David Irving – A Guerra de Hitler

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Introdução

“Para os historiadores é concedido um poder que até mesmo aos deuses é negado – alterar o que já aconteceu!”

Me aborreci com desdém desta frase quando embarquei nos estudos sobre os doze anos de poder absoluto de Adolf Hitler. Eu vejo a mim mesmo como um limpador de pedras – menos preocupado em apreciar a arquitetura do que com a remoção de anos de sujeira e manchas na fachada deste monumento silencioso e proibidor. Eu me propus a descrever os eventos do ponto de vista da mesa do Führer, vendo cada episódio através de seus olhos. A técnica, necessariamente, restringe o campo de visão, mas ela ajuda a explicar as decisões que de outra forma são inexplicáveis. Ninguém que eu conheci tentou fazer isso antes, mas o esforço parece valer a pena: afinal, a guerra contra Hitler matou quarenta milhões de pessoas e devastou toda a Europa e metade da Ásia em fogos e explosivos, que destruíram o “Terceiro Reich” de Hitler, quebrou a Grã-Bretanha e a fez perder o império dela, desestabilizou as relações internacionais e viu o estabelecimento do comunismo em um continente e sua emergência em outro.

Nos primeiros livros que eu tinha consultado em fontes primárias da época, em vez de toda a literatura publicada, as quais continham muitas armadilhas demais para o historiador. Eu ingenuamente supus que as mesmas técnicas de fontes primárias poderiam dentro de cinco anos serem aplicadas para um estudo de Hitler. De fato, iriam ser treze anos antes que o primeiro volume, “A Guerra de Hitler”, fosse publicado em 1977; e vinte anos depois eu estava ainda indexando e adicionando em meus arquivos de documentos. Eu lembro que, em 1965, dirigindo até as docas de Tilbury para recolher uma caixa de microfilmes que havia solicitado ao governo dos Estados Unidos para este estudo; o barco que trouxe a caixa tinha há muito tempo sido sucateado, o próprio estaleiro nivelado no chão. Eu acho que fiz esta viagem num ritmo muito lento. Espero, porém, que esta biografia, agora atualizada e revisada, sobreviva a seus rivais, e que haja cada vez mais e mais futuros escritores vejam-se eles mesmos compelidos de consultá-la em busca de material inexistente em nenhuma outra. Viajando ao redor do mundo, eu tenho descoberto que ela tem dividido a comunidade de historiadores universitários de do topo até o fundo, particularmente na controvérsia em torno do “Holocausto”. Na Austrália somente, os estudantes das universidades de New South Wales e Western Australia foram penalizados por citarem “A Guerra de Hitler”, nas universidades de Wollongong e Camberra os estudantes são advertidos se não a citam. A biografia foi uma leitura requerida para os oficiais de academias militares desde West Point, Nova Iorque e Carlisle, Pensilvânia, até que grupos de interesses-especiais impuseram pressão para os comandantes oficiais daquelas cadeiras de disciplinas; ao mesmo tempo esta obra atraiu elogios dos críticos especialistas por trás da Cortina de Ferro e dos frequentadores da extrema-direita.

Nem todo mundo estava contente. Como autor desta obra, tive minha casa invadida por bandidos, minha família aterrorizada, meu nome sujo, minhas impressoras explodidas, eu mesmo preso e deportado pela pequena e democrática Áustria – um ato ilegal, a corte deles decidiu, pelo qual os acusados ministeriais foram punidos; a mando de desafetos acadêmicos e cidadãos influentes. Nos anos subsequentes, eu fui deportado do Canadá (em 1992), tive a imigração recusada na Austrália, Nova Zelândia, Itália, África do Sul e outros países civilizados ao redor do mundo (em 1993).

Na minha ausência, grupos internacionais circularam cartas em livrarias, pedindo que este livro fosse retirado de suas prateleiras. De tempo em tempo, cópias dessas cartas foram mostradas para mim. Um jornalista da revista Time que jantava comigo em Nova Iorque em 1988, me fez a seguinte observação: “Antes de vir vê-lo, eu li as notícias publicadas sobre você. Até lançar A Guerra de Hitler você era elogiado e era muito estimado pelos meios de comunicação, mas depois disso…”

Eu não ofereço nenhuma desculpa por haver modificado o retrato já existente do homem em questão. Eu tentei dar a ele o tipo de interrogatório que ele iria ter tido em um tribunal inglês, onde se recorre às regras normais das provas, mas também onde uma medida de intuição é apropriada.

Existem céticos que me têm perguntado se a excessiva dependência das fontes pessoais, com sua inevitável subjetividade, tem alguma vantagem como método de investigação sobre os sistemas mais tradicionais de busca de informação. Minha resposta é certamente que não podemos negar completamente o valor das fontes pessoais. Como observou o Washington Post em sua resenha sobre a primeira edição de 1977, “Os historiados ingleses sempre tem sido mais objetivos frente a Hitler do que os escritores alemães e norte-americanos.”

Minhas conclusões ao completar o manuscrito surpreenderam mesmo a mim. Hitler foi um Führer muito menos onipotente do que tem sido acreditado, e seu domínio sobre seus subordinados tinha enfraquecido com o passar de cada ano. Três episódios – as consequências do caso Ernst Röhm em 30 de junho de 1934, o assassinato de Dollfuss um mês depois, e os ultrajes anti-judaicos de novembro de 1938 – mostram como os seus poderes haviam sido previamente diluídos pelo homem que, de uma forma ou de outra, ele próprio se sentia em dívida. Enquanto as ambições centrais e condutoras do meu Hitler pré-guerra permanecem constante, seus métodos e táticas foram profundamente oportunistas. Hitler firmemente acreditou em agarrar as oportunidades passageiras. “Existe apenas um momento em que a Deusa da Fortuna passa” –falou ele a seus ajudantes em 1938 – “e se você não a agarrar ela, pela bainha do vestido você não terá uma segunda chance!” A maneira em que ele se comportou diante do duplo escândalo em janeiro de 1938 para livrar a si mesmo do conservativo Chefe Comandante do exército Werner Von Fritsch e se tornar seu próprio Supremo Comandante também, é um bom exemplo.

Suas ambições geográficas permaneceram não mudadas. Ele não tinha ambições contra a Grã-Bretanha e seu Império, e todos relatos recolhidos solidamente trazem isto à tona. Ele tinha certamente construído uma força aérea errada e uma marinha errada para uma campanha contínua contra as ilhas britânicas; e sutis indicações, como as instruções que deu para Fritz Todt (página 21) para erguer grandes monumentos nas fronteiras ocidentais do Reich, sugerem que para Hitler estas fronteiras seriam de duradoura natureza. Existem igualmente provas suficientes sobre seus planos de invadir o leste: seu discurso secreto de fevereiro de 1933 (página 25), seu memorando de agosto de 1936 (páginas 40-41), suas instruções para fortificar Pilau como uma base naval báltica (página 50) em junho de 1937 e os comentários que fez a Mussolini em maio de 1938 (página 88) a respeito de que a “Alemanha se precipitará pelo antigo caminho teutônico em direção ao leste”. Não até o final daquele mês, verifica-se (página 92) quando Hitler resignou-se ele próprio às tendências de que a Grã-Bretanha e França iriam provavelmente não ficar à parte.

Os últimos anos de pré-guerra viram a intensiva confiança de Hitler nas técnicas de guerra psicológica. A princípio não era novo: O próprio Napoleão tinha definido isso assim: “A reputação de um exército na guerra é tudo, e equivalente as forças reais”. Ao usar os registros do Ministério de Propaganda e de vários departamentos editoriais eu tenho tentado ilustrar o quão avançado estavam os nazis nestas técnicas de “guerra fria”. Relacionado a este tema está minha ênfase nas fontes de informação do Serviço Secreto de Hitler no exterior. A agência encarregada de decifrar códigos e de realizar escutas telefônicas, a Forschungsamt, a qual destruiu seus arquivos em 1945, mantém a chave de muitos de seus sucessos. A agência podia escutar os telefonemas dos diplomáticos estrangeiros em Berlim, e – ainda mais significante – ela fornecia à Hitler horas e horas de transcrições de conversações telefônicas vívidas e imprudentes conduzidas entre uma Praga em pré-guerra e diplomatas tchecos em Londres e Paris em setembro de 1938 (páginas 118-126).  Do momento de Munique até o começo da guerra com a Grã-Bretanha, Hitler poderia seguir virtualmente, hora a hora, como seus inimigos estavam reagindo contra cada manobra estratégica nazista, e ele certamente deduziu no dia 22 de agosto de 1939 que, enquanto as forças ocidentais devessem formalmente declarar guerra, elas não iriam na prática lutar –, isto é, não a princípio.

Os anos de guerra viram Hitler como um poderoso e implacável comandante militar, a inspiração por trás das grandes vitórias como a Batalha da França em maio de 1940 e a Batalha de Kharkov em maio de 1942; mesmo o Marechal Zhukov admitiu mais tarde em particular que a estratégia levada a cabo por Hitler no verão de 1941 –ao invés do ataque frontal à Moscou do Estado Maior Geral – era inquestionavelmente correta.  Ao mesmo tempo, contudo, Hitler tornou-se um descuidado e indeciso líder político, que permitiu assuntos de Estado estagnar. Embora muitas vezes brutal e insensível, ele carecia da habilidade de ser implacável onde isso mais importava. Ele recusou-se bombardear a própria Londres até o Sr. Churchill ter forçado sua decisão ao final de agosto de 1940.  Ele estava relutante em impor o teste da mobilização total sobre a germânica “raça mestra” até que isso fosse tarde demais, de modo que as fábricas de munições pediam urgentemente por mão de obra, inativas donas de casa alemãs estavam ainda desperdiçando meio milhão de empregadas limpando suas casas e polindo seus móveis. A irresolução militar de Hitler, algumas vezes, mostrou-se através, por exemplo, em suas vacilações tomadas de pânico em tempos de crise como a atalha de Narvik em 1940. Ele tomou medidas ineficazes contra seus inimigos dentro da Alemanha por tempo demais, e pareceu ter sido incapaz de agir efetivamente contra a forte oposição no coração de seu próprio Alto Comando. Na verdade, ele sofreu com ministros e generais incompetentes por muito mais tempo que os líderes aliados sofreram. Ele falhou em unir as facções rivais do Partido e a Wehrmacht por uma causa comum, e ele se provou incapaz de eliminar o corrosivo ódio do Departamento de Guerra (OKH) para com o Alto Comando da Wehrmacht (OKW).

Eu acredito que mostro neste livro que o quanto mais hermeticamente Hitler fechava a si mesmo atrás de arame farpado e campos minados de sua remota sede militar, mais a Alemanha dele se tornava um Estado do Führer sem um Führer. A política interna foi controlada pelos mais poderosos de cada setor – por Hermann Göring, que foi o líder do poderoso Gabinete de Economia e responsável pelo Plano dos Quatro Anos; por Lans Lammers como Chefe da Chancelaria do Reich, por Martin Bormann, o chefe do Partido Nazista; por Heinrich Himmler, ministro do interior do Reich e Reichführer das SS, de péssima fama.

Hitler foi sempre um problema, uma verdadeira incógnita, inclusive em relação aos seus conselheiros mais íntimos. Joachim Ribbentrop, seu Ministro dos Assuntos Exteriores, escreveu em sua cela em Nuremberg em 1945:

“Conheci mais a respeito de Adolf Hitler em 1933. Se eu sou perguntado hoje, contudo, se eu o conheci bem – como ele pensou como político e homem de Estado, que tipo de homem ele era – Então eu sou obrigado a confessar que eu sei somente muito pouco sobre ele; realmente, nada afinal. O fato é que embora eu estive muito tempo junto dele, em todos os anos trabalhando com ele eu nunca fiquei tão íntimo dele do que no primeiro dia em que nos encontramos, se pessoalmente ou não.

A pura complexidade daquele caráter é evidente de uma comparação de sua brutalidade em alguns aspectos com sua sentimentalidade quase piegas e teimosa aderência às convenções militares que outros tinham há muito abandonado. Nós encontramos ele ordenando a sangue frio a centenas de reféns para serem executados para cada soldado morto na ocupação alemã; ditando o massacre de oficiais italianos que tinham virado suas armas contra as tropas alemãs em 1943; ordenando a liquidação dos comissários do Exército Vermelho, tropas comando dos aliados; prisioneiros aliados das tripulações aéreas; em 1942 ele anunciou que as populações masculinas de Stalingrado e Leningrado eram para serem exterminadas. Ele justificou todas estas ordens pelos expedientes de guerra. Ainda o mesmo Hitler indignadamente exclamou, na última semana de sua vida, que tanques soviéticos estavam portando a bandeira da suástica como uma falcatrua durante os combates de rua em Berlim, e ele proibiu completamente sua Wehrmacht de violar as regras de bandeiras. Ele tinha se oposto a cada sugestão para o uso de gases venenosos, e que iam violar o Protocolo de Genebra; naquela época somente a Alemanha tinha manufaturado os potencialmente decisivos para a vitória, gases nervosos Sarin e Tabun. Numa época na qual os governos das democracias tentaram, engendraram, ou consentiram os assassinatos, de modo bem sucedido ou não, dos inconvenientes [1] – Desde o General Sikorski, Marechal Darlan, Marechal de Campo Rommel, e o Rei Boris da Bulgária até Fidel Castro, Patrice Lumumba, e Salvador Allende – nós aprendemos que Hitler, os maios inescrupuloso ditador, não somente nunca recorreu ao assassinato de oponentes estrangeiros mas proibiu completamente sua Abwehr de tentar isso. Em particular ele rejeitou os planos de Canaris para assassinar a equipe do Mando do Exército Vermelho.

O maior problema em lidar analiticamente com Hitler é a aversão a ele deliberadamente criada por anos de intensa propaganda de guerra e da historiográfica emotiva do pós-guerra. Eu venho ao assunto com sentimentos quase neutros. Minha impressão da guerra era limitada a memórias instantâneas – Os piqueniques do verão de 1940 ao redor dos destroços do bombardeio de Heinkel nas Florestas Bluebell; as infernais notas de órgão das bombas V1 passando acima de nós; comboios de caminhões verde oliva estrondosamente passando pelos portais do país; contando os rombos nos esquadrões de bombardeios americanos voltando dispersos de cada dia da Alemanha. Ondas de navios de tropas partindo das praias do sul para a Normandia; e naturalmente, o Dia da Vitória, com as fogueiras e batendo o gongo da família. Nosso conhecimento sobre a “responsabilidade” germânica para tudo isto não era tão profundo. Na revista Everybody, há muito extinta, eu lembro de “Ferrier’s World Searchlight” com suas caricaturas do anão manco chamado Goebbels e outros heróis nazistas cômicos.

As caricaturas têm envilecida a escritura da história moderna desde então. Confrontado pelo próprio fenômeno Hitler, os historiadores são incapazes de compreender que ele que andava, falava, que pesava por volta de setenta quilos, com cabelos grisalhos, quase todos os dentes postiços e com graves problemas digestivos. Ele era para eles o diabo encarnado: ele tinha de ser, por causa dos sacrifícios que fizemos em destruir ele.

O processo de fazer caricaturas tornou-se respeitável nos julgamentos de crimes de guerra em Nuremberg. A história tem sido infestada desde então pelos métodos dos times de processos de selecionar, exibir e pela subsequente publicação em volumes perfeitamente indexados e a incineração de qualquer documento que possa ter impossibilitado o esforço de acusação. Em Nuremberg a culpa pelo que aconteceu foi movida do General para o Ministro, do Ministro para o dirigente do Partido, e de todos eles invariavelmente para Hitler. Sob o sistema de editoras “licenciadas” e jornais estabelecidos pelos vitoriosos na Alemanha pós-guerra, as lendas prosperaram. Nenhuma história era tão absurda para ganhar crédito nas memórias e livros de história.

Entre estes criativos escritores o Estado Maior Alemão ocupa um lugar de honra. Sem Hitler, poucos deles teriam subido acima do posto de coronel. Eles devem a ele seus trabalhos, suas medalhas, suas propriedades e renda, e não infrequentemente suas vitórias também. Depois da guerra, aqueles que sobreviveram – os quais eram algumas vezes por motivo deles terem sido demitidos e assim removidos dos perigos do campo de batalha – maquinaram para desviar a culpa pela derrota final. Nos arquivos de Nuremberg o promotor Robert H. Jackson eu encontrei uma nota avisando sobre as táticas que o general Franz Halder, o ex-chefe do Estado Maior, propôs adotar:

“Eu apenas queria chamar a atenção de vocês para as interceptações CSDIC das conversações de Halder com outros generais. Ele é extremamente franco no que ele pensa que deve ser distorcido ou suprimido e em particular é muito sensível à sugestão de que o Estado Maior Alemão estava envolvido em qualquer coisa, especialmente o planejamento para guerra.”

Felizmente estas embaraçosas compensações entre consciência e memória foram mais que uma vez gravados para a posteridade através de microfones escondidos do CSDIC (Combined Services Detailed Interrogation Centre). Assim o general de cavalaria Rothkirch, o Comandante do III Corpo, capturado em Bitburg em 6 de março, 1945, foi ouvido casualmente três dias depois descrevendo como ele tinha pessoalmente liquidado judeus em uma pequena cidade próxima de Vitebsk, Rússia, e como ele tinha sido avisado para não perturbar as covas de massas próximo a Minsk conforme eram para serem exumadas e incineradas assim como destruir todos traços. “Eu tenho decidido,” ele disse aos companheiros, “distorcer cada afirmação que eu fiz de modo que o corpo oficial esteja limpidamente branco – implacavelmente, implacavelmente![2] E quando o General Heinz Guderian e o arrogante, insolente General Leo Geyr von Schweppenburg foram solicitados por seus captores americanos para escreverem sua própria história da guerra, eles primeiro procuraram permissão do Marechal de Campo Wilhelm Leeb como oficial sênior no CSDIC do Sétimo Exército. Novamente microfones escondidos gravaram a conversa deles:

LEEB: Bem, eu posso somente dar minha opinião pessoal… Você irá ter de pesar suas respostas cuidadosamente quando elas pertencem aos objetivos, causas, e os progressos das operações, a fim de ver onde elas podem impingir sobre os interesses de nossa Pátria. Por um lado nós temos de admitir que os americanos conhecem o curso das operações muito precisamente; eles sabiam mesmo quais unidades eram empregadas em nosso lado. Contudo eles não são muito familiares com nossos motivos. E existe um ponto onde seria aconselhável proceder com cautela, de modo que nós não nos tornemos o motivo de risos do mundo. Eu não conheço quais eram suas relações com Hitler, mas eu conheço a capacidade militar dele… Você irá ter de considerar suas respostas com um pouco de cuidado quando aproximados neste assunto de modo que você não diga nada que possa embaraçar nossa Pátria…

GEYR VON SCHWEPPENBURG: Os tipos de loucura conhecidos pelos psicólogos não podem ser comparados com os que o Führer sofria. Ele foi um louco rodeado de servos. Eu não acho que nós devemos nos expressar muito tão fortemente como o que está em nossas afirmações. A menção deste fato irá ter de ser feira, contudo, a fim de exonerar umas poucas pessoas.

Depois de uma agonizante situação sobre se os generais alemães advogaram a guerra em 1939, Leeb sugeriu: “A questão é agora se nós não devemos abertamente declarar abertamente tudo o que nós sabemos.”

GEYR: Qualquer observador objetivo irá admitir que o Nacional Socialismo fez  subir as condições sociais do trabalhador, e em alguns aspectos mesmo seu padrão de vida.

LEEB: Esse é um dos grandes feitos do Nacional Socialismo. Os excessos do Nacional Socialismo foram em primeira e última análise devido à personalidade do Führer.

GUDERIAN: Os princípios fundamentais eram bons.

LEEB: Isto é verdade.

Ao escrever esta biografia eu, portanto, adotei estrito critério em selecionar minhas fontes materiais. Eu tenho usado não somente as fontes militares e arquivos; eu tenho cavado fundo nos controversos escritos de seus mais íntimos membros de sua equipe pessoal, procurando indícios para a real verdade nos diários e cartas privadas para esposas e amigos. Para o novo trabalho autobiográfico eu tenho utilizado e prefiro confiar nos manuscritos originais deles ao invés dos textos digitados, conforme nos primeiros anos do pós-guerra, apreensivos editores (especialmente os ‘licenciados’ na Alemanha) fizeram mudanças drásticas neles – por exemplo, nas memórias de Karl Wilhelm Krauer, servidor pessoal de Hitler. Assim eu confiei nas memórias escritas à mão ao invés das mutiladas versões de escritores anônimos subsequentemente publicadas por André Deutche [3].

Eu iria mais longe para alertar contra vários livros até então são aceitos como fontes “padrão” sobre Hitler – particularmente aqueles de Konrad Heiden, o agente duplo da Abwehr/OSS Hans Bernd Giseviusm Erich Kordt, e Frietz Wiedmann, o ajudante despedido de Hitler. (O último desavergonhadamente explicou em uma carta privada para um amigo em 1940, ‘não faz nenhuma diferença se exageros e mesmo falsidades são inseridas.’) O “diário” do professor Jackob Burckhardt citados em suas memórias, “Meine Danziger Mission 1937 – 1939″, é impossível reconciliar com os reais movimentos de Hitler; enquanto o “Conversations with Hitler de Hermann Rauschning” (Zurique, 1940) tem complicado a análise das medidas políticas de Hitler desde que ele foi publicado pelo infame propagandista {judeu [4]} Emery Reves (Imre Revész) junto com outras fábulas incluídas. Rauchning, um ex-político nazista em Danzig, encontrou Hitler somente em um par de ocasiões formais. Foi republicado em Viena tão recentemente como em 1973, embora mesmo o historiador alemão ocidental sem muito senso crítico, o professor Eberhard Jäckel – que sem cuidado incluiu 78 falsificações em um sério volume de manuscritos de Hitler, e então rechaçou esta venenosa injeção reduzindo-o a menos que 5 por cento do volume total! – enfatizado em um erudito artigo na Geschichte in Wissenschaft und Unterricht (nº 11, 1977) que o volume de Rauschning não tinha, afinal, nenhuma reivindicação para credibilidade. Reves foi também publicador de outra famosa “fonte” sobre o início da história nazista, “memórias” de Fritz Thyssen, I Paid Hitler (Londres, 1943). Henry Ashby Turner, Jr., tem destacado em um artigo em Vierteljahrsheft für Zeitgeschichte (nº 3, 1971) que o azarado Thyssen nunca nem mesmo viu nada dos dezenove capítulos do livro, enquanto o resto foi redigido em francês! A lista de tais volumes espúrios é interminável. As “memórias” anônimas da falecida Christa Schroeder, “Hitler Privat” (Düsseldorf, 1949), foi escrita por Albert Zoller, um oficial de ligação do exército francês para o Sétimo Exército americano. As alegadas notas de Martin Bormann sobre as conversações finais de Hitler no Bunker, publicadas com uma introdução do professor Hugh Trevor-Roper em 1961 como “The Testament of Adolf Hitler” e – arrependidamente – publicada pela Albrecht Knaus Verlag em alemão como “Hitlers Politisches Testament: Die Bormann-Diktate” (Hamburgo, 1981), são em minha opinião muito espúrios: uma cópia do original, parcialmente datilografado e parcialmente escrito a mão está em minha posse, e isto não deixa dúvidas [5].

Os historiadores são, contudo, bastante incorrigíveis, e irão citar qualquer fonte aparentemente primária não importa quão convincentemente seu falso pedigree é exposto. As memórias de Albert Speer “Inside the Third Reich” {publicado no Brasil como ‘Por dentro do Terceiro Reich’} deu a ele uma fortuna pessoal depois que a firma,  de Berlim ocidental, Propyläen, publicou o livro em 1969. O volume deu a ele vasto respeito por seu repúdio à Hitler. Alguns críticos estavam, todavia, intrigados que a edição americana diferia substancialmente da original em alemão Erinnerungen e a da edição britânica. Eu ouvi a verdade da boca do mesmo, sendo um dos primeiros escritores a entrevistar Speer depois da liberação da prisão de Spandau em 1966. O ex-Reichsminister passou uma tarde inteira lendo alto para mim os rascunhos de suas memórias. O livro, subsequentemente publicado, era muito diferente, tendo sido escrito, ele explicou, pela minha própria editora na casa editorial Ullstein [6] (Annette Engel, nascida Etienne), pelo seu chefe editorial Wolf Jobst Siedler, e pelo historiador Joaquim Fest, editor da prestigiosa Frankfurter Allgemeine Zeitung. A Senhora Etienne confirmou isso. Quando eu desafiei Speer, em privado num jantar de uma casa editorial em Frankfurt em outubro de 1979 a publicar suas memórias originais, ele respondeu sobre o desejoso que ele gostaria poder fazer: “isto seria impossível. Este manuscrito era muito fora de ser sustentado nas modernas nuanças. Mesmo os títulos dos capítulos iriam ter causado dificuldades”. Um corajoso autor de Berlim, Mathias Schmidt, depois publicou um livro [7] expondo os comentários de Speer e as “memórias”; mas é o último volume {ou seja as memórias} o qual os preguiçosos cavalheiros da minha profissão têm em suas bibliotecas, não o livro de Schimidt, assim provando que as palavras inaugurais desta introdução são verdadeiras.

Foi sintomático a veracidade de Speer à história que enquanto ele estava em Spandau ele pagou para os diários inteiros de tempos de guerra de seu escritório (Dienststelle) serem novamente digitados omitindo as passagens mais infortunas, e doando estes arquivos falsificados para o Bundesarchiv em Koblenz. Minha comparação do volume de 1943, alojado nos arquivos do Gabinete Britânico Oficial com a cópia do Bundesarchiv deixou isto claro, e Matthias Schmidt também revela a falsificação.  De fato, eu tenho estado perplexo pelo número de tais “diários” os quais o escrutínio detalhado prova terem sido falsificados ou adulterados – com a invariável desvantagem à Hitler.

Dois diferentes homens alegaram possuir os diários completos do Vice-Almirante Wilhelm Canaris, o lendário chefe da Abwehr enforcado por Hitler em abril de 1945. O primeiro, Klaus Benzing, produziu “documentos do pós-guerra do Serviço de Inteligência Alemão (BND)” e os documentos originais “assinados por Canaris” em seu suporte; o segundo, o juiz da Suprema Corte Alemã Fabian von Schlabrendorff, anunciou que sua coleção dos diários tinha sido recentemente devolvida pelo Generalíssimo Francisco Franco ao governo da Alemanha Ocidental. Testes forenses no papel e na tinta de um “documento de Canaris” fornecido pelo primeiro {isto é, por Fabian von Schlabrendorff}, conduzidas por mim para o laboratório Londrino de Hehner & Cox Ltd, provaram ser eles uma falsificação. Uma entrevista com o chef de bureau de Franco – seu cunhado Don Felipe Polo Valdes – em Madrid, inclinaram igualmente à improbabilidade da alegação do juiz alemão.

Similarmente os diários de Eva Braum publicados pelo ator de filmes Luis Trenker foi largamente falsificado a partir de suas memórias escritas décadas antes pela condessa Irma Larisch-Wallersee; a falsificação foi estabelecida pela corte de Munique em outubro de 1948. Os diários genuínos e as volumosas correspondências íntimas com Hitler de Eva Braun foram adquiridas pelo time CIC do coronel Robert A. Gutierrez, baseado em Stuttgart Backnang no verão de 1945; depois de uma triagem por Frau Ursula Göhler por sua própria conta, estes papeis não mais têm sido vistos desde então.

Eu visitei Gutierres duas vezes no Novo México – ele posteriormente liberou o vestido de casamento de Eva Braun e os talheres de prata (o qual ele admitiu ter retido) para meu colega pesquisador Willi Korte, mas ele não tem concedido uma polegada dos papéis e diários perdidos.

Os frequentemente citados diários do massagista de Himmler e Ribbentrop em Berlim, Felix Kersten são igualmente fictícios – como por exemplo o “dossiê” de vinte e seis páginas do médico de Hitler, descrito no capítulo XXIII (páginas 165 – 171 da versão inglesa) mostram quando comparados com o genuíno diário do médico de Hitler, Theo Morell, o qual eu encontrei e publiquei em 1983. Os genuínos diários de Kersten os quais o professor Hugh Trevor Roper viu na Suécia não foram nunca publicados, talvez por causa da dinamite política que eles continham sobre a elite sueca incluindo o editor Albert Bonnierm que alegou ter oferecido à Himmler o endereço de cada judeu na Suécia em troca por concessões no caso de uma invasão nazista. Similarmente os “diários” publicados por Rudolf Semler em “Goebbels – the Man Next to Hitler” (Londres, 1947) são falsos também, conforme a entrada de 12 de janeiro de 1945 prova; ela tem Hitler como visita de Goebbels em Berlim, quando o Führer estava na verdade ainda lutando a Batalha de Bulge em seu quartel general no oeste da Alemanha.

Existem também óbvios anacronismos nos extensivamente citados “diários” do Conde Galeazzo Ciano [8]: por exemplo, o Marechal Rodolfo Graziani “reclama sobre Rommel” em 12 de dezembro de 1940 – dois meses inteiros antes que Rommel fosse anunciado para o teatro norte africano da Itália! De fato, Ciano gastou os meses depois de sua demissão em fevereiro de 1943 reescrevendo e ‘melhorando’ o próprio diário, o qual faz ele legível, mas inútil para propósitos de história. Ribbentrop avisou sobre a falsificação em suas memórias na prisão – ele alegou ter visto o diário real de Ciano em setembro de 1943 – e o intérprete nazi Eugen Dollmann descreveu em suas memórias como a fraude foi realmente admitida a ele por um oficial britânico em um campo de prisão. Os arquivos OSS sobre isto estão nos documentos de Allen W. Dulles [9] (infelizmente ainda fechados) na Biblioteca Mudd, Universidade de Princeton; mas mesmo o mais superficial exame dos volumes manuscritos revelam a extensão à qual Ciano (ou outros) adulteraram eles e interpolaram o material – mas ainda historiadores da mais alta reputação têm citado eles sem questionar assim como eles o têm com o então chamado ‘Documentos de Lisboa’ de Ciano, embora o último também traga todas as características de subsequente edição. (Eles todos têm sido datilografados novamente na mesma máquina datilográfica embora aparentemente feitos durante os seis anos de 1936 – 1942.)

Alguns diários têm sido resumidos de maneira relativamente inofensiva; o real diário manuscrito do Chefe de Estado da Luftwaffe Karl Koller frequentemente não traz semelhança à versão que ele publicou como Der Letzte Monat (Mannheim, 1949). E Helmut Greiner, guarda dos diários de guerra das operações oficiais da OKW [10] até 1943, aproveitaram a oportunidade em 1945, quando solicitado pelos americanos para transcrever novamente suas notas originais para os volumes perdidos de agosto de 1942 até março de 1943, para extirpar passagens as quais refletiam desfavoravelmente aos companheiros prisioneiros como o General Adolf Heusinger – ou também favoráveis à Hitler; e sem dúvida para adular em favor dos americanos, ele adicionou longos parágrafos carregados com pungentes críticas da conduta de Hitler na guerra as quais eu encontrei estarem faltando de suas notas manuscritas originais. Esta tendência – para expor Hitler ao ridículo após a guerra – estava também evidentemente forte nos ‘diários’ do falecido General Gerhard Engel, que serviu como seu ajudante no exército de março de 1938 até outubro de 1943.  Evidências historiográficas somente – por exemplo, comparação com os diários privados de 1940 do Reichminister Fritz Todt ou a esposa do General Rudolf Schmundt, ou com os relatos do Marechal de Campo von Manstein, do Grupo do Exército em Don na época de Stalingrado – indicam que não importam onde eles estejam, eles não são diários contemporâneos; testes sobre a idade do papel confirmam isto. Lamentavelmente, o bem conhecido Institute für Zeitgeschichte em Munique todavia publicou eles em um volume, Heeresadjutant bei Hitler 1938 – 1943 (Stuttgart, 1974), ao invés, debilmente chamou a atenção para as inconsistências nos ‘diários’ em uma curta introdução.

Com a brilhante exceção de Hugh Trevor Roper (agora Lorde Dacre), cujo livro The Last Days of Hitler foi baseado em relatos da era e é, portanto, virtualmente inacessível mesmo hoje, cada sucessivo biógrafo repete ou abraça as lendas criadas por seus predecessores, ou, no melhor dos casos, consultaram somente os trabalhos mais disponíveis à mão de referência para eles mesmos. Na década de 60 e 70 uma onda de fracas, repetitivas e nada reveladoras biografias de Hitler têm lavado as livrarias. O mais vastamente difundido foi o escrito por uma personalidade da TV alemã e historiador, Joachim Fest; mas ele posteriormente disse a um interrogador que ele nem mesmo tinha visitado os magníficos arquivos em Washington, os quais abrigam de longe a maior coleção de registros em relação à recente história europeia. Estilisticamente o alemão de Fest era bom; mas as velhas lendas estavam trotando para fora novamente, polidas para uma impressionante aparência de autoridade.

A mesma companhia de Berlim também publicou minha primeira biografia de Hitler logo depois, sob o título de Hitler und seine Feldherren; seu chefe editor, Siedler, achou muitos de meus argumentos dessaborosos, mesmo perigosos, e sem informar-me suprimiu ou mesmo modificou eles. No texto impresso deles Hitler não tinha dito a Himmler (30 de novembro de 1941) que era para haver ‘nenhuma liquidação’ de uma consignação de judeus de Berlim; ele tinha o dito para não usar a palavra ‘liquidar’ publicamente em conexão com o programa deles de extermínio. Assim a história é falsificada! Por isso e por razões similares eu proibi publicações posteriores do livro, dois dias depois de sua aparência na Alemanha, e pleiteei por dez anos reganhar o direito de publicar ele em sua forma original. Para explicar as ações deles, os publicadores de Berlim argumentaram que meu manuscrito expressou algumas visões que eram ‘uma afronta para a estabelecida opinião histórica’ no país deles.

Meus acomodados predecessores tem agradecidamente lamentado que a maioria dos documentos têm sido destruídos. Eles não têm – eles sobreviveram em embaraçadora superabundância. Os documentos oficiais do Marechal de Campo da Luftwaffe Erhard Milch, vice de Göring, foram capturados pelos britânicos e o total supera 60,000 páginas; o diário da equipe naval alemã, de imenso valor de longe além das questões puramente navais, sobreviveram; tomou-me muitos meses ler os 69 volumes do texto principal, alguns com mais de 900 páginas, em Washington e examinar os mais promissores dos 3.000 microfilmes registrados dos relatos da marinha alemã mantidos em Washington. Depois que a primeira edição do livro apareceu em Berlim, em 1975, volumes posteriores dos diários de Joseph Goebbels foram liberados no Ocidente; eu tinha alguns receios que eles poderiam revelar que algumas das minhas mais perigosas hipóteses tivessem sido esvaziadas. (Nenhum daqueles primeiros volumes, nem os desaparecidos diários de Goebbels primeiramente explorados por mim nos arquivos de Moscou em 1992, nem o resto deles, têm portado qualquer evidência que eu estava errado)

Muitas fontes de importância primária estão ainda desaparecidas. Aqueles historiadores diplomáticos nunca se incomodarem uma vez em trinta anos de visitar a viúva do secretário de estado de Joaquim von Ribbentrop, Ersnt von Weizsäcker, pai do subsequente presidente da Alemanha Ocidental, foi um mistério desconcertante para mim. Tivessem eles procurado pela viúva de Walther Hewel, o intermediário oficial de Ribbentrop, eles iriam aprender sobre seus diários também. E quem são estes super emocionados historiadores da tragédia judaica que, até onde eu saiba, nunca deram o trabalho a si mesmos nem de abrir um legível arquivo de notas de telefones, escrito a mão, do chefe da SS, Heinrich Himmler, ou ler seu memorando para seus encontros secretos com Adolf Hitler? Ai de mim, aparte dos diários de bolso para 1935 e 1939, dos quais eu tenho doado cópias para o Bundesarchiv, os diários de Himmler tem em grande parte desaparecido – parte carregados como troféus para Moscou, de onde a maioria das páginas de 1941 – 1942 têm somente recentemente sido recuperadas [11], e parte foram removidas para Tel Aviv, Israel; Chaim Rosenthal, ex-adido do Consulado de Israel em Nova Iorque, obteve alguns dos diários de Himmler pelos mais questionáveis meios e doaram eles para a Universidade de Tel Aviv em 1982, mas seguindo extensa litigação contra Rosenthal – agora não bem-vindo nos EUA – a universidade devolveu os volumes para ele.

Outros diários estão também irreparavelmente perdidos. Aqueles do ex-executivo da Gestapo, Werner Best, foram pela última vez vistos nos Arquivos Reais da Dinamarca em 1945, aqueles de Karl Wolff foram vistos pela última vez em Nuremberg. Os diários de Hans Lammers, Wilhelm Brückner, e Karl Bodenschatz desapareceram nas mãos de americanos ou franceses; aqueles do professor Theo Morell desapareceram também, para miraculosamente voltarem à minha presença em Washington em 1981 (eu publiquei uma transcrição completa editada dois anos depois).

Os de Nicolaus von Below estão provavelmente em Moscou. Os remanescentes dos diários de Alfred Rosenberg não publicados foram ilicitamente mantidos pelo falecido Dr. Robert M. W. Kempner, um advogado americano estabelecido em Frankfurt; seus papéis, recuperados em Lansdowne, Pensilvânia, são agora objeto de uma não vista disputa entre os arquivos judaicos e sua família. O resto dos diários de Milch, dos qual eu obtive e coloquei em microfilme cerca de cinco mil páginas em 1967, tem desaparecido. Enquanto eu tenho os diários do General Alfred Jodl cobrindo os anos de 1940 até 1943; eles foram saqueados junto com sua propriedade privada pelos britânicos da 11ª Divisão Blindada em Flensburg em maio de 1945. Somente um pequeno fragmento do diário de Benito Mussolini sobrevive: a SS copiou os originais e devolveu-os para ele em janeiro de1945, mas ambos originais e a cópia colocado nos arquivos de Ribbentrop estão desaparecidos agora. Os importantes diários de Rudolf Schmundt foram, infelizmente, queimados a seu pedido pelo seu companheiro adjunto Almirante Karl Jesco von Puttkamer em abril de 1945, junto com os próprios diários de Puttkamer. O Instituto Hoover, em Stanford, Califórnia, detém o diário do SS Obergruppenführer Friedrich-Wilhelm Krüger – outro item intencionalmente negligenciado pelos historiadores da Alemanha Ocidental.

Minha busca pelas fontes que podem jogar luz no caráter de Hitler foi algumas vezes bem sucedida, algumas vezes não. Semanas de busca com um magnetômetro de prótons – um tipo de detector de minas supersensível – em uma floresta na Alemanha Oriental falhou em desenterrar uma jarra de vidro contendo os estenogramas dos últimos diários de Goebbels, embora as vezes, de acordo com o mapa em minha posse, nós devíamos estar perto dele. Escrevendo esta biografia. Contudo, eu obtive uma significante número de autênticos e poucos conhecidos diários de pessoas ao redor de Hitler, incluindo um segmento não publicado do diário de Jodl; o diário oficial guardado pelo chefe da OKW Wilhelm Keitel por seu adjunto Wolf Eberhard, e o próprio diário de Eberhard para os anos de 1936 até 1939; o diário de Nikolaus von Vormann, oficial intermediário do exército para Hitler durante agosto e setembro de 1939; e os diários guardados por Martin Bormann e pelo adjunto pessoal de Hitler Max Wünsche relatando os movimentos de Hitler.

Em adição eu tenho usado os não publicados diários de Fedor von Bock, Erhard Milch, Erich von Manstein, Wilhelm Leeb, Erwin Lahousen, e Eduard Wagner – cujas viúvas permitiram-me copiar cerca de duas mil páginas de suas cartas privadas. Christa Schroeder, uma das secretárias privadas de Hitler, disponibilizou-me exclusivamente para mim seus importantes documentos contemporâneos. A família de Julius Schaub deixou-me copiar todos seus manuscritos sobre seus vinte anos como ajudante de Hitler, assim como fez o mesmo o filho de Wilhelm brückner.

Eu sou o primeiro biógrafo a usar os papéis privados do Staatssekretär Herbert Backe e seu ministro, Richard Walter Darré, os diários, anotações, e papéis de Fritz Todt. O governo britânico gentilmente fez disponível para mim preciosos fragmentos do diário do Almirante Canris. Espalhado através da Alemanha e América eu encontrei páginas manuscritas e datilografadas dos diários de Erwin Rommel, e os elusivos diários e anotações que o Reichsmarchall Hermann Göring tinha guardado desde sua infância

Entre os mais reveladores documentos usados nesta biografia estão os manuscritos escritos pelo Generaloberst (Coronel-General) Wener Freiherr von Fritsch em 1938 e 1939; estes eu obtive de uma fonte soviética. Jutta Freifrau von Richthofen permitiu-me acesso para os volumosos diários não publicados de seu marido, o falecido marechal de campo.

Em suma, cada membro da equipe de Hitler ou do Alto Comando que eu localizei parecia ter cuidadosamente guardado diários ou papéis os quais foram, enfim, produzidos pela minha exploração aqui. Eles estavam majoritariamente em alemão, mas os papéis de pesquisas das notas de margem do meu trabalho vieram em uma Babel de outras línguas: italiano, russo, francês, espanhol, húngaro, romeno e tcheco. Algumas referências criptografadas à Hitler e Ribbentrop nos diários de Hewel desafiaram todos os meus insignificantes esforços de quebrar códigos, e então provou-se ter sido escrito em indonésio!

Todos esses registros eu tenho doado para o Instituto de História Contemporânea em Munique, onde eles estão disponíveis como a coleção do autor para outros escritores. Os pesquisadores da Segunda Guerra Mundial irão encontrar microfilmes de todos materiais que eu coletei enquanto pesquisando este e outros livros disponíveis da Microfilm Academic Publishers Ltd., Maind Street, East Ardsley, Wakefield, Yorkshire, wf3, 2AT, England (e-mail: info@microform.co.uk ; telefone +44 1924-825700, fax 1924-871 005).

Das agora disponíveis coleções de registros, quatro são dignas de nota – a antes ultra secreta série de registros interrogatórios CSDIC em Class WO208 no Escritório de Registros Públicos, Kew, Londres; as mensagens codificadas das unidades da SS e da polícia alemã, interceptadas e decodificadas pelos britânicos em Bletchley Park, e agora arquivadas no mesmo lugar como Classes HW1, HW3, e HW16; a ‘Coleção Adolf Hitler,’ abrigada em três caixas de arquivos na biblioteca Seeley G. Mudd Library, Princeton University, Nova Jersey; e cerca de quinhentas páginas de cartas pré-ministeriais e memorandos para Hitler de Joaquim von Ribbentrop; 1933 – 1936, encontradas nas ruínas da chancelaria do Reich e agora nos papéis Louis Lochner nos arquivos da Instituição Hoover, Stanford, Califórnia.

A ‘Coleção Hitler’ foi roubada da residência de Hitler pelo soldado privado Eric Eric Hamm do setor de crimes de guerra do Exército dos EUA, e finalmente vendida por uma casa de leilão em Chicago.  Ela reflete bem a carreira de Hitler – arquivos fotográficos de seus esboços e pinturas, despachos de embaixadores, relatórios de fuzilamentos de ‘criminosos profissionais’ enquanto ‘resistiam à prisão’, um registro de hotel de 1925 preenchido por Hitler (que ele deu entrada como um ‘desnacionalizado’), documentos da Guerra Civil Espanhola, preparações de Röhm para o Putsch da cervejaria de 1923, uma instrução por Martin Bormann que Hitler tinha concordado  em pagar as contas da peripatética princesa Hohenlohe, mas que não pagaria mais, extensiva documentação das relações do Partido com a Igreja; em 20 de dezembro de 1940 Pierre Laval escreveu para Hitler ‘desejando do fundo do coração que meu país não sofra,’ e assegurando a ele: ‘A política de colaboração com a Alemanha é apoiada pela vasta maioria dos franceses.’ Hjalmar Schacht várias vezes protestou para Hitler sobre os danos econômicos causados pelas restrições anti-judaicas; em 24 de agosto de 1935, ele escreveu que a instrução de Robert Ley, para Woolworth & Co., para não comprar de fornecedores judeus, iria resultar que o escritório central da companhia cancelaria dez milhões de marcos de pedidos da Alemanha anualmente: ‘não está claro para mim, e nunca tem estado, como eu supus trazer em moeda estrangeira em face de tais medidas políticas.’ Em 30 de março de 1936, Schacht pediu para Hitler receber um certo manufaturador de seda americana que tinha sido solicitado pelo Presidente Roosevelt para ‘transmitir saudações pessoais ao Führer.’

Em 20 de junho de 1938, o Conde Helldorff, chefe da polícia de Berlim, enviou para Hitler um relatório sobre organizados ataques anti-judaicos em Berlim. Posteriormente naquele ano a polícia enviou para Hitler um arquivo sobre o assassino judeu Herschel Grynszpan, confirmando que seus pais tinham sido despejados de volta sobre a fronteira polonesa em Neu Bentschen em 29 de outubro – uns poucos dias antes dele balear um diplomata alemão em Paris – de acordo com as diretrizes do Reich contra judeus poloneses que tinham se estabelecido na Alemanha. Em fevereiro de 1939 Hitler endossou a recusa de sua embaixada em Washington para pagar Kurt Lüdecke, um ex-nazi que tinha convidado a casa editorial do Partido ou alguma outra agência do Reich para comprar todos os direitos de suas memórias difamatórias para evitar sua publicação. O mesmo arquivo mostra Hitler atuando para parar o boxeador peso pesado nazi, Max Schmeling, que estava ensaiando uma luta de retorno contra o negro Joe Louis. (‘Como você sabe,’ Julius Schaub escreveu para o ministro de esportes em 2 de março de 1939, ‘o Führer foi contra a luta em primeiro lugar.’)

O mais enigmático destes documentos é evidentemente um originado pela Gestapo depois de 1940, datilografado na especial ‘máquina de escrever do Führer,’ relatando rumores feios sobre a ancestralidade de Hitler – ‘que o Führer era uma ilegítima criança, filho adotado de Alois, que a mãe real do Führer era Schicklgruber [12] antes da adoção e que a linhagem Schicklgruber tinha produzido uma linhagem de idiotas.’

Entre o último havia um oficial de impostos, Joseph Veit, falecido em 1904 em Klagenfurt, Áustria. Um de seus filhos tinha cometido suicídio, uma filha tinha morrido em um asilo, uma filha sobrevivente era meio louca, e uma terceira filha era deficiente mental. A Gestapo estabeleceu que a família de Konrad Pracher, de Graz, tinha um dossiê de fotografias e certificados de tudo isto. Himmler tinha eles confiscados para ‘prevenir o uso inadequado.’

Os arquivos de Ribbentrop refletem suas relações tortuosas como ‘embaixador extraordinário’ com Hitler e seus rivais. Ele tinha estabelecido sua influência ao fazer bons contatos com ingleses de influência – entre eles não somente industriais como E. W. D. Tennant e os barões dos jornais como Lorde Rothermere, Lorde Astor, e Lorde Camrose, mas também os ministros do gabinete de então, incluindo Lorde Hailsham, Lorde lloyde, Lorde Londonderry, e jovem Anthony Eden, no qual Ribbentrop viu a estrela ascendente do Partido Conservador. Os arquivos contêm registros dos encontros de Ribbentrop com Stanley Baldwin e Ramsey MacDonald em 1933 e 1934. Eles também refletem a tênue ligação entre Sir Oswald Mosley e seus intermediários com a liderança do Partido Nazi em Berlim.

Típico de muitas cartas manuscritas de Ribbentrop para Hitler foi uma datada de 6 de janeiro de 1935, agradecendo ele pela amostra de confiança denotada por sua nomeação para Reichsleiter – ‘Não somente isto claramente define meu status no Partido, removendo qualquer dúvida como suas visões sobre mim e minhas atividades, mas o apontamento também dá a mim uma posição diferente frente ao ministério estrangeiro tanto externamente como internamente.’ Ele assinou isso ‘seu confiável Ribbentrop.’

Nada criou tal agonia quando esta biografia foi a primeira publicada como minha análise do papel de Hitler na tragédia judaica. Amargas e cruéis críticas foram jorradas das canetas de meus críticos, mas eu não vejo razão para revisar minha hipótese central, a qual é baseada nos registros da época: que Hitler compreendeu muito no início que o antissemitismo seria uma poderosa força captadora de votos na Alemanha; que ele não teve nenhum remorso de cavalgar esta maligna montaria avante até os portais da chancelaria em 1933; mas que uma vez dentro e no poder, ele desmontaria e atuaria apenas da boca para fora esta parte do credo de seu Partido.

Os gangsteres nazistas sob seu comando continuaram as campanhas de caça, inclusive, mesmo quando Hitler ditou diferentemente, por exemplo, em novembro de 1939.

Enquanto os campos de concentração ele confortavelmente deixou este lado negro do regime para Himmler. Ele nunca visitou um; aqueles oficiais veteranos e estrangeiros que obtiveram o privilegiado acesso à Dachau, como Ernst Udet ou o General Erhard Milch ou membros do Parlamento Britânico em 1933 e 1934, foram impressionados favoravelmente (mas aqueles eram os primeiros dias). Himmler é sabido ter visitado Auschwitz em 1941 e 1942. Hitler nunca fez.

A escala do problema judaico na Alemanha é revelada por um não publicado manuscrito do predecessor de Hitler como chanceler; Dr. Heinrich Brüning. Escrevendo no exílio americano em 1943 ele afirmou que depois da inflação existia somente um banco grande na Alemanha não controlado por judeus, alguns deles ‘completamente corruptos’. Em 1931 ele tinha trazido os bancos sob supervisão governamental e tinha tido guardado os achados governamentais de desonestidade em segredo bancário ‘por medo de provocar tumultos antissemitas’. Brüning culpou os correspondentes estrangeiros por exagerarem os ‘ocasionais maus tratos dos judeus’ no início do regime nazi:

Na primavera de 1933 os correspondentes estrangeiros relataram que o Rio Spree [em Berlim] foi coberto com os cadáveres de judeus assassinados. Naquela época dificilmente qualquer judeu exceto os líderes do Partido Comunista… tinham sido atacados… Se’ ele claramente destacou, ‘os judeus tinham sido tratados tão mal no início do regime, isso não poderia ter explicado porque muitos poucos deles deixaram o país antes de 1938.’

Em 1948 Brüning escreveria para os editores da Life proibindo eles de publicar uma carta de agosto de 1937 que ele tinha escrito pata Winston Churchill revelando que ‘de outubro de 1928 os dois maiores contribuidores regulares do Partido Nazi eram os gerentes dos dois maiores bancos de Berlim, ambos de fé judaica, e um deles o líder do Sionismo na Alemanha’ [13].

Eu tive aproximado ao ponto de vista tradicional prevalecente nos anos da década de 1960 em relação aos maus tratos dos nazis aos judeus. Supondo que Hitler foi um competente estadista e um comandante dotado, o argumento foge, como se explica seu ‘assassinato de seis milhões de judeus’? Se este livro fosse simplesmente uma história da ascensão e queda do Reich de Hitler seria legítimo concluir: ‘Hitler matou os judeus.’ Ele, depois de tudo, tinha criado a SS; seus discursos, embora nunca explícitos, deixaram a clara impressão que ‘liquidar’ era o que ele quis dizer.

Para uma completa biografia de guerra de Hitler, eu senti que uma mais analítica aproximação era necessária. Notavelmente, eu descobri que o próprio papel de Hitler na ‘Solução Final’ nunca tinha sido examinado. Historiadores alemães, outrora epitomes de ensaios diligentes, tinham desenvolvidos monumentais pontos cegos quando o próprio Hitler surge: afirmações reluzentes foram feitas sem uma sombra de evidência em apoio. Historiadores britânicos e americanos voluntariamente se conformaram. Outros citaram eles. Por trinta anos nosso conhecimento da parte de Hitler na atrocidade repousou em incesto entre os historiadores.

Muitas pessoas, particularmente na Alemanha e Áustria, têm um interesse em propagar a versão que a ordem de um homem louco originou a tragédia inteira. Precisamente quando esta ordem que foi dada foi, admitidamente, deixada vaga.   

Cada documento realmente ligando Hitler com o tratamento dos judeus alemães assume a forma de um embargo, desde o putsch da cervejaria em 1923 (quando ele propositalmente disciplinou um esquadrão de oficiais nazis por terem saqueado um delicatessen judaica) até 1943 e 1944. Nos recentemente descobertos diários de Goebbels nós descobrimos que Hitler discursou aos gauleiters em setembro de 1935 que, ‘acima de tudo’ era para haver nenhum excesso contra os judeus e nenhuma perseguição de ‘não arianos’. Goebbels tentou falar a ele fora desta tênue linha, mas notou: ‘O problema judaico não se resolveu mesmo agora. Nós debatemos ele por um longo tempo mas o Führer ainda não consegue compreender.’ E o que nós somos para fazer do édito emitido para ‘todos os diretórios de comarcas para ação imediata’ pelo vice de Hitler, Rudolf Hess, durante a Noite dos Cristais em novembro de 1938, ordenando uma imediata parada dos incêndios propositais sobre as lojas judaicas, ‘sob ordens do mais alto nível?’ Todos outros historiadores têm fechado seus olhos e esperado que este horrível, inconveniente documento iria de algum jeito desaparecer.

Tem a ele sido juntado outros, como a extraordinária nota dedicada pelo Staatssekretär Franz Schlegelberger no Ministério da Justiça do Reich na primavera de 1942: ‘O Ministro do Reich Lammers,’ este afirma, ‘informou-me que o Führer tem repetidamente pronunciado que ele quer a solução da Questão Judaica finalizada até depois que a guerra esteja terminada.’ Qualquer jeito que se leia este documento, ele é incompatível com a noção que Hitler tinha ordenado um programa de liquidação urgente. (O original do documento está no arquivo do ministério da justiça R22/52 nos arquivos em Koblenz). O próprio Göring está no registro destacando, em uma conferência em Berlim, 6 de julho de 1942, o quanto Hitler depreciava o assédio de cientistas judeus, por exemplo:

Eu tenho discutido isto com o próprio Führer agora; nós temos estado aptos a usar um judeu dois anos mais em Viena, e outro em pesquisa fotográfica, porque eles têm certas coisas que nós necessitamos e que podem ser do maior benefício para nós no presente

Seria total loucura para nós dizer agora: ‘Ele terá de ir. Ele era um magnificente pesquisador, um cérebro fantástico, mas sua esposa é judaica e ele não pode ser permitido ficar na Universidade,’ etc.

O Führer tem feito similares exceções nas artes do mais alto nível até a opereta, ele é o mais propenso a fazer exceções onde realmente grandes projetos ou pesquisadores estão envolvidos [14].

Claro que desde 1939 em diante Hitler proferiu várias afirmações ásperas em público; mas em muitas ocasiões em 1942 e 1943 ele fez – em privado – afirmações as quais são incompatíveis com a noção que ele sabia que um programa de liquidação tinha começado. Em outubro de 1943, mesmo enquanto Himmler estava divulgando para audiências privilegiadas audiências de generais da SS e gauleiters que os judeus da Europa tinham sido sistematicamente assassinados, Hitler estava ainda proibindo liquidações – por exemplo, dos judeus italianos de Roma – e ordenando, ao invés, a internação deles. (Esta ordem sua SS também desobedeceu). Em julho de 1944, passou por cima das objeções de Himmler, ele ordenou os judeus serem trocados por moeda estrangeira ou suplementos; existem alguma evidência que como os contemporâneos terroristas ele viu estes capturados como uma potencial posse, um meio onde ele poderia chantagear seus inimigos. Focado completamente em manter seu caráter, quando Hitler foi confrontado com os fatos ele não tomou nenhuma ação para com o culpado; ele não demitiria Himmler como Reichführer da SS até o último dia de sua vida. É plausível imputar a ele esta não incomum característica dos líderes do estado que são tão confiantes em poderosos conselheiros: um consciente desejo de ‘não conhecer’. A prova disto está, contudo, além dos poderes de um historiador.

Na busca de evidências concretas – e em 1977 eu ofereci mil libras para qualquer pessoa que pudesse produzir mesmo um documento do tempo de guerra mostrando explicitamente que Hitler sabia, por exemplo, de Auschwitz – meus críticos recorreram a argumentos alcançando do sútil à martelada (em um exemplo, literalmente). Eles postularam a existência das ordens do Führer sem a mais leve evidência escrita da existência dela. John Toland, vencedor do prêmio Pulitzer autor de uma biografia de Hitler publicada nos Estados Unidos, apelou emocionalmente na Der Spiegel para os historiadores refutarem minha hipótese, e eles tentaram por meios justos e sujos. Perplexo pela nota manuscrita de Himmler sobre a conversa com Heydrich do Bunker de Hitler em 30 de novembro de 1941 – ‘Detenção [do] Dr, Jerkelius. Alegado filho de Molotov. Consignação [transporte] de judeus de Berlim. Nenhuma liquidação.’ – estes magos da história moderna engoliram que provavelmente o filho de Molotv era acreditado estar a bordo em uma carga de trem de judeus de Berlim escondida como ‘Dr. Jekelius’ e existia relato nenhum para ser liquidada; De fato Molotov tinha filho nenhum; Dr. Jekelius era provavelmente Erwin Jekelius, o neurologista vienense envolvido no programa de eutanásia [15]; e a carga de trem de judeus de Berlim tinha naquela manhã chegado em Riga e tinha já sido liquidada pelo comando local SS quando Himmler rabiscou o que claramente parece ter sido a injunção de Hitler [16]. Por que mais se comunicar por telefone com Heydrich, ‘do Bunker’ na Toca do Lobo, a não ser pelo próprio Hitler por traz disso?

Até agora os historiadores conformistas têm estado inaptos a ajudar o Sr. Toland, a não ser pela sugestão que o projeto era tão secreto que somente ordens orais foram emitidas. Por que, todavia, deveria Hitler ter se tornado tão suscetível neste exemplo, enquanto ele tinha mostrado nenhum remorso sobre assinar uma ordem ampla para a liquidação de dez mil de seus companheiros alemães (o programa de eutanásia T-4 de Philipp Bouhler); sua insistência na execução de reféns na base de cem para um {alemão morto}, sua ordem para a liquidação de prisioneiros inimigos (Ordem Comando), das tripulações da aviação dos Aliados (Ordem Linchamento), e funcionários russos (Ordem dos Comissários) estão documentadas todas em sua linha desde o Quartel General do Führer até os executores.

A maioria dos meus críticos se apoiam em fracas e não profissionais evidências. Por exemplo, eles ofereceram alternativas e especiosas traduções de palavras sobre os discursos de Hitler (aparentemente a Solução Final era tão secreta para ele assinar uma ordem, mas simultaneamente não tão secreta que ele não pudesse fanfarrear sobre isso em seus discursos públicos); e citações de documentos isolados que têm, todavia, há muito tempo sido descartados por historiadores sérios como indignas de confiança ou falsificadas como o Relato Gerstein [17] ou as ‘conversações no Bunker’ mencionadas anteriormente.

De explícita, escrita, evidência de guerra, o tipo de evidência que poderia enforcar um homem, eles têm produzido nenhuma linha. Consequentemente, em sua fastidiosa análise de Hitler and the Final Solution (Londres,1983) o professor Gerald Fleming se apoia em testemunhos dos julgamentos de crimes de guerra, os quais são tudo menos confiáveis; revendo este livro, o professor Gordon Craig concluiu que mesmo Fleming tem falhado em refutar minhas hipóteses. O professor Martin Broszat, diretor do Instituto de História Contemporânea de Munique, grosseiramente atacou minha biografia em uma resenha de 37 páginas no jornal do instituto, então recusou espaço para uma réplica. Não familiar com minhas fontes, e inconsciente que eu tinha em vários casos usado arquivos originais os quais ele e outros historiadores tinham lido somente em tradução inglesa, ele acusou-me de distorcer e mesmo inventar citações [18]. Entre tais libelos e calúnias, as quais são facilmente proferidas, Broszat foi, contudo, forçado a conceder: ‘David Irving tem percebido uma coisa corretamente quando ele escreve que em sua visão a matança dos judeus foi um parcialmente uma Verlegenheitslösung, “a saída de um incômodo dilema.”’

O corolário de Broszat, que não existia nenhuma Ordem central de Hitler pelo que aconteceu, causou um alvoroço entre os historiadores do mundo, um Historikerstreit o qual não politicamente limitado à Esquerda versus Direita. Minha própria conclusão foi uma  consequente constatação lógica: que em tempos de guerra, ditaduras são fundamentalmente fracas – o próprio ditador, mesmo alerta, é inapto a supervisionar todas as funções de seus executivos atuando dentro dos confins de seu espalhado império; e em seu particular caso, eu concluo, o peso da culpa pelo sangrento e insensato massacre de judeus repousa em um grande número de alemães (e não alemães), muitos deles vivos hoje, e não apenas um ‘ditador maluco’, cuja ordem tem de ser obedecida sem questionar.

Também achei necessário colocar realces históricos muito diferentes sobre as medidas políticas doutrinárias estrangeiras as quais Hitler aplicou – de suas aparente indisposição para humilhar a Grã-Bretanha quando ela estava prostrada em 1940, até seu ódio emocional e prejudicial aos sérvios, sua ilógica e excessiva lealdade e admiração a Benito Mussolini, e suas irracionais mistura de emoções frente a Joseph Stalin.

Sendo um moderno historiador inglês existiu para mim uma certa fascinação mórbida em inquirir o quão realmente era o ponto que estava inclinado Adolf Hitler à destruição da Grã-Bretanha e de seu Império – uma grande raison d’ être {“lógica”} para nossa ruinosa luta, a qual em 1940 imperceptivelmente substituiu a mais implausível razão proferida em agosto de 1939, o resgate da Polônia da opressão exterior. Desde os capítulos que seguem evidências extraídas de novo e de novo das mais íntimas fontes – como as conversações privadas com suas secretárias em junho de 1940 – indicam que ele originalmente tinha nem a intenção nem o desejo de causar danos a Grã-Bretanha ou destruir o Império, certamente os leitores britânicos no mínimo devem se perguntar a si mesmos: pelo que, então, estávamos nós realmente lutando? Dado que o povo britânico faliu (por volta de dezembro de 1940) e perdeu seu Império em derrotar Hitler, estava certo o Führer, depois de tudo, quando ele observou que a atitude britânica era essencialmente do tipo ‘Après moi le dèluge {“Depois de mim o dilúvio”} – se somente nós conseguíssemos nos livrar do odiado Nacional Socialismo Alemão’?

Aliviado pelo idealismo ideológico, o Duque de Windsor suspeitou em julho de 1940 que a guerra estava continuando somente afim de permitir certos estadistas (ele quis dizer o Sr. Churchill e seus amigos) salvarem a si mesmos, mesmo se isso significasse arrastar o país e o Império para a ruína financeira. Outros argumentaram pragmaticamente que não poderia haver nenhum compromisso com Adolf Hitler e os nazistas. Contudo, acreditavam, de fato, os líderes britânicos nisto? O Dr. Bernd Martin da Universidade de Freiburg tem revelado a extensão do quanto as negociações secretas de paz continuaram entre a Grã-Bretanha e Alemanha em outubro de 1939 e ainda depois – negociações nas quais, curiosamente, os arquivos do Sr. Churchill têm sido selados até o século vinte e um, e os registros do gabinete apagados. Similares negociações foral feitas em junho de 1940, quando inclusive o Sr. Churchill mostrou-se momentaneamente disposto nos encontros no Gabinete para lidar com Hitler se o preço era justo.

Naturalmente, ao avaliar o real valor da tais negociações e das intenções publicamente afirmadas de Hitler é salutar saber que em dois de junho de 1941, ele admitiu à Walther Hewel: ‘Para meu proveito pessoal eu não iria nunca dizer uma mentira; mas não existe nenhuma falsidade que eu não perpetraria para o bem da Alemanha!’ Não obstante, ninguém se surpreende o quanto de sofrimento poderia ter sido poupado ambos lados se as negociações tivessem sido concluídas – poderia tudo o que aconteceu depois de 1940, bombardeamentos de saturação, movimentos da população, as epidemias, e mesmo o próprio Holocausto, teriam sido evitados? Grande são as questões, ainda a moderna historiografia tem escolhido ignorar a possibilidade, chamando-a heresia.

Os fatos revelados aqui em relação as ações registradas, motivações e opiniões de Hitler devem prover uma base para um novo debate. Americanos irão encontrar muito que é novidade sobre os meses que levaram a Pearl Harbor. Os franceses irão encontrar adicionais evidências que o tratamento de Hitler à sua derrotada nação era mais influenciado pelas memórias do tratamento da França à Alemanha na Primeira Guerra Mundial que por seu respeito aos desejos de Mussolini. Russos poderão tentar visualizar o prospecto que poderia possivelmente ter se desdobrado se Stalin tivesse aceito a oferta de Hitler em novembro de 1940 da inclusão no Pacto do Eixo; ou se, tendo alcançado seu segundo tratado de paz ‘Brest Litovsk’ (como momentaneamente proposto em 28 de junho de 1941), Stalin tivesse aceitado a condição de Hitler que ele reconstruiria o poder militar soviético somente além dos Urais; ou se Hitler tivesse seriamente considerado a alegada oferta de paz de Stalin de setembro de 1944.

Qual é o resultado destes vinte anos labutando nos arquivos? Hitler irá permanecer um enigma, por mais que nós cavemos. Mesmo seus íntimos supunham que eles dificilmente conheceram ele. Eu tenho já citado a perplexidade de Ribbentrop; mas o General Alfred Jodl, seu íntimo conselheiro estratégico, também escreveu em sua cela em Nuremberg, em 10 de março de 1946:

Então, contudo, eu pergunto a mim mesmo, você realmente conheceu este homem em cujo lado você levou uma espinhosa e ascética existência? Ele, talvez, apenas brincou como seu idealismo também, se aproveitando disso para os propósitos sóbrios os quais ele mantinha profundamente escondido dentro dele mesmo? Você ousa alegar conhecer um homem, se ele não tem aberto os mais profundos recessos de seu coração para você – na tristeza como também no êxtase? Até hoje eu não sei o que ele pensou ou conheceu ou realmente quis. Eu somente seu meus próprios pensamentos e suspeitas. E se, agora as mortalhas caíram de uma escultura que nós esperávamos encontrar uma obra de arte, somente para revelar nada que não uma gárgula degenerada – então deixe os futuros historiadores argumentarem entre eles se isso foi assim desde o início, ou mudou com circunstâncias.

Eu continuo fazendo o mesmo erro: Eu culpo suas humildes origens. Então, todavia, eu lembro quantos filhos de camponeses têm sido abençoados pela História com o nome, O Grande.

‘Hitler o Grande?’ Não, a história contemporânea é indisposta a engolir tal epiteto. Desde o primeiro dia que ele ‘tomou o poder’, em 30 de janeiro de 1933, Hitler sabia que somente a morte súbita esperava ele se ele falhasse em restaurar o orgulho e império da Alemanha pós Versalhes. Seu íntimo amigo e ajudante Julius Schaub recordou a jubilante afirmação com orgulho que Hitler fez a sua equipe naquela tarde, enquanto os últimos convidados da celebração deixavam o prédio da Chancelaria em Berlim: “Nenhum poder na terra vai me tirar desse prédio vivo!”.

A história viu esta profecia cumprida, conforme um punhado de fiéis remanescentes do Partido Nazista marcharam transtornadamente para seu escritório subterrâneo em 30 de abril de 1945, examinando seu ainda quente corpo – descansando em um sofá, com sangue escorrendo de sua flácida mandíbula inferior, e com uma ferida de um tiro na têmpora direita – e sentiu o cheiro das amêndoas amargas pendurando no ar.

Envolto em um cobertor cinza do exército, ele foi carregado até o jardim da chancelaria. Gasolina foi jogada sobre ele em uma cratera fedorenta e lhe foi ateado fogo enquanto sua equipe apressadamente o saudou e recuou para dentro do abrigo. Assim terminou os seis anos da guerra de Hitler.

Nós vamos ver agora como isso começou.

David Irving, Londres, Janeiro e 1976 e Janeiro de 1989

ADENDO: Uma Nota para a Edição Millennium

A edição MILLENNIUM de “A Guerra de Hitler”  traz a narrativa até a data dos últimos documentos descobertos, primariamente em arquivos americanos e soviéticos, desde que a edição de 1991 foi publicada. Eu fui em 1992 o primeiro autor permitido pelos russos a explorar os diários micro-fichados do Dr. Joseph Goebbels, que contêm a mais vital informação sobre o papel de Hitler no expurgo de Röhm, a Kristallnacht {Noite dos Cristais) de 1938, a Solução Final, e outras questões de alta importância histórica. De uma fonte californiana eu obtive os interrogatórios originais da Gestapo da equipe de Rudolf Hess, conduzidas nos primeiros dias depois de seu voo para a Escócia. O serviço secreto britânico tem agora liberado para o domínio público a intercepção de mensagens secretas mandadas em códigos por Himmler e outros comandantes da SS.

Estes são apenas uns poucos exemplos dos novos materiais tecidos dentro da fábrica desta história. Fico feliz em dizer que eu não tive que revisar minhas opiniões como foram originalmente expressas: eu sempre fui confiante que se alguém adere aos documentos originais, não irá estar tão longe da História Real. O novo material arquivístico tem, de qualquer forma, feito com que fosse possível refinar a narrativa, e atualizar a base documentária de minhas afirmações anteriores.

David Irving, Londres, 12 de Janeiro, 2002.

Fonte: David Irving, Hitler’s War and The War Path; Editora Focal Point, 2002, Londres.

Tradução para o português e palavras entre chaves por Mykel Alexander.

O livro está disponível gratuitamente pelo autor, tanto no original em inglês quanto na tradução em espanhol,  no seguinte endereço virtual: http://www.fpp.co.uk/books/

Sobre o autor

David Irving (1938 – ), nascido em Hutton (ING), filho de um comandante da Marinha Real Inglesa, cursou Física no Imperial College of Science & Technolgy e Economia na University College London, sem concluir ambos cursos por dificuldades financeiras. Ele subsequentemente ficou um ano na Alemanha trabalhando em uma fábrica de aço e aperfeiçoando sua fluência no idioma alemão. Embora sem formação acadêmica de historiador, tornou-se um pesquisador de assuntos referentes aos conflitos do século XX relacionados principalmente à Segunda Guerra Mundial e em biografias de personagens deste evento. Como característica principal de seu trabalho de pesquisa está o uso de documentos e fontes primárias referentes aos temas de que trata, o que o levou a deparar-se com inúmeras omissões e até falsificações que a falta de rigor ou de honestidade em que não poucos historiadores recaíram.

Pese a todas polêmicas que seu nome traz, todavia, Irving deu um novo impulso às pesquisas históricas sobre as referidas temáticas, que não poderiam mais se sustentar seriamente esquivando-se com a falta de rigor investigativo que havia se habituado antes dos trabalhos de Irving.

Entre seus livros constam:

The Destruction of Dresden (1963), a qual foi traduzida ao português como A Destruição de Dresden – a Anatomia de uma Tragédia (1963, Editora Nova Fronteira), revisado em 2007 como Apocalypse 1945, The Destruction of Dresden;

Hitler’s War and the War Path (2002);

Goebbels, Mastermind of Third Reich (1ª edição 1996 e 2ª edição 2014);

Göring: a Biography (1ª edição 1989 e 2ª edição 2010).

Disponíveis gratuitamente em www.fpp.co.uk/books

Nota do autor:

[1] Os documentos da CIA sobre assassinatos planejados e técnicas de assassinato podem agora ser vistas no site da Universidade George Washington, em www.gwu.edu/~nsarchiv.

[2] Nota do autor: CSDIC (UK) report SRGG. 1133, 09 de março de 1945, no Public Record Office, Londres, arquivo WO.208/4169.

[3] Nota do tradutor: André Deutsch (15/11/1917 – 10/04/2000) era judeu. Ver The Guardian, 12/04/2000, “André Deutsch”, por John Calder.

http://www.theguardian.com/books/2000/apr/12/news.obituaries

[4] Nota do tradutor: Emery Reves (16/09/1904 – 04/08/1981) judeu nascido na Hungria. Ver Martin Gilbert, Winston Churchill and Emery Reves: Correspondence, 1937-1964; University of Texas Press, 1997; página 2.

Churchill afirma que Emery Reves é um israelita. Ver em Martin Gilbert, Churchill and the Jews: A Lifelong Friendship; editora Holt Paperbacks Henry Holt and Company, LLC, 2007; página 301.

[5] Nota do tradutor: Em reportagem publicada pelo Estado de São Paulo em 10 de novembro de 1997 com Wilfred von Oven, importante membro da S.A e ex-assessor de Joseph Goebbels, é relatado que:

Em seu livro, Von Oven diz que Martin Bormann, o único dos altos líderes nazistas que não foi preso (seu corpo também não foi encontrado), não morreu em 1945, e era um agente duplo soviético. Von Oven achava que Bormann havia fugido para a América do Sul, passando por todos os lugares onde a guerrilha comunista surgiu nos anos 50 e 60, estando envolvido com o surgimento destas. Hoje, entretanto, afirma que Bormann fugiu para o leste. Amigo do último líder das SS de Adolf Hitler que ainda vive, em Viena, Von Oven afirma que Bormann morreu de morte natural em 1962, em um país do Oriente Médio.

[6] Nota do tradutor: Esta casa editorial, a Ullstein Publishing house, foi fundada pelo Judeu Leopold Ullstein (1826-1899) em 1877 ao adquirir um empreendimento jornalístico do judeu Rudolf Mosse (1843-1920). Em 1929 era a maior casa editorial do continente europeu, com vários diários, periódicos semanais entre outros.

Ver Lynda J. King, Best-sellers by Design: Vicki Baum and the House of Ullstein, Wayne State University Press, Detroit, 1988, pp 50-51 (consulta em 20/04/2019 na edição digitalizada pelo Google).

Interessante observação é que tanto Rudolf Mosse, como seu irmão, também judeu, Emil Cohn (1832-1905) foram fundadores de um dos principais jornais de então, o periódico Berlinner Tageblatt.

Ver em Isidore Singer e Isidor Warsaw, The Jewish Encyclopedia – 12 volumes (editado por Isidore Singer), Kitav Publishing House, Inc, Nova Iorque, 1901-1906, volume 9, p.96.

[7] Nota do autor: Mathias Schmidt, Albert Speer: The End of a Myth (New York, 1984).

[8] Nota do tradutor: Galeazzo Ciano (1903-1944). Foi um político italiano, conde de Cortellazzo e Buccari, genro de Benito Mussolini e ministro de Assuntos Exteriores da Itália de 1936 a 1943.

[9] Nota do tradutor: Allen Welsh Dulles (1893-1969) – Foi dentre todos os tempos possivelmente o principal diretor da CIA (Central Intelligence Agency).

[10] Nota do tradutor: OKW é a sigla para Oberkommando der Wehrmacht que significa Supremo Comando das Forças Armadas, que fazia parte da estrutura militar da Alemanha Nacional-Socialista.

[11] Nota do autor: Der Dienstkalender Heinrich Himmlers 1941⁄42, editora Peter Witte, com prefácio de Uwe Lohalm e Wolfgang Scheffler (Hamburgo, 1999). Nenhum elogio é suficientemente bom para esta edição.

[12] Nota do autor: De fato, o pai de Hitler era filho ilegítimo de Maria Anna Schicklgruber. Jornais nazistas repetidamente, por exemplo, em 16 de dezembro de 1939, foram proibidos de especular sobre a ancestralidade dele. Werner Maser afirma em Die Frühgeschichte der NSDAP (Bonn, 1965) que em 04 de agosto de 1942, Heinrich Himmler instruiu a Gestapo para investigar o parentesco do Führer; seus achados irrelevantes foram apenas classificados como geheim (secretos). Os documentos citados acima estão, de qualquer forma, carimbados com a mais alta classificação, Geheime Reichssache (ultrassecreto).

[13] Nota do autor: O manuscrito de 1943 de Brüning está na coleção de Dorothy Thompson da Biblioteca George Arents Research, Universidade de Syracuse, Nova Iorque. Sua carta para Daniel Longwell, editor da Life, datada de 07 de fevereiro de 1948, está nos documentos de Longwell na Biblioteca Butler, Universidade de Columbia, Nova Iorque.

[14] Nota do autor: Primeira sessão do recém-formado Reich Research Council, 06 de julho de 1942; uma gravação estenográfica está nos documentos de Milch, volume 58, página 3640 ff

[15] Nota do autor: Compare Benno Müller-Hill, Tödliche Wissenschaft. Die Aussonderung von Juden, Zigeunern und Geisteskranken 1933-45 (Rowohlt, Hamburgo) página 107. Os editores de Der Dienstkalender Heinrich Himmlers, 1941-42 (Christians Verlag, Hamburgo, 1999) página 207, chegaram tardiamente a mesma conclusão. Nós reproduzimos relevantes documentos na página X.

[16] Nota do autor: Ver página X. A mais aterrorizante explicação da pilhagem e assassinato em massa desses judeus de Riga em novembro de 1941 está no CSDIC (Reino Unido) gravado SRGG. 1158 (no arquivo wo.208 4169 do Public Record Office): o Major General de 54 anos Walther Bruns, testemunha-ocular, descrito por seguir generais em cativeiros britânicos em um campo de prisão alemão em 25 de abril de 1945, inconsciente de que microfones escondidos estavam gravando cada palavra. De particular significado: seus escrúpulos sobre trazer o que ele teria visto sob os cuidados do Führer, e as ordens dadas posteriormente que tais massacres públicos foram interrompidos imediatamente. Com a permissão do escritório HM Stationery, vou publicar em breve um volume desses reveladores extraordinários transcritos da CSDIC.

[17] Nota do autor: Deve-se ver na dissertação de Henri Roques: “As ‘confissões’ de Kurt Gerstein. Estudo Comparativo de Diferentes Versões”, examinados na Universidade de Nantes, França, em junho de 1985. Isto revela a extensão do quanto os historiadores anteriores têm sido enganados pelas várias versões da “gravação”. Tal foi o clamor despertado que Roques foi despojado de seu doutorado. Eu tenho assegurado que essas 372 páginas da tese dele estão gratuitamente disponíveis na Coleção Irving no Instituto de História Contemporânea, Munique.

[18] Nota do autor: ‘Hitler and the Genesis of the Final Solution, an Assessment of David Irving’s Thesis (Hitler e a Gênese da Solução Final, uma Avaliação da Tese de David Irving)’, Vierteljahrshefte für Zeitgeschichte, número 25, 1977, páginas 739-75); republicado sem correção em Aspects of the Third Reich (Aspectos do Terceiro Reich) (editora H.W. Koch, Macmillan, Nova Iorque, 1985) páginas 390-429, e em YadVashem Studies, número 13, 1979, páginas 73-125, e novamente, ainda não corrigida, Nacht Hitler: der schwierige Umgang mit unserer Geschichte (Oldenburg, 1988); e extensivamente citado por Charles W. Syndor em ‘The Selling of Adolf Hitler’ (A Venda Adolf Hitler)” no Centro Europeu de História, número 12, 1979, páginas 169-99, 402-5.

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