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Na noite de sexta-feira (23), aos 69 anos de idade, morreu José Levy Fidelix da Cruz, mais conhecido como Levy Fidelix. Ele estava internado desde março em um hospital particular de São Paulo, Vila Nova Star, e morreu por complicações da Covid-19.  [1]

A notícia foi divulgada primeiramente por pessoas próximas de Levy. No sábado (24), um comunicado de falecimento foi divulgado no perfil do político.

Muito conhecido por alguns bordões políticos e pelo espectro da Direita Liberal Conservadora, Levy Fidelix conquistou o apoio à simpatia de muitos brasileiros. Principalmente desde 2014, quando concorreu à Presidência da República pela segunda vez, e muito deste apoio, com os jovens, cuja geração de hoje, apesar de que encaminhasse mais para o liberalismo do que para o nacionalismo.

Disponibilizamos aqui uma breve biografia de Levy Fidelix, para que quem não conheceu sua trajetória, entenda quem era e o que representava Levy na política nacional.

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Breve biografia

José Levy Fidelix da Cruz nasceu a 27 de dezembro de 1951, no município de Mutum, interior mineiro. Filho de um comerciante de transporte local, Jarbas Fidelix, e da educadora Lecy Araújo, foi, ainda muito jovem para o Rio de Janeiro, na época capital do Brasil, onde cursou Comunicação Social na Universidade Federal Fluminense (UFF). Mesmo não tendo completado nenhuma das graduações, acabou se tornando jornalista e publicitário. [2]

Publicidade e desenvolvimentismo

Aos 24 anos de idade, fundou a Staff Publicidade, tendo também sido diretor de criação nas agências de publicidade Art&Som e Vogue Publicidade. Trabalhou nos jornais Correio da Manhã e Última Hora, onde foi redator da Coluna Contato, sendo revisor no Diário Oficial da União.

Levy atuou como assessor de comunicação, elaborando o primeiro boletim nacional de agricultura, com o nome de Agricultura Urgente, onde lançou a primeira Campanha Ecológica nacional do Brasil a convite do Governo Federal, recebendo medalha presidencial. Foi um dos fundadores da revista empresarial Governo e Empresa e também da revista política O Poder.

Em 1976 passou a atuar como chefe de comunicação da Estanave – Estaleiros da Amazônia, empresa vinculada a Petrobras. Em 1982, fundou a revista Interface, a primeira especializada em informática do Brasil.

Mudando-se para São Paulo no ano seguinte (1983), onde começou a apresentar o programa TV Informátika na Rede Bandeirantes e SBT entre 1984 e 1985, primeiro programa em rede nacional sobre informática, entrevistando especialistas da área e políticos, discutindo os impactos e necessidades que o desenvolvimento da informática traria para o país nos próximos anos.

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Inicio na carreira política

O início da carreira política de Fidelix foi muito tímido no cenário nacional. O cenário era de reabertura política após 20 anos de governo militar e centenas de partidos e chapas políticas se agrupavam em diversas denominações para disputa de pleitos nacionais, estaduais e municipais.

No ano de 1984, como apresentador do programa TV Informátika, junto do advogado, filósofo, diplomata e político brasileiro, Álvaro Valle (1934 – 2000), foi um dos fundadores do PL (Partido Liberal), disputando sua primeira eleição como candidato à Deputado Estadual por São Paulo, em 1986, recebendo apenas 735 votos. Então se transferiu para o extinto PTR (Partido Trabalhista Renovador), onde disputou sua segunda eleição como candidato a Deputado Federal, recebendo novamente uma votação irrisória: 541 votos.

Entre os anos de 1989 e 1990, tornou-se um dos assessores de comunicação da campanha à Presidência da República de Fernando Collor de Mello. Seu partido, PTR, aliou-se ao PRN (atual PTC) de Collor, na coligação “Brasil Novo” – que também tinha o PSC e o PST. Nessa época, o partido cresceu. Em 1990, o PTR elegeu os governadores de Rondônia e do Distrito Federal, Osvaldo Piana e Joaquim Roriz, respectivamente.

Apenas em 1992, Levy fundou o PTRB (Partido Trabalhista Renovador Brasileiro), que antecedeu o atual PRTB (Partido Renovador Trabalhista Brasileiro), que viria a ser formando em 1994 e atual até os dias de hoje, onde pela primeira vez tentou disputar uma eleição para Presidência da República, sem poder registrar-se, devido à legislação eleitoral da época. Mas não deixou de sair candidato pela sigla. Em 1996 candidatou-se para prefeito da cidade de São Paulo, obtendo 3.608 votos (0,068%). Em 1998 disputou o cargo de Governador do Estado de São Paulo, obtendo 14.406 votos. Em 2000, disputou como vice da prefeitura de São Paulo capital, na chapa do ex-presidente Collor (deposto em 1992), anulada na reta final da campanha. Em 2002 foi candidato ao governo do estado (8.654 votos), Vereador da capital (3.382 votos) e em 2006 para Deputado Federal (5.518 votos), tudo pelo estado de São Paulo.

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Em 2008 foi candidato a prefeito de São Paulo e recebeu 5.518 votos (0,09%) no primeiro turno e decidiu apoiar a candidata Marta Suplicy (PT).

Candidatura à presidência pelo PRTB e Repercussão Nacional

Em 2010, foi candidato a presidente da república pela primeira vez pelo PRTB. Conquistou o 7º lugar entre os 9 candidatos,  recebendo  57.960 votos (0,06%),  apoiou Dilma Rousseff no segundo turno contra o socialdemocrata  José Serra (PSDB).

Após candidatura para prefeito de São Paulo em 2012, que marcou o retorno do “janismo” como mote de campanha, nas eleições de 2014, Levy Fidélix saiu candidato à presidência se apresentando como candidato de direita com discurso conservador. Apesar de nunca ter sido eleito aos cargos que disputou (deputado, vereador, prefeito, governador e presidente), no primeiro turno das eleições Fidelix recebeu 446.878 votos em todo o Brasil (0,43%). O fundador do PRTB ficou em 7º lugar entre 11 candidatos, mas alcançou o melhor desempenho em uma eleição ao longo de sua carreira. No segundo turno, Fidélix apoiaria o socialdemocrata mineiro Aécio Neves (PSDB) contra Dilma, do PT.

O Aerotrem

Em todas as ocasiões em que Levy Fidelix aparecia no horário eleitoral gratuito, propôs-se a falar de seu projeto do aerotrem. No passado, a campanha consistia em mostrar um filme do meio de transporte com jingle de fundo.

A proposta de um moderno sistema de transporte público, que consistiria numa espécie de trem bala para fazer a ligação entre Campinas (SP), São Paulo e Rio de Janeiro, rendeu apelido a Fidelix: “o homem do aerotrem”. [3]

Na verdade, o “aerotrem” se tratava de um super monotrilho, que consiste numa ferrovia constituída por um único carril/trilho, diferente das ferrovias tradicionais que possuem dois trilhos paralelos. Um dos mais antigos monotrilhos do mundo, o de Wuppertal na Alemanha, foi construído em 1901 e ainda está em funcionamento. Mas no Brasil, apesar de terem existido em Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo, hoje, suas estações estão completamente desativadas, assim como nossa malha ferroviária como um todo. Apenas existindo um projeto no Brasil de construção em Manaus (AM).

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Lembremos que os países mais desenvolvidos utilizam como principal meio de tração e transporte econômico sua malha ferroviária para transporte de mercadorias, produtos, pessoas e serviços. Um meio barato e ágil que significa desenvolvimento real.

“Órgão excretor não reproduz” e guinada à Direita

No debate eleitoral promovido pela Rede Record em 29 de setembro entre os presidenciáveis de 2014, ao ser questionado pela candidata Luciana Genro (PSOL) sobre por que a “defesa da família” não inclui aquelas formadas por pessoas do mesmo sexo, Levy Fidelix proferiu palavras polêmicas que marcaram os acirramentos entre a Direita Liberal Conservadora e os Progressistas Liberais que disputavam o cargo entre as duas faces da mesma moeda:

 

Luciana Genro perguntou: “Por que as pessoas que defendem tanto a família se recusam a defender como família um casal do mesmo sexo?”.

Fidelix disse: “[…] Pelo que eu vi na vida, dois iguais não fazem filho. E digo mais, digo mais: desculpe, mas aparelho excretor não reproduz. É feio dizer isso. Mas não podemos jamais, gente – eu, que sou pai de família, um avô – deixar que tenhamos esses que aí estão achacando a gente no dia-dia querendo escorar essa minoria a maioria do povo brasileiro. Como é que pode um pai de família, um avô, ficar aqui escorado porque tem medo de perder voto? Prefiro não ter esses votos, mas ser um pai, um avô, que tem vergonha na cara, que instrua seu filho, que instrua seu neto”.

Na sequência de sua fala, Fidelix fez uma associação entre os lobbies LGBT e a normalização da pedofilia: “Eu vi agora o padre, o santo padre, o papa expurgar – fez muito bem – do Vaticano um pedófilo. Está certo. Nós tratamos a vida toda com a religiosidade para que nossos filhos possam encontrar realmente um bom caminho familiar”. Ao encerrar, disse para que os homossexuais “façam um bom proveito se querem continuar como estão”, mas que jamais “estimularia” a união homossexual como prática comum.

Em sua tréplica, Levy Fidelix continuou a discorrer sobre o assunto: “[…] o Brasil tem 200 milhões de habitantes? Se começarmos a estimular isso aí daqui a pouco vai reduzir pra 100. Vai pra Paulista e anda lá e vê. É feio o negócio, né”? Ele também sugeriu que a questão da homossexualidade deveria poder ser tratada psicologicamente e que era necessário ter coragem para enfrentar “essa minoria”, numa referência aos que permeavam os lobbies LGBT na mídia, política e educação.

A fala de Fidelix durante o debate foi classificada por diversas entidades, entre elas a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), como um discurso de ódio.

Pouco tempo após o fim do debate eleitoral, ao ser questionado por um jornalista do Brasil Post se estaria preocupado que a má repercussão pela mídia de suas declarações pudesse afetar a sua candidatura, Fidelix respondeu: “Me interessa o voto da família, das pessoas normais”. Ao ser questionado novamente no dia seguinte, afirmou ser “vítima de conspiração” e negou ser “homofóbico”, mas manteve as declarações e recusou pedir desculpas para os lobbies LGBT por considerar que suas falas não ofenderam ninguém.

Houve forte repercussão nas redes sociais sobre o assunto, assim como muito proveito midiático no Brasil e fora: até o britânico The Guardian criticou as afirmações do candidato durante o debate. Fora da internet, várias organizações sociais e de direitos LGBT, partidos políticos e entidades estaduais e federais, também se manifestaram.

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A APOGLBT e a ABGLT, a maior rede LGBT da América Latina, afirmou na época que pretendia entrar com uma representação contra as falas do candidato. O PSOL protocolou no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) um pedido de exclusão imediata do candidato dos próximos debates entre os presidenciáveis e a aplicação de uma multa por “incitar a violência e a discriminação contra a população LGBT”. Outras duas representações foram protocoladas no MPF pelo PV e pela então Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República para solicitar que fosse aberto um inquérito contra Fidelix para apurar desrespeito à dignidade humana, incitação ao ódio e discriminação por orientação sexual. A Secretaria da Justiça e Defesa da Cidadania de São Paulo divulgou nota na qual manifesta repúdio às declarações de Fidelix e pediu abertura de um processo administrativo contra o candidato ao fazer referência à Lei 10 948/01, uma legislação estadual que pune administrativamente a discriminação por orientação sexual.

Os processos, em trâmite desde 2015 e 2017, nunca foram efetivados e decididos contra o réu.

Apesar de todas as represálias, Fidelix recebeu o apoio de personalidades assumidamente conservadoras, como o parlamentar Jair Bolsonaro (então Deputado Federal pelo Rio de Janeiro pelo PP) e o pastor neopentecostal Silas Malafaia, investidor de candidatos de centro-direita. Além disso, o político também obteve um importante aumento de sua popularidade. O número de seguidores de sua página oficial no Facebook, por exemplo, aumentou 1000% após o debate.

Críticas à Nova Ordem Mundial

Em alguns de seus vídeos, era possível assistir as críticas de Fidelix a Nova Ordem Mundial e às denominações iluminatti. Assim como o Sistema Financeiro e alguns meios massivos de comunicação, como a Wikipédia. Em um vídeo postado em sua página oficial no Facebook em junho de 2018, Fidelix criticou a Wikipédia por desaprovar o conteúdo presente no verbete sobre a sua biografia. Ele afirmou que a enciclopédia deveria ser “proibida pelas leis nacionais” e que os editores voluntários que contribuem para o projeto são “canalhas, bandidos e fakes”. Segundo ele, sua biografia inclui versões falsas sobre acusações por “discriminação de gênero”.

Entretanto, nos anos seguintes, seguindo a guinada liberal, Fidelix apoiaria Bolsonaro e seu Ministro privatista Paulo Guedes. O próprio general Hamilton Mourão, vice de Bolsonaro e membro do partido de Fidelix, é maçom de grau 33.

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Suposto dinheiro da JBS

Em julho de 2017, os donos do grupo J&F fizeram uma delação premiada em que afirmam que Levy Fidelix, então candidato à Presidência nas eleições de 2014, pediu doações alegando que não teria chances de vencer a disputa se o grupo, que estava ajudando seus adversários, não colaborasse com ele também. O nome de Levy aparece em uma planilha de propina entregue aos procuradores da Operação Lava Jato por Ricardo Saud, ex-diretor de Relações Institucionais da J&F.

Apoio a Jair Bolsonaro e liberal

Nas eleições estaduais de 2018, apoiando Jair Bolsonaro para a Presidência da República, concorreu ao cargo de deputado federal pelo estado de São Paulo, obtendo 32.113 votos (0,15%), mas não conseguiu ser eleito.  Ele chegou a ser pré-candidato à Presidência no mesmo ano, mas desistiu ao fechar um acordo: o general Hamilton Mourão, do seu partido, se tornou candidato à vice-presidente na chapa encabeçada por Bolsonaro, formando a coligação PSL-PRTB.

Bolsonaro foi eleito na disputa contra Fernando Haddad (PT), pelo PSL (Partido Social Liberal) no segundo turno. Entretanto, Fidelix ficou de fora da distribuição de funções no governo Bolsonaro, os quais os maiores beneficiados foram os apoiadores banqueiros e sionistas. Fidelix também não viria a receber apoio de Bolsonaro durante sua última candidatura à Prefeitura de São Paulo da parte de Bolsonaro, ao qual apoio Celso Russomano (Republicanos). [4]

Sua última participação em eleições foi em 2020, quando tentou a Prefeitura de São Paulo. Na ocasião, disse que pretendia desapropriar a região da Cracolândia e criar “o maior shopping de tecnologia e eletrônicos da América Latina”. [5]

Popularização

A morte do político Levy Fidelyx (PRTB), vítima da covid-19, levou a um aumento exponencial das pesquisas pelo termo “aerotrem” no buscador do Google. De acordo com os dados disponibilizados pela plataforma “Trends”, entre a noite de ontem e a manhã deste sábado (24), o interesse cresceu aproximadamente 1.000%. O pico ocorreu por volta das 9h de hoje. O aerotrem entrou para o folclore da política brasileira depois de ter sido a principal proposta de Fidelix apresentada nas oportunidades em que ele foi candidato à Presidência da República.

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Levy Fidelix entrou para o rol da fama política brasileira para a geração millenium como um símbolo do conservadorismo liberal ao qual tem estado, pelo menos desde 2007, muito em voga para a juventude, que cada vez mais abandona o pensamento nacionalista e patriótico em lugar do liberalismo neoconservador.  Certamente, com defeitos e qualidades, Levy Fidelix não será esquecido como figura política e precursor de uma onda antiprogressista recente no Brasil.


Notas

[1] Revista QUEM. “Levy Fidelix morre aos 69 anos, vítima da Covid-19: Político estava internado desde março em hospital de São Paulo”. 24/4/21. Disponível em: https://revistaquem.globo.com/QUEM-News/noticia/2021/04/levy-fidelix-morre-aos-69-anos-vitima-da-covid-19.html

[2] Notícias Terra. Levy Fidelix: quem é o candidato do PRTB à Presidência. 20 de julho de 2010, atualizado em 03 de outubro de 2010 (Web Archive). Disponível em https://web.archive.org/web/20140826120510/http://noticias.terra.com.br/brasil/politica/eleicoes/levy-fidelix-quem-e-o-candidato-do-prtb-a-presidencia,5c48414d60e2d310VgnCLD200000bbcceb0aRCRD.html

[3] Hanrrikson de Andrade. “Busca por ‘aerotrem’ na internet cresce 1.000% após morte de Levy Fidelix”. UOL, Brasília, 24/04/2021. Disponível em https://noticias.uol.com.br/politica/ultimas-noticias/2021/04/24/busca-por-aerotrem-na-internet-cresce-1000-apos-morte-de-levy-fidelix.htm

[4] A Cidade On. “Levy Fidelix diz que merecia apoio de Bolsonaro e chama Russomanno de esquerda”. FOLHAPRESS | FOLHAPRESS, 21/10/2020. Disponível em https://www.acidadeon.com/NOT,0,0,1553257,Levy-Fidelix-diz-que-merecia-apoio-de-Bolsonaro-e-chama-Russomanno-de-esquerda.aspx

[5] A Cidade On. “Levy Fidelix diz que merecia apoio de Bolsonaro e chama Russomanno de esquerda”. FOLHAPRESS | FOLHAPRESS, 21/10/2020. Disponível em https://www.acidadeon.com/NOT,0,0,1553257,Levy-Fidelix-diz-que-merecia-apoio-de-Bolsonaro-e-chama-Russomanno-de-esquerda.aspx

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