fbpx
Leonardo Campos: Eleonore Baur, a Irmã Pia

Quem foi a irmã Pia? Esta freira nacional-socialista foi a única mulher a possuir a “blutorden”, a ordem de sangue, concedida aqueles que participaram do levante em 9 de novembro de 1923, tinha uma verdadeira amizade com Adolf Hitler, de frequentar sua casa.

Eleonore Baur nasceu em 07 de setembro de 1885 em Kirchdorf perto de Bad Aibling, na Baviera. Sua mãe morreu quando Baur era um bebê, logo após o nascimento, e quando ela tinha cinco anos, Baur mudou-se para Munique com seu pai e sua madrasta, que era uma mulher dura que não a poupou, pois tinha que trabalhar para sua alimentação diária.

Em Munique, Baur deixou a escola aos 14 anos e, como sua madrasta a detestava – mandou-a embora de casa -, ela começou a trabalhar como assistente de parteira. Aos 15 anos, ela deu à luz um filho ilegítimo cujo destino é atualmente desconhecido. Aos 19, ela deu à luz um segundo filho ilegítimo chamado Wilhelm Baur, a quem ela deu para adoção devido suas condições financeiras insustentáveis.

Sobre Wilhelm Baur

Seu filho ilegítimo, chefe do escritório central do NSDAP, Wilhelm Baur, desaparecido desde 1945, foi adotado por seu marido, o engenheiro mecânico Ludwig Baur. Durante a marcha para o Feldherrnhalle ele pertencia à 5ª companhia do regimento Munich SA e, como sua mãe, foi recebedor da blutorden [Ordem de Sangue]. Mais tarde, ele fez carreira como chefe da editora central do NSDAP, a Eher-Verlag, vice-presidente do Reichsschrifttumskammer e, a partir de 1934, chefe da associação alemã de comércio de livros. O SS-Standartenführer caiu em 1945 na batalha final durante a Batalha de Berlim.

Voltando a Eleonor…

Logo depois, ela se mudou para o Egito para trabalhar como auxiliar de enfermagem em um hospital do Cairo, voltando à Munique em 1907, onde começou a trabalhar para a ordem católica romana de caridade Gelbes Kreuz (Cruz Amarela), onde a associação de enfermeiras deram-lhe o nome de “Irmã Pia”.

Em 1908/09 ela viria a se casar com Ludwig Baur, um engenheiro mecânico. O casamento terminou em divórcio após cinco ou seis anos.

RECEBA NOSSOS LIVROS EM CASA

 

Sendo muito jovem, ela foi designada durante a Primeira Guerra Mundial como Irmã Militar no Exército em um Regimento de Württemberg, citada por Elsa Brändström como modelo padrão. Depois da guerra, ingressou e ajudou as tropas do Freikorps Oberland sob o comando do General Ritter von Epp, durante a batalha contra a República Soviética da Baviera e na campanha do Báltico em 1919, libertando Munique do domínio marxista. Ela recebeu a Cruz Baltikum em 1920 pessoalmente do Capitão Hermann Ehrhardt, líder do Freikorps Ehrhardt.

Retornando a Munique e encontrando-se na pobreza absoluta, certo dia tomou um bonde, mas descobriu que não tinha dinheiro para pagar a passagem, então o condutor pede que ela saia do veículo, mas um senhor presente se oferece para pagar a passagem do próprio bolso. Este cavalheiro é ninguém menos que… Adolf Hitler.

Após conhecer Anton Drexler e Adolf Hitler, em 1920, ingressou no NSDAP (uma das primeiras mulheres a fazê-lo). Baur se tornou uma das figuras nacional-socialistas mais notáveis em Munique na primavera de 1920. Chegou a ser presa em 11 de março daquele ano por perturbar a paz após um discurso antissionista em um comício de mulheres em Munique. Sua subsequente absolvição a tornou uma heroína do movimento.

Em 1921 se formaram as colunas de voluntários de todas as regiões da Alemanha para libertar a província da Alta Silésia do ataque polonês. A Irmã Pia não hesitou um só momento em acompanhar os voluntários até a frente, tornando-se o anjo protetor dos feridos. Ela marchou na linha de frente para Heidebreck, onde chegou a ser ferida na coxa – episódio onde permaneceu por muito tempo no chão esperando ajuda. O seu reconhecido valor fez com que recebesse a Cruz de Prata de Oberland, bem como a Águia da Silésia nas suas duas categorias.

RECEBA NOSSOS LIVROS EM CASA

 

Baur continuou a ser ativa na política alemã dando discursos com base nacional-socialista e organizando eventos de caridade. Em 9 de novembro de 1923 foi a única mulher a participar do Putsch de Munique, a Irmã Pía marchou com os nacional-socialistas através do Feldherrnhalle, onde novamente tratou e ajudou os moribundos e feridos. Em reconhecimento à sua dedicação e amor ao próximo, ela recebe a Blutorden. sendo uma das duas únicas mulheres alemãs e 14 austríacas a receberem a condecoração mais alta do partido.

A importância desta condecoração decorre do fato de que quando os aliados se envolveram em uma tarefa de reeducação “democrática” do povo alemão, assassinando todos aqueles que duvidavam da grandeza dos ideais democráticos. Foram considerados elementos especialmente perigosos, todos os que comandavam o nacional-socialismo e também os que, sem o possuir, foram condecorados com o referido Blutorden ou possuíam o emblema dourado do partido, concedido aos primeiros 100.000 membros.

Nos dias 14 e 15 de outubro de 1922, ela participou do “Dia Alemão em Coburg”, onde dirigiu o hospital SA móvel projetado por ela anos atrás como enfermeira. Ela viajava para onde quer que as SA e Hitler fossem, sempre com pessoas prontas para cuidar dos feridos do movimento. Ela também enfrentou inúmeras batalhas  e foi espancada por comunistas em Göppingen, chegando a ficar gravemente ferida. Ainda em Munique, acompanhou os nacional-socialistas nas suas lutas socorrendo os feridos e atendendo seguidores de Hitler.

Em 1923 ela se casou pela segunda vez com um gerente de hotel chamado Sponseil dez anos mais novo. Esse casamento também terminou em divórcio.

RECEBA NOSSOS LIVROS EM CASA

 

Durante a ascensão dos nacional-socialistas e após a eleição para o Gabinete do Primeiro-Ministro em 1933, Baur permaneceu perto da liderança, acompanhando Hitler em suas viagens. Heinrich Himmler nomeou-a irmã do bem-estar para a Waffen-SS no campo de concentração de Dachau em 1933, tendo até um Comando em seu nome, München-Schwabing.

Em 1934, Baur fundou a Ordem Nacional-Socialista das Irmãs (Schwesternschaft), tornando-se sua presidente honorária em 1937. Ela foi promovida sob o regime Nacional-Socialista como a mulher Nacional-Socialista ideal (o Der Spiegel a chamou de ‘a enfermeira da nação Nacional-Socialista’) mostrando o quanto desenvolveu um grande papel no partido enquanto nascente que a deixara bem conhecida.

Baur desempenhou um papel importante na construção e administração de Dachau e, embora não haja evidências de que Baur tenha ferido fisicamente prisioneiros, ela foi acusada pelos adversários políticos de intimidar prisioneiros, funcionários e vizinhos forçando prisioneiros a trabalhar nas reformas da vila que Hitler lhe deu em Oberhaching. Outras acusações diziam que grupos de prisioneiros foram “supostamente chicoteados e obrigados a fazer trabalho manual” na casa de Baur, incluindo “limpar sua casa, cuidar de seu jardim e até mesmo construir brinquedos infantis”.

Em verdade, tudo que se comprova é que os prisioneiros comiam em uma mesa junto com Pia e seus empregados, um motorista e um ajudante de cozinha. Eles tinham até permissão para fumar e a possibilidade de contrabandear cartas para fora do acampamento e fazer contato com o mundo exterior. Durante as visitas semanais à cozinha dos reclusos, levava carne e margarina no seu veículo oficial, A comida, acusada de ser “comida de cachorro” inferior, geralmente era carne de boa qualidade. Pia estava encarregado do destacamento no Campo. Ela organizou as tarefas e definiu horários de trabalho. Não há casos conhecidos de maus-tratos ou mortes neste subcampo. A própria Pia nunca realmente prejudicou um prisioneiro, mas quase todos os ex-prisioneiros, questionados após a guerra, a acusaram de intimidá-los.

RECEBA NOSSOS LIVROS EM CASA

 

Quando os prisioneiros foram interrogados posteriormente, houve muitos relatórios positivos sobre ela. Ela frequentemente defendia o padre Huber, que dizia em seu leito de morte que ela era o “anjo de Dachau”, porque ela havia feito um grande bem no campo de concentração. Outros presos afirmaram que Pia defendia suas libertações ou apoiou financeiro de seus parentes. Em 1943, o chefe da SS, Himmler a baniu temporariamente de Dachau porque havia sido alegado que ela queria contrabandear cartas de prisioneiros para fora do campo de concentração. No Natal, ela regularmente presenteava os prisioneiros com os chamados “Pacotes Pia”, cheios de comida.

Durante a Segunda Guerra Mundial, ele voltou à linha de frente no atendimento aos feridos na Waffen-SS e ajuda os parentes dos soldados mortos.

Passada a guerra, Baur foi presa pela primeira vez por acusações de crimes de guerra em maio de 1945, mas logo em seguida foi libertada devido à insuficiência de evidências. Ela então compareceu ao tribunal de desnazificação em setembro de 1949, na cidade Munique, onde foi categorizada como uma grande criminosa, sentenciada a dez anos no campo de trabalho de Rebdorf tendo seus bens pessoais confiscados.

Libertada da prisão no ano seguinte por motivos de saúde, Baur solicitou com sucesso uma pensão e indenização em 1955 e voltou para Oberhaching.

Baur nunca renunciou ao nacional-socialismo e nunca faltou-lhe autoconfiança, uma vez afirmando: “Há apenas um Frederico, o Grande, há apenas um Adolf Hitler e há apenas uma Irmã Pia”. Aos 90 anos chegou a escrever um poema:

“Ser irmã significa desistir
Significa cumprir as tarefas mais pesadas
Significa suportar a angústia dos outros
Com um gesto calmo e sorridente.

Ser irmã significa compreensão
As necessidades dos outros,
Significa ser capaz de penetrar no coração de outras pessoas
Quando uma dúvida te ameaça.

Ser uma irmã sempre significa dar
Sempre seja gentil com os outros,
Sem perguntar; significa uma vida sacrificada
Por amor ao próximo. Seja uma irmã!”

Em 18 de maio de 1981, ele morreu em Munique aos 96 anos. A Irmandade Freikorps Oberland /Bund Oberland publicou um obituário no jornal Münchner Merkur: “Sua honra se chama lealdade. Sua vida vale a pena, Alemanha.” Em seu túmulo ainda se lia a inscrição: “Ein Leben für Deutschland” (Uma vida pela Alemanha).

Seu tumulo foi retirado por conta de pressão de grupos contrários na Alemanha pós-guerra.


Referências bibliográficas

Verzeichnis der Haftstätten unter dem Reichsführer SS (1933-1945), 2 vols. (Arolsen, 1979), I: 87

Sabine Schalm. “Schwester Pia: Karriere einer Strassenbahnbekanntschaft – Fürsorge der Waffen SS im Konzentrationslager Dachau”, Frauen als Täterinnen im National, Bd. 2, Protokollband der Fachtagung, 16 e 17 de setembro de 2005 em Bernburg, ed. V. Viola Schubert-Lenhardt, p. 52-67.

Hans Holzhaider. “Schwester Pia,” DaH 10 (1994): 101-114.

Geschichtswerkstatt Neuhausen, “Schwester Pia – Ein Leben für Deutschland?” Landeshauptstadt München, Frauenleben em München / Lesebuch zur Geschichte des Muenchner Alltags; Geschichtswettbewerb 1992 (München, 1993), p. 125-130.

Johann Hess, “Braune Schwester Pia”, Eugen Weiler (ed.), Die Geistlichkeit in Dachau (Mödling: Missionsdruckerei St. Gabriel, 1971).

(München-Schwabing e Eleonore Baur) arquivos de desnazificação em StA-M, Spruchkammerakten, Karton 75, Eleonore Baur, Vol. 1-5; arquivos de investigação do Sta. München II, 34448, Vol. 1-2. Esses arquivos contêm depoimentos detalhados de testemunhas de Baur e dos prisioneiros.

Publicações de prisioneiros são esparsas, mas o seguinte deve ser mencionado: Rudolf Kalmar, Zeit ohne Gnade (Wien, 1946), p. 176-179. Outros relatórios não publicados estão no AG-D, por exemplo “Erinnerungen des österreichischen Häftlings Hans Schwarz,” AG-D Hängeordner SS / Schwester Pia. A contribuição mais recente é a monografia de Stanislav Zamecnik, Das war Dachau (Luxemburgo, 2002), p. 180-184.


RECEBA NOSSOS LIVROS EM CASA

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.

Quer receber nossas notificações?    SIM! Não, obrigado (a)