o plenipotenciário representativo da sede da Cheka na província de Tambov durante o período foi Lev Levin. Claro, não somente os judeus estavam nele! Contudo, quando Moscou tomou a supressão em suas próprias mãos em fevereiro de 1921, o comando supremo da operação foi atribuído a Efraim Sklyansky, o chefe da “Comissão Interdepartamental Anti-Banditismo,” – e então os camponeses, notificados sobre isso com folhetos, foram capazes de tirar suas próprias conclusões.
E o que devemos dizer sobre o genocídio no rio Don, quando centenas de milhares de flores dos Cossacos do Don foram assassinados? O que devemos esperar das memórias dos Cossacos quando levamos em consideração todas aquelas contas não resolvidas entre o judeu revolucionário e o Cossaco do Don? Em agosto de 1919, o exército voluntário tomou Kiev e abriu diversas Chekas e encontrou corpos daqueles executados recentemente; Shulgin compôs listas nominais das vítimas usando anúncios funerários publicados no reaberto Kievlyanin; não se pode deixar de notar que quase todos os nomes eram eslavos. … Materiais produzidos pela Comissão de Investigação Especial no sul da Rússia fornece visões na Cheka de Kiev e seu pessoal de comando (baseado no testemunho de um interrogador da Cheka capturado): “O efetivo do pessoal da ‘Cheka’ variava entre 150 e 300. … Em termos percentuais, havia 75% judeus e 25% outros, e aqueles responsáveis estavam entre os exclusivamente judeus.” De vinte membros do Comissão, i.e., a hierarquia que determinou o destino das pessoas, quarenta eram judeus.

Peterson observa que “um alto QI está associado a abertura à experiência, que, por sua vez, está associado a tendências políticas esquerdistas” é simplesmente insuficiente para uma análise séria do fato de que muitos judeus capazes e inteligentes aderiram, como judeus, em torno um dos outros na Rússia do final do século dezenove com o objetivo principal de destruir a cultura russa e o Estado russo, e envolver-se no assassinato em massa de históricos opressores percebidos e inimigos – algo infinitamente mais extremo que o termo “tendências políticas esquerdistas” poderia possivelmente transmitir. Solzhenitsyn cita I. O. Levin como escrita:

Não há dúvida de que a representação judaica nos bolcheviques e outros partidos que facilitaram “a expansão da revolução” – mencheviques, revolucionários socialistas, etc. – no que diz respeito a associação judaica geral e a presença judaica entre os líderes, excede grandemente a participação judaica na população da Rússia. Esse é um fato incontestável; enquanto suas razões devem ser debatidas, sua veracidade factual é indiscutível e sua negação é inútil; e uma explicação certamente convincente desse fenômeno pela desigualdade judaica antes da Revolução de Março… ainda não é suficientemente exaustivo.

Pode-se razoável e similarmente supor que Aleksandr Solzhenitsyn iria concordar que a avaliação de Jordan Peterson da “sobrerrepresentação dos judeus em posição de autoridade, competência e influência (incluindo movimentos revolucionários)” devido a associação do “alto QI a abertura à experiencia, que é, por vez, associada a tendências políticas esquerdistas” não é, para se dizer o mínimo, suficientemente exaustiva. E é neste momento que passamos a palavra a Fyodor Dostoievsky.[CONTINUA NA SEGUNDA PARTE]   

Tradução, notas e palavras entre chaves por ‘O Conde’  
Notas
[1] Fonte utilizada pelo autor: “On the so-called ‘Jewish Question’”, por Jordan Peterson. Disponível em: https://jordanbpeterson.com/psychology/on-the-so-called-jewish-question/
[2] Fonte utilizada pelo autor: “Reply to Nathan Cofnas’s Review of ‘The Culture of Critique’”, por Kevin MacDonald. Disponível em: https://www.theoccidentalobserver.net/2018/03/19/reply-to-nathan-cofnass-review-of-the-culture-of-critique/
[3] Fonte utilizada pelo autor: “A Reply to Jordan Peterson”, por Kevin MacDonald. Disponível em: https://www.theoccidentalobserver.net/2018/08/16/a-reply-to-jordan-peterson/
[4] Nota do autor: Jung é talvez a figura mais importante no pensamento de Peterson, compreensível dada sua sobreposição de interesse profissional em psicologia e psicanalise. O canadense tem mais notavelmente trazido estes interesses para suportar em suas séries de palestras sobre o significado psicológico das histórias bíblicas.
[5] Fonte utilizada pelo autor: “The Psychological Significance of the Biblical Stories15ª-Part Lecture series”, pelo Dr. Jordan Peterson. Disponível em: https://jordanbpeterson.com/bible-series/
[6] Fonte utilizada pelo autor: “Exodus Redux: Jewish Identity and the Shaping of History”. Disponível em: https://www.theoccidentalobserver.net/2017/01/07/exodus-redux-jewish-identity-and-the-shaping-of-history/
[7] Nota do autor: Todas as citações tomadas de Anthony Storr (ed), “The Essential Jung: Selected Writings” (Londres: Fontana, 1998). Estes traços são tão manifestos que os europeus/cristãos têm lutado por muitos séculos com sua aversão pelo Deus do Velho Testamento. Um excelente exemplo recente dessa tentativa de lutar com esse problema, e uma visão geral da história do debate na questão, é o livro de Paul Copan e Matthew Flannagan: “Did God Really Command Genocide?Coming to Terms with the Justice of God” (Michigan: Baker Books, 2014).
[8] Fonte utilizada pelo autor: “Jacob and Esau and the Emergence of the Jewish People”, por Daniel J. Elazar. Disponível em:  http://www.jcpa.org/dje/articles/jacob-esau.htm
[9] Fonte utilizada pelo autor: “Do West ad Christianity represent Esau and Edom?”, por Meir Levin. Disponível em:  https://dailyminyan.com/2016/01/05/do-west-and-christianity-represent-esau-and-edom/
[10] Nota do autor: Baron, S. W. (1934). “The Historical Outlook of Maimonides.” Proceedings of the American Academy for Jewish Research, Vol. 6, No. 5,24.
[11] Fonte utilizada pelo autor: “Origin of Edom, Babylon, and Rome, or Christianity”, por Warder Cresson. Disponível em:  http://www.jewish-history.com/cresson/cresson25.html
[12] Fonte utilizada pelo autor: “SOLZHENITSYN AND ANTI-SEMITISM: A NEW DEBATE”, por Richard Grenier. Disponível em: https://www.nytimes.com/1985/11/13/books/solzhenitsyn-and-anti-semitism-a-new-debate.html
[13] Nota do autor: Veja John Doyle Klier, “Pogroms: Anti-Jewish Violence in Modern Russian History” (Cambridge: imprensa da Universidade de Cambridge, 2008) e Derek J. Penslar, “Jews and the Military: A History” (Princeton: imprensa da Universidade de Princeton, 2013).
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