O Coronel e a História

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As tais redes sociais de fato estão contribuindo decididamente para a mudança de hábitos de forma geral. Não só os idiomas vão sofrer com a simplificação das expressões, como também a confiabilidade das mensagens, sejam elas faladas ou escritas, não será mais a mesma. Isso sem falar no sigilo, esse, conforme amplamente é noticiado já foi “pro brejo”.

Eu não posso falar muito, porque deploro profundamente que tenha sido criado esse malévolo aparelho que veio para vulgarizar a comunicação. Mas devo reconhecer também que ele conseguiu enfraquecer o monopólio dos formadores de opinião. Deixou os poderosos um tanto desarvorados. Haviam apostado todas as suas fichas no domínio dos tradicionais meios de informação, que tiveram que ceder espaço ao aparelhinho diabólico.

Minha postagem anterior, IMPÉRIO DAS TREVAS, já teve sua motivação dada por uma mensagem de Whatsapp. O mesmo autor, que se diz CORONEL da nossa força aérea, sediado em Pernambuco, volta agora comentando os acontecimentos jurídico-políticos que abalaram o país na última semana. Não, não é a estes que pretendo me referir. Aliás, aproveito para lembrar que comentários, que os prezados leitores queiram fazer às matérias aqui publicadas, devem se relacionar ao assunto abordado. Muitos querem desopilar o fígado, dando vazão aos seus assuntos partidários. Estes são excluídos na moderação. Para os visitantes mais recentes talvez seja conveniente explicar que este Blog do Toedter veio para corrigir o mote corriqueiro de que “A História da Guerra é contada pelo Vencedor.” Como este autor esteve lá, do lado perdedor, resolveu contar a sua visão das coisas. Publicou seu primeiro livro E A GUERRA CONTINUA em 2000 e depois ingressou na internet em 2006 com o blog 2a.guerra.zip.net na UOL, que, por não concordar com o seu conteúdo, o censurou e removeu quatro anos depois. Desde então, 2010, vem sendo publicado sob endereço atual, estendendo suas matérias ao que considera consequências do resultado daquele conflito mundial.

Voltando ao CORONEL do título deste artigo. “Coronel Aviador” da Força Aérea Brasileira? Acho que não pode ser. Deve ser alguém a declarar indevidamente ter este posto da hierarquia militar. Concordo que existe muita gente que, tanto em História quanto em Conhecimentos Gerais, é pessimamente preparada, mas isso não acontece com o oficialato das forças armadas brasileiras. Para chegar a um posto destes é pressuposto que seja pessoa que se informa, que tenha iniciativa, que não se contente com o mediano. Um coronel-aviador da força aérea brasileira não expressaria pensamento tão simplório como este que se ouve em sua mensagem que estou questionando: “…há 70 anos ajudamos a derrotar o IMPÉRIO QUE OPRIMIA O MUNDO, O NAZIFASCISMO.”

Império de verdade na época só existia um, o britânico. “Oprimir o mundo” uma falácia que nem um dos mais incultos sustentaria. Talvez esteja exagerando. José Saramago já dizia: “Vivemos no tempo da mentira universal. Nunca se mentiu tanto. Vivemos na mentira, todos os dias.” É, e devemos reconhecer que as redes sociais se prestam muito bem para confirmar estas palavras. Mas um verdadeiro Coronel das Forças Armadas deve estar acima disto.

Fonte: Blog do Toedter

Publicado originalmente em 12 de novembro de 2019.

Norberto Toedter

Autor e escritor em Bolg do Toedter
Nasceu em 1929 em Curitiba, Paraná, Brasil. De 1942 a 1947 viveu na Alemanha, onde testemunhou parte da Segunda Guerra Mundial. É autor dos livros "E a Guerra Continua"; "O que é a Verdade"; "A Paz que não Houve" e "Outra Face da Notícia"

[Disponíveis em nossa Loja e Biblioteca].
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