Terra e Mar – Carl Schmitt

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Em seu livro Terra e Mar, Carl Schmitt resume a história da humanidade entre a eterna batalha entre as forças e potências da Terra versus as forças e potências do Mar, criando também uma analogia com os monstros bíblicos Leviatã (mar) e Behemoth (terra). Esses dois monstros representam a dualidade das forças da natureza, com o Behemoth representando as forças da natureza e a ordem natural, e o leviatã representando o caos, anarquia e a negação da natureza. O dever de Behemoth é assegurar a criação de Deus, protegendo-a, até o dia em que Deus ordenara ele para matar o rival, com ambos morrendo no processo.

Schmitt utiliza a interpretação medieval, que a história da humanidade é baseada nesta mesma batalha. Então ele discorre sobre diversos processos históricos como a guerra do Peloponeso, Roma, grandes navegações e por fim a revolução industrial com a formação do capitalismo internacional.

Escreve no livro que o ser humano é de natureza terrestre, viemos da terra e iremos para a terra, apesar disso o homem sempre possuiu uma obsessão com o mar, sendo sempre considerado algo místico e desconhecido. Criando se também a noção de quem conquista o mar, se torna poderoso, explicando como os gregos se tornaram uma potência por dominarem as rotas comerciais do mediterrâneo, o que levou em seguida a guerra contra os persas, onde estes eram uma potência terrestre. Considera como uma potência terrestre também a grande república romana que era composta por sua grande maioria de fazendeiros e agricultores, chamando-a de República dos fazendeiros.

Além do significado mitológico e bíblico como uma serpente marinha, Leviatã também é o nome da obra do cientista político e jusnaturalista Thomas Hobbes (1558 – 1679) na qual afirmava que a “guerra de todos contra todos” (Bellum omnium contra omnes) que caracteriza o então “estado de natureza” só poderia ser superada por um governo central e autoritário. O governo central seria uma espécie de monstro – o Leviatã – que concentraria todo o poder em torno de si, e ordenando todas as decisões da sociedade.

Séculos depois Veneza se torna a maior potência marítima antes da Inglaterra, já que o se privilegiado encontro com o mar, permitiu de se tornar a responsável capital do comércio capitalista, também criticado por Schmitt, que afirma que este liberalismo internacional, que surgiu a partir das grandes navegações, utiliza-se desse privilégio para se destacar acima de seus opositores, surgindo conflitos gananciosos que separavam os homens em vez de uni-los. Essa ganância trazia consigo também a pirataria, que representa o capitalismo selvagem, caótico e violento, e também o mundo sem leis, tornando o mar terra de ninguém. Transformando também o combate marítimo mais perigoso e desumano já que os conflitos tornam se também econômicos, quem possui a hegemonia do comércio marítimo pode deixar um país todo em crise até ele ceder às demandas, que significa que as batalhas não são mais entre exércitos e sim contra nações inteiras, já que a população também se torna um alvo e passa a sofrer, e para Schmitt isso demonstra a total perversidade do leviatã.

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O seu mais último exemplo é o da Inglaterra, com seu colonialismo, no livro ele caracteriza a Inglaterra como diferente das demais potências marítimas da história, já que a visão de mundo e a noção de espaço eram outras, eram noções modernas, e assim como a Espanha, pela primeira vez o objetivo estava fora da Europa, conquistando as novas terras descobertas, saindo do território Europeu e cristão, justamente porque teriam mais liberdade para atuar sobre essas novas nações descobertas, sem se preocupar com os países vizinhos europeus.

Isso resultou na grande vitória da Inglaterra, que se tornou a maior potência marítima do mundo, ultrapassando a Espanha e Portugal. E mais tarde com o surgimento da revolução industrial, vem junto com ela a era do leviatã, e a Inglaterra é seu principal representante, enquanto a Alemanha para Schmitt representa a força do Behemoth, lutando contra o leviatã, e se tornando a última defesa da ordem natural.

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Na alegoria de Terra e Mar, vemos que o leviatã representa as forças do globalismo. E como o livro foi escrito em 1942, ele não aborda, obviamente, os acontecimentos pós segunda guerra. Vivemos hoje na legítima era do leviatã, e se formos interpretar a Alemanha como sendo o último ato de defesa contra essa besta demoníaca, aparenta que a história bíblica estava incorreta, e o verdadeiro vencedor se torna leviatã, responsável por toda desordem e caos moderno instaurada no nosso mundo de hoje. As forças liberais e globalistas do capitalismo internacional corromperam toda a ordem natural das nações exatamente como Schmitt previu, com a modernidade (Mar) destruindo o pouco que resta da natureza humana (Terra).


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