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Nos anos que sucederam a segunda guerra mundial muitos ex- oficiais Nazistas foram obrigados a fugir e se refugiar em outros países para escapar das garras dos julgamentos promovidos pelos aliados. Muitos estavam cientes do que tinha acontecido no julgamento de Nuremberg, que apenas mascarado como um julgamento legítimo de nada tinha intenções de promover justiça, mas sim eliminar de vez o restante dos adversários políticos das forças aliadas.

Os oficiais que sobreviveram passaram a ser procurados internacionais. Com certeza o caso mais famoso foi o de Adolf Eichmann, encontrado na Argentina e capturado pelas autoridades israelenses do MOSSAD nos anos 60. Seu julgamento foi realizado em Israel onde foi injustamente condenado a forca sem direito de se defender ou ao menos ser julgado em seu próprio país.

Desesperados pelas suas vidas, não querendo acabar assassinados como seus antigos líderes, muitos optaram por aceitar uma proposta irrecusável, trabalhar para seus antigos inimigos, como os Estados Unidos. Irrecusável somente pois era aceitar o trabalho ou passar o resto de suas vidas na prisão. Trabalhar para os americanos poderia garantir a tentativa de uma nova vida, um recomeço, que na realidade nunca deixou de ser apenas uma promessa.

Não é do desconhecimento do público os ex- oficiais, cientistas e engenheiros alemães que foram contratados pelas forças aliadas no final da segunda guerra mundial, como a famosa operação paperclip, e com o início da guerra fria tanto os EUA quanto a URSS disputavam para recrutar seus antigos adversários. Até mesmo os Israelenses trabalharam com antigos membros da SS, como foi o caso do Otto Skorzeny, que fora contratado para perseguir um antigo colega que estava trabalhando como cientista de foguetes no Egito.

O ex-oficial da SS Klaus Barbie, o “açougueiro de Lyon”, expulso pela Bolívia, espera em um tribunal em Lyon em 11 de maio de 1987, no primeiro dia de seu julgamento sob a acusação de crimes contra a humanidade. Ele foi condenado à prisão perpétua e morreu quatro anos depois. Créditos: STF/AFP/Getty
O ex-oficial da SS Klaus Barbie, o “açougueiro de Lyon”, expulso pela Bolívia, espera em um tribunal em Lyon em 11 de maio de 1987, no primeiro dia de seu julgamento sob a acusação de crimes contra a humanidade. Ele foi condenado à prisão perpétua e morreu quatro anos depois. Créditos: STF/AFP/Getty

Desses foragidos que acabaram trabalhando para os aliados, um dos mais notórios foi Klaus Barbie, o famoso ‘Açougueiro de Lyon’, como ficou conhecido. Barbie era um oficial da SS que nos anos de guerra foi enviado pela SD para França para cuidar da inteligência e das forças da Gestapo e conter as forças revolucionárias que ameaçavam o regime alemão. É acusado de ser um dos maiores genocidas da SS assim como responsável por milhares de mortes e torturas brutais em seus métodos de interrogatório. Os franceses julgaram-no culpado de deportar 7,500 pessoas, de ser responsável pelo assassinato de 4,342 e de ter prendido 14,311 combatentes da resistência francesa. Os franceses após a guerra eram os que mais queriam a cabeça de Barbie.

Sua famã lhe concedeu várias lendas a seu respeito como a de uma escola no qual teria trancafiado crianças, e posto o prédio em chamas, logo antes de explodi-lo com dinamite. Claro que essas histórias não passam de propaganda e exageros dos que ele perseguia, mas acabaram sendo disseminadas tornando Barbie em um típico vilão de quadrinho. O próprio Barbie sempre negou tais acusações, e possuindo uma posição importante dentro da SD, essas brutalidades seriam incabíveis e logo teria perdido seu cargo. Muitos acreditam que a SS assim como a Gestapo eram homens que cometeram monstruosidades, a mídia até os retrata como bárbaros sanguinários sem alma, mas essa narrativa se contradiz com as exigências de disciplina e código de conduta que eram impostos para os oficiais. Poucos desconhecem inclusive organizações como a Schule und Moral que fora da autoridade dos líderes da Gestapo era administrada por Rudolf Hess e responsável por supervisionar as forças militares e policiais do Terceiro Reich. Podemos concluir apenas que a maioria das histórias de crueldades nazistas não passam de sensacionalismo para promover histórias comoventes.

O que contribui para a aceitação dessas histórias, é a falsa visão de que a ocupação nazista na frança teria inserido ali um regime violento de perseguição. Muitos historiadores sobre a segunda guerra, como David Irving, já demonstraram como os franceses na verdade mal se importavam com a ocupação alemã, e de muitas maneiras elogiavam a disciplina e educação dos soldados alemães.

Erhard Dabringhaus, um ex-soldado americano que serviu na guerra e depois trabalhou no CIC (Corpo de Contrainteligência dos Estados Unidos) na Alemanha ocupada, sendo nesse período colega de Klaus Barbie, afirma em seu livro sobre Barbie um episódio durante sua estadia na França:

“Cinco dias depois do Dia D, vi uma camponesa francesa trazendo do galinheiro uma cesta cheia de ovos. Fazia semanas que não víamos um ovo fresco, de modo que me atrevi a lhe pedir dois ovos. A infeliz embaraçada, respondeu: Tenho que guardar estes ovos para os alemães. Eles retornarão amanhã ou depois, e vocês vão voltar nadando para a Inglaterra.

Um dos sargentos, sob meu comando, que falava francês melhor que eu, acabou convencendo-a a ceder alguns ovos. Os franceses estavam tão devastados moralmente, que encontravam dificuldade em aceitar a libertação. Éramos considerados mais como intrusos do que libertadores.

Na cidade de La Ferté-Mace, onde chegamos depois de uma ferrenha batalha em Domfront, ouvi um velho francês dizer:

É uma pena que os alemães estejam partindo. Eles trouxeram limpeza, lei e ordem à nossa cidade.”

Demonstra essa passagem a desilusão americana, que sempre se viram como os libertadores de povos que nunca quiseram ser libertados. Continuam a fazer isso até os dias de hoje no Oriente Médio,  destruindo países, comunidades e famílias em nome da sua democracia. Os franceses não estavam preocupados com o domínio alemão e sim com um povo do outro lado do oceano atlântico invadindo suas terras a fim de destruir o seu próprio inimigo.

Outras mentira é de que a resistência francesa teria resistido a tirania nazista, quando o próprio Dabringhaus nos conta em seu livro que eles só surgiram ás ruas após a ocupação alemã já ter terminado. Sob a vigilância de Barbie, esses grupos terroristas bolcheviques, que hoje são vistos como “Freedom Fighters”, não conseguiram causar desordem em solo francês. Também em seu livro vemos alguns relatos sobre as atrocidades cometidas pela Resistência contra o próprio povo francês:

“Uma prática adotada no pós-guerra pela Resistência francesa que chocou os soldados americanos foi a caça para interrogatório de todas as mulheres que tinham confraternizado com alemães. Raspou-se a cabeça de toda garota que tivesse dormido com um alemão. As mulheres foram enfiadas em caminhões abertos, e eram alvejadas com pedras e ovos, espancadas com bastões e frequentemente levavam cuspidas. Infelizmente, houve muitas denúncias falsas. Bastava que uma garota tivesse sido vista apenas conversando com um soldado alemão para estar sujeita ao mesmo tratamento.”

Os Franceses queriam a cabeça de Barbie por ter pego o líder da Resistência Francesa, mas nenhuma atrocidade cometida por esses foi julgada dignamente, muito menos pelos historiadores.

Após a guerra, durante o período de ocupação americana na Alemanha, estando essa agora dividida com metade do seu território dado para as forças soviéticas, Klaus Barbie era um fugitivo, mas por possuir contatos com antigos colegas acabou conseguindo uma proposta para trabalhar no CIC, junto com Dabringhaus, como espião de contra inteligência soviética. Barbie precisando de dinheiro, proteção e também sendo um anticomunista voraz aceitou a oferta.

Trabalhou anos para os americanos por causa de suas habilidades em espionagem e capacidade de conseguir informantes. Barbie segundo Dabringhaus agia como se estivesse em um filme de espiões noir, gostava de ser exagerado e dramático em seus relatórios, mas era um agente muito eficiente e valoroso para os americanos e por isso o mantiveram. Klaus reconectou várias redes de informações com seus antigos camaradas da SS e não exitou em entregar muitos deles para os americanos, afinal, ordens são ordens, mesmo se considerando um leal nacional socialista.

Depois de anos trabalhando para os americanos se infiltrando em organizações comunistas pelo CIC, se tornou um protegido deles, que o ajudaram a fugir para América do Sul, para onde partiu com sua família. Mesmo na Bolívia barbie ainda conseguia movimentar seus informantes na europa, e por isso continuava muito valioso para os americanos e também para a Inteligência da Alemanha Ocidental. Barbie conseguiu efetivamente se livrar do seu julgamento na França, vivia na Bolívia até ser reconhecido anos depois por Erhard Dabringhaus através de uma entrevista que ele concedeu para a NBC em 1983, utilizando o nome de Klaus Altmann. Dabringhaus entrou em contato com a emissora e expôs que aquele homem era o famoso Açougueiro de Lyon, e se disponibilizou para depor contra o mesmo.

Logo depois Klaus Barbie já estava sendo transportado para França. A Bolívia já tinha rejeitado extradições de Barbie diversas vezes, mas sua aparição na NBC tornou-se um alvoroço internacional, e o governo boliviano acabou cedendo. Relata o advogado de Klaus Barbie que o mesmo foi uma vítima de um acordo secreto entre França e Bolívia, com o país europeu fornecendo treze milhões de dólares e três mil e trezentas e sessenta toneladas de trigo em troca da Bolívia entregar Barbie para as autoridades francesas.

Sobreviveu sob proteção dos governantes para quais oferecia seus serviços, acabando por ser nomeado assessor de segurança do ex-presidente da Bolívia Hugo Banzer. Em 1982, com o fim da ditadura, um novo governo boliviano surge com Hernán Siles Zuazo, através desse Barbie perde seu exílio e acaba sendo expulso do país. Na França então foi condenado por crimes contra a humanidade com pena de prisão perpétua. Acabou falecendo na prisão em 1991. Durante seu julgamento, Barbie insistiu para ser inocentado, afirmando que foi responsável por ter salvo a França de se tornar um regime socialista.

O caso de Klaus Barbie demonstra a hipocrisia dos países que dizem lutar por justiça, mas que podem adiá-la sempre que preferirem caso possa lhes trazer benefícios. Os americanos não estavam preocupados com justiça quando contrataram Barbie, pelo contrário, estavam dispostos a fazerem vista grossa para conseguirem se aproveitar da situação, porém conseguem ainda se manter neste pedestal de moralidade criado pelos próprios. Não existe na história povo mais demonizado atualmente do que os alemães nacionalistas que buscavam libertar seu povo das influências internacionais do capital financeiro e da corrupção cultural do bolchevismo, não há um dia no qual Hollywood e a mídia não nos lembrem das atrocidades cometidas pelo regime nazista, mas os únicos que podem “esquecer” delas são os próprios americanos quando convém.


Referência de pesquisa:

DABRINGHAUS, Erhard. Klaus Barbie: The Shocking Story of How the U.S. Used This Nazi War Criminal As an Intelligence Agent. Acropolis Books Inc., 1° de abril de 1984.

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