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Mikhail Bakunin sobre Marx e os Rothschilds

A carta escrita em dezembro de 1871 por Bakunin também conhecida como “Carta aos Internacionais de Bolonha”, traz uma denúncia perturbadora, os Rothschild, os maiores banqueiros do capitalismo especulativo do mundo, como Karl Marx e o comunismo, ambos teriam algo em comum, de acordo com Bakunin, mesmo estando em lados diferentes, estavam buscando um mesmo fim: A Exploração dos povos!

Contexto histórico

Mikhail Aleksandrovitch Bakunin (1814  -1876) foi um teórico político, sociólogo, filósofo e revolucionário anarquista russo considerado uma das figuras mais influentes do anarquismo e um dos principais fundadores da tradição social anarquista.

Devido a algumas de suas colocações com relação ao judaísmo e o sionismo internacional, Bakunin tem sido taxado durante séculos como “antissemita”. Este posicionamento tem sido criticado pelos libertários das gerações seguintes, pois isso não era incomum entre parte dos anarquistas e socialistas da Europa do século XIX, entre estes também Proudhon. Durante suas contendas com Karl Marx (1819 – 1883), de família de origem judaica alemã, Bakunin mostrou um ponto de vista bem comum na época. Por outro lado, pode-se ter a opinião que o mais fundamental embasamento de Bakunin estava em que ele era contra toda e qualquer forma de autoridade imposta pela religião ou estado, conforme contra no livro “Deus e o Estado”. Seria muito simplista ou equivocado afirmar que era somente contra os judeus, mas mesmo estes, receberam atenção especial não só pela linha ideológica de Bakunin, mas das próprias linhas religiosas e também nacionalistas.

Bakunin foi bastante ativo nos círculos revolucionários teóricos até sua expulsão por Marx junto com os seguidores anarquistas no Congresso de Haia em 1872. Isso ilustrou a crescente divergência entre as seções “antiautoritárias” da Internacional que exigiam a ação e organização dos trabalhadores de forma a abolir o estado e o capitalismo, e as seções socialdemocratas aliadas de Marx que defendiam a conquista do poder político pela classe trabalhadora. Bakunin foi ferrenho crítico do que chamava de “socialismo autoritário” (que associava sobretudo ao marxismo) e o conceito de ditadura do proletariado, o qual refutava abertamente.

A carta circular disponível como “Lettre aux Internationaux de Bologne”, de dezembro 1871 [1], na resposta de Bakunin a Marx e Engels, “The Sueged Splits in the International”, ele denunciou as mentiras de “judeus alemães e russos”.  Foi publicada no Boletim da Federação do Jura de 15 de junho de 1872 [2]. Em julho, Engels comentou a resposta de Bakunin em uma carta. [3]

Trecho da carta:

“Os judeus constituem hoje na Alemanha uma verdadeira potência. Ele próprio judeu, Marx tem em torno de si, tanto em Londres quanto na França e em muitos outros países, mas sobretudo na Alemanha, uma multidão de pequenos judeus, mais ou menos inteligentes e instruídos, vivendo principalmente de sua inteligência e revendendo suas ideias a retalho. Reservando para si próprio o monopólio da grande política, ia dizendo, da grande intriga, ele lhes abandona de bom grado o lado pequeno, sujo, miserável, e é preciso dizer que, sob esse aspecto, sempre obedientes a seu impulso, à sua elevada direção, eles lhe prestam grandes serviços: inquietos, nervosos, curiosos, indiscretos, tagarelas, agitados, intrigantes, exploradores, como o são os judeus em todos os lugares, agentes de comércio, acadêmicos, políticos, jornalistas, numa palavra, corretores de literatura, ao mesmo tempo que corretores de finanças, eles se apoderam de toda a imprensa da Alemanha, a começar pelos jornais monarquistas mais absolutistas até os jornais absolutistas radicais e socialistas, e desde muito tempo reinam no mundo do dinheiro e das grandes especulações financeiras e comerciais: tendo assim um pé no Banco, acabam de colocar nestes últimos anos o outro pé no socialismo, apoiando assim seu posterior sobre a literatura quotidiana da Alemanha… Vós podeis imaginar que literatura nauseabunda isto deve fazer.”

“Bem, todo esse mundo judeu que forma uma única seita exploradora, um tipo de povo sanguessuga, um parasita coletivo devorador e organizado nele próprio, não somente através das fronteiras dos Estados, mas através mesmo de todas as diferenças de opiniões políticas, este mundo está atualmente, em grande parte pelo menos, à disposição de Marx de um lado, e dos Rothschild do outro. Eu sei que os Rothschild, reacionários que são, que devem ser, apreciam muito os méritos do comunista Marx; e que, por sua vez, o comunista Marx se sente invencivelmente arrastado, por uma atração instintiva e uma admiração respeitosa, em direção ao gênio financista dos Rothschild. A solidariedade judia, esta solidariedade tão possante que se manteve através de toda a história, os une.”

“Isto deve parecer estranho. O que pode haver de comum entre o socialismo e o grande Banco? E que o socialismo autoritário, o comunismo de Marx quer a possante centralização do Estado, e lá, onde há centralização do Estado, deve haver necessariamente um Banco central do Estado, e lá, onde exista tal Banco, os judeus estão sempre certos de não morrer de frio ou fome. Ora, a ideia fundamental do partido da democracia socialista alemã é a criação de um imenso Estado pangermânico e, por assim dizer, popular, republicano e socialista — de um Estado que deve englobar toda a Áustria, os eslavos, a Holanda, uma parte da Bélgica, uma parte da Suíça pelo menos, e toda a Escandinávia Uma vez que ele tivesse englobado tudo isso, natural e necessariamente ele acabaria por englobar todo o resto. A influência desmoralizante deste partido fez-se sentir há um ano na Áustria e se faz sentir agora na Suíça.”


Fonte: Libcom.org
Tradução de Leonardo Campos
Introdução de Leonardo Campos e André Marques
Edição e adaptação por este site


Notas

[1] Bakounine, Œuvres Complètes, Volume 2. Para mais informações sobre a retórica antissemita de Bakunin, consulte seu “Aux Compagnons de la Fédération des Sections Internationales du Jura (février-mars 1872)”, em Michel Bakounine, Œuvres Complètes, Volume 3: Michel Bakounine et les Conflits Dans L’Internationale 1872 (Paris: Editions Champ Libre, 1975). Citado em Ibid., 296.

[2] Ver “Résponse à la Circulaire Privée du Conseil Général: Les Prétendues Scissions dans L’Internationale”, em Bakounine, Œuvres Complètes, Volume 3, 121.

[3] Cuno: “Bakunin emitiu uma carta furiosa, mas muito fraca, abusiva em resposta às Cisões. Aquele elefante gordo está fora de si de raiva porque finalmente foi arrastado de seu covil em Locarno para a luz, onde nem maquinações nem intrigas têm mais utilidade. Agora ele declara que é vítima de uma conspiração de todos os europeus – judeus!” Friedrich Engels, “Engels to Theodor Cuno”, em Marx e Engels, Collected Works Vol. 44, 408.

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