Nick Clark: Fascismo e fascismos, entendendo seu surgimento

Nos ajude a espalhar a palavra:

O Fascismo com sua manifestação no início do século revolucionou o campo político e mudando para sempre a história. Mesmo assim, assim não é compreendido pela maioria dos estudiosos que acabam por repassar desinformações sobre este modelo regimental. Por muitas vezes tentam analisar todos os regimes como se fossem a manifestação de uma doutrina única, o que impede ainda mais o entendimento do mesmo. É preciso uma análise ampla do contexto histórico no qual a Europa se encaixa no início do século, e analisar o que a doutrina “fascista” pregava e almejava conquistar. 

No mundo acadêmico é normal observar a maneira peculiar que todos os “intelectuais” tratam a questão do fascismo, com o termo “fascismos” aparecendo dentro das reflexões, escritos e análises. Tratando o fascismo no plural pois querem englobar todos os movimentos nacionalistas surgentes do início do século passado como algo só. Inclusive tentam afirmar que esses movimentos possuíam conexões e financiamentos internacionais, e muitas vezes pela grande elite financeira. Tal afirmação não condiz com a realidade, sendo que essa elite financeira estava não só contra os movimentos “fascistas” como eles financiavam justamente os seus inimigos como o movimento comunista, onde este sim sempre possuiu investimentos do exterior em qualquer lugar que apareceu. 

Com a tentativa de facilitar o estudo sobre o Fascismo e tratar os movimentos relacionados como “farinha do mesmo saco” os intelectuais cometem o erro de acabar não entendendo o que de fato o “fascismo” é e como ele surgiu. Sem duvida é um estudo muito interessante e importante, descobrir qual foi o denominador comum que alavancou essa vertente nacionalista na Europa inteira, combatendo diretamente as forças e movimentos internacionais. 

O que aconteceu para o surgimento de movimentos fascistas, como o Fascismo Italiano, Nacional Socialismo, Guarda de Ferro, Falangismo, Rexismo, Fascismo Britânico, o União Nacional Portuguesa ou o Integralismo brasileiro? (Sendo esses os mais populares que tiveram algum impacto social e político). 

Kerry Bolton em seu artigo “A Resposta Corporativista” nos dá uma ideia de como se deu esse surgimento e quais foram suas origens. Sendo justamente a crise da esquerda e do movimento trabalhista que caiu nas garras do marxismo, e de uma direita monarquista que não quer romper com o liberalismo para retomar a soberania de seus países, esse processo dominou a Europa após a Primeira Guerra Mundial, principalmente nos países do futuro eixo, que frustrados pela derrota militar e com o sentimento patriótico abalado, voltaram os olhos para um novo modelo político que impediria tal atrocidade como a Primeira Grande Guerra se repetir. Entenderam que o marxismo e o liberalismo tendo total aversão ao “nacional”, devem ser descartados caso queiram um país próspero. Da mesma maneira que políticos “antiestablishment” estão ganhando popularidade nesta década como Donald Trump, na década de 1920 as massas estavam buscando pelo mesmo. Um novo modelo teve que ser “criado”. O corporativismo fascista criou a balança perfeita entre as forças trabalhistas e capitalistas, unindo as forças populares para um objetivo em comum, recuperar a nação que as ideologias modernas tinham roubado delas. 

VISITE NOSSA LIVRARIA

Justamente o que ajudou a criar o fascismo foi a crise da modernidade e seus sistemas políticos podres e corruptíveis que só servem para favorecer uma elite financeira bancária global. Surge assim (o fascismo) para corrigir os problemas de cada nação específica sempre se manifestando não como algo único, mas sim se adequando com as necessidades de cada país. Observamos então mudanças estruturais em cada modelo, como o fascismo italiano, nazismo alemão e falangismo espanhol. Todos porém com ideais em comum, sendo esses e principal o anti-internacionalismo e o restabelecimento dos ideais absolutos que constituem nação.  

A manifestação “fascista” na Europa teve uma geração tão espontânea e genuína que até mesmo um dos maiores nomes do liberalismo não pode negar esse fato. 

 “Não se pode negar que o fascismo e movimentos semelhantes que visam o estabelecimento de ditaduras estão cheios das melhores intenções e que a sua intervenção salvou, por ora, a civilização europeia. O mérito que o fascismo conquistou por si só viverá eternamente na história.”– Ludwig von Mises 

A salvação do Ocidente e de seus países era o que almejavam. E, em épocas assombrosas, medidas extremas tiveram que ser tomadas. Os amantes da utópica democracia, expõe Hitler no Mein kampf, “são covardes que não querem ter a responsabilidade em seus ombros quando se trata de um sacrifício para salvar a sua nação dos males do materialismo internacional moderno”. Essa crítica pode ser aplicada para Carlos Lacerda que afirmava que aceitaria um governo comunista desde que ele se estabeleça democraticamente. Esse pensamento liberal é justamente o que enfraqueceu a Europa e estabeleceu o caos na nossa sociedade atual. Como Aristóteles dizia “tolerância e apatia são sinais de uma sociedade decadente”.

E é claro que esses líderes “fascistas” não eram homens loucos como seus opositores tentam impor à eles, dentre outros adjetivos completamente desonestos e parciais. Como afirmado acima, o extremo surge em condições de necessidade e perigo. Mussolini, Hitler e Salazar não tomaram o poder através de golpes. Mussolini só se tornou ditador em 1924 por necessidade por conta de um governo precário, antes disso ficou 2 anos como primeiro ministro sendo colocado lá pelo próprio rei. Outros, como Vargas, foram obrigados a cometer atos inconstitucionais para um bem maior. As pessoas que os criticam não compreendem o perigo do comunismo e desconhecem as perversões da democracia.  

VISITE NOSSA LIVRARIA

A história se repete, assim como César teve que tomar o poder pela força para reestruturar Roma da corrupção do Senado, os líderes nacionalistas do século passado tiveram que tomar a mesma decisão. 

Desconhecem também o lado “democrático” fascista, como o Sir Oswald Mosley, líder da União Britânica dos Fascistas, que em momento nenhum aspirou tomar o poder através da força e sim por meios políticos, e talvez tivessem conseguido se o partido não tivesse se tornado ilegal durante o período de guerra. Se isso tivesse acontecido, com certeza absoluta a Segunda Guerra Mundial não teria acontecido e milhões de vidas europeias teriam sido poupadas. Como o livro de Patrick Buchanan afirma, de 1939 a 1945 a Europa sofreu uma guerra desnecessária, onde não teve vitoriosos e somente um derrotado, o Ocidente. 

O “fascismo” jamais será entendido se insistirmos em observá-lo com um mal que surge de repente se aproveitando dos momentos de crise com o objetivo de eleger tiranos no poder para eles saciarem seus fetiches sanguinários. Tudo isso é muito cômico. Deve ser compreendido como realmente foi, um movimento de revolta com a intenção da sobrevivência dos valores e princípios que estavam perdidos após a guerra e eliminar forças destruidoras do comunismo e do capitalismo moderno. 

É inegável os sucessos econômicos e administrativos que o corporativismo fascista conquistou. Portugal, França, Itália e Alemanha, voltaram para o mapa como potências competindo diretamente com a Inglaterra, tudo isso em um curtíssimo período de tempo, façanha que deixa qualquer governo atual mostrar como o sistema democrático é incapaz, precisando de mandatos e mais mandatos para resolver algo que na época solucionaram em poucos anos. Fim do desemprego, condições de trabalho melhoradas, industrialização, competição internacional, independência, fim da escravidão por juros, fim da exploração dos grandes agentes capitalistas, todos esses foram grandes feitos desse sistema que hoje em dia é esquecido por que estão associados a sanguinários aos olhos dos acadêmicos. 

O modelo corporativista é ignorado justamente pela falta de conhecimento dos seus críticos sobre o assunto. No Brasil acusam Bolsonaro de ser fascista. Se realmente fosse e implementasse esse sistema administrativo não estaríamos no caos econômico que enfrentamos atualmente. Talvez o verdadeiro motivo de tanta confusão se dá pela falta de interesse dos estudiosos de relatar a verdade e sim de forçar uma opinião política e ideológica. A maior parte do intelectuais são hoje em dia marxistas então é difícil encontrar algum que não terá uma opinião crítica em relação às doutrinas que combateram o comunismo décadas passadas. 

Podem criticar o fascismo por seus regimes ditatoriais, mas espero um dia responderem qual outro regime conseguiu impedir o internacionalismo marxista de se espalhar pelos seus países. Não só suas vertentes bolcheviques revolucionárias, mas também as estratégias gramscianas. Assim como também impediram a exploração capitalista sobre os trabalhadores. 

Para entender o fascismo ou os fascismos, é preciso imparcialidade e talvez assim encontraremos respostas para problemas atuais que já foram respondidos no passado e que hoje são esquecidas. 


VISITE NOSSA LIVRARIA


Referências:

– Ludwig Von Mises (1962). “The free and prosperous commonwealth: an exposition of the ideas of classical liberalism” 

– Kerry Bolton. A Resposta Corporativista. O Sentinela, Político, 24 de agosto de 2020. Disponível em https://www.osentinela.org/kerry-raymound-bolton/kerry-bolton-a-resposta-corporativista/

– Patrick J. Buchanan. Churchill, Hitler e a Guerra Desnecessária. 1ª edição, Nova Fronteira, 2019.

– Francisco Carlos Teixeira da silva, Os Fascismos. PDF. Disponível em https://www.academia.edu/43048342/Os_fascismos_Francisco_Carlos_Teixeira_da_Silva

siga em
Nos ajude a espalhar a palavra:
Gostou do artigo? Você pode contribuir para o site com uma doação:

Deixe uma resposta

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.