Julius Evola: O falangismo espanhol

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Publicado como “Che cosa vuole il ‘Falangismo” em 1937

Enquanto as fases da Guerra Civil Espanhola são seguidas por todos com grande interesse, menos atenção é dada às ideias exatas que inspiram a revolta das forças nacionais espanholas contra o comunismo: talvez muitos acreditem que a fase ideológica, nas revoluções, sempre se desenvolve numa data posterior.

Nós não partilhamos dessa opinião. Acreditamos que o melhor soldado é aquele que luta com um conhecimento preciso de sua causa e que as ideias – mesmo que sejam apenas íntimas, ou vagamente apreendidas, mais do que claramente formuladas – são a realidade essencial em toda revolta histórica genuinamente importante. Somos portanto, gratos a Alberto Luchini, por nos informar sobre o programa doutrinário de um dos principais movimentos nacionalistas da Espanha, a chamada “Falange Espanhola”, que sintetiza seus termos com recursos e um estilo de tradução verdadeiramente surpreendente, e diríamos quase necromântico, através do vigor, precisão e improvisação agradável (Il falangisti spagnoli, Beltrami, Florença, 1936). Trata-se de uma profissão geral de fé política, cuja formação parece ser devida a José Antonio Primo de Rivera, ou ao escritor Gimenez Caballero. O programa, através da riqueza do conteúdo espiritual, quase nos surpreendeu, na medida em que acreditamos necessário denunciá-lo ao povo italiano, expressando resumidamente o seu significado.

García Valdecasas, Ruiz de Alda e Primo de Rivera no encontro para a sua fundação de 29 de outubro de 1933 na fundação da Falange. Fonto: Wikimedia Commons

Primeiro ponto. Nem a unidade linguística, nem étnica nem territorial é considerada suficiente para dar à ideia de nação o seu verdadeiro conteúdo. “Uma nação é uma unidade predestinada, uma unidade cósmica”. Tal, afirma que também é o caso na Espanha: uma unidade, um destino, “uma entidade sub-existindo além de cada pessoa, classe ou comunidade cujo é atualizada”, não apenas, mas acima de “a quantidade total resultando de sua agregação”. Ou seja, trata-se da ideia espiritual e transcendente da nação, em oposição a toda comunidade – da direita ou da esquerda – e a todo mecanismo.” Uma verdadeira entidade em sua verdade perfeita, uma realidade viva e soberana. A Espanha tende, consequentemente, ao seu próprio destino definido. “A respeito disso, eles não apenas falam de “um retorno integral à cooperação espiritual mundial”, mas também de uma “missão universal da Espanha”, uma criação pela “unidade solar” que representa, “um novo mundo”. Certamente, essa última proposição, deixando de lado as boas intenções, permanece como um ponto de interrogação.

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O que a Espanha hoje, e até amanhã, diz em relação à ideia universal é de fato incerto. Mas a realidade é que aqui temos o efeito de uma lógica precisa. De fato, não se pode afirmar espiritualmente a ideia de nação sem ser instintivamente levado a superar o seu particularismo, para o conceber como o princípio de uma organização espiritual supranacional, com um valor, portanto, de uma universalidade: mesmo quando tem pouca disposição para dar uma forma concreta e eficaz a essa necessidade. E vice-versa: toda restrição particularista de uma ideia nacional sempre acusará de materialismo e coletivismo latentes.

Passando para uma parte mais específica do programa político falangista. Os falangistas dizem não ao Estado agnóstico, um espectador passivo da vida pública nacional ou, no máximo, um policial em grande estilo, como um vigia noturno. O Estado de todos, total e totalitário, justifica-se, porém, nessa forma, sempre com referência à noção ideal e perpétua da Espanha, independente de qualquer interesse, seja classe ou de partido.

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A erradicação dos partidos e do parlamento decorre naturalmente dessa visão. Mas, os falangistas, sob a força das tradições seculares de sua terra natal, também parecem estar atentos aos excessos do totalitarismo, que, em seu trabalho de nivelamento e uniformização, ameaçam fazer algumas tendências nacionalistas, apesar de tudo, semelhantes às nacionalizações do bolchevismo. É assim que os falangistas insistem na necessidade de que os grupos humanos orgânicos, vivos e vitais, articulem o verdadeiro Estado e sejam sua base sólida; então eles pretendem defender a integridade da família, a célula da unidade social; autonomia local, a célula da unidade territorial; e finalmente a unidade corporativa e profissional, as células de uma nova organização nacional de trabalhos e órgãos para tentar superar a luta de classes.

Nesse último aspecto, a adesão dos falangistas à ideia de fascismo corporativista é completa. “Os grupos sindicais e empresariais, até agora são incapazes de participar da vida pública nacional, eles terão que se levantar, derrubando as barreiras artificiais do parlamento e dos partidos políticos, com os órgãos diretos do Estado”. A comunidade de produtores como um todo orgânico será concebida como “totalmente cointeressada e envolvida na única e mais alta empresa comum”: uma empresa cujo a liderança precisa ser sempre assegurada para preservar o interesse geral da nação.

Falangistas desfilando pelas ruas de Sevilha em 1937 | Arquivo Privado de Sancho Dávila

Talvez não seja uma coincidência que o capítulo que se segue imediatamente seja sobre a personalidade humana, e denuncie o perigo de uma nação inteira se transforme numa espécie de “laboratório de testes”, como nas consequências lógicas do mecanismo bolchevique. A proeminência dada para a dignidade da personalidade humana, distinguindo se claramente de uma vontade individualista, parece para nos de fato, como uma das mais salientes características do Falangismo Espanhol e o efeito de uma visão tradicional saudável. Citamos a frase que, a respeito disso, é a mais significativa: “A Falange Espanhola discerne na personalidade humana, através do indivíduo físico e fisiológico, a mônada espiritual, a alma ordenada na vida eterna, o instrumento de valores absolutos, um valor absoluto em si mesmo. “Daí a justificativa dum respeito fundamental pela “dignidade do espírito humano, para a inteira liberdade da pessoa: liberdade legitimada de cima, de natureza profunda; e quem pode transpor para a liberdade de conspirar contra a sociedade civil e minar suas fundações. “Com essa afirmação, um dos maiores perigos da contrarrevolução anti-marxista é decisivamente superado: o perigo, isto é, de infringir os valores espirituais da personalidade no momento de atacar corretamente o erro liberal e individualista na vida política e social.

Com essa premissa, toda interpretação materialista da história é rejeitada pelos Falangistas, seu espírito é concebido por eles como a fonte de de toda força verdadeiramente decisiva – vale a pena apontar. E uma profissão de fé católica é igualmente natural; a interpretação católica da vida é historicamente falando, a única que é “espanhola” e todo trabalho de reconstrução nacional precisa pertencer a ela. Isso não significa uma Espanha, que mais uma vez teria que se submeter à interferência, intrigas e hegemonia do poder eclesiástico, mas uma nova Espanha, animada pelo “sentido católico universal” que já a guia, “contra a aliança do oceano e barbarismo à conquista de continentes desconhecidos”: uma Espanha permeada pelas forças religiosas do espírito.

Encontro da Falange, em Zaragoza (1936). Foto: ABC

Assim, os Falangistas lutam por essas ideias, como um “guerreiro voluntário” destinado a “conquistar a Espanha para a Espanha”. Essas ideias que, em suas linhas gerais, nos parecem perfeitamente “em ordem”, já apresentam um aspecto preciso e podem ter o valor de pontos de referência sólidos. Se o movimento nacional espanhol for realmente penetrado por eles, temos um duplo motivo para sinceramente desejar-lhes uma vitória completa, rápida e decisiva: não apenas para a faceta anticomunista e anti-bolchevique, mas também pelo que dela poderão surgir aspectos positivos em toda uma nova Europa hierárquica, das nações e da personalidade.


Fonte: European Freedom

Tradução de Alerta Nacionalista (blog)


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