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Qualquer discussão sobre a relação entre o sionismo e o “poder da elite” nos países ocidentais deve inevitavelmente começar com uma qualificação de significados, já que esses termos têm sido usados de maneiras que implicam em múltiplas definições. Para os fins dessa discussão, o termo “sionismo” pretende descrever uma perspectiva que prioriza e promove o Estado de Israel como um bastião do nacionalismo judaico, e que mais ampla e implicitamente favorece um nacionalismo étnico judeu que abrange o espectro da diáspora judaica. O termo “poder da elite” está sendo utilizado da maneira sugerida pelo sociólogo C. Wright Mills, que cunhou o termo para descrever aqueles que detêm posições dominantes nas instituições dominantes da sociedade, como governo, negócios, indústria, finanças, poder militar, educação, religião e os meios de comunicação de massa. A questão central envolvida na análise dessa relação é a questão de até que ponto as decisões políticas são moldadas pela influência de simpáticos ao sionismo. A evidência indica que os sionistas exercem considerável influência sobre o processo de tomada de decisões políticas em muitos países ocidentais, especialmente nos Estados Unidos.

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O Crescimento do Poder Sionista nos Estados Unidos

O poder sionista nos Estados Unidos cresceu consideravelmente, de fato, quase exponencialmente, nas últimas décadas. Enquanto os EUA junto da Inglaterra foram fundamentais na formação do Estado de Israel em 1948, os interesses sionistas não dominaram a política externa dos EUA no Oriente Médio durante os anos subsequentes. Por exemplo, durante a crise do Canal de Suez em 1956, os EUA se aliaram às nações árabes não apenas contra Israel, mas contra a Inglaterra e contra a França também. Entretanto, o ponto de virada começou com a Guerra dos Seis Dias em 1967, que teve o efeito de galvanizar os elementos pró-sionistas da comunidade judaica americana, e o lobby de Israel começou a exercer uma influência considerável sobre a política dos EUA na região. Novamente, os Estados Unidos não retaliaram quando Israel abateu o navio estadunidense USS Liberty durante o mesmo ano. O poder sionista foi demonstrado mais uma vez quando os Estados Unidos se aliaram com Israel na Guerra do Yom Kippur em 1973, que resultou num embargo de petróleo caro imposto aos EUA pelas nações da OPEP.

Enquanto isso, as aberturas culturais e a revolução dos direitos civis na década de 1960 abriram as portas para uma participação maior das minorias tradicionalmente excluídas nas instituições americanas. Essas mudanças culturais foram especialmente benéficas para os judeus, que já eram uma minoria próspera, rica e instruída. Enquanto os intelectuais judeus americanos tipicamente se inclinavam fortemente para a esquerda, isso começou a mudar nos anos 70, quando muitos sionistas começaram a deixar a New Left por questões envolvendo Israel e a Guerra Fria. A New Left tendia tendia a visões pró-Palestina e considerava a Guerra Fria apenas como um embate de imperialismos rivais. No entanto, muitos sionistas americanos consideravam o poder americano uma salvaguarda para Israel e se opunham veementemente à União Soviética, em grande parte por causa do antissemitismo russo. Intelectuais judeus e desertores de esquerda, como Irving Kristol e Norman Podhoretz, foram instrumentos no desenvolvimento do movimento neoconservador. Os neoconservadores começaram a desenvolver um relacionamento com o movimento conservador americano que havia começado durante o período do pós-guerra sob a liderança de figuras como William F. Buckley, e se afastando do Partido Democrata para o Partido Republicano.

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Scott McConnell: O Partido Republicano é o Partido do Sionismo

Durante as décadas de 1980 e 1990, ocasionalmente existiram tensões entre os partidários sionistas e outras facções dentro da coalizão conservadora americana. Embora a liderança do sionismo de direita nos EUA tenha mudado para os republicanos, a maioria dos judeus comuns ainda tendia a votar no Partido Democrata, o que é o caso de grupos minoritários nos EUA em geral. Durante a presidência do republicano George H. W. Bush no final dos anos 1980 até o começo dos anos 1990, o então Secretário de Estado James Baker III ameaçou reter os empréstimos americanos a Israel em resposta aos esforços de assentamentos de Israel nos territórios ocupados. Durante uma reunião privada, Baker ganhou a ira permanente do lobby de Israel quando comentou: “Foda-se os judeus. Eles não votam na gente de qualquer jeito.” No entanto, o Partido Republicano desde então se tornou desprovido de qualquer voz que ousasse desafiar os desejos do lobby de Israel.

Scott McConnell, do The American Conservative, identifica o processo pelo qual os republicanos se tornaram o “Partido de Israel” e como o partido se alinhou com a facção mais de direita da política interna israelense, o Likud. Ele cita o trabalho de vários pesquisadores que traçam o domínio do Partido Republicano pelos interesses até a crescente dependência do Partido Republicano de ricos doadores bilionários judeus, a importância dos cristãos sionistas evangélicos como uma massa de manobra eleitoral republicana, a visão de Israel como um importante aliado contra o terror islâmico durante a era depois do 11 de Setembro e as visões ardentemente pró-Israel e quase evangélicas do ex-presidente George W. Bush. McConnell acrescenta a isso por meio do estabelecimento da Fox News, o surgimento de publicações neoconservadoras do The Weekly Standard, a aquisição neoconservadora da revista principal do movimento conservador. The National Review, o ostracismo efetivo de vozes anti-Israel, como Patrick Buchanan, do meio conservador, e a proliferação crescente da influência dos grupos de reflexão sionistas organizados ou financiados.

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O Destino dos Críticos de Israel

Em 27 de Maio de 2010, a jornalista Helen Thomas, de 89 anos, veterana repórter da Casa Branca comentou quando questionada sobre Israel durante uma entrevista improvisada: “Diga a eles para dar o fora da Palestina… Lembre-se, essas pessoas estão ocupadas e é a terra deles. Não é a Alemanha, não é a Polônia” e que os israelenses deveriam ir para casa. “Por que expulsar de lá as pessoas que vivem lá há séculos?” Os comentários de Thomas foram recebidos com uma rodada de rescisão de contratos de trabalho e a revogação de prêmios concedidos anteriormente. Posteriormente, ela se demitiu de seu cargo na Hearst Newspaper. No entanto, Thomas se recusou a retratar seus comentários, afirmando, “Eu paguei um preço, mas vale a pena falar a verdade… O Congresso, a Casa Branca, Hollywood, e Wall Street são propriedade dos sionistas. Sem dúvida, na minha opinião… Só acho que as pessoas deveriam ser esclarecidas sobre quem está no comando da opinião nesse país.” Vindo em defesa de Thomas, Ralph Nader observou a ironia de que Thomas seria atacado por tais comentários, observando que “rádios ultradireitistas e emissores de cabo” promoviam “intolerância, estereótipos e falsidades dirigidas por grosso contra os muçulmanos, incluindo um ruidoso antissemitismo contra os árabes” detém uma presença significativa na mídia norte-americana.

Não apenas jornalistas, mas também políticos e acadêmicos que ousaram expor ou desafiar o poder dos sionistas sobre a política americana foram submetidos à ruína profissional. Entre as autoridades eleitas americanas cuja as carreiras foram arruinadas ou prejudicadas pelo lobby de Israel nós podemos citar Paul Findley, Jim Traficant, Cynthia McKinney, Pete McCloskey, JamesMoran, Charles Pearcy, Earl Hilliard, William Fulbright, Mike Gravel, Roger Jepson, e James Abourezk. A Universidade DePaul negou posse ao distinto estudioso judeu Norman Finkelstein, filho de sobreviventes do Holocausto e um importante crítico do tratamento de Israel com os palestinos, depois que uma campanha contra Finkelstein foi organizada pelo advogado sionista Alan Dershowitz.

Uma mudança nas marés?

Tradicionalmente, as vozes antissionistas, anti-imperialistas ou pró-Palestinas autênticas têm estado completamente ausentes tanto da mídia dos EUA quanto da classe política. Essas vozes existiram apenas nas franjas da esquerda ou direita da política americana, No entanto, um evento bastante notável aconteceu em Março de 2015. A liderança do Partido Republicano no Congresso convidou o ex-primeiro ministro israelense e líder do Partido Likud, Benjamin Netanyahu, então buscando a reeleição que ele alcançaria com sucesso, se dirigiu ao Congresso Americano a fim de denunciar as negociações nucleares do Presidente Obama com o Irã, e em desafio aos protocolos comuns, Quase 60 membros do Partido Democrata de Obama retaliaram boicotando o discurso de Netanyahu. A questão-chave a respeito dessa ocorrência envolve o que esse desafio sem precedentes ao lobby de Israel significa para o futuro da política dos Estados Unidos.

A divisão entre os dois principais partidos políticos dos Estados Unidos é agora mais ampla do que em qualquer momento do século passado, e o mesmo se aplica às divisões culturais e socioeconômicas. Pode ser que essas divisões sejam agora tão grandes que as correntes sionistas entre o poder da elite estejam cada vez mais incapazes de controlar o processo político. A disposição do [ex-] presidente Obama de negociar com Irã e evitar a guerra pode representar uma divisão crescente entre as elites sionistas e setores importantes da classe dominante americana. Na verdade, pode estar se desenvolvendo um agravamento das divisões entre a elite sionista, como ilustrado pelo surgimento de J Street. As evidências indicam que os americanos, judeus e gentios e especialmente os mais jovens estão se tornando cada vez mais antipáticos a Israel, evidenciado pelo aumento do movimento “Boycott, Divestment, and Sanctions” (Boicote, Desinvestimento e Sanções) em relação a Israel, e o surgimento de grupos como Jewish Voice for Peace.

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Uma Guerra com o Irã?

O poder de Israel nos Estados Unidos e em outras nações tornou essas nações cúmplices da carnificina que ocorre nos territórios ocupados. Não se pode negar que os principais aliados do Likud nos Estados Unidos, os neoconservadores, foram a força motriz por trás da guerra no Iraque com suas centenas de milhares de mortes e milhões mais mutilados, deslocados ou submetidos à tirania distópica do Islã Estado que surgiu em tempos mais recentes. Na mesma linha, o coronel Lawrence Wilkerson, ex-secretário de Estado Colin Powell, observou recentemente que o Partido Republicano, “o partido de Israel”, como Scott McConnell descreve o Partido Republicano, está aparentemente zeloso por uma eventual guerra com Irã, uma guerra que terá um desfecho ainda mais devastador que a guerra com o Iraque. Além disso, os partidários sionistas nos Estados Unidos parecem estar construindo uma falsa justificativa para uma guerra com o Irã que é comparável à falsa justificativa que levou à guerra com o Iraque. Assim como foi erroneamente alegado que o Iraque estava de posse de “armas de destruição em massa”, contra a insistência de verdadeiros especialistas em desarmamento internacional, também está sendo alegado que o Irã está desenvolvendo armas nucleares desafiando o consenso da opinião acadêmica real sobre a questão. Se o atual impulso para a guerra por parte do Partido Likud e de seus indiscutivelmente ainda mais extremistas partidários nos Estados Unidos for bem-sucedido, resultará em uma quantidade volumosa de morte, destruição e sofrimento humano totalmente desnecessários.


Fonte: Alerta Nacionalista (blog)

By Keith Preston

Keith Preston é um proeminente e mordaz escritor crítico teórico sobre o anarquismo. Possui BA em Estudos Religiosos e História com estudos adicionais de pós-graduação em Sociologia e Criminologia. É ex-instrutor de sociologia, um ex-delegado regional dos Trabalhadores Industriais do Mundo e ex-membro do Comitê Nacional da Aliança de Solidariedade dos Trabalhadores. É fundador e diretor da American Revolutionary Vanguard e editor-chefe do site AttacktheSystem.com. Ele também é o apresentador do podcasts online "Attack the System". Em seus livros, Preston fala do que chama Anarco-Pluralismo e Pan-Secessionismo. Entre seus livros publicados estão: "Attack The System: A New Anarchist Perspective for the 21st Century" (2013); "The Failure of Anarchism, The Tyranny of the Politically Correct: Totalitarianism in the Postmodern Age"; "Beyond the End of History: Rejecting the Washington Consensus" e "Thinkers Against Modernity" (2016)

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