Morrer pela Gayropa?

Por Sertório
Tradução de Chauke Stephan

Suponho que o leitor esteja a par da crescente intervenção da Otan na Ucrânia, cenário favorito da Guerra de Biden. A destruição da Rússia, sua divisão no maior número de Estados que se possa imaginar e a obtenção a preço de banana dos combustíveis que agora o governo de Moscou vende como lhe convém — eis os sonhos dourados da plutocracia atlantista, que vem beijando esse cenário desde pelo menos 1918, quando o presidente Wilson pensava que a Rússia era grande demais. E é isso mesmo, a Rússia é muito grande, ocupa uma porção enorme do espaço eurasiático e está destinada por sua simples extensão a ser uma grande potência, um império.

Ao gayropeu médio fica difícil compreender que um país economicamente pobre, não muito desenvolvido, com alguns índices de consumo e de bem-estar mais baixos que os da União mal denominada “Europeia”, possa exercer um papel tão decisivo no teatro internacional. Não vale a pena explicar ao gayropeu que a potência de uma nação (o próprio termo “nação” parece antigo, obsoleto, reacionário) não depende da renda per capita em dólares, mas sim de seu potencial militar e de sua capacidade de afirmação política. Se o gayropeu for um espanhol, a situação tornar-se-á desesperadora. Como explicar essas coisas ao obtuso súdito de um Estado falido, de uma bodega quebrada? Há muito tempo a soberania espanhola resta como um fantasma do franquismo e que a política exterior segue o ditado de Bruxelas, Berlim ou Rabat. Como uma antiga nação que renunciou a toda política autônoma, uma nação que não reage quando o Marrocos e a Argélia invadem suas águas territoriais pode entender a firmeza dos russos na defesa de seu espaço estratégico? Como uma Espanha incapaz de afirmar sua soberania no interior de seus próprios limes teria a determinação com que Vladimir Putin defende a sua pátria? Aqui só se assiste ao soçobro do pseudoestado, cada um buscando salvar a própria pele e, se possível, levar algum tipo de vantagem.

Mas deixemos o espanhol em sua asinina ignorância: é um caso perdido. Pensemos como europeus do tipo antigo, europeus de verdade, como legatários das tradições cristã e clássica, como netos de Atenas, filhos de Roma e amantes de Florença, como ouvintes de Bach e de Mozart, como leitores de Goethe e de Balzac, como discípulos de Platão e de Schopenhauer, como fiéis daquele mundo que se suicidou em 1918 e foi substituído por uma bárbara corporação de usurários, chicanistas e economistas com cabeças de planilha tendo sede em Bruxelas. Imaginemos, por exemplo, que Biden consiga sua guerra, que Putin responda ao desafio e tenhamos um conflito de grande escala na Europa. Segundo os dados estatísticos, não há dúvida quanto a Otan ser mais forte e que seu exército de mercenários, ciborgues, drones e robôs — na planilha dos contadores, venceria uma Rússia defendida por soldados de carne e osso, com uma pátria e um Deus. Mas não, a guerra não é nenhum videojogo: a todo-poderosa Otan acaba de ser humilhada no Afeganistão por uma horda de aldeões com o Alcorão na cabeça e devotados a sua tradição tribal. O mundo é maior e mais complexo do que um câmpus da Ivy League, Sr. Biden. E são esses generalíssimos de Game boy que pretendem invadir e despedaçar a Santa Rússia? Será que vão triunfar o caduco Biden e o vacilante Macron onde fracassaram Ladislau da Polônia, Carlos XII, Napoleão e Hitler? Será o exército de invertidos sexuais superior em valor, dureza e resistência aos drabantes suecos, aos gronhardes do Grande Corso, às legiões prussianas? Duvido.

Antes de tudo devemos perguntar quem é o representante dos valores europeus. Acaso seria a União mal denominada “Europeia”? A Gayropa que trata de subverter a identidade cristã do nosso continente? Aquela que persegue e discrimina “positivamente” o europeu nativo para favorecer os seres de luz que chegam da África? Aquela que “reinterpreta” e “ressignifica” o nosso passado para condená-lo e cuspir na face de nossos mortos, nas nossas glórias, na nossa Tradição? Valeria a pena mover um dedo para defender a ditadura da ideologia de gênero, o aborto livre, a extinção da família tradicional, a mudança de sexo de crianças e as agendas veganas, multiculturais e animalistas? Alguém que mereça o nome de europeu lutaria e morreria para defender o feudo de Irene Montero, de Alberto Garzón e do doutor Sánchez, para manter no poder os que clamam pela islamização e africanização da Europa? Lutaria pelos que violaram o túmulo de Franco e desonraram a memória de metade da Espanha? Daria a vida por quem exclui os homens “demasiado homens” e “demasiado brancos” de seus postos de trabalho? Iria à guerra para salvar o Greenpeace, o Black Lives Matter, o papa Francisco, a pirralha Greta, Bill Gates, Zuckerberg e todo o legebetário?

Se você for homem, heterossexual, europeu nativo, cristão, amante de sua tradição, a Otan é seu inimigo, o agente de sua extinção, o inimigo declarado de sua tradição cultural, de sua nação, da sobrevivência de seu povo e de sua cultura. A Otan é o braço armado da Grande Substituição e da avalanche migratória. Otan significa ideologia de gênero, aborto, capitalismo transnacional. A Otan é a mesquita que se constrói e a catedral que se converte em supermercado.

Europeu: é sério que você vai morrer pela Gayropa? Se queremos que isso que até há uma geração chamávamos de civilização europeia sobreviva, devemos lutar para que a Otan, a União mal denominada “Europeia” e os plutocratas que as sustentam tenham na Rússia o mesmo fim que tiveram os exércitos de Napoleão e de outros conquistadores ocidentais abalançados no temerário cometimento de invadir a Santa Rússia.


Fonte: El Manifiesto. Autor: Sertório. Título original: Mourir por Gayropa?. Data de publicação: 20 de janeiro de 2022. Versão brasilesa: Chauke Stephan Filho.

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